Fantasmas

Dean R. Koontz · Capítulo 46 de 48

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Fantasmas

Capítulo 44

Vitória?

 

Bry ce estava parado na calçada, exam inando a cidade. À escuta.

À espera. Não havia sinal do transm orfo, m as ele relutava em acreditar que estivesse m orto. Estava com m edo de que fosse saltar em cim a dele tão logo baixasse a guarda.

Tal Whitm an estava deitado no calçam ento. Jenny e Lisa lim param as queim aduras do ácido, polvilharam -nas com um pó antisséptico e aplicaram ataduras tem porárias.

Snowfield perm anecia tão silenciosa com o se estivesse no fundo do m ar.

Quando acabou de cuidar de Tal, Jenny falou: — Devem os levá-lo im ediatam ente para o hospital. As feridas não são profundas, m as pode haver um a reação alérgica retardada a um a das toxinas do transm orfo. De repente ele pode ficar com dificuldades respiratórias ou problem as de pressão. O hospital está equipado para as piores possibilidades. Eu, não.

Correndo os olhos pela extensão da rua, Bry ce falou: — E se ficarm os presos no carro em m ovim ento, e aquilo voltar?

— Levam os os pulverizadores conosco.

— Pode não haver tem po para usá-los. Ele pode sair de dentro de um buraco no chão, fazer o carro capotar e nos m atar dessa form a, sem sequer nos tocar, sem nos dar um a chance de usar os pulverizadores.

Eles ficaram de ouvido atento à cidade. Nada. Apenas a brisa.

Finalm ente, Lisa falou: — Está m orto.

— Não podem os ter certeza — disse Bry ce.

— Vocês não estão sentindo? — insistiu Lisa. — Sinta a diferença. A coisa se foi! Morreu. Dá para a gente sentir a m udança no ar.

Bry ce se deu conta de que a m ocinha tinha razão. O transm orfo não fora apenas um a presença física, m as tam bém espiritual; Bry ce pudera sentir a sua perversidade, um a m alevolência quase tangível.

Aparentem ente, o inim igo antigo em itira em anações sutis — vibrações? Ondas psíquicas? — que não podiam ser vistas ou ouvidas, m as que eram registradas num nível instintivo. Deixavam um a m ancha na alm a.

E agora essas vibrações tinham desaparecido. Não havia m ais am eaça no ar.

Bry ce inspirou fundo. O ar estava lim po, fresco, doce.

Tal falou: — Se ainda não estão querendo entrar num carro, não se preocupem . Podem os esperar um pouco, eu estou legal. Vou ficar bem .

— Mudei de ideia — disse Bry ce. — Podem os ir. Nada vai nos deter. Lisa tem razão. A coisa está m orta.

No carro-patrulha, enquanto Bry ce ligava o m otor, Jenny falou: — Vocês se lem bram do que Fly te falou sobre a inteligência da criatura? Quando estava falando com ela, por m eio do com putador, disse-lhe que provavelm ente tinha adquirido a sua inteligência e autopercepção som ente depois de com eçar a consum ir criaturas inteligentes.

— Eu m e lem bro — disse Tal, do banco de trás, onde estava sentado com Lisa. — Ela não gostou de escutar isso.

— E então? — indagou Bry ce. — Aonde está querendo chegar, Doc?

— Bem , se ela adquiriu a sua inteligência pela absorção de nosso conhecim ento e m ecanism os cognitivos... então será que tam bém adquiriu a sua crueldade e perversidade de nós, da hum anidade? — Viu que a pergunta deixara Bry ce constrangido, m as foi em frente. — Quando se pensa bem a respeito, talvez os únicos diabos verdadeiros sej am os seres hum anos. Não todos nós. Não a espécie com o um todo; apenas aqueles que são pervertidos, que j am ais conseguem adquirir em patia ou com paixão. Se o transm orfo era o Satanás da m itologia, talvez o m al nos seres hum anos não sej a um reflexo do Diabo; talvez o Diabo sej a apenas um reflexo da selvageria e brutalidade da nossa espécie. Talvez o que tenham os feito tenha sido... criar o Diabo à nossa própria im agem .

Bry ce ficou calado. Depois falou: — Você pode ter razão. Desconfio que tenha. Não vale a pena desperdiçar energia tendo m edo de diabos, dem ônios e coisas que assom bram à noite... porque, no final das contas, j am ais encontrarem os algo m ais aterrorizante do que os m onstros que existem em nós. O Inferno está onde o fazem os.

Foram descendo a Sky line Road.

Snowfield parecia serena e bela.

Nada tentou detê-los.