Noiva até Sexta

Catherine Bybee · Capítulo 18 de 41

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Noiva até Sexta

Capítulo 15

 

DUAS NOITES CONSECUTIVAS DORMINDO NO banco de trás de um carro pequeno já era o bastante. Claro, ajudava o fato de Neil ter conseguido encontrar dois dos lugares mais bonitos para acampar, mas agora já dera!

A manhã de Nevada a pegara de surpresa. O paredão ao lado do qual haviam estacionado se erguia dezenas de metros, e não havia nada além de um céu azul brilhante atrás dele. À luz do dia, o acampamento improvisado parecia menos ameaçador.

Mas nada preparara Gwen para Utah. Ela tinha visto fotos, mas nunca estivera lá. A paisagem era um colírio para os olhos. Ela parecia um disco arranhado, com todos os “maravilhoso” e “deslumbrante” que saíam constantemente de seus lábios.

Os ventos ferozes que haviam moldado os penhascos e a paisagem também balançavam o minúsculo carro.

— É lindo — ela disse enquanto faziam outra curva e encontravam uma paisagem ainda mais bonita.

— É mesmo.

Ele não tinha feito mais que roçar as mãos nas dela desde que haviam se beijado. Neil parecia ter encontrado a distância confortável que havia dito que necessitava para ficar alerta. Isso não significava que ela não o flagrava olhando para ela de vez em quando.

Neil tinha uma barba de três dias no rosto, o que ela adorava. Bonito de seu jeito rude, de alguma forma ele se tornava mais suave de barba. O cabelo curto fazia a barba parecer deliberada, e não um relaxo. Ela nem se importaria se os pelos dele arranhassem sua pele. No corpo todo.

Neil pagava tudo em dinheiro. Até Gwen, que não tinha visto muitos filmes sobre fuga, sabia que cartões de crédito podiam ser rastreados. Eles estavam completamente fora do radar, como se dizia. Ninguém os conhecia e ninguém seria capaz de encontrá-los. Isso, com alguém que não fosse Neil, poderia assustá-la. Mas ela se sentia livre.

— Por favor, me diz que vamos encontrar um lugar para dormir esta noite.

— Vamos ver.

— Neil, por favor. A minha roupa precisa de uma boa lavada, e acho que você não dormiu mais de uma hora ou duas por noite.

— Não preciso de muito sono.

— Ah, sei. Todo mundo precisa dormir. Minhas tentativas de higiene foram menos que adequadas. Uma cama e água corrente, por favor — ela pediu, toda melosa. — Você sabe que não tem ninguém nos seguindo aqui.

Ele fez questão de verificar o espelho retrovisor.

— Não tem ninguém atrás — ela insistiu.

Ele suspirou.

— Precisamos comprar algumas coisas antes de encontrar um hotel.

Ela bateu palmas como uma adolescente, pulou no banco e plantou os lábios em sua bochecha áspera.

— Obrigada. Mal posso esperar para tomar um banho.

Ela se acomodou em seu banco e contou os quilômetros até a próxima cidade.

Encontraram uma loja de esquina que parecia ter um pouco de tudo. Como um minimercado, tinha roupa para toda a família em alguns corredores e mantimentos no outro.

— Não vamos ficar aqui muito tempo. Não fale com ninguém.

Gwen fingiu que trancava os lábios com uma chave e sorriu. Ele lhe entregou duas notas de vinte.

— Vou pegar um pouco de comida; pegue o que precisar.

Ela saiu do carro e praticamente pulou para dentro da loja. Pegou uma cesta, encontrou o corredor de artigos de higiene, pegou um xampu e um condicionador pequenos, sabonete e uma lâmina de barbear. Passou pelas tinturas de cabelo e parou. Encontrou um tonalizante lavável marrom e um ruivo e os jogou na cesta. Brilho labial, repelente de insetos. As coisas importantes.

Uma mulher passou por Gwen, que fingiu ler o rótulo de uma das caixas.

Ela não sabia quanto tempo havia levado, então se dirigiu ao caixa e percebeu que havia mais um item que tinha que comprar.

Preservativos.

