A Harpa do Crente

Alexandre Herculano · Capítulo 27 de 47

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A Harpa do Crente

Capítulo VI

No irrequieto mar, na paz da noite,

Por horas em que véla o criminoso,

A quem íntima voz rouba o socego,

E em que o justo descança, ou, solitario,

Ergue ao Senhor um hiymno harmonioso.

 

VI.

 

Hontem, sentado n'um penhasco, e perto

Das aguas, então quêdas, do oceano,

Eu tambem o louvei, sem ser um justo:

E meditei--e a mente extasiada

Deixei correr pela amplidão das ondas.

Como abraço materno, era suave

A aragem fresca do caír das trévas,

Em quanto, involta em gloria, a clara lua

Sumia em seu fulgor milhões d'estrellas.

Tudo calado estava: o mar somente

As harmonias da creação soltava,

Em seu rugido; e o freixo do deserto

Se agitava, gemendo e murmurando,

Ante o sopro de oeste:--alli dos olhos

O pranto me correu, sem que o sentisse,

E aos pés de Deus se derramou minha alma.

 

VII.

 

Oh, que viesse o que não crê, comigo,

Á vecejante Arrabida, de noite,

E se assentasse aqui sobre estas fragas,

Escutando o sussurro incerto e triste