Noiva até Sexta

Catherine Bybee · Capítulo 28 de 41

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Noiva até Sexta

Capítulo 25

 

COMO ELE A DEIXARIA? VOCÊ está envolvido, Mac. Envolvido demais.

Eles haviam feito amor tantas vezes na noite anterior, e em tantas posições, que ele achava que ela não conseguiria andar de manhã. Felizmente conseguiu. Toda a cautela fora por água abaixo pelo fato de eles não usarem camisinha, mas Neil estava tranquilo. Pensar que ela poderia carregar um filho seu o fazia se sentir um deus. E isso era novidade para ele.

Ele praticamente intimidara Gwen para se casar e mentira para conseguir o que queria. Em algum momento, teria que confessar. Mas isso ele faria depois.

Bem cedo, ligou para Rick para saber se o amigo estava perto. Ele havia feito um ótimo tempo e estava subindo a montanha para achar o acampamento. Rick também ligara para a linha fixa de Neil, na Califórnia, para chamar a atenção do canalha que os perseguia. Ele e Rick tinham que pensar em todas as possibilidades. O Gralha poderia ter acesso a um avião ou a um voo comercial, que o levaria para lá em questão de horas. Ou talvez fosse de carro. Era difícil saber. Neil não tinha condições de concluir se esperariam o sujeito por algumas horas ou alguns dias. Nesse meio-tempo, não podia arriscar entrar em contato com Gwen. Neil queria que o Gralha pensasse que os dois estavam se escondendo juntos. Esse homem procurava uma mulher vulnerável como isca, e Neil exploraria isso ao máximo.

Gwen afofou os travesseiros pela terceira vez em dez minutos, sem conseguir esconder a ansiedade.

— Você vai estar a salvo aqui.

— Não estou preocupada com a minha segurança.

— Não precisa se preocupar comigo.

— Tarde demais — disse ela, tentando sorrir. — Eu me sentiria melhor se soubesse o que você planeja fazer.

Gwen pegou um dos travesseiros e o puxou para o colo enquanto se sentava na beirada da cama.

— Nós vamos atrair o desgraçado e entregá-lo para a justiça.

Falar era fácil; fazer, nem tanto.

— Parece fácil. Como você sabe que ele vai te encontrar lá em cima?

— Não vai ser difícil me encontrar.

— Ele não vai perceber? Pode descobrir que é uma armadilha e não aparecer.

Essa era sempre uma possibilidade.

— Duvido que isso aconteça. Quanto mais tempo esse sujeito ficar escondido, mais pessoas vão estar de olho nele. Agora, com você em segurança, ele não vai ter escolha a não ser vir atrás de mim.

— A menos que ele desista.

— Eu poderia avaliar isso melhor se soubesse exatamente por que ele está atrás de mim. Mas não sei. Duvido que ele desista, Gwen.

Ele foi até ela e pegou a carteira do bolso de trás da calça, de onde tirou uma foto dele e do seu regimento, antes da última missão.

Ela pegou a foto das mãos dele e apontou:

— Este aqui é você.

Vários anos mais jovem, com menos peso sobre os ombros.

— E este é o Rick — disse ele, indicando o homem ao seu lado. — Nós o chamávamos de Smiley. É ele que está vindo para me ajudar a encontrar o sujeito.

Gwen apontou para o homem seguinte.

— Quem é este?

— O Billy. O que dizem que cometeu suicídio.

— Ele parece tão jovem.

— E era. — Agora, estava morto. — E este aqui é o Mickey, o outro que ainda está vivo.

— Você sabe onde ele está?

— As missões são ultrassecretas, não faço a menor ideia. Estes são o Boomer e o Robb. — Não havia sobrado muito deles para trazer de volta ao país e enterrar, mas Neil não disse isso a Gwen. — O Linden quase conseguiu sair vivo. Eram ótimos caras. Eu falhei com eles uma vez e não posso fazer isso de novo.

Gwen colocou a mão no braço dele.

— Tenho certeza que eles não te culpam.

Alguém na missão culpava... todos eles.

— Eu liderava a operação, Gwen. Fui responsável pela morte deles.

Ela endireitou os ombros e lhe lançou um olhar severo.

— É mesmo? Você apertou o gatilho? Você os jogou de um avião sem paraquedas?

— Não.

— Então não quero mais ouvir você falar que é culpado por essas mortes infelizes. Se os seus superiores achassem que você era culpado, você estaria preso, e não foi isso que aconteceu. É hora de se perdoar pela morte dessas pessoas, Neil. Quando fizer isso, poderá seguir em frente com a sua vida. Caso contrário, não vai conseguir dormir e não vai ter um minuto de paz.

Isso descrevia a existência dele até então, ou melhor, até ela entrar em sua vida.

— Como você é tão esperta? — ele perguntou, pegando sua mão e a beijando.

