Vetores da doença de Chagas no Brasil

Cleber Galvão · Capítulo 31 de 65 · parte 2/4

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Vetores da doença de Chagas no Brasil

8. Vetores conhecidos no Brasil

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

Distribuição: Amazonas, Maranhão, Pará e Tocantins.

Distribuição fora do Brasil: Equador, Peru, Guiana, Guiana Francesa, Suriname e Venezuela.

 

13 Panstrongylus lutzi (Neiva & Pinto, 1923)

Etimologia: o epíteto específico lutzi é uma homenagem a Adolfo Lutz (1855-1940), parasitologista brasileiro.

Sinônimos: Triatoma lutzi Neiva & Pinto, 1923; Panstrongylus sherlocki Jurberg, Carcavallo & Lent, 2001.

Características gerais: Comprimento dos machos de 24,0 a 28,5 mm, das fêmeas de 28 a 29 mm. Coloração geral marrom amarelado, com marcas marrom escuro na cabeça, pronoto, pleura, escutelo, cório e conexivo. Superfície do corpo aparentemente glabra. Cabeça uniformemente marrom amarelado. Cabeça uma vez e meio mais longa que larga na altura dos olhos, processo apicolateral pequeno, porém distinto. Antena marrom avermelhado escuro. Primeiro artículo antenal ultrapassando o nível do ápice do clípeo; proporção entre os artículos antenais = 1:2,9-3,3:2,2-2,4:1,95-2,0. Rostro com primeiro segmento atingindo o nível do ápice do tubérculo antenífero, segundo alcançando o nível da base do pescoço. Proporções entre os segmentos rostrais = 1:1,2-1,3:0,50-0,55. Cor do pronoto marrom amarelado com diversas áreas negras. Tubérculos discais grandes, arredondados, tubérculos laterais muito menores que os discais. Margens laterais do lobo anterior e posterior do pronoto formando um ângulo nítido. Ângulos humerais arredondados. Escutelo marrom escuro, com processo posterior em alguns espécimes marrom claro, processo apical tão longo quanto o corpo principal. Hemiélitro atingindo o ápice do abdômen em ambos os sexos. Cório marrom amarelado. Membrana quase tão negra quanto a porção escura do cório, enfumaçada. Fêmures anteriores e medianos com numerosos dentículos distribuídos em duas filas nos dois terços apicais, irregularmente distribuídos próximos a base do segmento, aumentando progressivamente de tamanho da base para o ápice do fêmur. Tíbias anteriores e medianas com fossetas esponjosas muito pequenas em ambos os sexos. Pernas uniformemente marrom avermelhado, um pouco mais escura no ápice. Conexivo marrom amarelado, terço ou metade anterior de cada segmento conexival com mancha marrom escura ou negra adjacente a sutura intersegmental. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: de P. lutzi depositado na Coleção Herman Lent e de P. sherlocki depositado na Coleção Rodolfo Carcavallo, ambas do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: Tocas de tatus (Euphractus sexcinctus e Dasypus novemcinctus) e rochas habitadas por mocós (Kerodon rupestris). Adultos são frequentemente encontrados no peridomicílio e dentro de casas, geralmente apresentam elevado índice de infecção por T. cruzi (Carcavallo et al. 1998). Distribuição: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe.

 

14 Panstrongylus megistus (Burmeister, 1835)

 

Etimologia: o epíteto específico megistus vem do grego “megisto” que significa maior.

Sinônimos: Lamus megistus Stål, 1859; Conorhinus gigas Burmeister, 1861; Triatoma africana Neiva, 1911; T. megista Neiva, 1911; T. megista var. wernickei Del Ponte, 1930; Panstrongylus africanus Pinto, 1931; P. megistus leucofasciatus Lucena, 1959;T. megistus Neiva, 1911; Mestor megistus Usinger, 1944; C. porrigens Walker, 1873; T. wernickei Del Ponte, 1923; T. megista var. wernickei Del Ponte, 1930

Características gerais: Comprimento dos machos de 26 a 34 mm, das fêmeas de 29 a 38 mm. Coloração geral negra com manchas vermelhas ou alaranjadas no pescoço, pronoto, escutelo, cório e conexivo. Superfície do corpo com cerdas curtas e pouco visíveis. Cabeça negra, cerca de uma vez e meio mais longa que larga na altura dos olhos (1:0,75-0,85) e muito mais curta que o pronoto (1:1,3-1,5). Região anteocular duas a três vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,30-0,45). Clípeo estreito. Genas não se estendendo além do nível do ápice do clípeo. Jugas pontuda. Cabeça muito elevada na metade posterior. Olhos grandes, em vista lateral ultrapassando consideravelmente a superfície inferior da cabeça mas distante da superfície superior. Olhos dos machos maiores que os das fêmeas. Proporção entre largura de um olho e região interocular = 1:1,25-1,35 nos machos e 1:1,55-1,80 nas fêmeas. Tubérculos anteníferos sem processo apicolateral. Primeiro artículo antenal ultrapassando nitidamente o ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:2,8-3,3:2,2-2,5:1,4-1,8. Primeiro segmento rostral atingindo o nível do ápice tubérculo antenífero ou, raramente, a margem anterior dos olhos; segundo segmento se estendendo até o nível do meio do pescoço. Proporção entre os segmentos rostrais = 1:1,10-1,25:0,40-0,55. Pronoto com lobo anterior totalmente negro, raramente com 1+1 pequenas manchas avermelhadas entre os tubérculos dorsais e o colar, ou com tubérculos avermelhados; lobo posterior negro com 2+2 grandes manchas vermelhas na metade ou terço posterior, 1+1 manchas submedianas como continuação da carena submediana e 1+1 manchas laterais ocupando o húmero e áreas adjacentes. Tubérculos discais na maioria dos espécimes grandes, subcônicos; tubérculos laterais bem desenvolvidos, similares aos tubérculos discais. Ângulos ântero-laterais cônicos e alongados. Escutelo avermelhado, processo escutelar curto, com cerca de um terço a metade do comprimento do corpo do escutelo. Cório e membrana negros; cório com manchas vermelhas na base e subapicalmente. Base do clavo mais clara. Pernas negras, fêmures anteriores e medianos com par de pequenos dentículos subapicais. Fossetas esponjosas presentes nas tíbias anteriores e medianas dos machos, ausentes nas fêmeas. Abdômen ventral negro. Conexivo negro, com manchas vermelhas transversais localizadas no quarto posterior de cada segmento dorsal. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: de P. megistus, desconhecido; de C. porrigens, depositado no British Museum (Natural History), Londres, Inglaterra; de T. wernickei, depositado no Instituto Bacteriológico, Buenos Aires, Argentina; de T. africana no Zoologisches Museum, Berlim, Alemanha.

