Vetores da doença de Chagas no Brasil

Cleber Galvão · Capítulo 31 de 65 · parte 3/4

Páginas do PDF

Vetores da doença de Chagas no Brasil

8. Vetores conhecidos no Brasil

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.

Material tipo: depositado na Faculté de Médécine, Paris, França.

Habitat: adultos são eventualmente encontrados em domicílios, especialmente na Colômbia, mas principalmente em várias espécies de palmeiras. Já foi encontrada em bromélias epífitas (Lent & Wygodzinsky 1979).

Curiosidades: R. robustus é muito similar a R. prolixus, entretanto, estudos moleculares têm confirmado o status específicos de ambas as espécies e sugerido que R. robustus abriga um complexo de espécies crípticas indistinguíveis através da morfologia (Pavan & Monteiro 2007). Morfologicamente as ninfas de IV e V estádios de R. robustus e R. prolixus podem ser diferenciadas através da coloração das tíbias posteriores – nitidamente claras em comparação com os fêmures que apresentam apenas o ápice escuro em R. robustus, enquanto que em R. prolixus as tíbias são uniformemente escuras (Lent & Wygodzinsky 1979).

Distribuição: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Distribuição fora do Brasil: Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana Francesa, Peru e Venezuela.

 

31 Rhodnius stali Lent, Jurberg & Galvão, 1993

 

Etimologia: o epíteto específico stali é uma homenagem ao naturalista Carl Stål (1833-1878).

Características gerais: comprimento dos machos de 15 a 17 mm, das fêmeas de 16,5 a 19 mm. Coloração geral pardo amarelada com manchas castanho escuro em várias regiões do corpo, causando um aspecto sarapintado. Cabeça igual ou ligeiramente mais longa que o pronoto. Região anteocular cerca de duas vezes e meio mais longa que a pós-ocular (1:0,40). Olhos em vista lateral ultrapassando o nível da superfície ventral da cabeça, mas não a dorsal. Antenas com o primeiro artículo curto mal atingindo o ápice da cabeça, de coloração pardo amarelada, segundo artículo amarelo na metade basal e preto na apical, terceiro amarelado exceto por uma curta anelação escura na base, quarto amarelado. Proporções entre os artículos antenais= 1:4,8:3,6:2,4. Rostro com segundo segmento longo terminando ao nível do pescoço. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:4,5:1. Pronoto com o lobo anterior ocupando a terça parte do tamanho total, separado do lobo posterior por um sulco pouco evidente. Bordos laterais amarelados. Lobo posterior pardo negro com aspecto levemente sarapintado. Escutelo rugoso, pardo negro. Hemiélitro de coloração palha, quase atingindo a extremidade do abdômen com veias pouco destacadas. Conexivo dorsal amarelo apresentando na metade anterior de cada segmento, uma mancha quadrangular pardo negra, de cuja região central sai uma forte projeção. Pernas amareladas, salpicadas de pardo negro, nas coxas, trocânteres, e principalmente fêmures. Tíbias com duas anelações negras, uma na base do terço mediano e outra no ápice. Para descrição completa veja Lent et al. (1993).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: espécie silvestre, mas encontrada em processo de domiciliação em Alto Beni, Bolívia (Matias et al. 2003).

Curiosidades: essa espécie permaneceu por muitos anos confundida com R. pictipes, foi descrita após o exame de material de coleção previamente identificado como R. pictipes (Lent et al. 1993).

Distribuição: Mato Grosso do Sul.

Distribuição fora do Brasil: Bolívia.

 

32 Rhodnius zeledoni Jurberg, Rocha & Galvão, 1993

Etimologia: o epíteto específico zeledoni é uma homenagem a Rodrigo Zeledón, parasitologista da Costa Rica.

Características gerais comprimento do macho 13 mm. Coloração geral castanho claro, intercalada com áreas mais escuras em algumas regiões da cabeça, do hemiélitro e do abdômen. Cabeça dorsalmente de cor castanho claro, lateralmente de cor castanho mais escuro. Superfície da cabeça recoberta de pequenos tubérculos com cerdas claras decumbentes com aspecto granuloso. Cabeça mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,36) e mais longa que o pronoto (1:0,69). Genas ultrapassando levemente o ápice do clípeo. Região anteocular mais longa que a pós-ocular (1:0,32). Olhos em vista lateral ultrapassando o nível da superfície ventral da cabeça. Relação entre a largura de um olho e a região inter-ocular 1:1,27. Ocelos pequenos. Antena com primeiro segmento castanho escuro, não ultrapassando as genas, demais segmentos ausentes. Rostro com o primeiro segmento muito curto atingindo o nível mediano do tubérculo antenífero, segundo segmento muito longo, com mais de três vezes o tamanho do primeiro, atingindo o nível do anel de constrição entre a cabeça e o pescoço, terceiro segmento muito curto menor que o primeiro atingindo o bordo anterior do sulco estridulatório. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:3,15:0,84. Pronoto castanho escuro, com carenas laterais castanho claro alaranjado. Lobo anterior do pronoto pouco diferenciado do lobo posterior, tubérculo discal e lateral inaparentes, como também o ângulo ântero-lateral e o colar. Escutelo castanho alaranjado. Processo do escutelo com ápice arredondado. Hemiélitros de coloração castanho alaranjado com as veias mais claras; base do cório e o clavo castanho escuros; recobrem o abdômen sem ultrapassar o ápice. Pernas amareladas, coxas castanho escuro, os trocânteres castanho claro, fêmures castanho escuro, tíbias e tarsos do primeiro e segundo par castanho escuro, tíbias do terceiro par castanho claro com exceção de anel apical que é escuro. Abdômen ventralmente convexo de cor castanho escuro. Para descrição completa veja Jurberg et al. (2009).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: desconhecido.

