A Harpa do Crente

Alexandre Herculano · Capítulo 28 de 47

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A Harpa do Crente

Capítulo VIII

Das movediças ramas, que povoa

De saudade e de amor nocturna brisa;

Que visse a lua, o espaço oppresso de astros,

E ouvisse o mar soando:--elle chorára,

Qual eu chorei, as lagrymas do goso,

E adorando o Senhor detestaria

De uma sciencia van seu vão orgulho.

 

VIII.

 

É aqui neste valle, ao qual não chega

Humana voz e o tumultuar das turbas,

Onde o nada da vida sonda livre

O coração, que busca ir abrigar-se

No futuro, e debaixo do amplo manto

Da piedade de Deus: aqui serena

Vem a imagem da campa, como a imagem

Da patria ao desterrado: aqui, solemne,

Brada a montanha, memorando a morte.

Essas penhas, que, lá no alto da encosta,

Negras, despidas, dormem solitarias,

Parecem imitar da sepultura

O aspecto melancholico, e o repouso

Tão desejado do que em Deus confia.

Bem semelhante á paz, que se ha sentado

Por seculos, alli, nas serranias,

É o silencio do adro, onde reunem

Os cyprestes e a cruz o céu e a terra.

Como tu vens cercado de esperança,

Para o innocente, oh placido sepulchro!

Juncto das tuas bordas pavorosas

O perverso recúa horrorisado: