Noiva até Sexta

Catherine Bybee · Capítulo 38 de 41

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Noiva até Sexta

Capítulo 35

 

 

QUANDO O MAJOR LEVANTOU A arma, Gwen percebeu a intenção dele e fechou os olhos. Seu grito ecoou com a explosão do tiro. Seu corpo inteiro tremia quando a sala ficou em silêncio.

Neil a abraçou. Ela se jogou sobre ele, enterrando o rosto em seu ombro.

— Acabou — ele murmurou em seu ouvido. — Estou aqui.

Os joelhos de Gwen cederam. Neil a ergueu e a embalou em seus braços. Ele a segurava como a uma criança, ainda que ela tivesse as mãos algemadas às costas. Ela fechou os olhos com força, recusando-se a abri-los enquanto Neil a levava escada acima e a pousava suavemente no sofá.

Quando ele começou a se afastar, ela o puxou.

— Fique comigo, fique comigo.

— Tudo bem — ele sussurrou. — Estou bem aqui.

Ela abriu os olhos.

— Ele está...?

— Sim.

Gwen sentiu o estômago revirar.

Neil pegou um cobertor no sofá e a cobriu. Havia tanta preocupação nos olhos dele que ela teve vontade de chorar.

— Ele começou a ficar estranho depois que você foi embora. Então a Ruth foi para a Flórida e tudo piorou. Eu tentei fugir. — Ela tremia, incapaz de se controlar.

Neil esfregava os braços dela.

— Eu não sabia. Pensei que você estaria a salvo aqui.

Gwen esboçou um sorriso.

— Eu sei. Não é culpa sua.

— Ele poderia ter te matado...

Ela tentou usar as mãos para confortá-lo, mas se lembrou das algemas.

— Você pode tirar isso?

Ele assentiu e olhou os pulsos dela.

— Você está sangrando — disse.

— É só um arranhão. Vou sobreviver.

Ele puxou as algemas e bateu nos bolsos.

— Sabe onde ele colocou a chave?

Ela negou com a cabeça. Neil acariciou seu rosto.

— A polícia militar tem a chave. Vou chamá-los.

Quando chamasse, a casa ficaria cheia de militares. Além do irmão dela.

Ele se levantou para fazer a ligação.

— Neil — disse ela, detendo-o. — Obrigada por ter voltado para mim.

Ele estendeu a mão para ela novamente e levou os lábios aos dela. Enxugou uma lágrima — que ela não notara que rolava pelo rosto — e pegou o telefone.

Em menos de dois minutos, a casa estava repleta de policiais militares. Alguém liberou as mãos de Gwen — ela tinha certeza de que nunca mais pareceriam normais — e lhe ofereceu um copo d’água. O líquido desceu como fogo pela garganta.

Uma sargento sentou a seu lado enquanto Gwen respondia às perguntas. A polícia militar mantinha Neil afastado, provavelmente lhe fazendo as mesmas perguntas para assegurar que as histórias dos dois batiam. Gwen não se cansava de repetir a si mesma que tudo tinha acabado e que eles estavam sãos e salvos.

Um soldado uniformizado se aproximou dela.

— Srta. Harrison?

— É sra. MacBain — ela corrigiu.

— Parece que o seu irmão está lá fora causando um alvoroço. Temos mais perguntas, não podemos liberá-la ainda. Mas ele quer vê-la por alguns minutos.

— Claro.

Alguém a ajudou a se levantar. Quando chegou à porta, ela se livrou das mãos que a apoiavam.

— Estou bem. Ele não vai embora se achar que eu estou machucada.

Blake estava ao lado de um jipe militar, com um celular na mão, escoltado por um guarda. Quando a viu, ele saiu correndo.

— Eu estou bem — disse ela.

Ele liberou todo o ar dos pulmões.

— Você quase me matou de medo, Gwendolyn.

— Eu quase morri de medo.

Blake se afastou um pouco, olhando a mancha escura no rosto dela. Ainda bem que a iluminação era ruim. Ela sabia como se sentia mal, e só podia imaginar como estava sua aparência.

— O Neil está aí?

— Sim. Falando com as autoridades.

Blake sacudiu a cabeça.

— Ele devia ter cuidado de você.

— E cuidou. Eu estou viva.

Seu irmão não parecia convencido.