Curiosidades: essa espécie é muito similar a Rhodnius domesticus. O único espécime conhecido foi encontrado morto e ressecado no centro da área urbana da cidade de Ribeirópolis, interior de Sergipe. Exame de material adicional é fundamental para confirmar ou invalidar a espécie.

Distribuição: Sergipe.

 

33 Triatoma arthurneivai Lent & Martins, 1940

 

Etimologia: O nome genérico Triatoma foi criado por Laporte (1832-1833) com base em espécimes com antenas quebradas, com apenas três dos quatro artículos (Triatoma = três artículos). Ao analisar novas amostras e perceber seu erro, ele mudou o nome genérico para Conorhinus, mas o nome genérico Triatoma tinha prioridade conforme o Código Internacional de Nomenclatura Zoológica e permaneceu válido. O epíteto específico arthurneivai é uma homenagem a Arthur Neiva (1880-1943), malariologista e entomólogo do Instituto Oswaldo Cruz.

Características gerais: comprimento total dos machos 22 mm, das fêmeas de 19,5 a 21 mm. Coloração geral negra com manchas alaranjadas ou avermelhadas no conexivo. Tegumento quase glabro com cerdas muito pequenas e esparsas. Cabeça negra, delicadamente granulosa, menos de duas vezes mais longa que larga (1:0,6) e ligeiramente mais curta que o pronoto (1:1,1). Região anteocular de duas vezes e meia a três vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,3-0,4). Genas aguçadas ultrapassando nitidamente o ápice do clípeo. Olhos em vista lateral ultrapassando o nível da superfície ventral e quase alcançando o nível da superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:1,0-1,3. Ocelos grandes. Tubérculos anteníferos situados ligeiramente após a metade da região anteocular. Primeiro artículo antenal consideravelmente distante do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:5,0-6,0:3,0-3,2:2,0-2,3. Rostro castanho avermelhado, mais claro que a cabeça, aparentemente glabro, somente o terceiro segmento com cerdas curtas e muito estreito em vista lateral. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:1,8-1,9:0,9-1,0. Pescoço negro com um par de pequenas manchas amarelas lateralmente. Pronoto totalmente negro, só raramente com área humeral alaranjada. Lobo anterior lobo não granuloso com tubérculos dorsais obsoletos ou ausentes e invariavelmente sem tubérculos laterais. Lobo posterior fortemente enrugado. Ângulos ântero-laterais proeminentes, cônicos. Escutelo com processo apical subcilíndrico, tão longo quanto o corpo principal do escutelo, como ápice ligeiramente voltado para cima. Hemiélitro se estendendo até o ápice do sétimo urotergito, em ambos os sexos. Cório negro; clavo negro no terço ou quarto basal. Membrana esfumaçada, castanho claro, mais claro que o cório, veias distintamente mais escura que as células. Pernas uniformemente negras, muito esguias. Tíbias anteriores e medianas dos machos com fossetas esponjosas, ausentes nas fêmeas. Espiráculos situados muito próximos ou adjacentes as suturas conexivais. Conexivo com manchas alaranjadas ou avermelhadas semicirculares na região central de cada segmento e adjacente a margem externa, manchas negras no formato de largas bandas transversais situadas sobre as suturas intersegmentais. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: a espécie foi encontrada em muros de pedras onde pequenos roedores ocorriam. Também foram encontrados em associação com lagartos da espécie Tropidurus torquatus e capturados em armadilhas luminosas.

Curiosidades: espécie de morfologia e coloração muito similar a T. wygodzinskyi, entretanto, o processo do endosoma da genitália masculina, com muitos dentículos, a diferencia de T. wygodzinskyi que apresenta poucos dentículos.

Distribuição: Minas Gerais.

 

34 Triatoma baratai Carcavallo & Jurberg, 2000

Etimologia: o epíteto específico baratai é uma homenagem a José Maria Soares Barata, pesquisador da área de Entomologia Médica.

Características gerais: Comprimento total do macho 25 mm. Coloração geral negra com áreas alaranjadas no clavo e cório, com exceção das veias e da base interna do cório. Conexivo dorsal totalmente alaranjado, a sutura escura só é visível ventralmente. Cabeça preta, sem rugosidade, mas delicadamente granular, 2,5 vezes mais longa que larga e mais longa que o pronoto (proporção = 1:0,75). Região anteocular 5 vezes mais longa que a pós-ocular (proporção = 1:0,20). Genas ultrapassando o ápice do clípeo e apicalmente aguçadas. Região interocular quase igual a largura de um olho em vista dorsal. A proporção entre os artículos antenais é 1:4,5:3,9:2. A proporção entre os artículos do rostro é 1:2,5:1. Pronoto inteiramente preto e brilhante. O lobo anterior tem os tubérculos discais apenas aparentes e os tubérculos laterais ausentes. Escutelo, preto e brilhante. Pernas inteiramente pretas, fêmures anteriores com tubérculos rudimentares subapicais. Fêmures medianos com tubérculos no quarto apical. Tíbias anteriores e medianas com fosseta esponjosa muito pequenas e pouco visíveis. Abdômen em vista ventral preto, muito convexo. Para descrição completa veja Carcavallo & Jurberg (2000).

Material tipo: depositado na coleção Rodolfo Carcavallo do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro e na Faculdade de Saúde Pública, Universidade de São Paulo.

Habitat: espécie silvestre capturada pela primeira vez em armadilha de Shannon próxima a entrada de uma gruta.

Distribuição: Mato Grosso do Sul.

 

35 Triatoma brasiliensis Neiva, 1911

Etimologia: o epíteto específico brasiliensis é uma referência à distribuição exclusivamente brasileira da espécie.

Sinônimos: Conorhinus brasiliensis Patton & Cragg, 1913; Triatoma brasiliensis macromelasoma Galvão, 1956.

