Noiva até Sexta
Capítulo 6
AS MÃOS DE KAREN ESTAVAM úmidas. Ela estaria mentindo se dissesse que não estava nervosa.
— Srta. Jones?
Karen se forçou a prestar atenção no grupo de estudos à sua mesa. Havia quatro meninas e três meninos com livros de matemática abertos e papel diante deles. Dois dos garotos estavam ocupados mandando mensagens pelo celular, enquanto outro flertava com a menina mais velha.
— Desculpe, Amy, o que você perguntou?
— Isso está certo?
Karen olhou para o papel e imediatamente notou o erro de Amy.
— Faça a soma da fração de novo.
Ajudar as crianças depois da escola em matemática, inglês ou na tarefa que fosse era algo que ela podia fazer para que elas não largassem os estudos. Eram boas crianças, vindas de famílias desestruturadas ou de pais que precisavam se desdobrar em dois empregos para pagar as despesas e não podiam estar por perto para ajudar os filhos na lição de casa. Crianças que precisavam de um refúgio seguro das ruas em que viviam.
Karen sempre notava essas crianças, aquelas que não tinham comida suficiente, que não deixavam que o mundo soubesse que moravam em um carro, ou na rua, ou em um barraco ao lado do quintal de alguém. Crianças sem-teto, prontas para desistir de uma vida normal, abandonar a escola e se entregar às drogas.
Amy empurrou o papel na frente de Karen novamente.
— Perfeito.
Jeff, o diretor do clube, caminhou em sua direção. Exibia um sorriso largo, e ela podia jurar que ele estava saltitando.
— Karen, posso falar com você?
— Claro.
O tom estranhamente animado da voz de Jeff fez as crianças se entreolharem.
— Crianças, vamos ver se vocês conseguem resolver pelo menos dois problemas antes de eu voltar.
Um dos meninos a ignorou e continuou digitando no celular. Os outros dois se endireitaram, puxaram a lição de casa diante de si e pegaram o lápis.
— Que foi, Jeff? — perguntou Karen enquanto se afastavam.
— Recebi um telefonema de um homem chamado Tony. Ele disse que trabalha com uma celebridade que quer vir aqui hoje conhecer as nossas instalações.
O coração de Karen deu um pulo.
— Uma celebridade?
Jeff assentiu.
— Tony disse que o ator está procurando instituições de caridade que trabalhem com crianças para gastar parte do dinheiro dele. Precisa de isenção fiscal ou algo assim.
Ora, que original. Ela queria revirar os olhos, mas não o fez.
— É mesmo? E o que isso tem a ver comigo?
— Ele quer que alguém que já esteja aqui há algum tempo lhe mostre o lugar.
Karen não sabia dizer se Jeff agitava os pés de empolgação ou de nervosismo.
Ela deu de ombros, tentando parecer desinteressada.
— Você está aqui há algum tempo. Por que não faz isso?
Ele se empertigou um pouco.
— Eu vou ficar junto, mas você conhece as crianças melhor do que ninguém aqui. Se tem alguém que pode defender as necessidades delas, é você.
— Tudo bem. Me avise quando o ricaço chegar.
E o Oscar vai para...
Ela voltou às crianças e verificou a lição.
— Juan, se quiser passar em álgebra, vai ter que fazer as tarefas — disse ao adolescente que agia como se não quisesse estar lá.
— Eu nunca vou usar essas coisas.
— Como você sabe?
Juan se endireitou na cadeira e olhou para ela.
— Sabendo.
Provavelmente ele estava certo, mas ela preferiria morder a língua a admitir isso a ele.
— Muito bem, onde você esconde a sua bola de cristal... aquela que lê o seu futuro?
Ele deu um sorriso forçado.
— Vamos lá. Eu vou buscar pizza na sexta-feira, depois da prova, se você tirar um C ou uma nota maior.
As outras crianças se animaram.
Se ela achasse, mesmo por um minuto, que Juan não era capaz de tirar um C facilmente, não o teria pressionado. Não faltava inteligência ao garoto, ele era apenas atrevido e desinteressado.
Seu amigo lhe deu um tapa no braço.
— Vamos, Juan. Eu posso ajudar.
