A Harpa do Crente
Capítulo VI
No irrequieto mar, na paz da noite,
Por horas em que véla o criminoso,
A quem íntima voz rouba o socego,
E em que o justo descança, ou, solitario,
Ergue ao Senhor um hiymno harmonioso.
VI.
Hontem, sentado n'um penhasco, e perto
Das aguas, então quêdas, do oceano,
Eu tambem o louvei, sem ser um justo:
E meditei--e a mente extasiada
Deixei correr pela amplidão das ondas.
Como abraço materno, era suave
A aragem fresca do caír das trévas,
Em quanto, involta em gloria, a clara lua
Sumia em seu fulgor milhões d'estrellas.
Tudo calado estava: o mar somente
As harmonias da creação soltava,
Em seu rugido; e o freixo do deserto
Se agitava, gemendo e murmurando,
Ante o sopro de oeste:--alli dos olhos
O pranto me correu, sem que o sentisse,
E aos pés de Deus se derramou minha alma.
VII.
Oh, que viesse o que não crê, comigo,
Á vecejante Arrabida, de noite,
E se assentasse aqui sobre estas fragas,
Escutando o sussurro incerto e triste