Características gerais: comprimento total dos machos de 22 a 25 mm, das fêmeas de 23 a 25,5 mm. Coloração geral de castanho escuro a negro com manchas amareladas no pescoço, pronoto, pernas, hemiélitro e conexivo. Tegumento com cerdas negras ou amareladas esparsas. Cabeça castanho escuro ou negra, rugosa dorsal e lateralmente e duas vezes mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,5-0,55) e distintamente mais longa que o pronoto (1:0,85-0,95). Região anteocular quatro vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,25). Olhos em vista lateral não alcançando a superfície ventral e bem distantes da superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:2,.0-2,25. Tubérculos anteníferos inseridos na metade, ou ligeiramente antes da metade da região anteocular. Primeiro artículo antenal atingindo o nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:3,6-4,2:2,4-2,7:1,9-2,2. Rostro grosso, tão escuro quanto a cabeça. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:1.7-1.9:0.9-1.05. Pescoço escuro com um par de manchas claras laterais. Pronoto castanho escuro a negro com manchas amareladas no colar, processos laterais, tubérculos discais do lobo anterior, totalidade das carenas submedianas e área adjacente as carenas. Lobo anterior com tubérculos discais muito pequenos, difíceis de perceber; tubérculos laterias ausentes. Ângulos humerais arredondados. Escutelo castanho escuro, processo apical tão longo quanto o corpo principal do escutelo e com a ponta amarelada em alguns espécimes. Hemiélitro com cório amarelo claro com áreas escuras de extensão variável. Clavo inteiramente negro. Membrana esfumaçada, de amarelo claro a castanho claro. Veias da membrana negras. Pernas escuras com anelação clara nos fêmures. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: frequentemente domiciliada é atualmente a mais importante transmissora da doença ao ser humano no nordeste do Brasil. No ambiente silvestre podem ser encontradas principalmente entre e sob pedras associadas a roedores.

Curiosidades: A variabilidade cromática do complexo T. brasiliensis levou, no passado, à descrição de duas subespécies melânicas: Triatoma brasiliensis melanica Neiva & Lent,1941 e Triatoma brasiliensis macromelasoma Galvão, 1956. Lent & Wygodzsinky (1979) invalidaram as subespécies e sinonimizaram ambas com T. brasiliensis, estudos posteriores, entretanto, elevaram T. brasiliensis melanica ao status de espécie como Triatoma melanica (Costa et al. 2006). Posteriormente, uma nova espécie (Triatoma juazeirensis, Costa & Felix 2007) foi descrita e incluída no complexo T. brasiliensis.

Distribuição: Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Sergipe, Tocantins e Rio Grande do Norte

 

36 Triatoma carcavalloi Jurberg, Rocha & Lent, 1998

Etimologia: o epíteto específico carcavalloi é uma homenagem a Rodolfo Ubaldo Carcavallo (1931-2004), entomólogo argentino.

Características gerais: Comprimento total dos machos de 19,5 a 19,7 mm, das fêmeas de 20 a 22 mm. Coloração geral negra com grandes manchas alaranjadas ou avermelhadas no lobo posterior do pronoto, cório e conexivo. Pilosidade curta. Cabeça negra, moderadamente rugosa, 3 vezes mais longa que larga e mais longa que o pronoto (proporção = 1:0,8). Genas longas quase atingindo o ápice do clípeo e apicalmente arredondadas. Região interocular com duas vezes a largura de um olho em vista dorsal. A proporção entre os artículos antenais é 1:4,5:2,2:2. A proporção entre os artículos do rostro é 1:2:1,2. Pronoto com o colar negro e ângulos ântero-laterais acentuados e cônicos, ligeiramente divergentes. O lobo anterior tem os tubérculos discais bem desenvolvidos, tubérculos laterais ausentes. Lobo posterior laranjado ou avermelhado, ângulos humerais arredondados. Escutelo, preto. Pernas uniformemente pretas, exceto por algumas áreas tarsais castanhas. Fêmures anteriores e medianos com um par de tubérculos rudimentares subapicais. Tíbias das fêmeas sem fossetas esponjosas. Abdômen largo, com parte dos urotergitos expostos, ventralmente negro, convexo, polido e brilhante. Para descrição completa veja Jurberg et al. (1998).

Material tipo: depositado na coleção Rodolfo Carcavallo do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: os espécimes que permitiram a descrição da espécie foram encontrados mortos em domicílios, posteriormente Ruas Neto & Corseiul (2002) a encontraram sob rochas.

Distribuição: Rio Grande do Sul.

 

37 Triatoma circummaculata (Stål, 1859)

Etimologia: o epíteto específico circummaculata vem do latim “circum” que significa, ao redor e “maculata”, “maculatus” que significa manchado, uma referência as máculas ao redor (no conexivo) do inseto.

Sinônimos: Conorhinus circummaculatus Stål, 1859; Neotriatoma circummaculata Pinto, 1931; Triatoma (Neotriatoma) circummaculata Lima, 1940

