Na mente, o veneno

Andrea H. Japp · Capítulo 26 de 36

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Na mente, o veneno

Capítulo 26

 

Base militar de Quantico,

Virgínia, Estados Unidos, julho de 2008

Logo após saírem do cansativo encontro com Silver, Yves tinha convidado m ãe e filho para irem a seu quarto. Na pequena quitinete, preparou um chá para ele e Sara e ofereceu um refrigerante ao m enino.

– Nosso avião de volta está previsto pra daqui a dois dias. A gente poderia talvez ir pra Nova Iorque, aproveitar pra fazer um pouco de turism o.

– É um a boa ideia – aprovou Sara, o olhar perdido, sem que ele tivesse certeza de ela ter escutado.

– Sinto… m uito… Todo esse cam inho… pra ver um rosto oval de óculos escuros.

– Você está errado. Queria lhe agradecer. Realm ente. Faz bastante tem po que não m e sentia tão… Enfim , tenho a im pressão de que consigo finalm ente respirar um pouco… Ela não podia m e dar respostas “cabais”, com o disse. Porém , estou… aliviada.

Victor observava havia alguns m inutos o esboço do retrato falado que Guéguen tinha abandonado sobre a escrivaninha do quarto.

– Quem é?

– O hom em que estam os procurando, relacionado com … Louise e Cy ril.

Sara explicou :

– Eles… os policiais pensam que eu posso ter cruzado com ele.

Boca entreaberta, o m enino se detinha nos óculos escuros.

– É… parece um pouco com aquele norte-am ericano, m am ãe…

Guéguen pulou em direção à criança e o pressionou :

– Que norte-am ericano, Victor? Por favor, é m uito im portante.

– Aquele que encontram os quando a m am ãe tirou um dia de folga. No café. Ele disse que se cham ava Nathan. Ele notou a cam iseta que ela acabava de m e dar e disse, rindo : “É verdade. Conhecim ento é poder”.

– É claro ! – gritou Sara. – Tinha esquecido com pletam ente…

– O quê? Você se lem bra ! Diga tudo, em detalhes ! – disse o policial quase gritando.

– Espere… Havia algo de estranho nele, a tal ponto que fiquei um a pilha de nervos e o m andei passear.

Ela contou a cena, tão fielm ente quanto possível, por vezes aj udada pelo filho. Guéguen, extrem am ente tenso, lhe im plorou para repetir a m esm a história um as três vezes. Ela concluiu :

– Por alguns instantes, pensei que ele estava dando em cim a de m im , m as eu não estava a fim . Além disso, de um a hora pra outra, algo em sua atitude tirou essa ideia da m inha cabeça…

– O que era?

– Não sei. Ele se levantou e foi em bora sem olhar pra trás.

– Ele cam inhou m ais alguns m etros e parou – com pletou Victor, e Guéguen acendeu um cigarro.

– Sara… a cena aconteceu quanto tem po antes…

Ele não teve necessidade de com pletar.

– Menos de duas sem anas. – De repente, um a hipótese horripilante lhe passou pela cabeça : – Você acha que ele queria se… antes de…

– Se apresentar, na verdade – com pletou Guéguen, lúgubre.

Sara se levantou, e Yves se pegou novam ente pensando que ela ficava com a postura m uito reta, com o que pronta a resistir a um ataque violento. Interceptou o olhar de pânico que ela lançou para Victor, absorvido na contem plação do contorno do rosto de Nathan Hunter. Sara abriu a boca, e ele sentiu que ela fazia um enorm e esforço a fim de conservar um a aparente tranquilidade para poupar o filho.

– Querido… preciso falar dois m inutos com o senhor Guéguen…

Victor se endireitou e acenou com a cabeça, com ar sério, antes de atravessar o banheiro e voltar a seu quarto.

Ela inspirou com lentidão e perguntou :

– Você acredita que nós estam os em perigo? Quero dizer, você tinha razão, ele nos conhece. Sabe quem é m eu filho. Quero a verdade.

– Não tenho a m enor ideia. Não consigo identificar aquele hom em . É preciso que volte a conversar com Diane. Vou pedir pra ela cham ar um retratista. Suas lem branças vão nos perm itir aperfeiçoar a descrição física dele e enviar pra todos os cantos.

Sara assentiu com a cabeça.