Habitat: diversas palmeiras, refúgios de roedores, edentados, marsupiais e morcegos, ninhos de aves, ocos de árvores, galinheiros, domicílios e diversas estruturas peridomiciliares (Carcavallo et al. 1998).

Curiosidades: foi nessa espécie que Carlos Chagas encontrou o Trypanosoma cruzi.

Distribuição: Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará (registro histórico, a espécie não foi mas capturada neste estado), Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

Distribuição fora do Brasil: Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai.

 

15 Panstrongylus rufotuberculatus (Champion, 1899)

Etimiologia: o epíteto específico rufotuberculatus é uma referência a coloração vermelho ferrugem do inseto (na descrição original citado como “rufo-ferruginous”), vem do latim “rufus”, “rufa” que significa vermelho, avermelhado.

Sinônimos: Lamus rufotuberculatus Champion, 1899; Triatoma rufotuberculata Neiva, 1914; Triatoma coxo-rufa Campos, 1932; Mestor rufotuberculatus Usinger, 1939

Características gerais: comprimento dos machos de 24 a 27 mm, das fêmeas de 25 a 28 mm. Coloração geral marrom escuro ou negro com manchas marrom amarelado na cabeça, pescoço, tórax, pernas e abdômen. Hemiélitro com manchas marrom escuro e verde pálido. Tegumento do corpo e superfície dorsal com cerdas douradas. Cabeça enegrecida incluindo os tubérculos anteníferos, genas, búcula e toda a superfície inferior da cabeça. Clípeo avermelhado, negro somente na base; superfície dorsal da cabeça com longa mancha avermelhada em forma de Y. Cabeça curta e larga, consideravelmente mais curta que o pronoto (1: 1,15-1,45), com superfície rugosa; proporção entre o comprimento da cabeça e a largura ao nível dos olhos = 1:0,65-0,80. Região anteocular três a quatro vezes mais longa que a pós-ocular (1: 0,25-0,35). Genas não alcançando o ápice do clípeo. Olhos grandes, em vista lateral ultrapassam o nível da superfície inferior da cabeça, mas não a superior. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1: 1,30-1,85. Tubérculos anteníferos com processo apicolateral obsoleto. Antenas com primeiro e segundo artículos negros. Primeiro artículo ultrapassando ligeiramente o ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:3,0-3,5:2,2-2,8:1,9-2,3. Rostro com primeiro e segundo segmentos negros, terceiro marrom avermelhado. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:1,9-2,2: 0,6-0,7. Pronoto de coloração marrom escuro a negro. Lobo anterior negro com projeções ântero-laterais, tubérculos discais e laterais vermelhos. Ângulos humerais salientes, ângulos ântero-laterais pronunciados e lateralmente direcionados. Esterno e pleura negros, acetábulo avermelhado. Escutelo negro com processo apical vermelho e mais curto que o corpo principal. Hemiélitro marrom claro, nitidamente com coloração verde claro. Cório riscado de marrom principalmente ao longo das veias; membrana com pontos negros. Pernas robustas, de coloração marrom escuro ou preta. Fêmures dianteiros e medianos com três ou quatro dentículos curtos, raramente somente dois; dorsalmente com faixas vermelhas longitudinais de extensão variada e anel apical vermelho. Fossetas esponjosas presentes nas tíbias anteriores e medianas dos machos, ausentes nas fêmeas. Conexivo com mancha negra sub-retangular situada no centro de cada segmento, alcançando a margem externa. Placas conexivais com faixa negra adjacente a sutura intersegmental. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: de M. rufotuberculatus depositado no British Museum (Natural History), Londres, Inglaterra; de T. coxo-rufa, desconhecido.

Habitat: palmeiras, árvores ocas, refúgios de mamíferos como tatus e morcegos, eventualmente nos domicílios e peridomicílios (Carcavallo et al. 1998).

Curiosidades: única espécie de barbeiro com coloração esverdeada.

Distribuição: Amazonas, Pará, Mato Grosso.

Distribuição fora do Brasil: Argentina, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guiana Francesa, México, Panamá, Peru e Venezuela.

 

16 Panstrongylus tupynambai Lent, 1942

 

Etimologia: o epíteto específico tupynambai é uma homenagem a Antonio A. Tupynambá que coletou a espécie.