— Preciso te levar para casa. Todo mundo está preocupado com você.

— Diga a todos que eu estou bem. Nós dois estamos bem.

Começou a chover, e Gwen afastou um fio de cabelo dos olhos. Blake notou o anel e segurou a mão dela.

— O que é isso?

— Isto se chama aliança, Blake. Eu e o Neil nos casamos.

Ele estreitou os olhos e olhou para a casa.

— Escuta — disse ela, colocando a mão no ombro do irmão —, avise a um desses homens onde você está hospedado e nos encontramos assim que pudermos sair daqui. — Passou as mãos nos ombros, afastando o arrepio. — Prefiro não ficar na chuva. Já passei frio suficiente para uma vida inteira.

Blake tirou o casaco e o colocou nos ombros dela.

— Sra. MacBain, temos mais perguntas a fazer.

Gwen se voltou para a sargento e lhe ofereceu um sorriso pálido.

— Estou indo. — Deu um beijo no rosto do irmão. — Diga para a Samantha que estamos bem, que ela não precisa se preocupar.

Já era quase de manhã quando a sargento Piper a dispensou do interrogatório.

— Isso é tudo, sra. MacBain.

Gwen esfregou os olhos cansados e viu os raios de sol atravessarem a janela da casa de Blayney.

— Onde está o Neil?

Ela não o via fazia horas. O médico-legista havia chegado poucos minutos antes, e ela não queria ver o corpo de Charles subindo aquelas escadas.

— Ainda está sendo interrogado.

— Ele não está aqui?

A sargento meneou a cabeça.

— Saiu faz um tempo, com uma escolta da polícia militar.

— Ele foi preso? — Ela não podia imaginá-lo indo embora sozinho, sem se despedir. Não depois de tudo que haviam passado.

A mulher à sua frente não a olhava nos olhos. Gwen se levantou, levando as mãos aos quadris.

— Do que ele está sendo acusado?

— Eu não disse que ele está preso.

— Nem que não está. Quem é o seu comandante? — perguntou Gwen, deduzindo que era assim que eles chamavam o chefe por ali.

A sargento apontou para a cozinha.

— No momento, um deles está deitado em uma poça de sangue, e o segundo em comando é o major Gilmor, que não está disponível agora. Até que possamos determinar exatamente o que aconteceu, o sr. MacBain vai ter que ficar conosco.

— Isso é um absurdo! O Neil não fez nada de errado. E eu já disse o que Charles Blayney fez comigo, o que ele me falou. Você não pode achar que eu e o Neil estamos mentindo.

— Ninguém a está acusando de mentir, sra. MacBain. Só precisamos segurar o tenente MacBain um pouco mais.

— Ele é reformado — corrigiu Gwen.

— Ele entrará em contato com a senhora assim que for liberado.

— Eu exijo ver o meu marido antes de sair daqui. — Ela cruzou os braços sobre o peito para enfatizar as palavras.

Será que a mulher à sua frente não entendia como ela havia sido subjugada nas últimas semanas? Gwen estava cansada que lhe dissessem o que podia ou não fazer. Talvez fosse hora de lembrar a essas pessoas com quem estavam lidando.

— Isso não será possível.

— É mesmo?

A sargento sorriu. O cabelo estava preso tão firme em um coque que o couro cabeludo devia estar doendo. Engraçado... por baixo daquele uniforme e da quantidade mínima de maquiagem, a sargento Piper provavelmente era uma mulher bonita. Mas ela subestimara Gwen, e isso fora um erro.

— Posso usar o telefone para ligar para o meu irmão?

A sargento Piper deu um sorriso cansado, como se dissesse: “Finalmente”.

Gwen ligou para o celular de seu irmão e esperou que ele atendesse.

— Blake?

— Gwen? Você está aqui no hotel?

— Ainda não. — Ela virou para que a sargento ouvisse cada palavra. — Escuta, preciso que você marque uma entrevista coletiva. Vou falar sobre a Operação Gralha e a série de assassinatos que...

A sargento Piper tentou puxar o telefone de Gwen e lhe lançou um olhar feroz.

— Isso é informação confidencial. Você não pode...

Gwen segurou o telefone na frente do rosto para que Blake pudesse ouvir o que ela dizia.

