Noiva até Sexta

Catherine Bybee · Capítulo 24 de 41

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Noiva até Sexta

Capítulo 21

 

 

TUDO SE MOVIA LENTAMENTE. BOOMER, Robb e Linden seguiram Billy no calor escuro. Cada um se aproximou de um guarda por trás, eliminando-os sem dar um único tiro, e deslizaram os corpos até o chão. A morte silenciosa roubava dos terroristas a glória que desejavam, e Neil era grato por isso.

Com os guardas fora do caminho, Neil sinalizou para Boomer e Robb entrarem primeiro, com Linden logo atrás. O trabalho deles era atrair o Gralha para fora e propiciar um tiro limpo para Billy.

Neil sentia o sonho se agarrar em algum canto de sua mente. Disse a si mesmo que era apenas um sonho, uma lembrança distante. Mas a preocupação corria por sua coluna enquanto ele tentava mudar o resultado do que viria a seguir.

Boomer e Robb chegaram primeiro à porta, depois Linden e Billy. Atrás, Mac estava entre Rick e Mickey.

O Gralha pulou da cadeira ao mesmo tempo em que uma criança corria até ele. Falaram rapidamente, em uma língua que Mac não entendia.

Houve uma hesitação de uma fração de segundo, o Gralha gritou uma ordem para o garoto e outra criança entrou na sala.

Foi quando Mac notou as bombas. Amarradas às crianças. E elas correram até eles.

— Atire! — Mac ordenou.

O Gralha caiu com um olhar de morte. Billy, Rick e Mickey passaram correndo por Mac. Um dos garotos se agarrou em Boomer, e Robb o puxou.

Como último ato de sua maldita vida, o Gralha procurou algo dentro de sua roupa. Mac mergulhou no chão enquanto as bombas amarradas às crianças explodiam.

— Shhh... Está tudo bem. Estou aqui — Gwen o acordou e lhe deu beijinhos rápidos. — Estou aqui.

Ela aconchegou o corpo esguio no dele dentro do saco de dormir que compartilhavam, enquanto o fazia acordar e espantava o pesadelo.

Pelo menos o sonho o poupara da cena em que Gwen explodia. Ainda assim, ele sentiu no peito a dor física da lembrança dos amigos que perdera.

Gwen o beijou novamente, passando a mão no quadril e na coxa de Neil.

— Me deixe te ajudar, Neil — disse Gwen, envolvendo seu membro com os dedos.

Ela já estava ajudando. O sonho desapareceu mais rápido que na noite anterior. Como se sentisse a necessidade dele, Gwen colocou um preservativo em seu pau e rolou para cima dele. Ela não esperava preliminares. E, se ele tivesse que adivinhar, diria que Gwen nem buscava a própria satisfação. E isso tocou seu coração. Ele nunca conhecera alguém como ela.

Neil agarrou seus quadris com ambas as mãos e a guiou para si. Seu sexo apertado espantou o pesadelo. Tudo o que restava era Gwen e seu corpo se abrindo para ele, aceitando tudo o que ele era.

O ritmo deles era lento. Gwen o incitava com gemidos sensuais, nada dignos de uma lady, remexendo o corpo contra o dele. As horas antes de adormecerem haviam sido ardentes, de paixão urgente, que os deixara saciados e exaustos. Mas agora era vapor e fumaça, com a promessa de um prazer prolongado no fim.

Gwen se ajeitou sobre ele, fazendo-o encontrar um lugar ainda mais profundo dentro dela. O ar noturno esfriava o corpo dos dois, mas Gwen não parecia notar. Neil segurou seus seios, beliscando os mamilos.

— Ah, Neil. Isso...

Ele sorriu, substituindo os dedos pelos lábios. Gwen se mexia mais rápido, até não conseguir mais se manter na posição.

Ele aproveitou e a beijou, todo língua e calor. Sentiu as bolas se apertando e pensou em riachos gelados, em um esforço de retardar o orgasmo para esperar o dela. A espera não foi longa. Ela cravou as unhas nos ombros dele e prendeu a respiração. Seu corpo estremeceu ao redor dele, e o riacho frio se transformou em lava quente.

Ele gemeu ao mesmo tempo que ela, flutuando lentamente de volta à Terra.

 

Michael estaria no set de filmagem na próxima semana, o que deixaria Karen sozinha por mais tempo do que ela gostaria. Tony, o agente de Michael, se oferecera para acompanhá-la à casa de Tarzana, para que ela pudesse pegar objetos pessoais e alguns arquivos da Alliance.