O garoto pegou o lápis e começou a resolver a equação. Vinte minutos e vários problemas depois, o nível de ruído na sala começou a se intensificar. Karen e as crianças olharam para a entrada.
Vestindo jeans de grife e óculos de sol que deviam custar o suficiente para comprar uma pizza para cada criança durante uma semana, ali estava seu futuro marido. Michael estava ao lado de Jeff e de um homem mais baixo, que Karen não reconheceu.
Quando Jeff fez um sinal para ela ir até eles, as crianças começaram a sussurrar:
— Meu Deus. É o Michael Wolfe?
— Michael quem? — perguntou Karen.
Já que vou fazer isso, posso caprichar.
— O ator — disse Amy, incapaz de conter a animação.
Karen se levantou.
— Ah, aquele que faz filmes de ação?
— Sério, srta. Jones, você não conhece ele?
Karen deu uma piscadinha para as meninas.
— Eu também vou ao cinema. Ele é só uma pessoa, e não é melhor do que eu ou vocês.
Fazer as crianças acreditarem que eram tão valiosas para a sociedade quanto Michael Wolfe podia ser difícil, mas não era impossível.
Ela deu um sorriso educado quando seu olhar cruzou com o de Michael.
— Aqui está ela — disse Jeff. — Karen Jones, este é Michael Wolfe, que tenho certeza de que você reconhece. E o agente dele, Tony.
— Filmes de ação... certo? — ela perguntou, estendendo a mão.
Ele pegou a mão dela na sua e a cobriu com a outra.
Ah, o aperto de mão duplo. Muito convincente.
— Isso mesmo — disse ele.
Ela se voltou para Tony.
— Muito prazer.
— O sr. Wolfe gostaria de conhecer o local, Karen.
— Claro. Qualquer coisa para ajudar as crianças. Você não se importa de conhecer algumas delas, não é, sr. Wolfe?
— Michael. Por favor, pode me chamar de Michael. — Ele enganchou os óculos de sol na camisa e olhou pela sala. Era como se tudo e todos silenciassem enquanto ele caminhava entre ela e Jeff. — Eu adoraria conhecer as crianças, srta. Jones.
Ela pensou em sugerir que ele a tratasse pelo primeiro nome, mas pareceria fácil demais.
Duas meninas mais corajosas os seguiram, enquanto outras crianças se amontoavam nos cantos, sussurrando. Os olhos de cachorrinho abandonado das crianças não os deixariam em paz. Karen colocou brevemente a mão sobre a dele, interrompendo o passeio pelo clube.
— Ei, pessoal — disse para as crianças da sala. — Vou mostrar o clube para o sr. Wolfe, mas ele prometeu ficar um pouco depois para conhecer vocês. Então voltem ao que estavam fazendo, tudo bem?
A maioria das crianças continuou olhando para eles, mas algumas voltaram ao trabalho ou ao que estavam fazendo antes da chegada de Michael.
— Acho que o sr. Wolfe não prometeu nada, Karen — disse Jeff, baixinho.
— Prometeu, sim. Ele disse que vai conhecer as crianças. Não é, Michael?
— Foi o que eu disse. — Ele sorriu e olhou para ela. Aquele olhar teria lhe causado um frio na barriga se tivesse sido um encontro casual.
Ele é gay, Karen recordou a si mesma.
— Já esteve em alguma das unidades do Boys and Girls Club?
— Não, nunca.
Ela o acompanhou à sala de jogos. Havia vários sofás, cadeiras, pufes e travesseiros espalhados.
— Nossa missão realmente define o que fazemos pelas crianças: permitir que todos os jovens, especialmente aqueles que mais precisam de nós, alcancem seu pleno potencial como cidadãos produtivos, solidários e responsáveis. — Karen decorara a missão do clube havia muito tempo. — Fazemos isso disponibilizando um lugar seguro para onde as crianças possam ir depois da escola. Crianças adoram videogames, por isso temos alguns aqui.
Havia uma televisão de tela grande que ela mesma havia comprado para o clube, além de dois consoles de videogame. Alguns jogos mais antigos estavam alinhados ao longo das paredes.