Características gerais: comprimento total dos machos de 15 a 16 mm, das fêmeas de 15 a 17 mm. Coloração geral castanho escuro ou negro, com manchas vermelhas no pronoto, cório e conexivo. Pilosidade curta. Cabeça delicadamente rugosa e granulosa com cerdas curtas, duas vezes mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,4-0,5) e distintamente mais longa que o pronoto (1:0,7-0,8). Região anteocular duas vezes e meio mais longa que a pós-ocular (1:0,35-0,4). Genas ultrapassando ligeiramente o ápice do clípeo. Olhos em vista lateral ultrapassando a superfície ventral, mas bem distantes da superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:1,35-1,75. Tubérculos anteníferos inseridos ligeiramente após a metade da região anteocular. Primeiro artículo antenal curto não ultrapassando a metade das genas. Proporções entre os artículos antenais = 1:3,3-4,0:3,0-4,2:2,0-2,7. Rostro castanho claro, contrastando com a cabeça negra. Primeiro segmento muito curto, segundo segmento se estendendo até o bordo anterior dos olhos ou ligeiramente além, terceiro tão longo quanto o segundo. Cerdas do rostro curtas e esparsas com exceção do ápice do terceiro segmento. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:2:2. Pescoço castanho escuro com um par de manchas laterais avermelhadas. Pronoto com lobo anterior variando de castanho escuro a negro, lobo posterior como o lobo anterior ou variando de parcialmente a totalmente vermelho. Tubérculos discais e laterais ausentes. Ângulos ântero-laterais curtos, sub-cônicos. Escutelo com processo apical da metade do comprimento do corpo principal e raramente com ápice claro. Hemiélitro atingindo ou se aproximando do ápice do sétimo urotergito. Cório castanho escuro ou enegrecido, vermelho na base e com pequenas manchas avermelhadas subapicais. Membrana castanho escuro, enfumaçada. Pernas uniformemente negras. Fêmures anteriores e medianos com um par de pequenos dentículos subapicais. Tíbias anteriores e medianas dos machos com fossetas esponjosas, ausentes nas fêmeas. Abdômen castanho escuro. Conexivo vermelho brilhante com faixas negras transversais estreitas localizadas sobre as suturas inter-segmentares. Para descrição completa veja Lent & Wygodzisnky (1979).

Material tipo: depositado no Zoologisches Museum, Berlim, Alemanha.

Habitat: espécie silvestre encontrada sob rochas e em fendas de muros de pedras, frequentemente junto com Triatoma rubrovaria e associada a baratas das quais se alimenta sugando a hemolinfa (Almeida et al. 2002).

Curiosidades: espécie que apresenta grande variabilidade cromática no lobo posterior do pronoto variando de completamente negro a completamente vermelho (Di Primio, 1962). Espécie cromaticamente muito similar a Triatoma carcavalloi.

Distribuição: Rio Grande do Sul.

Distribuição fora do Brasil: Uruguai. Segundo Lent & Wygodzinsky (1979) a ocorrência dessa espécie na Argentina, especialmente em Córdoba e San Luis é duvidosa.

 

38 Triatoma costalimai Verano & Galvão, 1958

Etimologia: o epíteto específico costalimai é uma homenagem a Ângelo Moreira da Costa Lima (1887-1964), entomólogo brasileiro do Instituto Oswaldo Cruz.

Características gerais: comprimento total dos machos 26 mm, das fêmeas de 25,5 a 26,5 mm. Coloração geral castanho escuro ou negro, com manchas avermelhadas no pescoço, cório e conexivo. Pilosidade curta e esparsa. Cabeça negra duas vezes mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,45) e distintamente mais longa que o pronoto (1:0,75). Região anteocular quatro vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,25). Genas pontudas projetando-se além do nível do ápice do clípeo. Jugas apicalmente angulosas. Olhos pequenos, em vista lateral aproximando-se, mas não ultrapassando o nível da superfície ventral e distante da superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:1,6-2,0. Tubérculos anteníferos inseridos no meio da região anteocular. Primeiro artículo antenal muito curto não alcançando o nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:5,6-6,4:4,4:3,2. Rostro robusto, tão escuro, ou um pouco mais claro que a cabeça. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:2.6-2.7:1. Pescoço escuro com um par de manchas laterais avermelhadas. Pronoto totalmente castanho escuro ou preto. Lobo anterior fracamente granuloso com 1+1 tubérculos discais pouco perceptíveis, tubérculos laterais ausentes. Lobo posterior muito rugoso. Ângulos humerais arredondados. Escutelo rugoso. Processo apical quase tão longo quanto o corpo principal. Hemiélitro atingindo o ápice do sétimo urotergito em ambos os sexos. Cório e clavo negros, ápice do cório com margem avermelhada nítidas manchas avermelhadas. Membrana cinza escuro com áreas fracamente tingidas de avermelhado. Pernas uniformemente negras, longas. Fêmures anteriores e medianos com um par de pequenos dentículos subapicais. Tíbias anteriores e medianas dos machos com fossetas esponjosas, ausentes nas fêmeas. Abdômen castanho escuro. Conexivo castanho escuro, cada segmento com uma mancha vermelho-alaranjado de tamanho variável situada ao longo do bordo externo. Para descrição completa veja Lent & Wygodzisnky (1979).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: entre rochas calcárias próximas a ninhos de Kerodon rupestris, D. albiventris, T. apereoides, O. eliurus e C. callosus. Ninfas e adultos já foram encontrados no peridomicílio.

Distribuição: Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso e Tocantins 39 Triatoma deaneorum Galvão, Souza & Lima, 1967

 

Etimologia: o epíteto específico deaneorum é uma homenagem ao casal Leônidas (1914-1993) e Maria Deane (1916-1995), parasitologistas brasileiros.

Características gerais: comprimento total dos machos 25 mm, das fêmeas 27 mm. Coloração geral castanho escuro. Pilosidade curta e esparsa. Cabeça castanha escura, menos que duas vezes mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,55) e distintamente mais longa que o pronoto (1:0,9). Região anteocular quatro vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,25). Genas projetando-se além do nível do ápice do clípeo. Jugas apicalmente angulosas. Olhos em vista lateral aproximando-se, mas não ultrapassando o nível da superfície ventral e distante da superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:1,3. Tubérculos anteníferos inseridos no meio da região anteocular. Primeiro artículo antenal muito curto não alcançando o nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:4,6:?:?. Rostro castanho amarelado, mais claro que a cabeça. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:2,25-2,5:1. Pescoço escuro com um par de manchas laterais amareladas. Pronoto negro. Lobo anterior não granuloso com tubérculos discais e laterais discretos, porém, perceptíveis. Lobo posterior nitidamente rugoso. Ângulos humerais arredondados. Escutelo uniformemente negro. Hemiélitro atingindo o ápice do sétimo urotergito em ambos os sexos. Clavo amarelado, mais escuro ao longo da margem externa, cório castanho-amarelado claro.