— Escola de Princesas. Está no meu currículo — ela respondeu, rindo.

Ele a beijou suavemente, como fazem as pessoas quando se despedem.

— Você vai ficar bem aqui. Fique na base — disse ele. — E não saia de casa sozinha.

— Quando você acha que vai voltar?

— Em poucos dias. — E, como tinha de dizer algo para o caso de não voltar, acrescentou: — Se eu não voltar em uma semana, o Chuck vai entrar em contato com o Blake.

O sorriso de Gwen desapareceu.

— Você vai voltar.

Ou morrer tentando.

 

Blake estava ao lado de seu melhor amigo, Carter, e olhava pelo vidro espelhado enquanto Dean e Jim interrogavam o pobre adolescente apaixonado por Karen. Não haviam se passado nem dez minutos de interrogatório e Blake sabia que estavam procurando no lugar errado.

— Este não é o nosso homem.

Carter sacudiu a cabeça.

— Concordo.

Na sala ao lado, Juan finalmente entendeu o problema e começou a ficar preocupado.

— Alguém está tentando machucar a srta. Jones? É isso que vocês acham que eu faria?

— Não sabemos, Juan. Por que você não conta para a gente? — Jim perguntou.

— Ela é como a nossa mãe.

— Mãe? — Dean perguntou.

— Tudo bem, talvez não mãe. Está mais para uma tia gostosa, mas é como se fosse da família. Se alguém está tentando machucar a srta. Jones, vocês deviam estar lá tomando conta dela, em vez de ficar aqui, falando comigo.

Blake se afastou do espelho.

— Estamos um passo à frente, garoto — disse.

Carter sacudiu a cabeça.

— Perda de tempo. Se tivermos sorte, vamos pegar o sujeito em alguma câmera quando estiver fugindo.

— Que confusão. Eu queria que o Neil estivesse aqui. — Assim ele teria uma coisa a menos para se preocupar.

Dean saiu da sala de interrogatório e foi até Blake e Carter.

— Não é ele.

— Logo imaginamos.

— Está pronto para mexer nas coisas do Neil?

Blake odiava invadir a privacidade de Neil assim, mas que escolha ele lhe deixara? Passou a mão pelos cabelos.

— Deve ter alguma pista de onde ele está — disse Carter.

Blake saiu da sala.

— Vamos acabar logo com isso.

Dean os acompanhou para fora da delegacia.

— Nos encontramos em uma hora. Tem algumas pistas que quero checar primeiro.

No caminho de volta a Malibu, Blake contou a Carter a boa-nova.

— A Samantha está grávida.

Carter girou no banco e tirou os óculos escuros.

— Está brincando?

— Estávamos falando sobre isso já fazia um tempo — Blake continuou, se misturando ao fluxo da California Interstate.

— Parece que vocês fizeram mais que falar.

Blake sorriu, lembrando as noites sem conversa com sua esposa.

— O enjoo matinal está acabando com ela. Quero resolver logo toda essa merda e voltar para a Sam, Carter. É só por isso que eu vou invadir a privacidade do Neil.

— Eu entendo. O Neil é um cara muito fechado. E, quando esse cara foge pensando que tem um assassino na cola dele, não pode dizer o que está acontecendo. O Neil não esperava que você ficasse de braços cruzados, sem fazer nada.

— Ele esperava que eu confiasse nele.

Carter colocou os óculos escuros novamente.

— Se surgisse algum fato para a gente acreditar que realmente tem alguém jogando sujo com a Gwen ou o Neil, seria muito mais fácil confiar nele.

De volta a Malibu, Blake e Carter entraram na casa de Neil. Era uma casa de hóspedes, que imitava a casa principal em estilo e estrutura. O espaço interno, esparsamente decorado, adequava-se às necessidades de um homem solteiro. Um quarto era dedicado ao monitoramento da casa principal e da casa de Gwen e Karen em Tarzana, e o outro era um dormitório, com o mínimo de móveis. Embora a cozinha, pequena, tivesse tudo o que era necessário para alimentar uma família, as únicas coisas que pareciam usadas eram a geladeira e o micro-ondas.

Na sala de estar havia um sofá de couro e uma poltrona reclinável, além de uma televisão de tela plana na parede.

— Por onde começamos?

— Vou começar pelo escritório dele — disse Blake. — Você olha o quarto.

Carter virou a esquina e entrou no quarto de Neil.

— O que estamos procurando exatamente? — perguntou.

— Qualquer coisa pessoal. Fotos, endereços de amigos, família.

— Os pais dele não estão mortos?

Blake se sentou na cadeira de Neil e abriu a gaveta superior da mesa.

— Estão, mas me lembro de ouvi-lo falar de uma avó.

A gaveta continha o esperado: canetas, blocos de notas, contas antigas e recibos de itens diversos.