Neil sempre ficava surpreso com o modo como as pessoas respondiam às coisas simples da vida quando eram privadas delas durante um tempo.

O sorriso de Gwen iluminava seu rosto quando voltaram para o carro.

— Pegou tudo que precisa? — ele perguntou.

— Tenho certeza que esqueci alguma coisa, mas peguei o essencial — ela respondeu.

Abriu a tampa do xampu e o levou até o nariz.

— Delícia — disse, empurrando-o no rosto dele. — Cheire.

— Tem o seu cheiro.

— Ainda não, mas logo vai ter.

Ele saiu do estacionamento observando pelo retrovisor até voltarem à estrada. Encontrariam um hotel discreto e ele daria um telefonema de manhã, quando já estivessem longe de onde haviam dormido.

Estava na hora de começar a guiar sua presa. Ser a presa não era uma opção.

Não mais.

Ele ainda precisava descobrir como manter Gwen longe do embate quando acontecesse. Tinha algumas ideias na cabeça, mas eram quase impossíveis, cada uma por uma razão. Ele ainda tinha alguns dias para descobrir como resolver isso.

— Você está preocupado. Qual é o problema? — perguntou Gwen.

— Nada.

— Eu adoraria acreditar em você, mas acho que está tentando descobrir o que fazer agora. Saímos da Califórnia, mas não podemos fugir para sempre. Se bem que por um tempo pode ser divertido.

Ele sentiu a preocupação aumentar.

— Você gosta de fugir?

— Ora, Neil, você já viu um lugar mais bonito que este na vida? Eu nunca teria visto isso se você não tivesse me arrastado para fora de casa no meio da noite.

— Não tem nada que te impeça de fazer uma viagem de carro.

— Sendo que existem excelentes aviões para me levar para onde eu quiser? Eu nunca teria escolhido viajar de carro.

— Às vezes a viagem é a jornada.

— Hummm — ela cantarolou. — Gostei. Mas você está preocupado com o que vai acontecer em seguida, não é?

— Preocupado não... — ele mentiu.

— Confuso, então?

Ele não respondeu.

— Às vezes falar ajuda a resolver as coisas — ela sugeriu.

Ele não podia lhe dizer que pretendia encontrar uma torre de marfim para ela, trancá-la ali e ir lutar contra o vilão. Mesmo porque não acreditava que ela ficaria quieta e permitiria isso. Gwen era muito melhor no estilo capa e espada do que ele imaginara, e ela provavelmente insistiria em acompanhá-lo para ajudar.

— Mulheres falam, homens pensam em silêncio.

— Esse é o seu jeito de me mandar parar de falar?

— E desde quando eu sou tão educado?

Ela se recostou no banco e sorriu.

— Tem razão. Você me mandaria calar a boca se não quisesse mais me ouvir.

— Até que enfim! — disse ele, rindo. — A mulher me entendeu.

— Entendeu o cacete.

Neil ficou pasmo.

— Que foi? — ela perguntou.

— Você disse “cacete”.

— Disse. Não sou uma puritana. Eu morei com a Eliza, você sabe... A mulher é capaz de fazer um marinheiro corar quando quer.

Neil até que gostava disso em Eliza. E também admirava seu espírito testado pelas batalhas da vida. Carter era um homem de sorte.

— Você não sabe como fico feliz de te ouvir dizer que não é puritana.

Ela passou a mão pelo cabelo, que deixara solto desde que saíram da loja.

— Ah... Por quê?

Com a cabeça, ele indicou o banco de trás.

— Comprei algo novo para você vestir.

O rosto de Gwen se iluminou, e seu sorriso quase o cegou. Em segundos ela soltou o cinto de segurança e foi para o banco de trás.

De repente, ficou imóvel.

— O que...?

— Você disse que não é puritana.

Ela voltou para o banco da frente com as compras nas mãos.

— Você está brincando.

O olhar de horror no rosto de Gwen iluminou o de Neil. Ele mal podia esperar para vê-la nas roupas que havia escolhido.

— Isso é um shorts? — ela perguntou, erguendo o shortinho de adolescente que tinha pano suficiente para cobrir só metade da bunda.