Membrana castanho-amarelado claro com veias mais escuras. Pernas castanho escuras, trocânteres e base dos fêmures amareladas. Fêmures anteriores e medianos com um par de pequenos dentículos subapicais. Tíbias anteriores e medianas com fossetas esponjosas, ausentes nas fêmeas. Abdômen castanho escuro. Conexivo com grande mancha amarela em cada segmento. Para descrição completa veja Lent & Wygodzisnky (1979).

Material tipo: depositado na Coleção do Instituto Butantan, São Paulo.

Habitat: Os únicos espécimes conhecidos foram encontrados no interior de domicílios.

Distribuição: Mato Grosso e Goiás.

 

40 Triatoma delpontei Romana & Abalos, 1947

 

Etimologia: o epíteto específico delpontei é homenagem a Eduardo Del Ponte (1887-1969), entomólogo Argentino.

Características gerais: comprimento total dos machos de 24 a 26 mm, das fêmeas de 25 a 27 mm. Robusto e fortemente esclerotizado. Coloração castanho escuro avermelhado ou negra, fosco ou ligeiramente polido, com marcações amareladas no pescoço e conexivo. Pilosidade dourada, distinta, mas não tão abundante quanto em T. platensis. Cabeça castanho avermelhado escuro, pilosa e esparsamente granulosa; quase duas vezes mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,6) e tão longa quanto o pronoto. Região anteocular três a quatro vezes mais longa que a pós-ocular. Genas aguçadas projetando-se consideravelmente além do nível do ápice do clípeo. Jugas angulosas apicalmente. Olhos em vista lateral quase atingindo o nível da superfície ventral e distantes da superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:2.1-2.2. Tubérculos anteníferos inseridos no meio da região anteocular. Primeiro artículo antenal não alcançando o nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:3.3-3.5:2.0-2.3:1.5. Rostro tão escuro quanto a cabeça, cerdas primeiro segmento do rostro muito curtas, longas e densas no terceiro. Primeiro segmento atingindo o nível do ápice da juga, segundo artículo atingindo o nível do bordo posterior dos olhos. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:2:1. Pronoto da mesma coloração do corpo. Lobo anterior ligeiramente granulosos 1+1 tubérculos discais pontudos, 1+1 pequenos tubérculos laterais e 1+1 tubérculos póstero-sublaterais obsoletos. Lobo posterior irregularmente enrugados. Escutelo fortemente rugoso. Hemiélitro atingindo o ápice do sétimo urotergito nos dois sexos. Pernas castanho escuras ou negras. Fêmures anteriores e medianos com um par de pequenos dentículos subapicais. Fossetas esponjosas presentes nas tíbias anteriores e medianas dos machos, ausente nas fêmeas. Cerdas das pernas numerosas e visíveis a olho nu. Abdômen ventral com numerosas cerdas. Para descrição completa veja Lent & Wygodzisnky (1979).

Material tipo: depositado no Instituto Miguel Lillo, Tucuman, Argentina.

Habitat: espécie basicamente ornitofílica encontrada com maior frequência nos ninhos do papagaio Myiopsitta monacha cotorra (Vieillot), uma vez que os ninhos tenham sido abandonados passam a se alimentar de pequenos roedores ou didelfídeos que se apossam dos ninhos (Salvatella et al. 1993).

Distribuição: Rio Grande do Sul.

Distribuição fora do Brasil: Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai

 

41 Triatoma guazu Lent & Wygodzinsky, 1979

Etimologia: o epíteto específico guazu é derivado do guarani e significa grande, uma referência ao fato dessa ser uma das maiores espécies do gênero.

Características gerais: comprimento total dos machos 26 mm, das fêmeas de 29 a 30 mm. Coloração geral negra, com manchas amareladas no pescoço, cório e conexivo. Pilosidade curta e esparsa. Cabeça negra, rugosa; duas a três vezes mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,4-0,5) e mais longa que o pronoto (1:0,9). Região anteocular quatro vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,25). Genas projetando-se além do nível do ápice do clípeo. Jugas arredondadas apicalmente. Olhos em vista lateral ultrapassando levemente o nível da superfície ventral e ultrapassando nitidamente a superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:1,25. Tubérculos anteníferos inseridos no meio da região anteocular. Primeiro artículo antenal não alcançando o nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:4,6:3,5:2,3. Rostro escuro, castanho avermelhado. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:2,5:1,1. Pescoço negro com um par de manchas laterais amareladas. Pronoto totalmente negro. Lobo anterior pouco granuloso sem tubérculos discais ou laterais. Lobo posterior rugoso. Húmeros salientes e arredondados. Ângulos ântero-laterais pequenos, projetados lateralmente. Escutelo negro, fortemente rugoso. Hemiélitro atingindo o ápice do oitavo urotergito nos dois sexos e de colorido geral pálido; clavo preto enfumaçado na base e com a metade final amarelo-claro. Membrana castanho-amarelado claro com veias mais escuras. Pernas castanho escuras ou negras, trocânteres e base dos fêmures mais amareladas. Fêmures anteriores e medianos com um par de pequenos dentículos subapicais. Tíbias anteriores e medianas com fossetas esponjosas, ausentes nas fêmeas. Abdômen castanho escuro a negro. Conexivo com grande mancha amarelada em cada segmento. Para descrição completa veja Lent & Wygodzisnky (1979) e Lent et al. (1996).

Material tipo: depositado no American Museum of Natural History, Nova Iorque, EUA e na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: somente espécimes adultos foram encontrados em domicílios

Distribuição: Mato Grosso

Distribuição fora do Brasil: Paraguai 42 Triatoma infestans (Klug, 1834)

 

Etimologia: o epíteto específico infestans vem do latim “infesto, infestare, infestavi, infestatus” que significa perturbar, infestar, prejudicar.

