Tiros na Noite
Capítulo IX
O’Gar e eu voltamos ao Hotel Montgomery e fizemos uma revista geral no quarto dela. Nada encontramos.
– Tem certeza do que está fazendo? – perguntou-me o sargento-detetive quando deixamos o hotel. – Alguém vai se dar mal se você estiver errado.
Deixei a pergunta passar sem resposta.
– Encontro você às seis e meia – disse eu. – E vamos atrás de Ledwich.
Ele resmungou em sinal de aprovação e eu me dirigi ao escritório de Vance Richmond.
IX
O advogado levantou-se tão logo o estenógrafo me abriu a porta do escritório. O rosto estava ainda mais macilento e acinzentado do que antes. Os ossos da face estavam mais evidentes, os olhos cercados por profundas olheiras.
– Você tem que fazer alguma coisa! – gritou com a voz roufenha. – Acabo de vir do hospital. A sra. Estep está à beira da morte! Mais um dia, talvez dois e ela...
Interrompi-o e dei-lhe um breve resumo dos acontecimentos do dia e o que eu iria – ou pretendia – fazer a respeito deles. Mas ele recebeu as notícias sem a menor animação e balançou a cabeça de um lado a outro, desesperançado.
– Mas você não vê que isso não vai dar certo? – disse ele assim que terminei de falar. – Sei que você vai acabar descobrindo a inocência dela. Não estou me queixando. Você fez tudo o que se poderia esperar e mais! Contudo, não é o suficiente. Talvez eu precise... bem... de um milagre, talvez.
“Suponhamos que você finalmente descubra a verdade sobre Ledwich e a primeira sra. Estep, ou que a verdade surja durante o julgamento do assassinato de Boyd. Ou mesmo que você desvende tudo em três ou quatro dias. Ainda assim, seria muito tarde! Se eu pudesse ir agora até a sra. Estep e dizer-lhe que está livre, talvez ela conseguisse se recuperar. Mas outro dia na cadeia, dois dias, ou talvez duas horas, quem sabe, e ela não vai mais precisar de alguém para libertá-la. A morte se encarregará disso! Eu lhe digo, ela está...