Características gerais: Comprimento dos machos 22 mm, das fêmeas 25 mm. Coloração geral marrom avermelhado, com áreas marrom escuro no pronoto, cório e conexivo. Primeiro artículo antenal ultrapassando ligeiramente o nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículo antenais = 1:3:2,3:1,9. Primeiro segmento do rostro tão longo ou ligeiramente mais longo que o segundo, segundo segmento atingindo o nível do meio do pescoço. Proporções entre os segmentos rostrais = 1:0,9-1,0:0,4. Pronoto com colar e lobo anterior marrom avermelhado ou marrom escuro. Lobo posterior marrom avermelhado, com área marrom escuro na metade do espaço entre as carenas submedianas; 1+1 marcas escuras largas no espaço entre as carenas submedianas e laterais. Tubérculos discais visíveis, mas não grandes, arredondados; tubérculos laterais menores, apenas elevações da carena lateral. Carena submediana baixa, evanescente no terço posterior do lobo posterior do pronoto. Ângulos humerais arredondados. Ângulos ântero-laterais curtos e arredondados. Escutelo marrom escuro, processo apical marrom escuro ou negro e quase tão longo quanto o corpo principal do escutelo. Hemiélitro do macho atingindo o ápice do abdômen, mas somente o meio do VII urotergito na fêmea. Cório marrom avermelhado escuro, marrom avermelhado claro na base. Ápice do cório quase negro. Membrana marrom escuro. Perna marrom avermelhado. Fêmures anteriores e medianos com um par de dentículos subapicais, e 0-2 dentículos menores mais abaixo. Machos com fossetas esponjosas muito pequenas nas tíbias anteriores e medianas, ausentes nas fêmeas. Conexivo e abdômen ventral marrom avermelhado. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: pedregais, refúgios de roedores, ocasionalmente em peridomicílios e domicílios (Carcavallo et al. 1998).

Curiosidades: difere de todas as demais espécies de Panstrongylus por possuir o primeiro segmento do rostro tão longo, ou ligeiramente mais longo, que o segundo.

Distribuição: Rio Grande do Sul.

Distribuição fora do Brasil: Uruguai.

 

17 Parabelminus carioca Lent, 1943

Etimologia: o nome genérico Parabelminus vem do grego “para” que significa próximo, uma referência à similaridade com as espécies do gênero Belminus. O epíteto específico carioca é uma referência fato da espécie ter sido encontrada na cidade do Rio de Janeiro.

Características gerais: Comprimento dos machos de 9,0 a 9,5 mm, das fêmeas de 10 mm. Coloração geral negra, antena marrom; hemiélitro com manchas amareladas na base da membrana e adjacente ao cório. Cabeça quase duas vezes mais longa que larga (1:0,5-0,6) e tão longa quanto o pronoto (1:0,9-1,0); região anteocular nitidamente mais longa que a pós-ocular (1:0,7). Região interocular duas vezes, ou mais larga que a largura de um olho (1:2,5-2,7). Proporções entre os artículos antenais = 1:2,3:2,4:3,0. Proporções entre os artículos do rostro = 1:2,8:0,9. Pronoto com constrição entre os lobos anterior e posterior não muito pronunciado. Ângulos ântero-laterais do pronoto pouco pronunciados. Escutelo sem processo apical. Hemiélitro não alcançando o ápice do abdômen em ambos os sexos, coloração geral negra com áreas muito claras no espaço entre a veia Cu e a sutura claval, nas bases das células internas e externas da membrana, ou somente da célula interna, na membrana adjacente a base célula interna, e na área adjacente ao ápice do cório. Ápice do hemiélitro ultrapassando ligeiramente a base do sétimo tergito abdominal, ficando distante do ápice do abdômen em ambos os sexos. Pernas curtas, granulosas, fêmures robustos com 1+1 dentículos curtos localizados subapicalmente na superfície ventral. Abdômen de coloração igual à do resto do corpo. Fossetas esponjosas presentes nos três pares de pernas. Ângulos póstero-laterais dos segmentos conexivais com pequenas manchas avermelhadas. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: encontrado entre as folhas de palmeiras (Attalea indaya) usadas como abrigos de gambás (Didelphis marsupialis) (Lent & Wygodzinsky 1979).

Distribuição: Rio de Janeiro.

 

18 Parabelminus yurupucu Lent & Wygodzinsky, 1979

Etimologia: o epíteto específico yurupucu é derivado do Guarani e significa nariz longo.

Características gerais: comprimento total dos machos de 8 a 9 mm, das fêmeas de 9,5 a 9,7 mm. Coloração geral negra, antena marrom; hemiélitro com manchas amareladas na base da membrana e adjacente ao cório. Cabeça duas vezes mais longa que larga (1:0,5), distintamente mais longa que o pronoto (1:0,8-0,9); região anteocular quase duas vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,60-0,65). Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:1,65-1,85. Proporções entre os artículos antenais = 1:1,75-1,80:1,85-2,10:2,00. Rostro longo e delicado, proporções entre os segmentos rostrais =1:2,40-2,80:0,80-0,85. Pronoto em forma de sino com constrição mediana pronunciada, bordos dos lobos anterior e posterior formando nitidamente um ângulo. Ângulos ântero-laterais do pronoto arredondados abruptamente. Escutelo sem processo apical. Hemiélitro não alcançando o ápice do abdômen em ambos os sexos, coloração geral negra com áreas claras no espaço entre a veia Cu e a sutura claval, nas bases das células internas e externas da membrana, ou somente da célula interna, na membrana adjacente à base célula interna, e na área adjacente ao ápice do cório. Ápice do hemiélitro ultrapassando ligeiramente a base do sétimo tergito abdominal, ficando distante do ápice do abdômen em ambos os sexos. Fêmures anteriores com cerca de três vezes e meia mais longos que largos, com um par de dentículos curtos; fêmures medianos e posteriores com um par de processos espinhosos cada. Abdômen de coloração igual à do resto do corpo. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: bromélias e troncos de árvores com ninhos de roedores encontrada associada com Triatoma tibiamaculata e Rhodnius domesticus (Lent & Wygodzinsky, 1979).

Distribuição: Bahia.

 

19 Psammolestes coreodes Bergroth, 1911

 

Etimologia: O nome genérico Psammolestes vem do grego “psammos” que significa areia, uma clara referência a coloração dos integrantes do gênero. O termo grego “lestes” significa predador, uma referência aos hábitos dos integrantes da família Reduviidae na qual o gênero foi inserido. O epíteto específico coreodes faz referência ao fato do autor ter considerado o inseto tão similar a hemípteros da família Coreidae que inicialmente o manteve guardado junto com insetos dessa família.

