A Harpa do Crente
Capítulo VII
Severo:--oh que tormento! infernaes dores
São doces para o máu, a par do aspecto
Do bom, que mudo lhe recorda os crimes.
Ai!--nem paz cabe nos mortos! Entre as campas
Ainda habita o remorso. Embalde, espectro,
Te curvas ante as aras que insultaste:
Debalde imploras o perdão celeste.
Expiraste: o perdão morreu comtigo.
Infeliz para sempre, a mão levanta
A essa fronte gelada; entre teus olhos
De azulado fulgor ampla rajada
Toca--eterno signal que no perverso
Do cherubim da morte a dextra estampa:
Toca-a... Deus reprovou-te; a herança tua
Volveu-se em maldicção: luz de esperança
Para ti apagou-se: o abysmo evoca
O filho seu; despenha-te no abysmo!
VII.
Vaga meditação onde arrojaste
Minha imaginação!--ás horas mortas
De alta noite, no templo solitario,
E em congresso de mortos, quando o espanto
Os resguarda co'as azas acurvadas
Da vista do que vive!--Alli corria
Minha mente, qual vaga a mente do homem,
Que em febre ardente desvairou por sonhos,
Onde se ajunctam troços de existencias,
Em nebuloso quadro; ou como ondea,
Entre a esperança e o susto, o moribundo,
A quem do passamento o véu já cinge
A amarellada fronte, e a quem já pesam