Sinônimos: Reduvius infestans Klug in Meyen, 1834; Conorhinus infestans Berg, 1879; Conorhinus renggeri Herrich-Schaeffer, 1848; Conorhinus sex-tuberculatus Spinola in Gay, 1852; Conorhinus paulseni Philippi, 1860; Conorhinus gracilipes Philippi, 1860; Conorhinus octotuberculatus Philippi, 1860; Conorhinus gigas Burmeister, 1861; Conorhinus nigrovarius Blanchard, 1890; Triatoma infestans erythrophthalmus Noé & Silva, 1949; Triatoma infestans melanosoma, Martínez, Olmedo & Carcavallo, 1987; Triatoma oswaldoi Niño, 1936; Eutriatoma oswaldoi Niño, 1936; Triatoma sordelli Dios & Zuccarini, 1936; Triatoma mazzae Jörg, 1937; Triatoma melanosoma Lent et al. 1994.

Características gerais: comprimento total dos machos de 21 a 26 mm, das fêmeas de 26 a 29 mm. Coloração geral negra ou castanho escuro, com manchas amareladas nas pernas, cório e conexivo. Pilosidade curta e esparsa. Cabeça negra delicadamente rugosa; duas vezes mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,5-0,55) e tão longa quanto o pronoto (1:0,9). Região anteocular três vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,3). Genas arredondadas distalmente, ultrapassando ligeiramente o nível do ápice do clípeo. Olhos em vista lateral próximos ou atingindo o nível da superfície ventral, mas não alcançando a superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:1,5-1,8. Tubérculos anteníferos inseridos no meio da região anteocular. Primeiro artículo antenal não alcançando o nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:3.5-3.7:2.9-3.3:2.0-2.3. Rostro tão escuro ou mais claro que a cabeça. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:1,7-2,0:1,0. Pescoço negro com um par de manchas laterais amareladas. Pronoto totalmente negro. Lobo anterior com 1+1 tubérculos discais e pequenos tubérculos laterais. Lobo posterior rugoso. Húmeros salientes e elevados. Ângulos ântero-laterais pequenos. Escutelo negro, fortemente rugoso. Hemiélitro não atingindo o ápice do sétimo urotergito nos dois sexos e de colorido geral escuro. Clavo negro com manchas amarelo pálido na base. Membrana com veias escuras. Pernas totalmente negras ou com os trocânteres e base dos fêmures amarelados. Fêmures anteriores e medianos com um par de pequenos dentículos subapicais. Tíbias anteriores e medianas com fossetas esponjosas presentes apenas nos machos. Conexivo preto, cada segmento com grande mancha amarela afastada da sutura anterior, mas estreitamente próxima da fronteira do segmento posterior. Para descrição completa veja Lent & Wygodzisnky (1979).

Material tipo: de infestans depositado no Zoologisches Museum, Berlim, Alemanha; de paulseni, gracilipes e octotuberculatus, no Museu de Historia Natural de Santiago, Chile; de oswaldoi e melanosoma na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro; de sordelli, no Instituto Bacteriológico, Buenos Aires, Argentina; de mazzae, na Mision de Estudios de Patología Regional, Buenos Aires, Argentina.

Habitat: espécie quase exclusivamente domiciliar, populações silvestres arborícolas e rupestres têm sido encontradas na Bolívia (Cortez et al. 2007).

Distribuição: atual, apenas em raros focos residuais no Rio Grande do Sul e Bahia. Antes do sucesso dos programas de controle do Ministério da Saúde: Alagoas, Bahia, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e Tocantins.

Distribuição fora do Brasil: Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai.

 

43 Triatoma jatai Gonçalves et al., 2013

Etimologia: o epíteto específico jatai é uma referência ao local de coleta Fazenda Jatai.

Características gerais: comprimento total dos machos 18,6 mm, das fêmeas 20,15 mm. Cabeça castanha, alongada, levemente rugosa; quatro vezes mais longa que larga ao nível dos olhos(1:0,23), e mais longa que o pronoto (1:0,23) ou tão longa quanto o pronoto e o escutelo juntos, coberta por cerdas curtas. Região anteocular quatro vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,22). Genas acentuadas, ultrapassando o nível do ápice do clípeo. Olhos em vista lateral não atingindo o nível da superfície ventral, e distantes da superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:1,05. Tubérculos anteníferos inseridos no meio da região anteocular. Primeiro artículo antenal atingindo a metade do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:4.5:2.7:2.4. Rostro com a mesma coloração da cabeça. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:3:1. Pronoto castanho, rugoso com 1+1 tubérculos discais e laterais ausentes. Ângulos humerais arredondados podendo apresentar 1+1 mancha clara. Escutelo castanho, rugoso com uma depressão central em forma de V, com processo apical cilíndrico tão longo quanto o corpo do escutelo. Hemiélitro atingindo ou quase atingindo o ápice do sétimo urotergito. Cório e clavo castanhos, com 2+2 manchas ocre na região basal e apical. Membrana cinza, com veias negras. Pernas castanhas. Conexivo predominantemente castanho com manchas claras basais triangulares de largura variável. Para descrição completa veja Gonçalves et al. (2013).

Material tipo: depositado na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Distribuição: Tocantins.

 

44 Triatoma juazeirensis Costa & Felix, 2007

Etimologia: o epíteto específico juazeirensis é uma referência ao município de Juazeiro (Bahia) local de captura do material tipo.

