Fantasmas
Capítulo 9
Um pedido de ajuda
— Roupa? — indagou Kale. — Que roupa?
Bry ce podia ver que Kale ficara sobressaltado com a pergunta e que estava apenas fingindo que não entendia.
— Xerife, aonde quer chegar com isso? — perguntou Bob Robine. Os olhos encobertos de Bry ce perm aneceram assim , e ele m anteve a voz baixa, lenta.
— Ora, Bob, só estou tentando resolver tudo, para poderm os todos sair daqui. Juro que não gosto de trabalhar aos dom ingos, e este j á está praticam ente perdido. Tenho essas perguntas a fazer, e o sr.
Kale não precisa responder a nenhum a delas, m as vou fazê-las, para poder ir para casa e botar os pés para cim a e tom ar um a cervej a.
Robine soltou um suspiro. Olhou para Kale.
— Só responda se eu disser que pode. Agora preocupado, Kale assentiu. Franzindo o cenho para Bry ce, Robine disse: — Continue.
— Quando chegam os na casa do sr. Kale na quinta-feira passada — continuou Bry ce —, depois que ele ligou para com unicar as m ortes, eu notei que a ponta de um a das pernas das calças dele e a extrem idade grossa inferior da sua suéter estavam am bas ligeiram ente úm idas, tão ligeiram ente que m al dava para se reparar. Fiquei achando que ele lavara tudo que estava usando e que não deixara as roupas no secador o tem po suficiente. Então, dei um a espiada na lavanderia e encontrei um a coisa interessante. No arm ário ao lado da m áquina de lavar, onde a sra. Kale guardava os seus sabões, detergentes e am aciantes de tecidos, havia duas im pressões digitais sangrentas na caixa grande de Cheer. Um a estava borrada, m as a outra estava nítida.
O laboratório diz que a digital é do sr. Kale.
— De quem era o sangue que estava na caixa? — indagou vivam ente Tobine.
— Tanto a sra. Kale quanto Danny eram tipo O. O Sr. Kale tam bém . Isso torna um pouco m ais difícil para nós...
— O sangue na caixa de detergente? — interrom peu Robine.
— Tipo O.
— Então poderia ser o sangue do m eu próprio cliente! Ele poderia tê-lo deixado na caixa num a ocasião anterior, quem sabe depois de ter se cortado na sem ana passada, quando m exia no j ardim .
Bry ce sacudiu a cabeça.
— Com o você sabe, Bob, esse negócio de tipo de sangue está ficando altam ente sofisticado hoj e em dia. Ora, podem dividir um a am ostra em várias enzim as e identidades de proteínas, m as o sangue de um a pessoa é quase tão único quanto as suas im pressões digitais.
Portanto, eles puderam nos dizer, inequivocam ente, que o sangue na caixa de Cheer — o sangue na m ão do sr. Kale quando deixou aquelas duas digitais — era do pequeno Danny Kale.
Os olhos cinzentos de Fletcher Kale continuaram parados e inexpressivos, m as ele ficou bem pálido.
— Posso explicar — falou.
— Espere aí! — disse Robie. — Explique prim eiro a m im — em particular.
O advogado levou o seu cliente para o canto m ais afastado da sala.
Bry ce estava largado na sua cadeira. Sentia-se cinzento, esgotado. Estava daquele j eito desde a quinta-feira, desde que vira o corpo patético e am assado de Danny Kale.
Esperava sentir um prazer considerável ao ver Kale passar por m aus pedaços. Mas não havia prazer naquilo.
Robine e Kale retornaram .
— Xerife, infelizm ente o m eu cliente fez um a burrice. — Kale tentava parecer adequadam ente constrangido. — Fez um a coisa que poderia ser m al interpretada — com o aconteceu até com o senhor. O sr.
Kale estava assustado, confuso, arrasado de dor. Não conseguia pensar com clareza. Tenho certeza de que qualquer j úri o com preenderia. Sabe, quando ele achou o corpinho do filho, pegou-o no colo...
— Ele nos disse que não tocou nele.
