Fantasmas

Dean R. Koontz · Capítulo 17 de 48

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Fantasmas

Capítulo 16

Vindo da escuridão

 

Saíram da delegacia, liderados por Bry ce Ham m ond. Cruzaram as pedras da calçada m anchadas pelo luar, atravessaram um a torrente de luz cor de âm bar de um poste de rua e adentraram a Sky line Road.

Bry ce levava um a espingarda, assim com o Tal Whitm an.

A cidade estava parada. As árvores não respiravam , e os edifícios eram com o m iragens diáfanas penduradas em paredes de ar.

Bry ce saiu da luz, cam inhou no calçam ento pintalgado de luar, cruzando a rua, encontrando som bras dispersas no m eio dela. Sem pre som bras.

Os outros o seguiam silenciosam ente.

Algo rangeu sob o pé de Bry ce, sobressaltando-o. Era um a folha seca.

Ele podia ver o Hilltop Inn pouco m ais adiante, na Sky line Road.

Era um a construção de pedra cinzenta de quatro andares, a quase um a quadra de distância, e estava m uito escura. Algum as das j anelas do quarto andar refletiam a lua cheia, m as, dentro do hotel, nem um a só luz ardia.

Todos j á tinham alcançado ou ultrapassado o m eio da rua quando algo surgiu, vindo da escuridão. Bry ce percebeu, em prim eiro lugar, um a som bra da lua que perpassou pelo calçam ento, com o um a ondulação num a poça d'água. Instintivam ente, baixou a cabeça.

Escutou o som de asas. Sentiu algo roçar de leve sobre a sua cabeça.

Stu Wargle gritou.

Bry ce endireitou o corpo e rodopiou.

A m ariposa.

Estava fixada firm em ente ao rosto de Wargle, agarrando-se por algum m eio que não era visível para Bry ce. Toda a cabeça de Wargle estava coberta pela coisa.

Wargle não era o único que gritava. Os outros tam bém gritaram e recuaram , surpresos. A m ariposa tam bém guinchava, em itindo um som estridente e intenso.

Aos raios prateados do luar, as im ensas asas pálidas e aveludadas do inseto im possível se agitavam , se abriam e fechavam com um a graça e beleza horríveis, fustigando a cabeça e os om bros de Wargle.

Wargle saiu cam baleando, ladeira abaixo, m ovendo-se às cegas, arranhando a coisa terrível que se agarrava ao seu rosto. Os seus gritos logo ficaram abafados; dentro de dois segundos, cessaram por com pleto.

Bry ce, com o os outros, ficou paralisado pelo noj o e pela incredulidade.

Wargle com eçou a correr, m as percorreu apenas alguns m etros antes de parar abruptam ente. As m ãos largaram aquela coisa no seu rosto. Os j oelhos estavam cedendo.

Saindo do seu breve transe, Bry ce deixou cair a espingarda inútil e correu na direção de Stu.

Wargle não desabou ao chão, afinal de contas. Em vez disso, os j oelhos trêm ulos ficaram firm es e ele ficou ereto. Os om bros foram j ogados para trás. O corpo se retorcia e estrem ecia com o se estivesse sendo percorrido por um a corrente elétrica.

Bry ce tentou agarrar a m ariposa e arrancá-la de cim a de Wargle.

Mas o delegado com eçou a oscilar e se debater num a dança-de-são-vito de dor e sufocação, e as m ãos de Bry ce se fecharam em torno do ar.

Wargle cruzou a rua erraticam ente, sacudindo-se de um lado para outro, ondulando, se contorcendo e rodopiando, com o se estivesse preso a fios sendo m anipulados por um titereiro bêbado. As m ãos pendiam frouxas ao lado do corpo, o que tornava a sua dança frenética e espasm ódica especialm ente lúgubre. As m ãos se agitavam m uito debilm ente, m as não se levantavam para tentar arrancar o assaltante de cim a de si. Era quase com o se, agora, ele estivesse tom ado de êxtase, e não nas garras da dor. Bry ce seguiu-o, tentou aj udar, m as não conseguia se aproxim ar.

E então Wargle desabou.

Naquele m esm o instante, a m ariposa se ergueu e virou, suspensa no ar as asas batendo m uito rapidam ente, o olhar negro com o a noite e m aligno Veio para cim a de Bry ce.

Ele deu um passo trôpego para trás e cobriu o rosto com os braços.

A m ariposa passou voando por cim a da cabeça dele.

Bry ce girou o corpo, ergueu os olhos.

O inseto do tam anho de um a pipa continuou o seu vôo silencioso, cruzando a rua e se dirigindo para os prédios do outro lado.

Tal Whitm an levantou a sua espingarda. O estam pido parecia um tiro de canhão na cidade silenciosa.

A m ariposa caiu para um lado, em pleno vôo. Veio rodopiando quase até o chão, depois alçou vôo de novo e continuou o seu cam inho, desaparecendo por sobre um telhado.

Stu Wargle estava esparram ado no calçam ento, de costas, im óvel.

Bry ce se pôs de pé e foi para j unto de Wargle. O delegado j azia no m eio da rua onde havia luz suficiente para se ver que o seu rosto tinha sum ido Jesus Sum ido. Com o se tivesse sido arrancado fora. O cabelo e tiras irregulares do couro cabeludo encim avam o osso branco da sua testa. Um crânio espiava para Bry ce.