A Harpa do Crente

Alexandre Herculano · Capítulo 10 de 47

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A Harpa do Crente

Capítulo XIII

Um raio de esperança e de conforto:

E elle calára já, e ainda os ecchos,

Entre as minas sussurrando, ao longe

Iam os sons levar de seus queixumes.

 

XIII.

 

Chôro piedoso, o chôro consagrado

Ás desditas dos seus. Honra ao propheta!

Oh margens do Jordão, paiz tão lindo,

Que fostes e não sois, tambem suspiro

Doído vos consagro!--Assim fenecem

Imperios, reinos, solidões tornados!...

Não:--nenhum deste modo: o peregrino

Pára em Palmyra e pensa: o braço do homem

A sacudiu á terra, o fez dormissem

O seu ultimo somno os filhos della--

E elle o veio dormir pouco mais longe:

Mas se chega a Sion treme, enxergando

Seus lacerados restos. Pelas pedras,

Aqui e alli dispersas, ainda escripta

Parece vêr-se uma inscripção de agouros,

Bem como aquella que aterrou um ímpio

Quando, no meio de ruidosa festa,

Blasphemava dos ceus, e mão ignota

O dia extremo lhe apontou de crimes.

A maldicção do Eterno está vibrada

Sobre Jerusalem!--Quanto é terrivel

A vingança de Deus! O Israelita,

Sem patria, e sem abrigo, vagabundo,

Odio dos homens, neste mundo arrasta

Uma existencia mais cruel que a morte,

E que vem terminar a morte e inferno.

Desgraçada nação!--aquelle solo