Kale enfrentou com firm eza o olhar de Bry ce e falou: — Logo que vi Danny deitado no chão... eu não podia realm ente acreditar que ele estava... m orto. Peguei-o no colo... achando que devia levá-lo ao hospital... Mais tarde, depois que atirei em Joanna, olhei para baixo e vi que estava coberto com ... o sangue de Danny. Eu tinha atirado na m inha m ulher, m as de repente m e dei conta de que podia parecer que tam bém tinha m atado o m eu próprio filho.
— Ainda havia o cutelo de açougueiro na m ão da sua m ulher — falou Bry ce. — E ela tam bém estava toda coberta com o sangue de Danny. E o senhor podia ter concluído que o legista encontraria o pó de anj o na corrente sanguínea dela.
Agora estou percebendo tudo isso — disse Kale, tirando um lenço do bolso e enxugando os olhos. — Mas, na hora, fiquei com m edo de ser acusado de um a coisa que não fizera.
A palavra "psicopata" não era exatam ente correta para Fletcher Kale, concluiu Bry ce. Ele não era m aluco. Tam pouco era exatam ente um sociopata. Não havia um a palavra que o descrevesse adequadam ente. Todavia, um bom tira reconheceria o tipo e enxergaria o potencial para atividades crim inosas e, talvez, igualm ente, o talento para violência bruta. Existe um certo tipo de hom em que tem m uita vitalidade e gosta de m uita ação, um hom em que tem um a boa dose de encanto superficial, cuj as roupas são m ais caras do que o seu padrão financeiro perm ite, que não possui um único livro (com o Kale não possuía), que parece não ter opinião definida sobre política ou arte ou econom ia ou qualquer outro assunto de im portância real, que não é religioso, exceto quando lhe acontece algum a desgraça ou quando quer im pressionar alguém com sua devoção (com o Kale, que não frequentava igrej a algum a, e que agora lia a Bíblia na sua cela pelos m enos durante quatro horas diárias), que tem um corpo atlético m as que parece abom inar um a atividade sadia com o o exercício físico, que passa as horas de lazer em bares e boates, que engana a m ulher por força do hábito (com o Kale o fazia, segundo todos os inform es), que é im pulsivo, não é digno de confiança, está sem pre atrasado para todos os com prom issos (com o Kale), cuj os obj etivos são vagos ou irrealísticos ("Fletcher Kale? É um sonhador."), que saca no verm elho com frequência e m ente sobre dinheiro, que tom a em prestado com facilidade m as custa a pagar, que exagera, que sabe que vai ficar rico algum dia, m as que não tem nenhum plano específico para adquirir essa fortuna, que nunca duvida nem pensa no ano que vem , que se preocupa apenas consigo m esm o, e som ente quando j á é tarde dem ais. Havia um tal hom em , um tal tipo, e Fletcher Kale era um exem plo excelente do anim al em questão.
Bry ce j á vira outros com o ele. Seus olhos eram sem pre inexpressivos; não se podia ler nada neles. Os rostos exprim iam a em oção adequada para o m om ento, em bora cada expressão fosse um pouquinho certa dem ais. Quando expressavam preocupação por outra pessoa além de si m esm os, dava para se perceber um toque nítido de insinceridade. Não se vergavam ao peso do rem orso, da m oralidade, do am or ou da em patia. Em geral, levavam vidas de destruição aceitável, arruinando e am argurando aqueles que os am avam , destruindo as vidas de am igos que acreditavam e confiavam neles, traindo a confiança depositada neles, m as sem j am ais cruzar diretam ente a linha que os separava de um com portam ento declaradam ente crim inoso. De vez em quando, todavia, um hom em desses ia longe dem ais. E com o era do tipo que nunca fazia as coisas pela m etade, sem pre ia longe dem ais m esm o.
O corpinho ensanguentado e destroçado de Danny Kale, caído num canto.
O acinzentado que envolvia a m ente de Bry ce ficou m ais espesso, até parecer um a fum aça fria e oleosa. Ele disse para Kale: — O senhor nos contou que sua m ulher fum ava m aconha constantem ente há dois anos e m eio.
— É verdade.
— Seguindo ordens m inhas, o legista procurou algum as coisas que, norm alm ente, não lhe interessariam . Com o o estado dos pulm ões de Joanna. Ela não era nem fum ante, que dirá toxicôm ana. Os pulm ões estavam lim pos.
