Tiros na Noite
Capítulo IV
Quando o táxi do qual saltara dobrou a esquina, a sra. Estep deixou a portaria do edifício onde entrara e começou a andar em direção à Laguna Street.
– Ultrapasse-a – disse eu para o motorista. E fomos em sua direção.
Quando a alcançamos, ela já subia os degraus de entrada de um outro edifício e, dessa vez, tocou uma campainha. Era um edifício de apenas quatro apartamentos, cada um com uma porta separada. O botão que ela apertou pertencia ao apartamento à direita no segundo andar.
Oculto pela cortinas traseiras do carro, fiquei de olho na portaria enquanto o motorista procurava uma vaga no quarteirão adiante.
Mantive os olhos no vestíbulo até as 17h35, quando ela saiu, caminhou até a linha do bonde na Sutter Street, voltou ao Hotel Montgomery e subiu para o quarto.
Liguei para o Velho – o gerente da Agência Continental de Detetives de San Francisco – e pedi que ele mandasse um espia verificar quem morava e o que havia no apartamento da Laguna Street.
Naquela noite, a sra. Estep jantou no hotel e foi a um teatro, sem parecer preocupada se estava sendo seguida. Subiu ao quarto pouco depois das onze da noite e eu dei o dia por encerrado.
IV
Na manhã seguinte, deixei a mulher a cargo de Dick Foley e fui até a agência esperar Bob Teal, o agente que investigara o apartamento em Laguna Street. Chegou pouco depois das dez.
– Um cara chamado Jacob Ledwich mora lá – disse Bob. – Certamente é algum vigarista, embora não saiba bem qual a sua especialidade. Ele e “Guapo” Healey são amigos, portanto deve ser um vigarista! Grout “Ouriço” diz que Ledwich é um ex-trapaceiro que agora tem sua própria casa de jogo. Mas Ouriço seria capaz de dizer que um bispo é um arrombador de cofres se achasse que isso poderia lhe render cinco dólares. Esse Ledwich geralmente sai à noite e parece bem de vida. Provavelmente é um operário altamente qualificado. Possui um Buick, placa número 645-221, que mantém em uma garagem na esquina do edifício onde mora. Mas não parece usar muito o carro.