Características gerais: comprimento total dos machos de 20 a 24 mm, das fêmeas de 23 a 25,5 mm. Coloração geral negra. Cabeça negra, rugosa nas regiões dorsal e lateral; duas vezes mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,45-0,50) e distintamente mais longa que o pronoto (1:0,65-0,85). Região anteocular quatro vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,25). Genas ultrapassando o nível do ápice do clípeo. Olhos em vista lateral não atingindo o nível da superfície ventral, e distantes da superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:1,75-2,0. Tubérculos anteníferos inseridos no meio ou ligeiramente antes do meio da região anteocular. Primeiro artículo antenal atingindo o nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:3,4-4,6:2,3-3,0:1,9-2,6. Rostro tão escuro quanto a cabeça. Proporções entre os segmentos do rostro = 1:1.6-2.2:0.8-1.2. Pescoço negro com um par de manchas laterais claras. Pronoto com lobo anterior negro, tubérculos discais pequenos e laterais ausentes. Lobo posterior rugoso. Escutelo negro com processo apical tão longo quanto o corpo do escutelo. Hemiélitro de comprimento variável atingindo desde a base até o ápice do sétimo urotergito. Cório amarelo-claro, com áreas escuras de extensão variável. Clavo totalmente negro. Membrana castanha amarelada, com veias negras. Pernas negras com áreas claras nos trocânteres. Fêmures totalmente negros. Tíbias com porção subapical ligeiramente amarelada, fossetas esponjosas presentes apenas nas tíbias anteriores e medianas dos machos. Conexivo com manchas amareladas, retangulares ou subtriangulares; mancha negra localizada sobre as suturas inter-segmentares e de tamanho similar às manchas amareladas. Para descrição completa veja Costa & Felix (2007).

Material tipo: depositado na Coleção Entomológica, Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro; no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, São Paulo e no Museu de História Natural da Flórida (Universidade da Flórida), Gainesville, EUA.

Habitat: pode ser encontrada no ambiente silvestre, entre rochas, em ecótopos semelhantes àqueles infestadas por T. brasiliensis e principalmente no peridomicílio.

Distribuição: Bahia

 

45 Triatoma jurbergi Carcavallo, Galvão & Lent, 1998

 

Etimologia: o epíteto específico jurbergi é uma homenagem a José Jurberg, entomólogo do Instituto Oswaldo Cruz, especialista em triatomíneos.

Características gerais: comprimento total dos machos de 25 a 26 mm, das fêmeas de 27 a 28 mm. Coloração geral castanho avermelhado. Cabeça castanho avermelhado, suavemente granulosa; quase três vezes mais longa que larga ao nível dos olhos e distintamente mais longa que o pronoto (1:0,58). Região anteocular seis vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,16). Genas ligeiramente aguçadas apicalmente. Olhos em vista lateral ultrapassando o nível da superfície ventral, e distantes da superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:1,16. Tubérculos anteníferos inseridos bem adiante do meio da região anteocular. Primeiro artículo antenal não atingindo o nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1: 4.5: 3.5: 3. Proporções entre os segmentos do rostro = 1: 3.2: 1. Pronoto castanho avermelhado. Lobo anterior com escultura bem marcada, tubérculos discais pouco aparentes. Ângulos ântero-laterais do colar muito divergentes, cilindrocônicos e grandes. Lobo posterior granuloso. Escutelo avermelhado, com processo apical aguçado, quase do mesmo comprimento do corpo do escutelo. Hemiélitros não alcançando o ápice do VIII tergito. Cório laranja, membrana cinza, clavo e veias marrom-escuro. Pernas castanho avermelhadas, com exceção dos trocânteres que são amarelados, fêmures com pequenos tubérculos. Conexivo castanho escuro, com uma mancha subtriangular alaranjada em cada segmento atingindo ventralmente a sutura conexival. Para descrição completa veja Carcavallo, Galvão & Lent (1998).

Material tipo: depositado na Coleção Rodolfo Carcavallo do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: peridomicílio

Distribuição: Mato Grosso

 

46 Triatoma klugi Carcavallo, Jurberg, Lent & Galvão, 2001

Etimologia: o epíteto específico klugi é uma homenagem a Johann Christoph Fiedrich Klug (1775-1856), entomólogo alemão.

Características gerais: comprimento total dos machos de 24 a 25 mm, das fêmeas de 25 a 27 mm. Coloração geral negra tendo manchas amarelas centrais em cada segmento do conexivo, parte externa do clavo e base do cório. Cabeça negra, suavemente granulosa; três vezes mais longa que larga ao nível dos olhos e distintamente mais longa que o pronoto. Região ante-ocular 3,5 a 4 vezes mais longa que a pós-ocular. Genas rugosas e granulosas ultrapassando o ápice do clípeo. Olhos em vista lateral ultrapassando o nível da superfície ventral, e distantes da superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:1,5. Tubérculos anteníferos inseridos no meio da região anteocular. Primeiro artículo antenal não atingindo o nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:3,5:2,4:1,9 Rostro negro, proporções entre os segmentos do rostro = 1: 2,5: 1,2. Pronoto preto brilhante, rugoso. Lobo anterior com tubérculos discais vestigiais, sem tubérculos laterais. Ângulos ântero-laterais divergentes, cônicos e aguçados. Lobo posterior rugoso. Escutelo muito rugoso com a depressão central muito profunda e o processo do escutelo cônico, pequeno e voltado para cima. Hemiélitros não atingindo o bordo posterior do abdômen, apenas a metade do VII urotergito. Cório amarelado com veias negras. Pernas uniformemente pretas, longas e delgadas, fêmures anteriores e médios com 1 + 1 tubérculos pequenos na união do 1/4 apical com os 3/4 proximais. Fossetas esponjosas presentes nas tíbias anteriores e médias. Conexivo com mancha amarela no centro de cada segmento Para descrição completa veja Carcavallo et al. (2001).

Material tipo: depositado nas Coleções Herman Lent e Rodolfo Carcavallo do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: os espécimes conhecidos foram coletados em frestas de rochas no morro Malakov no município de Nova Petrópolis, RS.