— Eu sou uma cidadã britânica, sargento Piper. Meu marido pode até pensar que me tornei automaticamente cidadã norte-americana por causa do nosso casamento, mas tenho plena ciência de que preciso passar pelo processo e me candidatar, como qualquer outra pessoa.

Na verdade, ela só se lembrara disso depois de várias horas sozinha no porão de Blayney. Gwen recordara uma conversa com Blake anos antes de ele se tornar cidadão norte-americano. Casar com um americano poderia acelerar o processo, mas não implicava a aprovação imediata do governo.

— Tudo o que estou pedindo são alguns minutos com o meu marido, e mantenho a boca fechada. Senão meu irmão, o duque de Albany, e nossos muitos amigos... governadores, senadores... — ela pensou em sua lista de clientes — advogados influentes, diplomatas, agentes da lei de todos os tipos, até atores que sabem como lidar com a mídia, vão fazer essa história chegar tão longe que seus preciosos fuzileiros navais vão ter que declarar estado de emergência só para evitar o escândalo. Se não quiser ter que contornar um incidente internacional, sugiro que me deixe falar com o Neil. Em particular.

A sargento Piper fez uma careta e olhou para o telefone na mão de Gwen.

— Vou ver o que posso fazer.

Ela sorriu e levou o telefone até a orelha.

— Se eu não ligar de volta em trinta minutos, você sabe o que fazer.

— Pode deixar, Gwen.

 

Neil não teve escolha quando a polícia militar o fez entrar na traseira de uma van e o levou até uma sala de interrogatório.

— Nunca existiu uma Operação Gralha.

O coronel Montgomery decolara do Pentágono assim que recebera a chamada falando do suicídio do major Blayney. O homem andava para lá e para cá, a fim de intimidar. Seu tamanho rivalizava com o de Neil, e, em se tratando de um homem de alta patente, isso dizia muita coisa. A maioria deixava a musculação para os soldados. Mas esse homem, obviamente, não queria ser superado por seus inferiores. Em qualquer outro dia, Neil teria admirado isso.

Nenhum fio dos cabelos grisalhos estava fora de lugar enquanto ele olhava para Neil, que se inclinou para a frente na mesa e se preparou para revelar todos os detalhes que havia guardado para si até aquele momento.

— Talvez o senhor queira se certificar de que a pessoa que está gravando essa conversa é de confiança, coronel. Eu odiaria que houvesse um vazamento a essa altura do campeonato.

Montgomery saiu da sala. Neil ouviu ordens sendo gritadas, e, quando o coronel voltou, chegou acompanhado de outro homem e de um gravador. Então Neil começou o relato:

— Fazia mais de um ano que a guerra tinha começado... depois das torres gêmeas. O Blayney me chamou e mandou formar uma equipe. Cada um de nós já tinha trabalhado junto em uma missão ou outra. Ele estava nos preparando para a missão da nossa carreira. Como teste, nos mandaram juntos em três missões: Operação Demolição, Operação Maremoto e Operação Tempestade. Como em todas as operações especiais, entramos, fizemos nosso trabalho e saímos. — Neil esperava ansiosamente que as três operações fossem legítimas. Não havia como saber por quanto tempo Blayney os manipulara. — Quando chegou a Operação Gralha, estávamos prontos. Entendemos que era algo grande. Algo que Washington ordenaria a qualquer momento. Tínhamos um objetivo: matar o Gralha. — Neil deu ao coronel Montgomery o nome de seu alvo e prosseguiu: — Causar o menor dano colateral possível e cair fora.

Montgomery ouvia atentamente.

— Só que as coisas não correram como o planejado. Os helicópteros nos deixaram perto do alvo e nós tomamos posições. O Gralha estava no complexo, mas a família dele também. Quando entramos, ele fez o impensável. Mandou seus filhos correrem na nossa direção. Nós não sabíamos que as crianças carregavam bombas. O Boomer e o Robb morreram na hora. O Linden chegou até o helicóptero, mas morreu pouco depois. Essas mortes foram rotuladas como “acidentes de treinamento”. Em seis meses, fomos todos dispensados ou saímos, com o aval do major Blayney. Exceto o Mickey. Pelo menos foi o que nos disseram. O Mickey ficou.