Características gerais: comprimento total dos machos de 12 a 14 mm, das fêmeas de 13,5 a 15 mm. Coloração geral marrom amarelada com áreas irregularmente manchadas de marrom escuro ou negro. Tegumento rugoso com cerdas curtas e douradas. Cabeça tão longa ou ligeiramente mais longa que larga (1:0,8-1), distintamente mais curta que o pronoto (1:1,2-1,3); de coloração amarelada e irregularmente manchada de marrom escuro. Região anteocular duas vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,45-0,5). Clípeo ligeiramente alargado anteriormente. Genas visíveis, fortemente divergentes, ultrapassando consideravelmente o clípeo. Olhos grandes, em vista lateral podem alcançar, mas não ultrapassar a face ventral da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular=1:1,60-1,65. Ocelos inseridos em nítidas elevações. Antenas amareladas, manchadas com negro; segundo artículo negro no ápice, terceiro escurecido submedianamente. Proporções entre os artículos antenais = 1:3,3-4,4:3,5-4,5:2,5-3,1. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:2,1-2,3:0,9-1,0. Segundo e terceiro segmentos rostrais com longas cerdas. Ângulos ântero-laterais do pronoto curtos, não atingindo o nível dos ocelos, aplainados e acuminados com pequenas áreas negras. Lobo posterior do pronoto irregularmente rugoso. Escutelo rugoso transversalmente, processo apical se estreitando apicalmente. Hemiélitro da mesma coloração do corpo, células da membrana distintamente escurecidas. Hemiélitros dos machos atingindo do ápice do abdômen, enquanto o das fêmeas apenas se aproxima. Pernas de cor marrom claro, com manchas marrom escuras irregularmente espalhadas. Abdômen ventral marrom amarelado, irregularmente reticulado com manchas negras e com filas de manchas escuras longitudinais. Segmentos conexivais amarelados, geralmente com duas distintas marcas marrom escuro ao longo da margem lateral. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado no Universitetets Zoologiska Museum, Helsinki, Finlândia.

Habitat: ninhos de Phacellodomus sibilatrix Sclater (Furnariidae), Myiopsitta monacha cotorra (Psittacidae), Pseudoseisura lophotes (Furnariidae) e outras aves não identificadas. Também foi encontrada sob cascas da árvore “quebracho colorado” (Lent & Wygodzinsky 1979).

Curiosidades: seus ovos são postos isoladamente mas aderem ao substrato.

Distribuição: Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

Distribuição fora do Brasil: Argentina, Bolívia e Paraguai.

 

20 Psammolestes tertius Lent & Jurberg, 1965

Etimologia: o epíteto específico tertius vem do latim “terti” que significa terceiro, uma referência ao fato dessa ter sido a terceira espécie do gênero a ser descrita.

Características gerais: Comprimento total dos machos de 11,5 a 12,5 mm, das fêmeas de 12,5 a 13,5 mm.Coloração geral marrom amarelada com áreas irregularmente manchadas de marrom escuro ou negro. Tegumento rugoso com cerdas curtas e douradas. Cabeça ligeiramente mais longa que larga (1:0,88-0,95) e de ligeiramente a distintamente mais curta que o pronoto (1:1,05-1,2); coloração marrom amarelada dorsalmente com manchas escuras distribuídas irregularmente. Região anteocular de duas a duas vezes e meia, mais longa que a pós-ocular (1:0,4-0,5). Clípeo ligeiramente alargado anteriormente. Genas visíveis, fortemente divergentes, ultrapassando consideravelmente o clípeo. Olhos grandes, em vista lateral podem alcançando o nível da superfície ventral da cabeça e se aproximando do nível da superfície dorsal. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:1,5-1,6. Ocelos inseridos em nítidas elevações (um pouco menos proeminentes que em P. coreodes). Proporções entre os artículos antenais = 1:4,3-6,3:4,1-5,2:3,1-3,6. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:2,0-2,3:0,85-1,0. Segundo e terceiro segmentos rostrais com longas cerdas. Pronoto com numerosas manchas escuras no lobo anterior. Ângulos ântero-laterais do pronoto muito curtos, não proeminentes. Escutelo rugoso transversalmente, processo apical afilando para o ápice. Hemiélitro atingindo o ápice do abdômen em ambos os sexos, de cor de corpo geral, com celas da membrana distintamente escurecidas. Pernas da cor do corpo, com manchas marrom escuras irregularmente espalhadas. Abdômen e conexivo como em P. coreodes. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro

Habitat: essa espécie é encontrada frequentemente em ninhos de aves da família Furnariidae: Phacellodomus rufifrons rufifrons, P. rufifrons specularis e Anumbius annumbi; conhecidas regionalmente como João graveto, João tenenem, cochicho, titiri e casaca-de-couro. Também foi encontrada em ninhos de Mimus saturninus (Mimidae) e P. ruber (Furnariidae) localizado em palmeiras buriti e sobre a casca de jaqueira (Artocarpus heterophyllus) (Moraceae) (Lent & Wygodzinsky 1979, Gurgel-Gonçalves & Cuba 2007).

Curiosidades: essa espécie põe seus ovos aderidos aos gravetos usados pelas aves para construir seus ninhos cuja coloração críptica torna difícil sua percepção.

Distribuição: Alagoas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Maranhão, Minas Gerais, Pará (um registro, a espécie não foi mais capturada neste estado. A ocorrência ocasional poderia ser resultante de dispersão passiva por pássaros), Paraíba, Pernambuco, Piauí, São Paulo e Tocantins.

Distribuição fora do Brasil: Peru (Cabrera 2006).

 

21 Rhodnius amazonicus Almeida, Santos & Sposina, 1973

 

Etimologia: o nome genérico Rhodnius vem do grego “rhodo, rhodum” que significa rosa, avermelhado, uma referência à coloração desses insetos. O epíteto específico amazonicus é uma referência à região onde os espécimes foram coletados.

