Se Eu Não Te Vir Primeiro
Capítulo 25
VINTE E CINCO
m de semana mais longo da história. Eu sobrevivi por uma
combinação de fazer uma tonelada de dever de casa e passar tempo com Petey. Sheila até jogou cartas com a gente algumas vezes, depois cou fora a maior parte do sábado com a Faith, a Lila e a
Kennedy e voltou insuportavelmente animada. Estou realmente contente que ela tenha se divertido e cado o mais feliz que eu jamais vi, mas o meu humor não estava compatível com aquele tipo de energia. Fiz a melhor cara que pude.
Nada do Scott. Não sei o que eu esperava, mas alguma coisa. En m mandei uma mensagem de texto para ele na noite de domingo a respeito de ser meu guia de corrida. Tudo o que ele respondeu foi Vamos conversar amanhã.
Tudo parece há séculos daqui, sentada com a Sarah na quadra. Ela passou o m de semana todo entre me perguntar as coisas e não me encher o saco, mas agora acabou o assunto e estamos sentadas em silêncio esperando por pacientes. O que garante que não vamos receber nenhum.
Estou errada. De novo. Sinceramente, estou cando de saco cheio disso.
– Oi. – Uma menina senta à nossa frente. – Preciso de hora marcada?
Eu ouvi a voz dela na aula, mas não a conheço. É da Jefferson. Con ante. Alta. Em geral, as pessoas que a gente não conhece ou cam tímidas ou com a voz excessivamente alta para compensar a posição inferior de buscar ajuda, então já estou imaginando o segundo tipo. Veremos.
– Encaixes são bem-vindos – declara Sarah. – Não te vi por aí. Eu sou a Sarah, essa é a Parker…
– Eu conheço a Parker, a gente tem aulas juntas. Eu sou a Trish Oberlander.
– História dos Estados Unidos? – digo, tentando me lembrar. – E…?
– Literatura inglesa. Ouvi falar que vocês dão conselhos.
– Nós escutamos – responde Sarah. – Conselhos, só se você quiser.
– Conselhos que você não quer – complemento – são o meu departamento.
É bom uma gargalhada para descontrair. Talvez eu possa salvar essa manhã, a nal de contas.
– Então, eu sou amiga de uma pessoa…
– Ah, hum – interrompe Sarah. – A gente não faz isso. Tipo, se vamos mesmo falar de você, ca muito estranho ngir que está falando de outra pessoa…
– Mas de nitivamente é outra pessoa.
– Então ela deveria vir falar com a gente. Você também pode vir se ela quiser…
– É ele, e sem chance de ele vir conversar com vocês sobre o problema dele.
– Tudo bem, mas…
– Não é como se vocês fossem fazer alguma outra coisa – comenta ela. – Eu não estou pedindo pra vocês resolverem o problema dele. Eu quero conversar sobre como eu posso ajudá-lo.
Sarah não responde e co imaginando como está a cara dela. Digo a ela:
– Tudo bem. Pre ro passar os próximos dez minutos falando sobre isso do que sobre por que não podemos. Vá em frente, Trish.
– Tá, o meu amigo Frank, ele…
– Frank? – pergunto. – É um nome falso?
– Não, o nome dele é Frank, juro por Deus. Vocês não podem achar que já conhecem todo mundo da Jefferson?
– Não – responde Sarah com sua voz inexpressiva, acho que ainda zangada por estarmos tendo essa conversa.
– O Frank estava saindo com a Cecê e aí eles terminaram. Agora ela está rondando de novo e estou preocupada que ele volte com ela.
– O que tem de errado nisso? – quero saber. – Se eles quiserem?
– Aí é que está. A Cecê terminou com ele e o tratou que nem lixo da forma como foi. Aquilo realmente o destruiu. Mas acho que ela não está encontrando nada melhor e agora está toda de conversinha mole, mas não quero que ele se machuque de novo. Ele diz que está tudo acabado, mas não sei. Ele é muito sensível e tenho medo de que caia na armadilha dela de novo.
– Você está a m dele? – pergunta Sarah, de forma um pouco áspera, não com a empatia normal dela.
– Nós somos só amigos.
– Não foi o que eu perguntei.
Isso é ainda mais ríspido para a Sarah. Talvez ela também esteja reagindo à voz alta, estridente, de uma atleta de time de softbol, da Trish, só que não é típico dela deixar esse tipo de coisa transparecer.
– Não estou a m dele, tá certo? Tá feliz? É possível ser amiga de um cara sem querer ter um lho com ele. Ou você não sabia disso?
– Com certeza – digo em minha voz tranquilizadora, espantada com essa inversão de papéis entre mim e Sarah. – O que faz você pensar que dessa vez ele não pode ir devagar, mantendo os olhos abertos? Pra ver se ela pode ganhar a con ança dele de novo?
– Num mundo perfeito, com certeza, mas essa Cecê, eu não a conheço de verdade, mas ela tem fama de ser uma tremenda vaca. Vocês não acreditariam nas coisas que eu escutei que ela diz. É como se ela estivesse disposta a dizer qualquer coisa e consigo visualizá-la falando pro Frank exatamente o que ele quer ouvir. Então existe con ança, e con ança cega, se é que vocês me entendem, sem querer ofender.
Eu sorrio – está tudo bem –, embora ela esteja começando a me irritar, considerando o pouco que eu tinha a princípio.
– Não tem meio-termo com o Frank, não existe ir devagar. Se ele decidir voltar com ela, vai pular de cabeça.