— Eu disse que ela fum ava m aconha, não tabaco — falou Kale.
— Tanto a fum aça da m aconha quanto a do tabaco com um danificam os pulm ões — continuou Bry ce. — No caso de Joanna, não havia dano absolutam ente nenhum .
— Mas eu...
— Quieto — aconselhou Bob Robine a seu cliente. Apontou um dedo longo e esguio na direção de Bry ce, agitou-o e falou: — O im portante é: havia PCP no sangue dela ou não?
— Havia — concordou Bry ce. — Estava no sangue dela, m as ela não o fum ou. Joanna tom ou o PCP oralm ente. Ainda havia um bocado dele no seu estôm ago.
Robine pestanej ou, surpreso, m as se recobrou rapidam ente.
— Lá vem você — disse. — Ela o tom ou. Que im portância tem ?
— Na verdade — retrucou Bry ce —, havia m ais PCP no seu estôm ago do que na sua corrente sanguínea.
Kale tentou parecer curioso, preocupado e inocente — tudo aura só tem po; até m esm o as suas feições elásticas estavam forçadas por essa expressão.
De cara fechada, Bob Robine falou:
— Com que então havia m ais no estôm ago dela do que na sua corrente sanguínea. E daí?
— O pó de anj o é altam ente absorvível. Tom ado oralm ente, não fica no estôm ago por m uito tem po. Ora, conquanto Joanna tenha engolido droga suficiente para ficar pirada, não houve tem po para que fosse afetada. Sabe, é que tom ou o PCP com sorvete. Que form ou um a cam ada protetora no seu estôm ago e retardou a absorção da droga.
Durante a autópsia, o legista encontrou sorvete de calda de chocolate parcialm ente digerido. Portanto, não houve tem po para o pó de anj o causar alucinações ou deixá-la louca furiosa. — Bry ce fez um a pausa, depois inspirou fundo. — Tam bém havia sorvete de calda de chocolate no estôm ago de Danny, m as nenhum PCP. Quando o sr. Kale nos contou que chegara cedo do trabalho na quinta-feira, não falou que trouxera um a surpresa para a fam ília. Meio galão de sorvete de calda de chocolate.
O rosto de Fletcher Kale estava inexpressivo. Finalm ente, ele parecia ter esgotado toda a sua coleção de expressões hum anas. Bry ce falou:
— Encontram os um a lata de sorvete parcialm ente vazia no congelador de Kale. De calda de chocolate. O que eu acho que aconteceu, sr. Kale, é que o senhor serviu um pouco de sorvete para todo m undo. Acho que tem perou secretam ente a porção da sua m ulher com PCP, para m ais tarde poder alegar que ela estava alucinada pela droga. Não pensou que o legista descobriria a sua m anobra.
— Espere aí um m inuto, pom bas! — gritou Robine.
— Então, enquanto lavava na m áquina as suas roupas ensanguentadas — dizia Bry ce a Kale —, o senhor lavou a louça suj a de sorvete e a guardou, porque a sua história era que tinha chegado em casa e encontrado o pequeno Danny j á m orto e a m ãe dele j á piradona com PCP.
Robine disse:
— Isso são só suposições. Esqueceu-se do m otivo? Em nom e de Deus, por que o m eu cliente faria um a m onstruosidade dessas?
Observando os olhos de Kale, Bry ce falou: — Investim entos High Country.
O rosto de Kale perm aneceu im passível, m as os olhos vacilaram .
— Investim entos High Country ? — indagou Robine. — O que é isso? Bry ce fitou Kale.
— O senhor com prou sorvete antes de ir para casa na quinta-feira?
— Não — disse Kale, secam ente.
— O gerente da loj a 7-Eleven na rua Calder diz que com prou.
Os m úsculos dos m axilares de Kale ficaram saltados quando ele cerrou os dentes, com raiva.
— E quanto à Investim entos High Country ? — perguntou Robine. Bry ce disparou outra pergunta para Kale.
— Conhece um hom em cham ado Gene Terr? — Kale apenas o fitava. — Às vezes cham ado de "Jeeter".
— Quem é ele? — quis saber Robine.
— O líder da Dem on Chrom e — falou Bry ce, sem desfitar Kale.