Características gerais: Comprimento total dos machos 16,5 mm, da fêmea 17 mm. Coloração geral marrom amarelada, com manchas escuras dispersas. Cabeça ligeiramente granulosa, ventralmente de coloração marrom, dorsalmente a região anteocular é marrom escuro com uma faixa marrom amarelada. Antenas com primeiro artículo marrom, segundo artículo antenal amarelo na base e marrom na metade apical, (terceiro e quarto artículos do macho examinado faltando). Região pós-ocular amarelada com duas faixas negras da margem posterior dos olhos até a base do pescoço. Rostro marrom. Margens anterior e lateral do pronoto com carenas amareladas. Lobo anterior do pronoto com seis faixas escuras irregulares; lobo posterior granuloso, com seis faixas escuras longitudinais e 1 + 1 carenas submedianas amareladas. Pleura uniformemente escura. Escutelo com uma depressão mediana negra, margeada por duas faixas marrons, processo apical do escutelo amarelo no ápice. Cório uniformemente escuro com veias amarelas. Membrana marrom, não alcançando o bordo posterior do abdômen. Fêmures negros com uma discreta anelação amarelada na região mediana dos fêmures posteriores. Tíbias amareladas com um anel negro na região mediana. Conexivo amarelo com uma mancha negra triangular em cada segmento. Para descrição completa veja Almeida, Santos & Sposina (1973) e Bérenger & Pluot-Sigwalt (2002)

Material tipo: depositado no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Manaus; no Muséum National d’Histoire Naturelle, Paris, França e na coleção particular de JM Bérenger.

Habitat: Desconhecido, os únicos espécimes conhecidos foram capturados em armadilhas luminosas e sua biologia é desconhecida (Bérenger & Pluot-Sigwalt 2002).

Curiosidades: espécie muito similar a Rhodnius pictipes da qual foi considerada sinônimo por 29 anos.

Distribuição: Amazonas.

Distribuição fora do Brasil: Guiana Francesa (Cacao, Saul).

 

22 Rhodnius brethesi Matta, 1919

Etimologia: o epíteto específico brethesi é uma homenagem ao entomólogo francês Jean Brèthes (1871-1928) que trabalhou no Museo Argentino de Ciencias Naturales.

Características gerais: comprimento total dos machos de 19 a 19, 5 mm, das fêmeas de 19 a 20 mm. Coloração geral marrom escuro a negro, com manchas claras e faixas na superfície dorsal de cabeça e pescoço, pronoto, escutelo, hemiélitro, conexivo e superfície ventral do abdômen. Cabeça granulosa, negra, com faixa longitudinal dorsal estreita amarelada. Cabeça duas vezes mais longa que larga na altura dos olhos (1:0,45-0,50) e distintamente mais longa que o pronoto (1:0,75-0,80). Região anteocular de três a quatro vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,25-0,30). Olhos grandes, atingindo o nível da superfície ventral da cabeça e quase alcançando o nível da superfície dorsal. Proporção entre largura de um olho e região interocular = 1:0,60- 0,85. Antenas negras; Proporções entre os artículos antenais = 1:4,5-5,5:6,0-7,3:3,9-4,1. Primeiro segmento do rostro atingindo o nível da inserção da antena, segundo ultrapassando o nível dos ocelos; terceiro curto. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:3,6-3,9:0,9-1,0. Pescoço negro com faixa clara longitudinal ao longo do centro. Pronoto negro com 1+1 faixas submedianas claras, estendendo-se do colar, sobre as carenas submedianas, até o bordo do lobo posterior do pronoto; faixas essas que dividem o pronoto em três áreas negras. Bordos laterais do pronoto castanho claro desde o ápice dos ângulos ântero-laterais até o húmero. Escutelo negro com 1+1 carenas de cor castanho claro unidas no ápice do processo escutelar. Pernas totalmente negras, esguias; fêmures dianteiros cerca de seis vezes mais longos que largos. Conexivo dorsal e ventral negro, a metade posterior de cada segmento apresenta uma mancha retangular laranja ou avermelhada. Hemiélitro marrom escuro ou negro com veias incluídas em faixas claras. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: desconhecido.

Habitat: espécie associada a palmeiras, especialmente Leopoldina piassaba.

Curiosidades: segundo alguns autores a espécie pode ser muito agressiva atacando os trabalhadores que coletam as fibras da piaçava em plena luz do dia (Coura et al. 1994).

Distribuição: Amazonas.

Distribuição fora do Brasil: Venezuela.

23 Rhodnius domesticus Neiva & Pinto, 1923

 

Etimologia: o epíteto específico domesticus é uma referência ao fato de ter sido encontrada em domicílio, entretanto, é importante ressaltar que até hoje não há relatos de colônias domiciliares dessa espécie.

Características gerais: comprimento total dos machos de 15 a 17 mm, das fêmeas de 16,5 a 18 mm. Coloração geral marrom alaranjado com manchas mais escuras em várias áreas do corpo e apêndices. Cabeça escura com a região dorsal mais clara longitudinalmente, cerca de duas vezes e meio mais longa que larga, ao nível dos olhos (1:0,5), e tão longa ou ligeiramente mais longa que o pronoto (1:0,95:1,0). Região anteocular de duas e meia a três vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,3-0,4). Olhos de tamanho médio, em vista lateral atingindo o nível da superfície ventral da cabeça, mas não o nível da superfície dorsal. Proporção entre largura de um olho e região interocular = 1:1,3-1,5. Antenas com segundo artículo marrom tornando-se negro em direção ao ápice; terceiro artículo com a metade basal negra e a apical esbranquiçada ou amarelada; quarto artículo amarelo com a ponta escura. Proporções entre os artículos antenais = 1:5,7-5,8:3,5-4,0:2,3-2,5. Segundo segmento rostral atingindo o pescoço; proporções entre os segmentos do rostro = 1:2,8-3,0:1,0. Pronoto com carenas submedianas de coloração amarelo luminoso. Cor do lobo anterior marrom avermelhado. Ângulos ântero-laterais não proeminentes. Escutelo negro com 1+1 carenas claras. Hemiélitro cor de palha com cório marrom avermelhado e membrana fracamente pigmentada. Pernas estreitas com coxas, trocânteres e fêmures uniformemente castanho escuro, tíbias castanho com anelação apical escura. Conexivo com segmentos dorsais com mancha marrom avermelhada na metade anterior.Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: Bromélias, ninhos de roedores, refúgios de marsupiais, ocos de árvores ocas e palmeiras (Carcavallo et al. 1998).