— Temos também tênis de mesa e uma mesa de bilhar, quando o monitor de vídeo não resolve. E um jardim lá fora, que vou lhe mostrar em breve.
— Quantas crianças vocês atendem?
— Varia. Temos umas cem crianças regularmente matriculadas, mas o dobro disso vem de vez em quando.
Michael olhava as crianças, que tentavam fingir desinteresse, sem muito sucesso.
— Elas têm que se matricular?
— Por questões de seguro, sim. Em nosso sistema, cada um paga o que pode. A maioria dessas crianças não pode pagar. Dependemos de doações e arrecadação de fundos.
— As próprias crianças arrecadam fundos — acrescentou Jeff. — Tivemos um evento de lavagem de carros no mês passado, que rendeu cerca de duzentos dólares.
— Parece que duzentos dólares não pagam nem a conta de luz — disse Michael.
— Não mesmo — Karen respondeu, surpresa com o nível de interesse na voz dele. — Depois da escola, ajudamos as crianças com os deveres e projetos escolares. São principalmente adolescentes, mas às vezes temos crianças de onze ou doze anos. — Ela passou por sua mesa de matemática e olhou a folha de Juan. — Você não vai conseguir aquela pizza se não passar do problema seis, rapaz — disse com voz risonha.
Ela realmente queria que as crianças se saíssem bem.
— Sim, srta. Jones.
Karen levou Michael até a cozinha.
— A cozinha está em pleno funcionamento. Nós fornecemos lanches e, ocasionalmente, refeições. A verdade é que existem muitas crianças lá fora que não recebem uma refeição nutritiva em casa. E todas elas sabem que podem encontrar algo aqui. A maioria tem vergonha de dizer que está com fome.
— Como vocês vencem essa vergonha?
— Avisamos quando vamos fazer as refeições, e ninguém perde esse dia.
— Por que vocês não fornecem refeições todos os dias?
Karen encontrou os olhos de Michael.
— Falta de fundos.
— Ah...
Ele segurou a porta aberta e ela passou. Jeff havia ficado para trás com Tony, que perguntava detalhes dos custos de administração do clube.
— Tem uma quadra de basquete e um pátio onde as crianças brincam. Tentamos organizar jogos de futebol americano. Parece a única maneira de afastá-las dos videogames.
Ele a observava, e ela estava bem consciente do sorriso em seu rosto.
— Parece que você adora isso aqui.
— As crianças são ótimas. Nem todas são desfavorecidas, apenas meio perdidas. Gosto de pensar que nós as mantemos fora das ruas e longe das drogas e das gangues.
Ele colocou os óculos de sol.
— Vocês têm muitos problemas assim aqui?
— Tivemos algumas crianças problemáticas, mas lidamos com elas assim que descobrimos. Duas ou três vezes por mês temos um psicólogo disponível. Eu vejo este lugar como um refúgio para essas crianças. Nós não toleramos bullying e não julgamos ninguém.
— Interessante.
Jeff estava longe, fora do alcance auditivo. Os adolescentes no pátio conversavam entre si.
Ela baixou a voz:
— Instituição de caridade para gastar seu dinheiro?
Michael olhou ao redor.
— Deu certo, não é?
Karen riu.
— Então, o que achou?
Ele balançou a cabeça.
— Acho que a Gwen estava errada. Acho que você é mesmo uma santa. Você faz tudo isso sem ganhar nada?
— Essa é a definição de voluntário.
Ele riu.
— Ah, uma espertinha... Você vai servir direitinho.
Ela apontou um dedo para o peito de Michael.
— Santa e espertinha, viu? O Tony sabe por que você está aqui de verdade?
Ele balançou a cabeça.
— Só eu, você e a Gwen.
Jeff e Tony estavam se aproximando, e Karen mudou rapidamente de assunto.
— Então, o que achou?
— Gostei. Existem muitas instituições de caridade que ajudam jovens que se perderam no caminho errado. Essa aqui parece trabalhar com jovens em situação de risco, antes de eles se perderem. — Mesmo que Michael estivesse atuando, era muito convincente.
Voltaram à sala principal, onde todas as crianças permaneciam imóveis.
Michael se inclinou e sussurrou no ouvido de Karen:
— Hora de usar o charme.
E foi o que ele fez.