— É um a gangue de m otoqueiros. Jeeter é traficante de drogas. Na verdade, nunca conseguim os pegá-lo com a boca na botij a; conseguim os apenas engaiolar parte do seu pessoal. Pressionam os Jeeter e ele nos levou a alguém que adm itiu fornecer erva regularm ente ao sr. Kale. Não à sra. Kale. Ela j am ais com prou.
— E quem afirm a isso? — perguntou Robine com veem ência. — Esse m otoqueiro selvagem ? Esse refugo social? Esse traficante de drogas? Ele não é um a testem unha de confiança!
— De acordo com nossas fontes, o sr. Kale não com prou apenas erva na terça-feira passada. Com prou tam bém pó de anj o. O hom em que lhe vendeu as drogas testem unhará em troca de .im unidade.
Com presteza e astúcia anim ais, Kale se levantou de um salto, agarrou a cadeira vazia ao seu lado, arrem essou-a por sobre a m esa, em cim a de Bry ce Ham m ond, e correu para a porta da sala de interrogatórios.
Quando a cadeira saiu das m ãos de Kale e voou pelos ares, Bry ce j á se m ovim entara, e ela passou por cim a da sua cabeça, inofensivam ente. Ele j á estava do outro lado da m esa quando a cadeira caiu ruidosam ente ao chão, às suas costas.
Kale abriu a porta e lançou-se para o corredor.
Bry ce estava quatro passos atrás dele.
Tal Whitm an saltara do peitoril da j anela com o se tivesse sido arrem essado para fora com um a carga de explosivos, e estava um passo atrás de Bry ce, gritando.
Chegando no corredor, Bry ce viu Fletcher Kale se dirigindo para um a porta de saída am arela a cerca de seis m etros de distância. Correu no encalço do filho da puta.
Kale se j ogou em cim a da trava e escancarou a porta de m etal.
Bry ce alcançou-o um a fração de segundo m ais tarde, quando Kale estava pondo o pé no estacionam ento de m acadam e.
Pressentindo Bry ce logo atrás de si, Kale se virou com um a fluidez felina e desferiu um soco com a m ão enorm e.
Bry ce se desviou e revidou com outro soco, atingindo a barriga dura e plana de Kale. Deu m ais um golpe, atingindo-o no pescoço.
Kale cam baleou para trás, levando as m ãos à garganta, tossindo e se engasgando.
Bry ce avançou.
Kale, porém , não estava tão atordoado quanto fingia estar.
Saltou para diante quando Bry ce se aproxim ou e se atracou com ele.
— Canalha — disse Kale, espum ando.
Seus olhos cinzentos estavam arregalados. Os lábios se m ostravam repuxados, deixando os dentes à m ostra, com o se ele estivesse rosnando. Parecia um lobo.
Os braços de Bry ce estavam presos, e em bora ele fosse tam bém um hom em forte, não conseguia se livrar do abraço de ferro de Kale.
Deram alguns passos cam baleantes para trás, tropeçaram e caíram , com Kale por cim a. A cabeça de Bry ce bateu com força no chão e ele pensou que ia desm aiar.
Kale deu-lhe um único soco, ineficaz, depois saiu de cim a dele e rastej ou rapidam ente para longe.
Afastando a escuridão que crescia por trás de seus olhos, surpreso por Kale ter aberto m ão da vantagem , Bry ce ficou de quatro.
Sacudiu a cabeça... e então viu o que o outro fora pegar.
Um revólver.
Jazia no m acadam e, a alguns m etros de distância, brilhando som briam ente à luz am arelada das lâm padas de vapor de sódio.
Bry ce buscou o seu coldre. Vazio. O revólver no chão era o seu próprio. Aparentem ente, caíra do coldre e rolara pelo piso quando ele fora ao chão.
A m ão do assassino se fechou sobre a arm a.
Tal Whitm an se aproxim ou e desceu o cassetete, atingindo Kale na nuca. O hom enzarrão desabou em cim a da arm a, inconsciente.
Agachando-se, Tal virou Kale de barriga para cim a e tom ou o seu pulso.
Segurando a base do seu próprio crânio latej ante, Bry ce foi m ancando até eles.
