Se Eu Não Te Vir Primeiro

Eric Lindstrom · Capítulo 27 de 33

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Se Eu Não Te Vir Primeiro

Capítulo 26

VINTE E SEIS

 

 

pesar de me sentir destruída, não posso evitar car um pouco orgulhosa de mim mesma. Estou morrendo por dentro, mas por fora estou dando um belo show. Continuo dizendo a mim mesma o que disse à Sarah dez minutos atrás: eu não o queria ou con ava nele até

recentemente, então não tenho muito o que retroceder. Estou con ante de que o nosso silêncio mútuo vai recomeçar e não vamos fazer nenhuma cena.

– Teste surpresa – digo quando cai um silêncio que temo levar a algo sério. – Me diga as fórmulas do seno, cosseno e tangente.

– Beleza – responde B.B. – O seno é o cateto oposto sobre a hipotenusa, o cosseno é o cateto adjacente sobre a hipotenusa, e a tangente é o cateto oposto sobre o cateto adjacente.

– Cem por cento! – exclamo. – Nota dez!

– Os hippies merecem um pouco do crédito – a rma ele.

– Eles não merecem nada! – Acho que a gritaria pode me ajudar a chegar ao m do dia. – A vitória é toda sua. E você ganha uma estrela dourada por falar a palavra hipotenusa em vez de lado inclinado.

– Oi, Parker. – O Scott desaba na cadeira. – Então a Trish falou com você?

Caramba, ele parece empolgado. Que. Porra. É. Essa.

– Quê? – digo na minha voz de mil-punhais-congelados.

– A Trish Oberlander. Ela...

– Eu sei. Eu estava lá. Por que você está falando comigo?

– Eu… hum… tá bom… – A voz dele despenca de velocidade em tempo recorde. – Eu… eu sei que não era o que você queria ouvir…

– Não precisamos mais falar sobre o que você acha.

Os punhais congelados encontram o alvo porque ele não diz mais nenhuma palavra.

 

Enquanto arrumamos as coisas depois da aula, não sei se quero que o Scott

que quieto ou tente dizer algo para eu fazê-lo se calar de novo. Antes que

eu pense muito a respeito, ele faz a escolha.

– Parker, eu sei que você está brava comigo de novo – diz ele de forma meiga. – Mas você pode, pelo menos, me contar o que respondeu?

– Pra Trish? Você quer uma reencenação? Por que você simplesmente não assistiu?

– Só quero saber se você vai fazer.

– Fazer o quê?

– Correr com ela.

O meu coração sofre uma contração no peito, duas vezes, e de novo, como se estivesse tentando fugir da minha caixa torácica. De repente o meu rosto começa a queimar tanto a ponto de coçar e eu sei que está cando vermelho.

– Correr…? – é tudo que consigo dizer antes que a minha garganta feche completamente.

– Ela é a nossa corredora de tiro mais rápida, estou surpresa que ela não tenha dito isso. Normalmente, ela conta pra todo mundo que quiser ouvir. Eu conversei com ela no sábado sobre ser sua guia e ela falou que queria saber mais de você antes. Acho que conversou com o Jason e alguns outros, não sei quem. Achei que você tinha me mandado mensagem hoje de manhã porque ela tinha te chamado. Ela não chamou?

Eu não consigo falar. Balanço a cabeça, mas tão rápido que provavelmente parece mais uma convulsão do que uma resposta.

– Ah. Talvez ela estivesse te conhecendo, mas ainda não falou no assunto ou talvez ela tenha decidido não fazer… Desculpa, Parker, eu… hum… – Ele expira de forma audível. – Droga.

Eu não consigo respirar. Eu não… consigo… respirar… porra…

– A gente tem que ir, pega as coisas dela – diz Molly, rapidamente. Ela me pega por trás, segurando nos dois ombros, me empurra pela sala e eu deixo, conseguindo andar quase sem tropeçar e con ando que ela me guie direito.

– Ei…

– Não, Scott, você ca. Ela vai car bem.

Saímos da sala, aos trancos e barrancos pelo corredor, virando no banheiro, e eu mal consigo me segurar até a porta se fechar.

 

Estou sentada numa tampa de privada, com a Molly do lado de fora nas pias. Não emito nenhum som faz pelo menos cinco minutos, depois de chorar copiosamente por vinte minutos, e ela não pergunta se estou bem. Estou agradecida. Essa menina lê mentes e, depois de apenas algumas semanas, espero que ela seja minha amiga pelo resto da vida.

En m saio da cabine.

– É melhor a gente ir pra aula.

– A gente pega a próxima.

Eu estendo a mão. Quando ela segura, eu a puxo para perto e a abraço forte.

– Obrigada.

Ela aperta.

– Você não sabia onde estava se metendo comigo. Arrependida?

– Não. Mas não encare isso como um desa o.

– Sem promessas! – Eu a solto. – Que raios eu vou fazer agora?

– O que você quer fazer?

– Uma tatuagem em braille no meu braço que diga Não tire conclusões precipitadas! Só pra eu me lembrar disso dez vezes por dia. Meu Deus, eu sou tão idiota!

– O que quer que você tenha feito, ele vai te perdoar.

– Eu sei, mas…

– E ele ainda te ama. Dá pra saber cada vez que eu o vejo.

– Bom, ele não ama. A Trish me falou essa manhã.

– Ah… – gargalha Molly. – A Trish te falou. Então é disso que se trata?

– Você a conhece?

– Trish, a Oberlander? A superconquistadora, a superfazedora, a superdramática, a supertudo? Ela disse que o Scott não te ama? E você acredita nela?

– Ela disse que o Scott falou pra ela.

– O que a sua tatuagem te diz?

– Caramba, Molly, não estou no clima agora.

– Você e a Trish têm muito em comum; vocês se jogam em tudo 110%, pulando sem olhar. Ou vocês vão se tornar grandes amigas ou inimigas mortais.

– Não sou nem um pouco que nem ela. Não falo com ninguém daquele jeito. Nunca.

– O que ela falou?

– Que ela ia me cortar com uma garrafa de cerveja se eu voltasse com o Scott e partisse o coração dele de novo.

– Humm. Se um cara partisse o coração da Sarah e aí voltasse com

ores? O que você ia falar pra ele?

Depois de um instante, eu declaro:

– Molly, acho que não podemos mais ser amigas.

Ela ri.

– Se é assim que tem que ser. Acabamos por aqui?

– Onde estão as minhas coisas?

– Ah, o Stockley pegou. Ele estava seguindo a gente…

Andamos até a porta e a Molly a abre.

– Oi, ela está bem?

A voz dele vem de perto do chão, ele deve ter cado sentado no corredor. Ele se levanta e diz:

– Aqui está a sua… o que quer que seja. Eu não queria deixar lá.

Eu estendo os braços e sinto a minha bolsa roçar a minha mão direita. Eu não pego.

– Ela quer um abraço, seu pateta – informa Molly.

– Ah – diz ele, mas não me abraça.

– Coloque… a bolsa… no chão… – diz ela.

Escuto ruídos e em seguida ele me abraça delicadamente. Ele é até mais alto do que eu imaginava ao ouvir de onde vem a voz dele, e é corpulento como um jogador de futebol americano.

– Certo – comenta Molly. – Se algum dia você abraçar alguém frágil como a Faith, é assim que você deve fazer, mas acho que a Parker aguenta mais do que isso.

Como não contesto, ele me aperta e me levanta do chão. Eu solto um pequeno grito e ele me abaixa de volta.

– Obrigada, Kent – digo.

– Hehe, ninguém me chama de Kent. – Mas parece que ele gostou.