Tony era amigo de Michael, além de gerenciar sua carreira. O italiano era bonito e gesticulava à beça. No caminho para a casa de Tarzana, não parou de falar um segundo sobre o último filme de Michael.

— Você conheceu a protagonista, não é?

— Sandra? A morena sexy? — Karen perguntou.

Tony virou para ela.

— Você não tem ciúme?

Karen riu.

— Esse sentimento não está no meu DNA.

— Você sabe que ele vai beijá-la diante das câmeras, certo?

— Nada é mais íntimo que uma equipe de... quantos? Vinte ou mais espectadores?

Ele riu e virou na rua da casa dela.

— Você é uma mulher rara, Karen.

— O Michael vive me dizendo isso.

Ainda era cedo, e a rua estava deserta. Mesmo assim, ela estava um pouco nervosa quando pararam na frente da casa e desceram do carro.

Quando entrou, a casa estava em silêncio. Logo o alarme disparou, e ela foi até o painel para desativá-lo. Em seguida olhou para a câmera que apontava para a porta da frente e acenou.

— Olá, Neil... ou Dillon... ou seja lá quem for.

Tony entrou atrás dela.

— Com quem você está falando?

Ela olhou para o teto, dizendo:

— Com a câmera.

Era a primeira vez que Tony entrava naquela casa. Ele deu uma volta completa, observando o equipamento de monitoramento, do lado de fora e de dentro.

— Vocês levam segurança a sério mesmo.

— Estou começando a achar que todo mundo que mora nesta casa acaba sentindo necessidade disso.

Ele fechou a porta atrás de si.

— Por causa dos vizinhos?

Karen foi até os fundos da casa e olhou pela janela. A polícia tinha ido embora fazia muito tempo, mas havia resíduos de pó preto na maçaneta da porta, como se tivessem procurado impressões digitais.

— Não só os vizinhos. Quando a Samantha morava aqui, alguém pôs escutas na casa, procurando podres do marido dela. E a história da Eliza esteve nos noticiários no ano passado.

— Programa de proteção a testemunhas, certo?

Karen assentiu. Abriu a geladeira, tirou o leite e uma embalagem de bifes e jogou no lixo. A casa não precisa feder só porque está vazia.

— Isso. Agora a Gwen fugiu com o Neil por causa dos vizinhos. Estou começando a pensar que esta casa é amaldiçoada.

Tony sorriu.

— Se a casa fosse amaldiçoada, você seria atingida.

Ela pensou em Juan, nos comentários dele do dia anterior. Em sua fobia de pássaros e no fato de muitas crianças do clube saberem disso. Mas, em vez de expressar suas preocupações a Tony, um homem que ela mal conhecia, simplesmente disse:

— É, acho que sim.

— Muito bem, o que viemos fazer aqui? — ele perguntou.

Karen entrou no escritório e ligou o computador. Enquanto inicializava, pediu a Tony para acompanhá-la até o andar de cima. Ali, tirou suas roupas do closet, enchendo os braços. Tony fez várias viagens com as roupas até o carro enquanto ela copiava alguns arquivos. Seu notebook lhe serviria bem, mas muitos arquivos de clientes estavam só no sistema principal da casa.

Quando Karen desligou o computador, o toque do telefone a fez dar um pulo. Não reconheceu o número, mas decidiu atender mesmo assim.

— Alô?

— Karen?

— Gwen? Gwen, onde você está? Está tudo bem?

A última coisa que Karen esperava era um telefonema dela.

— Não está tudo bem... Está tudo maravilhoso! Eu e o Neil... ah, mal posso esperar para te contar tudo. Não tenho muito tempo agora.

Não havia um pingo de preocupação na voz dela. Ao contrário da de Karen.

— O Neil está com você?

— Sim, ele foi ao banheiro do posto. Como estão as coisas por aí?

— Confusas. O Dean está quebrando a cabeça tentando entender o que o Neil está fazendo. Você tem alguma ideia?

— Os corvos não foram um acaso, Karen. Eles foram plantados.

— Provavelmente. Mas aconteceram algumas coisas por aqui desde que você foi embora que me fizeram pensar que os pássaros têm mais a ver comigo do que com o Neil.

Gwen hesitou.

— Eu confio nele, Karen.

