A Harpa do Crente
Capítulo II
E os despotas maldigo.--Entendimento
Bronco, lançado em seculo fundido
Na servidão de goso ataviada,
Creio que Deus é Deus, e os homens livres!
II.
Oh sim!--rude amador de antigos sonhos,
Irei pedir aos tumulos dos velhos
Religioso enthusiasmo, e canto novo
Hei-de tecer, que os homens do futuro
Entenderão:--um canto escarnecido
Pelos filhos dest' épocha mesquinha,
Em que vim peregrino a vêr o mundo,
E chegar a meu termo, e repousar-me
Depois á sombra de um cypreste amigo.
III.
Passa o vento os do portico da Igreja
Esculpidos umbraes: correndo as naves
Sussurrou, sussurrou entre as columnas
De gothico lavor: no orgam do coro
Veio em fim murmurar e esvaecer-se.
Mas porque sôa o vento?--Está deserto,
Silencioso ainda o sacro templo:
Nenhuma voz humana ainda recorda
Os hymnos do Senhor. A natureza
Foi a primeira em celebrar seu nome
Neste dia de lucto e de saudade!
Trévas da quarta feira eu vos saudo!