A Harpa do Crente
Capítulo XI
Entre o povo infiel, de Eloha em nome:
Ameaças, promessas, tudo inutil;
De ferro os corações não se dobraram.
Vibrou-se a maldicção: bem como um sonho
Jerusalem passou: sua grandesa
Somente existe em derrocadas pedras.
O vate de Anathoth, sobre seus restos,
Com tal lamento se doeu da patria:
Canto de morte alçou: da noite as larvas
O som lhe ouviram: squallido esqueleto,
Rangendo os ossos, d'entre a hera e musgos
Do portico do templo erguia um pouco,
Alvejando, a caveira:--era-lhe alivio
Do sagrado cantor a voz suave
Desferida ao luar, triste, no meio
Da vasta solidão que o circumdava:
O propheta gemeu: não era o estro,
Ou o vivido júbilo que outrora
Inspirára Moysés: o sentimento
Fui sim pungente do silencio e morte,
Que da patria lhe fez sobre o cadaver
A elegia da noite erguer, e o pranto
Derramar da esperança e da saudade.
XI.
A Lamentação.
Como assim jaz e solitaria e quêda
Esta cidade outrora populosa!
Qual viuva ficou e tributaria
A senhora das gentes.
Chorou durante a noite: em pranto as faces
Sosinha, entregue á dôr, nas penas suas