Neil continuou explicando sobre Billy, Rick e como Mickey havia sido manipulado por Blayney para matar todos eles a fim de esconder a verdade sobre a missão. Falou durante horas, terminando com o relato do que acontecera na última noite. Montgomery ouvia, impassível.

Quando Neil terminou, o coronel perguntou:

— Quem eram os pilotos?

— Eu nunca tinha visto nenhum deles antes. Atravessamos o oceano em um avião de carga, pulamos imediatamente para um helicóptero e descemos de rapel sobre o nosso alvo. Os pilotos que nos apanharam não tiraram o capacete. Não sei quem eram.

Montgomery se afastou e dispensou o assistente. Neil observava enquanto o homem andava pela sala. Embora odiasse a posição em que se encontrava no momento, ele se compadeceu do coronel.

— Você percebe a posição que isso me coloca, tenente?

— Reformado, senhor.

Montgomery inclinou a cabeça.

— Não neste momento. Enquanto não tivermos todos os detalhes, você está oficialmente reintegrado.

Neil se endireitou na cadeira.

— E se eu me recusar?

Montgomery o fitou.

— Isso não seria sensato.

Um barulho fora da sala fez Neil se levantar.

— Você devia levá-la para um hotel, não para cá!

Então, Neil ouviu a voz de um anjo:

— Eu não dei escolha para a sargento, soldado. Agora, pode fazer a gentileza de me dizer onde meu marido está?

Antes que Neil pudesse preparar o coronel para quem passaria pela porta, Gwen já estava ali. Ele não pôde deixar de sorrir quando ela invadiu a sala.

— Aí está você! — ela exclamou, atirando-se em seus braços, e a vida retomou seu equilíbrio. — Eles tentaram me fazer ir embora sem você.

— Gwen Harrison, presumo — disse o coronel.

Ela virou e estendeu a mão.

— Gwendolyn MacBain — corrigiu.

Neil adorava o som de seu nome ligado ao dela.

— Sra. MacBain, você tem cinco minutos para ligar para o seu irmão. — A sargento Piper, que entrara na sala com ela, acenou com um celular na mão, de um jeito nervoso. Notou o coronel e imediatamente saudou seu superior.

Gwen afastou a mulher.

— Eu não vou ligar para ninguém até saber que o meu marido vai embora comigo.

Neil afastou Gwen para poder ver seus olhos. Ignorou a ferida no rosto dela que o deixava furioso. Ela era mais durona do que parecia.

— Meu irmão vai convocar uma coletiva de imprensa em... quatro minutos, Piper?

A outra mulher assentiu, ainda parada com a mão direita na testa.

— Eu tentei impedi-la, coronel. Me disseram que ela estava liberada.

— Coletiva? — perguntou Montgomery, retribuindo a saudação da sargento e a dispensando.

— Isso mesmo — começou Gwen. — Sabe... aquela em que eu vou dizer para o mundo inteiro que um major da marinha norte-americana me manteve como refém depois de usar um militar para me encontrar e matar o meu marido. E que agora esses mesmos militares estão mantendo o meu marido prisioneiro.

Neil levou a mão à boca de Gwen, impedindo-a de dizer mais alguma coisa.

— O Blake está aguardando a sua ligação?

Gwen sorriu com inocência.

— Quatro minutos, mais ou menos. Certo, Piper?

— Coronel, o que ela disse é verdade. Eu não conheço a família, mas se metade do que ela falou for verdade, senhor... seria melhor... A situação não parece nada boa, senhor.

Montgomery virou para Neil e Gwen.

— Tenente?

Neil não pôde evitar o sorriso de satisfação que se abriu em seus lábios.

— Lady Gwen e eu conhecemos uma lista muito influente de pessoas. Conhece o governador Carter Billings? Ou o tio dele, o senador Maxwell Hammond?

Gwen sentou o traseiro minúsculo no colo dele e passou o braço em seus ombros.

— Coronel... é uma alta patente, certo? — Gwen perguntou a Neil, toda ingênua, coisa que ele sabia que ela não era.

— Sim — ele respondeu, dando-lhe um beijo no rosto.

— Me perdoe por não estar impressionada, coronel, mas o major Blayney me manteve encarcerada por quase dois dias. Ele me algemou, me amordaçou e não me deu água nem comida. Sem falar nas ameaças de me matar — disse Gwen, tocando a bochecha. — Meu único desejo é que a pessoa certa seja processada, e não a pessoa que me resgatou.

