A Harpa do Crente

Alexandre Herculano · Capítulo 9 de 47

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A Harpa do Crente

Capítulo XII

Ninguem a consolou: os mais queridos

Contrarios se volveram.

As amplas ruas de Sion são ermas,

E cubertas de relva: os sacerdotes

Gemem: as virgens pallidas suspiram

Involtas na amargura.

Dos filhos de Israel nas cavas faces

Está pintada a macilenta fome;

Mendigos vão pedir, pedir a estranhos,

Um pão de infamia eivado.

O tremulo ancião, de longe, os olhos

Volta a Jerusalem, della fugindo;

Vê-a, suspira, cáe, e em breve expira

Com seu nome nos labios.

Que horror!--as proprias mães os seus filhinhos

Despedaçaram: barbaras quaes tygres,

Os sanguinosos membros palpitantes

No ventre sepultaram.

Grande Deus, nosso opprobrio olha piedoso!

Cessa de Te vingar! Vê-nos escravos,

Servos de servos em paiz estranho;

Adoça nossos males!

Acaso serás Tu sempre inflexivel?

Esquecèste de todo a nação tua?

O pranto dos hebreus não Te commove?

És surdo a seus lamentos?

 

XII.

 

Doce era a voz do velho: o som do Nablo

Sonoro: o ceu sereno: clara a terra

Pelo brando fulgor do astro da noite:

E o propheta parou: erguidos tinha

Os olhos para o ceu, onde buscava