— Se o Neil achava que alguém estava atrás dele, acho que não levaria ninguém até a família dele.

— É verdade, mas a avó pode saber onde ele deixaria a Gwen segura para pegar o bandido — disse Blake.

— Você acha que foi isso o que ele fez?

— Com certeza ele não iria fugir para sempre.

A próxima gaveta tinha arquivos com datas de compra de equipamentos e atualizações de softwares. Havia fichas impressas dos empregados. Blake se perguntou por que ele imprimira uma coisa dessas e por que não deixara tudo no disco rígido do computador.

Pensando isso, ligou os monitores e esperou. A parede de telas iluminou a sala com imagens de toda a casa de Malibu e a de Tarzana. Blake clicou na tela principal e navegou pelas imagens. Cada uma abria o áudio do cômodo onde estava a câmera. Na casa de Malibu, Mary estava na cozinha, cantarolando.

O telefone na mesa de Neil tocou, e Blake esticou o braço para atender.

— Alô?

— É o Dillon, sr. Harrison. Notei que alguém está no canal do Neil. Ele voltou?

— Não. Sou eu.

— Ah. Alguma notícia?

— Nenhuma. Nada do seu lado?

— Nada. Desculpe incomodá-lo, sr. Harrison.

Antes que o homem desligasse, Blake o deteve.

— Espere, Dillon. Antes de o Neil partir, aconteceu alguma coisa que pareceu estranha? Algo diferente nele?

— Ele... ele estava um pouco mais nervoso. Não sei bem se isso não é normal. Ele sempre trabalhou até tarde, e não me pedia muito para assumir enquanto o senhor e a sra. Harrison estavam fora.

Nada disso parecia estranho para Neil.

— Conseguiu encontrar os grampos de que ele falou?

— Quem me dera. Teve interferência na casa de Tarzana, sem dúvida. Mas de um modo estranho.

— Como se tivesse sido plantada?

— Gostaria de poder afirmar isso com certeza.

Tudo parecia estranho.

— Obrigado, Dillon.

— Não por isso.

Blake desligou o telefone e continuou vasculhando a mesa. Não havia nada pessoal ali. Só pilhas de faturas relacionadas ao trabalho.

Carter entrou na sala com uma foto na mão.

— Encontrei isso.

Era uma fotografia de Neil com alguns de seus amigos, fuzileiros navais.

— O Neil parece mais forte ainda. Não achei que isso fosse possível.

Carter riu.

— Já viu essa foto antes?

— Não. Ele não fala dessa parte do passado dele. Exceto uma vez, no bar.

— Acha que esses são os caras que morreram?

Blake pegou a fotografia e olhou cada rosto. Seu olhar se estendeu para Neil e outro cara que lhe pareceu familiar, mas que ele não conseguia localizar.

— Pode ser. Nem todos morreram, só alguns. — Mas quais? — Você já pensou em pedir um favor e tentar descobrir que negócio é esse de Gralha? — perguntou Blake.

Carter se encostou na mesa antes de responder:

— Muitas missões secretas são feitas todos os anos no exterior. As forças armadas não aceitam gentilmente que elas cheguem aos ouvidos das pessoas. Embora eu seja o governador, sou uma dessas “pessoas” no momento. Se esgotarmos todos os nossos recursos e não tivermos notícias do Neil ou da Gwen, vou pedir ajuda. Mas não quero causar mais problemas e fazer o Neil ir parar em uma corte marcial por ser paranoico demais. Nós devemos isso a ele.

Blake concordou.

— Toc-toc — disse Dean, entrando na casa de Neil.

— Estamos aqui.

Ele se abanava.

— Estou cansado desse calor — disse. — Encontraram alguma coisa?

Blake lhe entregou a foto e deu de ombros.

— Uma foto e um monte de contas.

— Eu sempre esqueço como o Neil é grande — disse Dean.

— Não é todo mundo que tem condições de provocar esse cara.

O detetive deixou a foto na mesa.

— Bem, aconteceu algo novo — disse.

Blake se endireitou na cadeira.

— O quê?

— Parece que o Neil bobeou e usou o cartão de crédito.

— Onde?

— Colorado Springs.

— Achei que a Karen tinha dito alguma coisa sobre o Canadá — disse Carter, evidentemente confuso.

— Bem, a menos que eles tenham ido de avião para o Colorado, e nesse caso teríamos sabido antes, eles não estavam perto da fronteira.

Blake não gostava muito do sorriso presunçoso de Dean.

— O que você está escondendo?

— Adivinhe para que o Neil usou o cartão de crédito.

— Hotel? — perguntou Carter.

— Aluguel de carro? — sugeriu Blake.

Dean sacudiu a cabeça.

— Munição?

O homem sorriu e olhou para Blake.

— Um anel de diamantes muito grande e muito caro.

O sangue sumiu do rosto de Blake novamente.

— O quê?