Curiosidades: apesar do seu nome, é uma espécie silvestre da mata atlântica do Brasil, raramente encontrada em domicílios.

Distribuição: Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e São Paulo.

 

24 Rhodnius milesi Carcavallo, Rocha, Galvão & Jurberg, 2001

 

Etimologia: o epíteto específico milesi é uma homenagem a Michael A. Miles, parasitologista da London School of Hygiene and Tropical Medicine.

Características gerais: comprimento total dos machos de 19,5 a 20 mm, das fêmeas 20 mm. Coloração geral marrom escuro, com as seguintes áreas claras ou amareladas: a região central longitudinal da cabeça com duas bandas laterais pós-oculares, os bordos externos e as carenas paramedianas do pronoto. São de cor marrom mais clara que a cor geral as pernas e membranas dos hemiélitros. Cabeça três vezes mais longa que larga ao nível dos olhos. O comprimento da região anteocular é de 4,2 vezes a largura da mesma região em sua área mais estreita. A região anteocular é muito longa, cerca de 3,4 vezes mais longa que a pós-ocular. A região interocular é da mesma largura que um olho em vista dorsal (1:1). Genas ultrapassando o limite entre o clípeo e o anteclípeo. Tubérculo antenal divergente com um dentículo apical. Primeiro artículo antenal grosso e com cerdas escassas, preto igual ao segundo e a metade proximal do terceiro artículos; a metade distal do terceiro é progressivamente mais clara; o quarto é claro com exceção dos extremos que são escuros; proporções entre os artículos antenais = 1:8,7:3,5:2,5. Em vista lateral, os olhos não atingem o bordo superior da cabeça, mas ultrapassam o bordo inferior. O primeiro segmento do rostro atinge o início do tubérculo antenífero. Proporções entre os segmentos rostrais = 1:3,5:0,8. Pronoto finamente granuloso, ângulos ântero-laterais pouco salientes. Não existem tubérculos discais nem laterais. Bordos laterais amarelos, assim como as duas faixas paramedianas que terminam no bordo posterior e continuam acompanhando com o desenho do escutelo. Ângulos humerais pouco salientes. Divisão entre os lobos anterior e posterior do pronoto pouco acentuada. Proesterno com sulco estridulatório profundo e muito estriado. Pernas com coxas amarelas, fêmures sem espinhos nem tubérculos subapicais, tíbias anteriores e medianas com fossetas esponjosas. Hemiélitros com as veias bem marcadas, no cório e na membrana e atingindo o bordo posterior do abdômen. Para descrição completa veja Valente et al. (2001).

Material tipo: depositado na Coleção Rodolfo Carcavallo do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: palmeiras das espécies Maximiliana regia (Inajá) e Attalea speciosa (Babaçu). (Valente et al. 2001).

Distribuição: Pará.

 

25 Rhodnius montenegrensis Rosa et al., 2012

Etimologia: o epíteto específico montenegrensis é uma referência ao município de Montenegro, Estado de Rondônia, onde os espécimes foram coletados.

Características gerais: comprimento total dos machos 17,5 mm, das fêmeas 21.54 ± 0.75 mm, largura do pronoto dos machos 3.99 ± 0.32 mm, das fêmeas 4.54 ± 0.26 mm; largura do abdome dos machos 6.16 ± 0.39 mm, das fêmeas 6.95 ± 0.39 mm. Coloração geral amarela com listras longitudinais negras no pronoto, asas e conexivo. Cabeça sem manchas do clípeo ao pescoço, com uma faixa amarela central localizada entre duas (1+1) faixas continua de cor marrom. Pernas amarelas, exceto a tíbia posterior com uma listra negra próxima ao tarso. Conexivo dorsal com mancha escura ocupando 1/3 de cada segmento. Bordos internos e externos, do conexivo, com uma faixa amarela descontinua. Para descrição completa veja Rosa et al. (2012).

Material tipo: depositado na Faculdade de Ciências Farmacêuticas, UNESP, Araraquara, São Paulo.

Habitat: palmeiras da espécie Orbignya phalerata (babaçu).

Distribuição: Rondônia.

 

26 Rhodnius nasutus Stål, 1859

Etimologia: o epíteto específico nasutus vem do latim “nasutus”, “nasuta”, “nasutum” e significa nariz longo, uma referência a cabeça muito longa.

Sinônimos: Rhodnius brumpti Pinto, 1925

Características gerais: comprimento total dos machos de 12,5 a 16,5 mm, das fêmeas de 14 a 18 mm. Coloração geral marrom amarelado, ligeiramente alaranjado, com manchas marrom escuro em algumas áreas do corpo e apêndices. Cabeça duas vezes e meia mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,35-0,40), distintamente mais longa que o pronoto (1:0,6-0,7). Região anteocular pouco mais de três vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,3). Olhos de tamanho mediano, em vista lateral atingindo o nível da superfície ventral da cabeça, mas não a da superfície dorsal. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular=1:1,2-1,3. Antenas de coloração marrom avermelhada, com o ápice do segundo e a metade apical do terceiro artículo mais escuros. Proporções entre os artículos antenais=1:6,2-7,0:3,2:2,5. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:3,4-3,7:0,9-1,0. Pronoto com o lobo anterior granuloso, e o posterior granuloso e rugoso, lobo posterior com área entre as carenas submedianas escura, fracamente subdivididas por uma faixa. As 1+1 áreas entre as carenas submedianas e o bordo lateral apresentam faixas escuras confluentes, formando uma área escura uniforme. Ângulos ântero-laterais do pronoto angulosos. Escutelo escuro com 1+1 carenas claras bifurcadas anteriormente e fusionadas posteriormente. Hemiélitro marrom avermelhado com veias amarelo palha. Pernas uniformemente marrom avermelhadas e finas, fêmures anteriores seis vezes mais longos que largos. Abdômen marrom amarelado, quase sem manchas. Conexivo com manchas não muito nítidas na região ântero-lateral de cada segmento. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: de R. nasutus depositado no Zoologisches Museum, Berlin, Alemanha; de R. brumpti depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro

