Tiros na Noite

Dashiell Hammett · Capítulo 8 de 44

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Tiros na Noite

Capítulo II

Sua voz começava a perder a calma novamente. Então peguei o chapéu, disse qualquer coisa a respeito de começar a trabalhar imediatamente e saí. Não gosto de eloqüência: se não for boa o bastante para emocionar, é aborrecida; e se for boa o bastante, confunde os pensamentos.

II

Passei as duas horas seguintes interrogando os empregados, sem conseguir grande coisa. Nenhum deles estava na frente da casa na hora do disparo e nenhum deles viu a sra. Estep imediatamente antes da morte do marido.

Depois de muita procura, localizei Lucy Coe, a enfermeira, num apartamento na Vallejo Street. Era uma mulher baixa, enérgica e metódica, de seus trinta anos de idade. Repetiu-me o que Vance Richmond dissera, e nada pôde acrescentar.

Isso esgotava o lado Estep do trabalho, o que me levou até o Hotel Montgomery, certo de que a minha única esperança de sucesso – afora os milagres, que raramente acontecem – seria encontrar a carta que eu acreditava que o dr. Estep escrevera para a primeira esposa.

Minhas relações com a administração do Hotel Montgomery eram bem próximas – próximas o bastante para que eu conseguisse qualquer coisa que não fosse muito ilegal. Daí que, assim que cheguei, procurei Stacey, um dos assistentes da gerência.

– Essa sra. Estep que está registrada aqui – perguntei –, o que sabe sobre ela?

– Eu, nada. Mas espere um pouco que vou ver o que posso descobrir.

Voltou uns dez minutos depois.

– Ninguém parece saber muito a respeito dela – disse ele. – Interroguei a telefonista, os mensageiros, as camareiras, os balconistas e o detetive da casa. Mas nenhum deles pôde me dizer grande coisa.

“Ela é de Louisville e se registrou aqui no dia 2 deste mês. Nunca se hospedou neste hotel antes e parece não conhecer a cidade direito: pergunta muito como ir daqui para ali. O funcionário do correio não se lembra de ter postado nenhuma correspondência para ela, e nem a telefonista tem registro de qualquer telefonema.