A Harpa do Crente

Alexandre Herculano · Capítulo 2 de 47

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A Harpa do Crente

Capítulo II

E os despotas maldigo.--Entendimento

Bronco, lançado em seculo fundido

Na servidão de goso ataviada,

Creio que Deus é Deus, e os homens livres!

 

II.

 

Oh sim!--rude amador de antigos sonhos,

Irei pedir aos tumulos dos velhos

Religioso enthusiasmo, e canto novo

Hei-de tecer, que os homens do futuro

Entenderão:--um canto escarnecido

Pelos filhos dest' épocha mesquinha,

Em que vim peregrino a vêr o mundo,

E chegar a meu termo, e repousar-me

Depois á sombra de um cypreste amigo.

 

III.

 

Passa o vento os do portico da Igreja

Esculpidos umbraes: correndo as naves

Sussurrou, sussurrou entre as columnas

De gothico lavor: no orgam do coro

Veio em fim murmurar e esvaecer-se.

Mas porque sôa o vento?--Está deserto,

Silencioso ainda o sacro templo:

Nenhuma voz humana ainda recorda

Os hymnos do Senhor. A natureza

Foi a primeira em celebrar seu nome

Neste dia de lucto e de saudade!

Trévas da quarta feira eu vos saudo!