— É um shorts.

— Isso não vai cobrir a minha calcinha, Neil.

Ele tinha visto as calcinhas dela. O shorts as cobriria sim.

A camisa xadrez vermelha e branca parecia da rainha do desfile de Quatro de Julho.

— Pelo menos as sandálias são bonitinhas — disse ela, balançando-as com um dedo. — Vagabundas, mas bonitinhas.

— Gostou?

— Um horror.

Você pode tirar a lady do castelo, mas não o castelo da lady.

— Era o que eu esperava.

— Por quê?

— Você vai ver — disse Neil.

— É melhor que seja coisa boa — Gwen retrucou, jogando as peças para trás, onde as encontrara —, ou eu vou escolher uma roupa para você. — Ela se recostou no banco, fechou os olhos e acrescentou: — E eu tenho uma queda por couro preto.

 

Distante da cidade mais de trinta quilômetros, Neil parou em um posto de combustível e pediu que Gwen se trocasse. Ela resmungou, mas obedeceu.

— E faça algo igualmente terrível com o seu cabelo.

Ele riu enquanto entrava na loja de conveniência. Comprou um pacote de chicletes e um maço de cigarros.

Impaciente, ficou esperando do lado de fora do banheiro, encostado no capô do carro.

Foi até a porta e deu uma batida rápida.

— Está tudo bem?

— Estou ridícula.

— Está com medo, princesa? — ele a provocou, algo que havia notado na viagem que funcionava com ela. E ele achava que conhecia lady Gwendolyn melhor que a maioria das pessoas. Mas não sabia de nada.

— Não estou com medo.

— Ãhã!

Ele voltou para o carro e esperou um pouco mais.

Por fim, a porta do banheiro se abriu. Ela colocou um pé para fora, numa sandália de salto. Jogou no chão a sacola de roupas e deu uma voltinha.

— Deus do céu — ele sussurrou, tirando os óculos escuros.

Neil sabia que as pernas dela eram longas e elegantes, mas mesmo assim se surpreendeu quando as viu. O shorts vestia como uma segunda pele. Quando ela se virou para ele, o traseiro realmente escapava por baixo da barra. Ela havia abotoado a camisa até em cima e ficava puxando-a para baixo. O cabelo estava penteado para o lado, preso em um rabo de cavalo baixo.

Sim, ela parecia uma prostituta disfarçada de estudante, se fingindo de adulta com os saltos altos.

O sangue de Neil disparou da cabeça para o pau.

— Você está me encarando, Neil.

Ele engoliu em seco e deu um passo na direção dela. As sandálias a aproximaram da altura dele, mas mesmo assim ele ainda era vários centímetros mais alto. Gwen ficou imóvel enquanto ele estendeu as mãos e desabotoou a camisa dela, até a vastidão macia de seus seios ficar visível.

Ele lambeu os lábios, ignorando a sensação da pele suave de Gwen em seus dedos. Então abriu dois botões de baixo da camisa, juntou as pontas e deu um nó, enfiando-o debaixo de seus seios volumosos. Com a barriga dela exposta, ele recuou e avaliou sua criação.

— Perfeito.

— Para quê? Um showzinho de vinte dólares na rua?

Um sorriso lento foi tomando conta dos músculos do rosto de Neil.

— Ah, não, Neil! Você não espera que eu finja ser...

— Onde está o seu senso de aventura, princesa?

— Eu deixei no banheiro, com a minha dignidade.

— Não estou pedindo que você desfile assim pela cidade. Mas a nossa entrada num hotel de beira de estrada tem que ser o mais convincente possível.

— Eu me sinto nua.

Quase.

— Podemos dormir no carro outra vez.

Ela levou a mão ao quadril.

— Que maldade.

— Você escolhe.

— Tudo bem! — ela cedeu. Caminhou na direção de Neil, parou a seu lado e pressionou os seios no braço dele. — Calça de couro preta — sussurrou no ouvido dele. — Talvez uma gargantilha de tachas.

A temperatura de Neil subiu dez graus. Você está encrencado, Mac. Seriamente encrencado.