Habitat: espécie associada a palmeiras, especialmente carnaúbas (Copernicia cerifera), mas pode também ser encontrada em outras espécies arbóreas da caatinga como Licania rigida, a oititica (Dias et al. 2008, Lima & Sarquis 2008). Pode ser eventualmente encontrada em domicílios, mas vive principalmente em galinheiros.

Curiosidades: espécie com grande variabilidade cromática, com coloração variável de acordo com a espécie de palmeira habitada

Distribuição: Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte.

 

27 Rhodnius neglectus Lent, 1954

 

Etimologia: o epíteto específico neglectus vem do latim e significa negligenciado, uma referência ao fato dessa espécie ter permanecido desconhecida (negligenciada) por muitos anos.

Características gerais: comprimento total dos machos de 17,5 a 19 mm, das fêmeas de 18,5 a 20,5 mm. Coloração geral marrom claro com marcas marrom escuro na cabeça, pronoto, escutelo, cório e conexivo e áreas amareladas ventralmente no abdômen, no conexivo, nas coxas e trocânteres. Cabeça fracamente granulosa, cerca de três vezes mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,35-0,40) e distintamente mais longa que o pronoto (1:0,75-0,80). Região anteocular pouco mais de três vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,25-0,30). Olhos de tamanho mediano, em vista lateral atingindo o nível da superfície ventral da cabeça, mas não o da superfície dorsal. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:0,95-1,20. Primeiro e segundo artículos antenais negros, terceiro negro na base e claro na metade apical, quarto escuro na base e no quarto apical. Proporções entre os artículos antenais = 1:6,4-8,5:3,4-4,0:2,5-3,1. Rostro com segundo segmento atingindo o pescoço. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:3,3-3,7:0,8-0,9. Pronoto com lobo anterior quase completamente liso, posterior rugoso-granuloso. Carena submediana amarelada, se estendendo do colar ao bordo posterior do pronoto, margens laterais do pronoto marrom amarelado claro, colorido da borda mais largo no lobo posterior do que no anterior. Áreas escuras entre as carenas confluentes nos dois terços anteriores. Ângulos ântero-laterais proeminentes. Escutelo com 2+2 carenas curtas fundidas em 1+1 carenas ao nível do terço anterior do escutelo e em uma única carena posteriormente. Hemiélitro marrom escuro com veias claras. Pernas marrom escuro; coxas, trocânteres e anel basal das tíbias amarelados. Abdômen com coloração geral marrom, mas com o centro dos urosternitos amarelo. Conexivo ventral estreitamente visível, dorsalmente com a metade ou os dois terços anteriores marrom, o resto amarelado. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: espécie predominantemente silvestre, suas populações ocorrem frequentemente em palmeiras dos gêneros Attalea, Acrocomia e Mauritia mas podem também ser encontradas em ninhos de pássaros de Furnariidae (Phacellodomus), e de mamíferos como Didelphis. A invasão dos ambientes domiciliares já foi relatada diversas vezes (Silveira et al. 1984, Carcavallo et al. 1998, Gurgel-Gonçalves et al. 2004 Gurgel-Gonçalves & Cuba Cuba 2007).

Curiosidades: espécie muito ativa e agressiva, nas colônias de laboratório move-se muito rapidamente.

Distribuição: Bahia, Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Paraná, Piauí, São Paulo e Tocantins.

 

28 Rhodnius paraensis Sherlock, Guitton & Miles, 1977

Etimologia: o epíteto específico paraensis e uma referência ao estado do Pará onde a espécie foi encontrada.

Características gerais: comprimento total dos machos de 10,5 a 11 mm, das fêmeas de 10,8 a 12 mm. Coloração geral marrom claro com várias manchas marrom escuro no corpo e apêndices. Hemiélitro quase totalmente negro. Cabeça granulosa, especialmente nos lados; cor geral castanho claro, com anteclípeo, genas, tubérculos anteníferos, tubérculos ocelares castanho escuro, quase negro. Cabeça duas vezes mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,55) e tão longa quanto o pronoto. Região anteocular menos de duas vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,65). Em vista lateral os olhos atingem o nível da superfície ventral da cabeça, mas não o da superfície dorsal. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:1,55. Primeiro artículo antenal castanho amarelado; segundo artículo e três quintos basais do terceiro negros, porção apical do terceiro esbranquiçada; quarto branco com uma anelação basal escura. Artículos antenais comparativamente curtos e robustos, proporções entre os artículos antenais= 1:4,0:3,6:3,3. Segundo segmento rostral atingindo o nível do bordo posterior da cabeça. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:2,7:0,9. Pescoço negro, castanho amarelado no centro e lateralmente. Pronoto castanho escuro com margens laterais claras e lobo posterior distintamente rugoso. Ângulos ântero-laterais do pronoto pouco destacados. Escutelo com 1+1 carenas claras fusionadas posteriormente em uma única carena. Hemiélitro castanho escuro. Pernas comparativamente curtas e robustas, castanho amareladas, com as seguintes áreas castanho escuro: coxas, um anel basal e um anal apical nos fêmures,ápice das tíbias anteriores e anelações submedianas e apicais nas tíbias medianas e posteriores. Fêmures fusiformes. Abdômen castanho amarelado ventralmente, irregularmente manchado de negro. Conexivo dorsal e ventral castanho escuro nos três quintos anteriores, contrastando com os dois quintos posteriores que são amarelados. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: espécimes foram encontrados em ninhos do roedor Echimys chrysurus.

