A Harpa do Crente
Capítulo XII
Ninguem a consolou: os mais queridos
Contrarios se volveram.
As amplas ruas de Sion são ermas,
E cubertas de relva: os sacerdotes
Gemem: as virgens pallidas suspiram
Involtas na amargura.
Dos filhos de Israel nas cavas faces
Está pintada a macilenta fome;
Mendigos vão pedir, pedir a estranhos,
Um pão de infamia eivado.
O tremulo ancião, de longe, os olhos
Volta a Jerusalem, della fugindo;
Vê-a, suspira, cáe, e em breve expira
Com seu nome nos labios.
Que horror!--as proprias mães os seus filhinhos
Despedaçaram: barbaras quaes tygres,
Os sanguinosos membros palpitantes
No ventre sepultaram.
Grande Deus, nosso opprobrio olha piedoso!
Cessa de Te vingar! Vê-nos escravos,
Servos de servos em paiz estranho;
Adoça nossos males!
Acaso serás Tu sempre inflexivel?
Esquecèste de todo a nação tua?
O pranto dos hebreus não Te commove?
És surdo a seus lamentos?
XII.
Doce era a voz do velho: o som do Nablo
Sonoro: o ceu sereno: clara a terra
Pelo brando fulgor do astro da noite:
E o propheta parou: erguidos tinha
Os olhos para o ceu, onde buscava