— Ele está bem , Tal?
— Está. Vai voltar a si dentro de alguns m inutos. Pegou o revólver de Bry ce e se pôs de pé. Aceitando a arm a, Bry ce falou: — Fico lhe devendo essa.
— Nem por isso. Que tal a sua cabeça?
— Quem m e dera ser dono de um a com panhia de aspirina.
— Eu não esperava que ele fosse correr.
— Nem eu — concordou Bry ce. — Quando as coisas ficam cada vez piores para um hom em assim , geralm ente ele fica m ais calm o, m ais controlado, m ais cuidadoso.
— Bem , acho que esse aí viu as paredes se fechando sobre si.
Bob Robine estava parado no vão da porta, fitando-os, balançando a cabeça, consternado.
Dali a alguns m inutos, quando Bry ce Ham m ond estava sentado à sua m esa, preenchendo os form ulários que acusavam Fletcher Kale de dois hom icídios, Bob Robine bateu na porta aberta. Bry ce ergueu os olhos.
— E então, advogado, com o vai o seu cliente?
— Está bem . Mas não é m ais m eu cliente.
— É? Decisão sua ou dele?
— Minha. Não posso aceitar um cliente que m ente para m im a respeito de tudo. Não gosto de ser feito de bobo.
— Ele quer cham ar outro advogado ainda esta noite?
— Não. Quando for citado, vai pedir ao j uiz um defensor público.
— Isso vai ser logo de m anhãzinha.
— Não está perdendo tem po, não é?
— Com esse aí, não.
— Ótim o — assentiu Robine. — Ele não presta m esm o, Bry ce.
Sabe, há 15 anos que sou um católico apóstata — disse ele, suavem ente.
— Concluí há m uito tem po que não existia nada disso de anj os, dem ônios, m ilagres. Achava que tinha instrução dem ais para pensar que o Mal — com M m aiúsculo — cam inha pelo m undo com pés de cabra. Lá na cela, porém , Kale se virou para m im e disse: "Eles não vão m e pegar. Não vão m e destruir. Ninguém pode. Eu vou escapar desse."
Robine continuou:
— Quando o adverti contra o excesso de otim ism o, ele disse: "Não tenho m edo de gente com o você. Além disso, não com eti nenhum assassinato. Apenas m e livrei de um lixo que estava em pestando a m inha vida."
— Jesus — exclam ou Bry ce.
Am bos ficaram calados. Depois, Robine soltou um suspiro.
— E quanto aos Investim entos High Country. Com o é que isso forneceu o m otivo?
Antes que Bry ce pudesse explicar, Tal Whitm an entrou apressadam ente, vindo do corredor.
— Bry ce, posso dar um a palavrinha com você? — Lançou um olhar para Robine. — É m elhor que sej a em particular.
— Claro — falou Robine.
Tal fechou a porta às costas do advogado.
— Bry ce, conhece a sra. Jennifer Paige?
— Faz algum tem po que com eçou a clinicar em Snowfield.
— Sei. Mas que tipo de pessoa diria que ela é?
— Não a conheço. Ouvi dizer que é boa m édica. E o pessoal daquelas cidadezinhas das m ontanhas está bem contente por não ter m ais que vir até Santa Mira para se consultar.
— Tam bém não a conheço. Só queria saber se você tinha ouvido algum com entário sobre... se ela é chegada à bebida. Quero dizer... se tom a uns pileques.
— Não, nunca ouvi nada no gênero. Por quê? O que está acontecendo?
— Ela ligou faz alguns m inutos. Disse que houve um desastre lá em Snowfield.
— Desastre? O quer ela que dizer com isso?
— Bem , ela diz que não sabe. Bry ce pestanej ou.
— Ela parecia histérica?
— Assustada, m as não histérica. Não quer falar com outra pessoa, só com você. Está na linha três. — Bry ce estendeu a m ão para o telefone.
— Mais um a coisa — disse Tal, linhas de preocupação vincando-lhe a testa. — Ela m e disse um a coisa, m as não faz sentido.
Ela disse...
— Sim ?
— Disse que todo m undo por lá está m orto. Todo m undo em Snowfield. Disse que ela e a irm ã são as únicas pessoas vivas.