Curiosidades: a cabeça curta, as pernas robustas e as antenas igualmente curtas e robustas tornam essa espécie bem diferenciada das demais espécies do gênero. Se assumirmos o progressivo alongamento da cabeça e apêndices, comum as demais espécies do gênero, como uma condição derivada (novidade evolutiva), essa espécie poderia ser considerada a mais plesiomórfica (antiga) do gênero Rhodnius.

Distribuição: Amazonas e Pará

Distribuição fora do Brasil: Guiana Francesa.

 

29 Rhodnius pictipes Stål, 1872

 

Etimologia: o epíteto específico pictipes vem do latim “pes” que significa pés e “pict” que significa pintado, uma referência às manchas negras presentes nas tíbias dos insetos.

Características gerais: comprimento dos machos de 18 a 20,5 mm, das fêmeas de 20 a 22 mm. Coloração geral castanho amarelado com manchas castanho escuro em várias regiões do corpo e apêndices com aspecto geral mosqueado ou sarapintado. Cabeça granulosa cerca de duas vezes e meia mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,40-0,45), e distintamente mais longa que o pronoto (1:0,85-0,95). Região anteocular cerca de três vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,30-0,35). Olhos em vista lateral atingindo o nível da superfície ventral da cabeça, mas não a dorsal. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:0,80-0,85. Antenas com segundo segmento amarelo na base e negro na metade apical; terceiro artículo amarelo com anelação escura subbasal Proporções entre os artículos antenais = 1:5,9-6,3:3,9-4,7:2,6-3,1. Rostro com segundo segmento atingindo o pescoço, Proporções entre os segmentos do rostro = 1:3,9-4,5:0,9-1,2. Pronoto com lobo posterior granuloso-rugoso; castanho escuro ou negro com granulações mais claras e aspecto geral mosqueado. Faixa longitudinal mediana, 1+1 carenas submedianas e bordos laterais amarelados. Escutelo com 2+2 carenas claras que se fundem em 1+1 na porção central do escutelo e numa única carena posteriormente. Hemiélitro de coloração amarelo-palha; cório com numerosas manchas negras irregulares; membrana com áreas intracelulares e extracelulares escuras. Pernas amareladas, coxas, trocânteres e especialmente os fêmures manchados de castanho escuro criando um aspecto mosqueado. Tíbias amareladas com anelação castanho escuro no terço basal e ápice. Abdômen castanho amarelado com manchas castanho escuro. Superfície dorsal do conexivo amarela; metade anterior de cada segmento formando uma mancha retangular escura com o centro e a lateral amarela, a mancha escura forma o desenho de uma ponta aguçada. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979). Para comparação com R. stali veja Lent et al. (1993).

Material tipo: de R. pictipes depositado no Naturhistoriska Riksmuseet, Estocolmo, Suécia. De R. limosus depositado no British Museum (Natural History), Londres, Inglaterra.

Habitat: espécie silvestre encontrada principalmente em palmeiras e bromélias, entretanto, espécimes adultos são frequentemente encontrados em domicílios ou capturados próximos a fontes de luz.

Curiosidades: em laboratório alguns espécimes exibem comportamentos peculiares: quando molestados “fingem” de mortos em uma variedade de posições incomuns e após o fim da sucção, se viram, elevam o abdômen e defecam diretamente sobre o local da picada. Estudos moleculares sugerem que R. pictipes abriga um complexo de espécies crípticas (Pavan 2009).

Distribuição: Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Piauí, Roraima e Tocantins. Segundo Pavan (2009), espécimes encontrados em Rondônia podem ser de uma nova espécie afim de R. pictipes.

Distribuição fora do Brasil: Belize, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname, Trinidad e Venezuela.

 

30 Rhodnius robustus Larrousse, 1927

Etimologia: o epíteto específico robustus vem do latim “robustus”, “robusta” que significa forte, robusto, uma referência ao tamanho da espécie, a maior do gênero Rhodnius.

Características gerais: comprimento dos machos de 20 a 23,5 mm, das fêmeas de 23 a 26 mm. Coloração geral castanho amarelado com manchas castanho escuro em várias regiões do corpo e apêndices. Cabeça granulosa lateralmente e ventralmente, cerca de duas vezes e meia mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,4) e distintamente mais longa que o pronoto (1:0,7-0,8). Região anteocular aproximadamente quatro vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,25). Olhos em vista lateral ultrapassando o nível da superfície ventral da cabeça, mas não a dorsal. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:0, 75-1,0. Antenas com segundo artículo castanho escuro, terceiro amarelado, exceto pelo quarto basal castanho escuro; quarto claro. Proporções entre os artículos antenais = 1:7,6-10,2:5,4-6,3:3,4-4,4. Rostro com segundo artículo se estendendo além do nível dos ocelos, quase atingindo o pescoço. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:4,1-4,4:0.9-1,0. Pronoto com as carenas submedianas e as margens laterais castanho claro. Lobo posterior com as áreas escuras localizadas entre as carenas e entre as carenas e as margens laterais distintamente separadas por faixas amareladas. Ângulos ântero-laterais pouco proeminentes (menos proeminentes que em R. prolixus). Escutelo com 1+1 carenas amareladas fusionadas posteriormente na base do processo apical. Hemiélitro castanho com veias muito nítidas. Pernas com coxas e trocânteres parcialmente ou inteiramente escuros; fêmures castanho avermelhado, tíbias de cor idêntica ou castanho amarelado escuro no ápice. Conexivo dorsal castanho amarelado, cada segmento com a mancha escura ocupando ao menos a metade anterior de cada segmento, com uma projeção pontuda posterior. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Continuar: parte 3 de 4