A Harpa do Crente

Alexandre Herculano · Capítulo 25 de 47

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A Harpa do Crente

Capítulo III

 

Oh, como surge magestosa e bella,

Com viço da creação, a naturesa,

No solitario valle!--E o leve insecto,

E a relva, e os matos, e a fragrancia pura

Das boninas da encosta estão contando

Mil saudades de Deus, que os ha lançado,

Com mão profusa, no regaço ameno

Da solidão, onde se esconda o justo.

E lá campeam no alto das montanhas

Os escalvados pincaros, severos,

Quaes guardadores de um logar que é sancto:

Atalaias que ao longe o mundo observam,

Cerrando até o mar o ultimo abrigo

Da crença viva, da oração piedosa,

Que se ergue a Deus de labios innocentes.

Sobre esta scena o sol verte em torrentes

Da manhan o clarão; a brisa esvae-se

Por esses matos de alecrim florído,

Embalsamando o ar de brando aroma:

O rocío da noite á rosa agreste

No seio derramou frescor suave,

E 'inda existencia lhe dará um dia!

Formoso ermo do sul, outra vez, salve!

 

IV.

 

Negro, esteril rochedo, que contrastas,

Na mudez tua, o placido sussurro