Distribuição: Rio Grande do Sul

 

47 Triatoma lenti Sherlock & Serafim, 1967

Etimologia: o epíteto específico lenti é uma homenagem a Herman Lent (1911-2004), notável entomólogo brasileiro e maior autoridade mundial em taxonomia de triatomíneos.

 

Sinônimos: Triatoma bahiensis Sherlock & Serafim, 1967; Triatoma pessoai Sherlock & Serafim, 1967; Triatoma pessoai var. bahiensis Sherlock & Serafim, 1972.

Características gerais: comprimento total dos machos de 25 a 26 mm, das fêmeas de 26,5 a 27,5 mm. Coloração geral negra tendo manchas amarelas ou alaranjadas no pescoço conexivo e raramente no cório. Pilosidade curta e esparsa. Cabeça negra, suavemente granulosa; duas vezes mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,45-0,50) e distintamente mais longa que o pronoto (1:0,80-0,85). Região ante-ocular 4 a 5 vezes mais longa que a pós-ocular (1:0,20-0,25). Genas ultrapassando ligeiramente o ápice do clípeo. Olhos pequenos, em vista lateral não alcançando o nível da superfície ventral, e distantes do nível da superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:2,1-2,4. Tubérculos anteníferos longos e finos com ápice situados mais além do no meio da região anteocular. Primeiro artículo antenal atingindo o nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:3,4-4,25:2,1-2,5:1,8-2,1. Rostro negro com primeiro segmento atingindo o nível do ápice do tubérculo antenífero, proporções entre os segmentos do rostro = 1:1,7-2,1:0,7-0,9. Pronoto totalmente negro, não granuloso. Lobo anterior sem tubérculos discais ou laterais. Ângulos ântero-laterais curtos e arredondados apicalmente. Escutelo com processo tão longo quanto o corpo principal. Hemiélitros dos machos geralmente não ultrapassando a base ou o meio do VII urotergito, nas fêmeas atingindo o ápice ou o meio do VI urotergito. Cório e clavo negros, membrana castanho escuro com veias negras. Pernas uniformemente negras, longas e delgadas, fêmures anteriores e medianos com 1 par de pequenos dentículos subapicais. Fossetas esponjosas presentes nas tíbias anteriores e médias dos machos, ausentes nas fêmeas. Conexivo negro com mancha amarela ou alaranjada de tamanho variável. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Material tipo: de lenti, pessoai e bahiensis depositados na Coleção Herman Lent do Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Habitat: em domicílios, currais de cabras e entre rochas.

Distribuição: Bahia e Goiás.

 

48 Triatoma maculata (Erichson, 1848)

 

Etimologia: o epíteto específico maculata vem do latim “maculatus” que significa manchado, uma referência às manchas (máculas) presentes no corpo do inseto.

Sinônimos: Conorrhinus maculatus Erichson in Schomburgk,1848, Conorhinus maculatus Stål, 1859; Conorhinus immaculata Patton & Cragg, 1913; Eutriatoma maculata Pinto, 1931. Características gerais: comprimento total dos machos de 16,5-21,5 mm, das fêmeas de 17,5-22 mm. Coloração geral castanho escuro ou negra com manchas amarelas, alaranjadas ou avermelhadas na cabeça, pescoço, tórax, cório e conexivo. Tegumento quase glabro. Pilosidade curta e esparsa. Cabeça negra com mancha vermelho-alaranjada dorsal mais ou menos extensa em forma de Y sobre o clípeo, as genas, as jugas e prolongando-se, as vezes, entre os olhos, muito raramente toda preta. Cabeça muito elevada atrás, na vista lateral; menos que duas vezes mais longa que larga ao nível dos olhos (1:0,6-0,7) e tão longa ou ligeiramente mais curta que o pronoto (1:1,0-1,1). Região ante-ocular 3 a 4 vezes mais longa que a pós-ocular (1:0.25-0.35). Genas ultrapassando nitidamente o ápice do clípeo. Olhos grandes, em vista lateral ultrapassando o nível da superfície ventral, e quase atingindo o nível da superfície dorsal da cabeça. Proporção entre a largura de um olho e a região interocular = 1:0,9-1,1. Tubérculos anteníferos situados ligeiramente além da metade da região anteocular. Primeiro artículo antenal aquém do nível do ápice do clípeo. Proporções entre os artículos antenais = 1:4,2-5,0:2,8-3,2:1,9-2,4.Rostro negro, cerdas curtas e esparsas no primeiro e segundo artículos e muito numerosas e alongadas no terceiro. Proporções entre os artículos do rostro = 1:1,9-2,2:0,9-1.0. Pronoto castanho escuro ou negro. Lobo anterior totalmente negro ou com áreas alaranjadas ou amareladas sobre os tubérculos discais e laterais, manchas claras pequenas presentes em cada lado, entre a base das carenas longitudinais e os tubérculos laterais. Lobo posterior negro, com três pares, ou ao menos um par, de manchas alaranjadas na maioria dos espécimes. Ângulos ântero-laterais alongados, subtriangulares. Pleura negra com manchas alaranjadas. Escutelo negro, com processo tão longo quanto o corpo principal. Hemiélitros castanho claro com veias negras, atingindo ou se aproximando do ápice do VII urotergito, nos machos e fêmeas. Pernas uniformemente negras, fêmures anteriores e medianos com 1 par de pequenos dentículos subapicais. Fossetas esponjosas presentes nas tíbias anteriores e médias dos machos, ausentes nas fêmeas. Conexivo amarelada, alaranjado ou avermelhado com faixa escura larga situada sobre a sutura interconexival. Processo do endosoma da genitália masculina sem dentículos no ápice. Para descrição completa veja Lent & Wygodzinsky (1979).

Continuar: parte 4 de 4