Karen encontrou um banquinho para ele sentar enquanto incentivava as crianças a fazer perguntas.
— Que escola vocês frequentam? — ele perguntou, ajudando a quebrar o gelo. — Do que mais gostam nela?
Várias crianças disseram que gostavam de ir para casa. Amy disse que gostava de ir para o clube.
— E do que vocês menos gostam na escola?
— Álgebra! — disse Juan, da mesa de matemática.
— Pense no dia da pizza, Juan. Vai ficar mais fácil resolver a equação — disse Karen, no fundo da sala.
Várias crianças riram.
— Dia da pizza? — perguntou Michael.
— A srta. Jones suborna a gente com pizza se irmos bem nas provas.
— Se formos bem nas provas, Steve — corrigiu Karen.
— Se eu tivesse uma monitora tão linda quanto a srta. Jones quando eu estava na escola, só tiraria A — disse Michael, mantendo contato visual com ela. — Sem precisar de nenhum tipo de suborno.
As crianças ao redor assobiaram e ovacionaram.
— Faz muito tempo que você saiu da escola, sr. Wolfe. As coisas mudaram. — Ela o estava provocando, fazendo-o se esforçar um pouco mais.
Pela expressão divertida em seu rosto, ele tinha gostado da brincadeira.
As crianças riram, e pelo menos uma pegou o celular para tirar fotos.
— Só vou dizer uma coisa, pessoal: se alguém aqui puder convencer a srta. Jones a sair comigo, vou fazer melhor que um dia da pizza.
As crianças estavam acreditando na encenação.
— Ah, meu Deus, srta. Jones! Michael Wolfe acabou de te convidar para sair!
— Você tem que ir, srta. Jones.
Michael interveio:
— Isso mesmo, srta. Jones.
— Você sempre precisa de uma sala cheia de crianças para que as mulheres saiam com você, sr. Wolfe?
Michael inclinou a cabeça para o lado e disse:
— Não. Mas ajuda.
Não havia menos que quatro celulares a postos. Karen estaria no YouTube antes mesmo de chegar em casa. Ela tinha certeza disso.
— Vamos, srta. Jones.
— Vamos fazer o seguinte: eu te dou meu número de telefone e conversamos sem plateia.
— Tudo bem — ele respondeu.
Ela observou os olhos arregalados ao redor.
— Alguém me empresta uma caneta?
Alguém enfiou uma na frente dela. Karen se aproximou de seu futuro marido, pegou a mão dele e fez o que tinha certeza de que ninguém jamais havia feito. Escreveu seu número de telefone na palma da mão dele. Quando terminou, ele pegou a mão dela e a beijou.
Os olhos dele estavam sorrindo.
Alguma coisa dizia a Karen que seu próximo ano seria muito divertido. E, se as crianças pudessem ganhar mais do que pizza com esse acordo, ela estava dentro.
— Era exatamente disso que eu precisava — disse Karen do outro lado da mesa.
Gwen sorriu e levantou sua bebida.
— Talvez isto seja o mais próximo de uma despedida de solteira, se o Michael agir tão rápido como acho que vai.
Elas estavam sentadas uma de frente para a outra no Hard Rock Café, na Sunset. Gwen havia decidido aceitar a sugestão de Eliza. Saia, encontre alguém, namore.
Isso se ela quisesse conhecer alguém que não fosse um homem chato e responsável, sempre pontual, mas que nunca a fizesse se sentir animada com sua presença. Ela tivera homens previsíveis e completamente entediantes em sua vida antes; precisava olhar fora dos salões de baile onde conduzia seus negócios.
O bar estava lotado. Os clientes bebiam e riam, esquecendo os problemas.
— Ele é um cara legal, de verdade. As crianças amaram.
Gwen olhou ao redor, mas não notou ninguém as observando.
— Tenho certeza de que a fama dele vai fazer com que elas te admirem ainda mais.
— Mais um bônus — disse Karen.
— A um relacionamento bem-sucedido — disse Gwen, batendo seu copo no de Karen.
— É isso aí. — Tomaram seus drinques. — Não acredito que isso está realmente acontecendo.
— Espere até ver a casa dele.