Montgomery olhava para os dois.

— Como posso ter certeza de que vocês não vão contar tudo isso para a imprensa?

Gwen baixou os olhos.

— Eu gosto muito da esposa do Charles, a Ruth. Ela não precisa saber o monstro que ele era. Só quero voltar para casa com o meu marido.

Neil olhou Montgomery nos olhos.

— Nós não vamos contar nada para a imprensa. A família da Gwen, por outro lado, não pensaria duas vezes.

— Não gosto de ser chantageado — disse Montgomery.

Neil sentiu os músculos do pescoço se retesarem.

— E eu não gosto de ser mantido como refém.

Todos guardaram silêncio por um momento. Até que a sargento Piper falou:

— Um minuto.

Gwen balançava as pernas no colo de Neil, como se fosse uma adolescente sentada no banco esperando o ônibus. Neil se lembrou dela de sandálias de salto baratas e um shorts justíssimo na porta de um hotel fuleiro.

Bons tempos.

Ele sabia que haviam deixado o coronel acuado. Mas também sabia que os militares norte-americanos não aceitavam ameaças.

— Ligue para o seu irmão. Vocês dois podem ir.

Gwen sorriu e pegou o telefone da mão de Piper. Digitou um número e esperou.

— Está ocupado.

Todos ficaram tensos.

— Estou brincando.

Neil teve vontade de rir. A dor que sentiu na barriga tentando conter o riso foi horrível.

— Oi, Blake. Não, estaremos aí em quinze minutos. Nós dois. Sim, por favor, e um banho quente. Eu sou capaz de matar por comida e uma banheira de água quente. Te amo.

Gwen pulou do colo de Neil e devolveu o telefone de Piper.

— Foi um prazer conhecê-lo, coronel — disse ela, passando por ele. — Ah, a propósito, na biblioteca do Blayney tem algumas fotos da filha do Charles e do homem que acredito que seja o Mickey. Tinha mais uma foto da equipe do Neil... com outro homem. Eu não sei como isso pode ajudar a sua investigação, mas achei que você devia saber.

Neil foi até o coronel e lhe estendeu a mão.

— Ela não é brincadeira — disse Montgomery.

Neil olhou para sua esposa.

— Não... não é.

— Manteremos contato, tenente.

— Senhor.

Neil pegou a mão de Gwen e saiu da sala.

 

Um motorista os levou ao hotel de Blake. Do lado de fora, o mundo começava a despertar. A chuva do dia anterior havia desaparecido, e o céu azul estava cheio de nuvens brancas e fofas.

Gwen apertava a mão de Neil e se recusava a soltá-la.

— Você tem noção de com quem acabou de falar?

Ela riu.

— Não.

— Você tem colhões, mulher!

— Garanto que não. Só estou cansada e com fome, e não me sinto particularmente segura sem você ao meu lado. Tenho certeza de que em dez ou vinte anos isso passa.

Ela esperou que ele falasse alguma coisa. Podia ser que ele virasse para ela e sugerisse anular o casamento, já que a ameaça tinha desaparecido. Mas não era isso que ela queria.

De jeito nenhum.

— Ou talvez demore trinta ou quarenta — ele retrucou.

Ela mordeu o lábio inferior e se aproximou mais dele.

— Então vamos fazer mesmo esse negócio de casamento?

Neil pegou a mão dela, a que ostentava o anel que ele havia lhe dado.

— Com uma condição.

Ela se aconchegou mais, com o coração pleno de amor.

— Qual, tenente?

— Que a gente se case do jeito certo. Em Aruba, com o vestido que você sempre sonhou e padrinhos e madrinhas escolhidos por nós.

Lágrimas brotaram dos olhos de Gwen. Ela estava exausta, mas muito feliz.

— Eu te amo, Neil MacBain.

Ele uniu os lábios aos dela em um beijo esmagador. A cabeça de Gwen girava enquanto toda a emoção crescia naquele beijo. Ela não queria nem imaginar sua aparência e o gosto horrível que devia ter na boca, mas Neil a beijava como se ela fosse feita do mais puro néctar, e ela não teve vontade de se afastar.

— Eu também te amo — Neil disse.

E então tudo dentro dela entrou em harmonia.