— Tem certeza de que não é a atração falando?

— É mais que atração.

Bem, isso responde à pergunta.

— O tempo que o Neil passou na marinha o deixou paranoico, Gwen. Você sabe disso.

— Mesmo que seja verdade, não muda o fato de que os nossos vizinhos estão mortos e alguém pôs escutas na casa.

— Nós não encontramos as escutas — Karen argumentou rapidamente.

— Mas uma hora vão encontrar. — No entanto, a voz de Gwen vacilou. — Escuta, eu tenho que ir. Não queria que você se preocupasse.

— Onde você está?

— No norte. Perto da fronteira com o Canadá. Daqui a alguns dias entro em contato novamente. Diga para ninguém se preocupar.

— Tenha cuidado.

— Eu tenho um guarda-costas particular — Gwen brincou e desligou.

Karen ficou olhando para o telefone, atônita.

— Quem era? — Tony perguntou da porta.

— A Gwen. Disse que está a caminho do Canadá.

— Ela está bem?

Quase bem demais.

 

Ele tirou os fones de ouvido e os jogou no banco do passageiro.

— Nada como uma mulher para acabar com o seu disfarce, Mac.

Ele ignorou o fato de que não dormia fazia dias — pelo menos não em paz — e ligou o carro. Tinha compensado esperar; uma hora alguém falaria alguma coisa. Agora ele sabia não só em que direção Neil estava indo, mas também que o cara estava transando com a tal mulher.

E isso era muito útil.

Antes de deixar a cidade, ele precisava plantar mais um pássaro. Faria o máximo para garantir que os amigos de Neil duvidassem de sua sanidade. Eles não só soltariam a língua perto das escutas, como também a morte de Neil pareceria um acidente trágico, e não um ato de heroísmo tentando resgatar sua mulher.

 

— Tudo bem? — Neil perguntou quando voltou do banheiro.

Gwen lhe entregou o telefone pré-pago e sorriu.

— A Karen estava em casa. Eu disse a ela o que você pediu.

— Ela questionou algo?

— Nada. Parece que estão todos preocupados. Eu odeio deixar as pessoas preocupadas.

Neil encostou no carro.

— Um pouco de preocupação agora é melhor que uma tragédia depois.

Ela assentiu, mas não estava completamente convencida.

— Para onde vamos agora? — perguntou.

— Mais uma noite acampando e depois podemos arranjar a cama e o chuveiro que você tanto adora.

— Você também gosta.

Ele abriu a porta do carro para ela.

— A água fria do rio foi melhor que cafeína.

O córrego estava gelado. Deixara os dedos dela azuis em segundos.

— Eu gosto de água quente.

Neil se sentou ao volante e pôs os óculos de sol.

— Falta pouco, Gwen.

— Para onde vamos amanhã?

Eles estavam em um posto de combustível em uma cidadezinha escondida nas montanhas. No mapa, Gwen tinha visto que estavam perto de várias cidades maiores.

— Colorado Springs — disse Neil enquanto saíam do posto.

— Não é ali, descendo a colina?

— Exato.

— Então por que não descemos agora? Embora eu tenha gostado da barraca, não é o meu lugar favorito para dormir com você.

— Amanhã. Hoje à noite vamos ficar mais expostos aqui. Preciso que o nosso sujeito pense que estamos aqui em cima, escondidos.

— Você está montando uma armadilha?

— Sim, uma armadilha. Mas não se preocupe, você vai estar longe quando ele aparecer.

Ela sentiu a pele gelar.

— E você? Onde você vai estar?

— Esperando.

— Sozinho? É seguro?

— Vou ter reforços. Não precisa se preocupar comigo, Gwendolyn.

— É claro que eu me preocupo. Quem melhor do que eu para se preocupar?

Neil tirou os olhos da estrada e lhe deu um tapinha no joelho.

— Eu vi uma lanchonete no caminho. Podemos conversar sobre isso durante uma refeição de verdade?

Ele estava mudando de assunto, mas pensar em comida apagou a preocupação sobre o amanhã.

Nessa noite, quando os pesadelos dele a acordaram, ela se enroscou nele e o acalmou com suas palavras. Ao contrário das noites anteriores, dessa vez ele não acordou.

Mas ela ficou acordada, ouvindo os sons da floresta e se perguntando se Karen estaria certa. E se eles estivessem fugindo de sombras? E se não tivesse ninguém atrás deles?