Karen sorria enquanto olhava a movimentação do bar.
— Aqui! — disse, acenando.
Eliza se juntou a elas, jogando a bolsa na mesa.
— Achei que não encontraria vocês neste zoológico. Dá para enfiar mais gente aqui?
— Provavelmente.
— Que bom te ver — Eliza cumprimentou Karen. — Soube que devo te dar os parabéns.
— Ainda não, mas está começando a parecer que sim.
Eliza fez um sinal para a garçonete e pediu um martíni.
— Vejo que as coisas não mudaram muito — disse depois que a moça se afastou.
— Como assim? — Gwen perguntou.
— Estamos sentadas em um bar, e a sua sombra gigante está escondida lá nos fundos — Eliza disse, jogando um amendoim na boca.
— Minha sombra?
Eliza olhou para a direita do bar.
— Sim. O homem que age como se você fosse só uma cliente, mas que não consegue te deixar sozinha. Se não fosse o Neil, eu teria medo de que fosse um maníaco.
Gwen virou na cadeira. Empoleirado em um banco, do outro lado do bar, estava Neil.
— O que ele está fazendo aqui?
Seus olhos se encontraram por um breve instante antes de ela desviar o olhar.
— Acho que é óbvio.
Ela começou a ranger os dentes.
— Eu não preciso de babá.
— Não sei, Gwen. Da última vez que estivemos em um bar, lembro que alguém ficou bêbada e outros dois alguéns se meteram em uma briga.
Gwen nunca superaria essa vergonha. Ela e Eliza tinham ido relaxar em um bar texano. Os caubóis ficavam só no “sim, moça” e “como vai, querida”. Elas dançaram, e, sim, ela bebera um pouco demais. Quando um dos caubóis erroneamente interpretara seu sorriso como um convite para certas intimidades, Neil irrompera do bar para ensinar ao rapaz o significado da palavra “não”.
Fora a primeira vez que ele defendera a honra de Gwen, e, embora odiasse admitir, ela gostara de ver como ele ficara furioso quando outro homem olhara para ela.
— Isso foi no ano passado.
— E o que mudou desde então?
Nada! Não importava quanto ela flertasse com ele ou quão óbvia fosse a atração que sentia, Neil não mordia a isca.
— Tudo — disse Gwen, se levantando, pronta para pôr Neil em seu lugar. — Se me dão licença um instante...
Ela foi em rota de colisão com Neil, forçando passagem através da multidão. Quando se aproximou, ele manteve os lábios apertados e pegou a long neck a sua frente.
Deslizando entre a mulher no banquinho ao lado dele e o corpo maciço de Neil, Gwen bateu a mão no quadril e rosnou:
— O que você está fazendo aqui?
Ele piscou uma vez e ergueu sua cerveja.
— Bebendo.
Ela quis gritar.
— Bebendo — repetiu.
Ele inclinou a garrafa para trás e bebeu um gole.
— Eu sei o que você está fazendo, Neil. E não gosto. Não quero nem preciso de um guarda-costas.
— Há controvérsias.
Se pisar no pé dele pudesse pôr alguma noção em sua cabeça, Gwen o teria pisado melhor que um trabalhador em um vinhedo.
Ela enfiou o dedo no peito dele e se aproximou.
— Você tem ideia de como é difícil ter uma vida amorosa com um fisiculturista de cem quilos no meu pé?
Um músculo se contraiu na mandíbula de Neil.
— Cento e dez.
— Ahhh! — dessa vez ela gritou.
Ele ergueu a cerveja novamente, mas, antes que pudesse tomar um gole, Gwen a tirou de sua mão e a inclinou em direção à própria boca. Em um movimento que deixaria Eliza e Karen orgulhosas, ela lhe devolveu a garrafa de cerveja vazia e se encaixou entre suas coxas.
A mandíbula dele se contraiu de novo.
O perfume almiscarado de Neil invadiu seus sentidos. Ela deixou a mão cair na coxa dele e a manteve ali.
— É o seguinte, Neil. Você tem duas opções. Ou cai fora, ou toma a iniciativa.
E apertou a coxa dele antes de se afastar e voltar até as amigas.
Um sorriso satisfeito se abriu no rosto de Gwen.