Eu espero para deixar a Sarah ter vez, mas ela não aproveita. Eu falo:
– Não acho que você vá gostar disso, mas não tem nada realmente que você possa fazer. A escolha é dele.
– Eu imaginei que vocês fossem dizer algo assim, mas que tipo de amiga eu seria se não tentasse? Não posso dizer a ele o que fazer, mas talvez falar com a Cecê, sabe, se eu desse um chega pra lá nela, podia funcionar. Talvez ela recue e o deixe em paz se souber que não vai ter moleza, que eu vou fazer todo o possível para expor quem ela realmente é e o que está fazendo para esmagá-la.
– Esmagá-la? Como? Batendo nela? Quebrando uma garrafa de cerveja na cabeça dela?
– Talvez. Se for esse o necessário…
– Ãhn… – Não tenho muita certeza do que fazer em seguida. Sarah e eu atendemos muita gente esquisita, mas essa, de nitivamente, está no Top Dez.
– Acho que terminamos – declara Sarah, usando sua voz com-certeza-acabamos.
– Não… – digo. – Antes que a gente termine por aqui, gostaria de deixar registrado que ir atrás de alguém com uma garrafa não é apenas uma péssima ideia, é uma ideia maluca pra caralho, desculpe o meu linguajar. E não é proteger o seu amigo, está mais pra você estar apaixonada por ele e não admitir.
– Aí é que está, Parker. Ninguém está apaixonado por ninguém nessa história. E é assim que vai car. Entendeu?
– A gente entendeu – diz Sarah.
– Eu não entendi. Isso é real ou historinha? Existe mesmo um Frank ou você está zoando com a nossa cara?
Sarah segura o meu punho.
– Ah, eu te juro que é real – responde Trish, com a voz mais perto. – É o nome dele mesmo, bom, é Francis, Frank é só um apelido, mas é o nome do meio dele, nem todo mundo sabe.
Começo a car tensa no pescoço e en m vejo o que a Sarah deve ter entendido faz tempo, que a Trish está falando de Scott Francis Kilpatrick. É claro que eu sei o nome do meio dele, só que era raro falar disso, a não ser que eu o estivesse provocando.
– Entendeu agora, Cecê?
– Eu sou a Cecê? – Os meus músculos se retesam, lembrando da garrafa de cerveja. – Isso é um nome inventado pra mim?
– Não é um nome… Ah, você quer dizer tipo Cecê? Não, é C.C. São iniciais. As suas iniciais. O primeiro C é de Cachorra. Vou deixar você descobrir o que o segundo C signi ca, e não tem a palavra cabra nela.
Ela se levanta de repente, e a mão da Sarah se contrai.
– Você teve a sua chance, mas acabou. Scotty não quer nada com você, mas ele é bonzinho demais pra ser sincero e te contar. Isso não é um problema pra mim. Então aqui estamos, eu mandando você deixar de encher a porra do saco. E agora acabamos.
Ela sai pisando duro.
– Você tá bem? – pergunta Sarah.
Nada bem. Nem um pouco bem. Ficando tonta. Remexo a minha bolsa procurando o telefone. Quando encontro, eu o estendo porque as minhas mãos estão tremendo e eu quero uma resposta rápida.
– Manda uma mensagem de texto pra ele por mim. Você é amigo da Trish? Só isso.
– Você não vai encontrar com ele daqui a alguns minutos, de qualquer forma, na aula de trigonometria?
Eu balanço o celular e tento manter a voz rme.
– Por favor?
Ela o pega. Eu escuto o vush quando o texto é enviado.
– Ainda bem que ela não estava bebendo uma cerveja – comento.
– Hã?
– Eu não gostaria de ser a receptora de uma arma dessas.
Continuar a brincar. É o jeito de manter o astral. Aguentar rme, ver o que o Scott diz. Talvez a Trish só esteja mentindo.
– Pelo jeito eu tenho um novo apelido.
– Ela estava mesmo te chamando de…?
– É – digo. – Cachorra Cega.
– Meu Deus.
– Cecê… C.C. Sabe, acho até que eu gosto…
– Não! Não gosta! E… bom… mesmo que você goste, se alguém te chamar disso de novo, eu vou começar a carregar uma garrafa de cerveja!
Eu tento sorrir, mas não consigo mais do que uma tremida. A minha barreira de negação está cando mais frágil a cada segundo. A Trish não poderia ter dito todas aquelas coisas sem conhecer o Scott muito bem…
Bzzz.
– Ele diz: Sim. Ela falou com você?
Não sei como voltar a respirar sem fazer barulho, barulho que ia de agrar um monte de outros sons que eu não quero fazer, não aqui na quadra… de novo não…
Abaixo a testa até a mesa áspera de madeira.
– Meu Deus, Parker… você tá bem?
Sarah coloca o braço em volta dos meus ombros.
Eu engulo e limpo a garganta e, de alguma forma, consigo articular palavras.
– Me abraça depois, tá? Eu… eu não consigo… agora não.
Ela tira o braço, mas pega a minha mão; eu seguro rme.
Talvez eu não conheça mais o Scott… mandando essa desconhecida para me falar isso…
Bzzz bzzz bzzz.
– Ele tá ligando.
– Desliga.
O barulho para.
– Sinto muito, Parker.
– Tá tudo bem.
– Não diga isso.
– Tá tudo bem. Uma semana atrás eu também não queria falar com ele. Agora estamos quites.
Silêncio.
– O que você vai fazer?
– As mesmas coisas que eu sempre faço.
– Eu quero dizer, daqui a dez minutos você vai estar sentada perto dele.
– Não que eu vá conseguir ver.