A Harpa do Crente

Alexandre Herculano · Capítulo 8 de 47

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A Harpa do Crente

Capítulo XI

Entre o povo infiel, de Eloha em nome:

Ameaças, promessas, tudo inutil;

De ferro os corações não se dobraram.

Vibrou-se a maldicção: bem como um sonho

Jerusalem passou: sua grandesa

Somente existe em derrocadas pedras.

O vate de Anathoth, sobre seus restos,

Com tal lamento se doeu da patria:

Canto de morte alçou: da noite as larvas

O som lhe ouviram: squallido esqueleto,

Rangendo os ossos, d'entre a hera e musgos

Do portico do templo erguia um pouco,

Alvejando, a caveira:--era-lhe alivio

Do sagrado cantor a voz suave

Desferida ao luar, triste, no meio

Da vasta solidão que o circumdava:

O propheta gemeu: não era o estro,

Ou o vivido júbilo que outrora

Inspirára Moysés: o sentimento

Fui sim pungente do silencio e morte,

Que da patria lhe fez sobre o cadaver

A elegia da noite erguer, e o pranto

Derramar da esperança e da saudade.

 

XI.

A Lamentação.

 

Como assim jaz e solitaria e quêda

Esta cidade outrora populosa!

Qual viuva ficou e tributaria

A senhora das gentes.

Chorou durante a noite: em pranto as faces

Sosinha, entregue á dôr, nas penas suas