O Bosque de Faias

Amanda Bonatti · Capítulo 15 de 45

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O Bosque de Faias

Capítulo 15 - Desculpas

— Não pergunte nada. Vamos para casa — Frederico Hour voltou a dizer, procurando comedir sua voz, para não chamar mais atenção dos convidados do que já havia chamado.

— Senhor Hour. Deixe-me terminar de explicar ao senhor — Alexandre clamava.

— O senhor não ouse me dirigir a palavra. — Ele quase gritou. Joana assustou-se com aquela atitude do seu pai. Anastasia segurou em suas mãos e começou a puxá-la para fora do salão, acompanhada das filhas e do esposo.

— Senhorita Joana! Senhorita! — Alexandre chamava tentando alcançá-los. Ela olhou para trás e encontrou um semblante desesperado, esbarrando em alguns convidados e quase empurrando outros. — Eu a amo, senhorita! Eu a amo. Não se esqueça! — Ela conseguiu ler as palavras em seus lábios. A voz era aplacada por uma animada dança que tocava no salão.

Alexandre só parou quando sentiu alguém segurar seu braço. Olhou para trás e encontrou Phillip.

— O que aconteceu? Algum problema com aquela família que saiu agora há pouco daqui?

— Sim — Alexandre soltou o ar com força. — Preciso lhe falar, e desta vez precisa me ouvir ainda hoje. Não posso dormir com isso preso em mim — disse com o semblante desconsolado. Phillip sentiu logo que, o que quer que fosse, era grave e estava deixando Alexandre atormentado.

— Falaremos dentro de alguns minutos em meu gabinete. Espere-me lá — Phillip pediu.

 

Capítulo 15 - Desculpas

— Estou ouvindo — Phillip disse ao ver que Alexandre dava voltas no gabinete e não dizia nada.

— Não sei como encontrar as palavras certas para dizer isso — suspirou nervoso.

— Apenas diga.

— Qualquer palavra que eu diga será insuficiente para contar-lhe o que me atormenta...

— Alexandre, diga de uma vez — Phillip perdeu a paciência.

— Há aqui na região um senhor chamado Frederico Hour — Alexandre começou a contar, ainda andando pelo gabinete de forma compulsiva. — Ele é dono de uma pequena porção de terra, onde planta trigo e tem alguns animais...

— Sim... — Phillip ouvia com atenção e curiosidade, sentado em sua cadeira e apoiado sobre os cotovelos em cima da mesa.

— Estive na casa desse senhor levando o convite do baile, logo nas primeiras semanas que aqui cheguei. Ao que tive um encontro embaraçoso com a sua esposa, Madame Anastasia, que prontamente confundiu-me com você.

— Comigo? Por quê?

— As pessoas dessa região não o conhecem, nem ao menos por retrato. Só sabem que é o novo herdeiro dessa propriedade e que tem dois irmãos, todos jovens...

— Prossiga. E pare de andar, estou ficando tonto! — impacientou-se. Alexandre parou e sentou-se em uma poltrona, de frente para Phillip.

— A senhora Anastasia julgou que eu era Phillip Motier e chamou-me para jantar com a família naquela noite — disse ele, fazendo franzir o cenho de Phillip. — Disse que eu deveria entregar o convite nas mãos do marido. Tentei argumentar e dizer-lhe que se enganara em relação a mim, mas ela falava tanto e interrompia-me a cada fala. Jamais vi coisa igual. Aceitei o convite para jantar, vendo como uma oportunidade de desfazer o mal-entendido. Porém, naquela noite, o senhor Hour juntou-se com a esposa e puseram-se discorrer elogios a mim e...

— A mim, no caso — Phillip observou.

— Sim, a você, pois me confundiram com...

— Já disse isso — Phillip o interrompeu. — Então, depois de desfeito o mal-entendido, deram boas risadas?

— Não, não desfiz o mal-entendido. Foi aí onde começou todo o meu erro — Alexandre afundou o rosto em suas mãos.

— Não desfez? Por quê? — Phillip perguntou com mais severidade.

— Primeiro porque sequer tive a oportunidade de abrir a boca. O senhor Hour tinha urgência em falar sobre seus negócios, sobre política e sobre as suas filhas... Fiquei sem reação. Até mesmo constrangido em dizer que estavam enganados e foram precipitados. Acabei por julgar que não os veria mais depois daquela noite, então deixei que ficassem com aquele pensamento errado e que tão logo seria desfeito, com a sua chegada.

— E ao que me parece ter ocorrido hoje, neste baile?

— Sim — confirmou envergonhado.

— Está me dizendo que deixou que aquela família inteira pensasse que você era... eu?

— Sim — confessou. — Eu jamais pensei que tudo tomaria tal proporção que tomou. Eu...

— Que atitude inconsequente, Alexandre! — Phillip disse em bom tom. — Só não o acuso de ser leviano pois conheço sua índole. Porém foi fraco, saiba disso. Que homem não consegue sequer dizer quem é? Se não fez, não culpe a falta de oportunidade. Mal-entendido? A essa altura ainda podemos chamar assim?

— Phillip, eu não quis me passar por você para receber elogios e jantares em seu nome — defendeu-se. — Aliás, eu nunca quis que isso chegasse a tal ponto. Posso imaginar que está tendo agora o pior julgamento sobre mim, e não tiro a sua razão, mas garanto que meus motivos para não ter contado tudo logo, foram muito... pessoais e... — Ele buscava as palavras certas.

— Diga logo, Alexandre! — exaltou-se. — Enganou aquela moça que chorava no ombro da mãe. Foi isso? Era por isso que ela chorava?

— Não! Acredite, foi ela quem me enganou.

— Aquela moça o enganou? De que forma? — Ele não entendeu.

— É dissimulada. Arruinará a minha vida! — Ele lamentava-se.

— Eu não estou entendendo. Não está dizendo coisas com sentido, Alexandre. Está transtornado. Vá descansar e amanhã poderemos conversar melhor. Pensarei no que devo fazer em relação a isso, já que o meu nome foi diretamente envolvido.

— Tem razão. Estou muito aflito com o que houve. Peço-lhe, meu amigo, as mais sinceras desculpas pela minha falha, que como disse, foi um ato puramente inconsequente — falou retirando-se do escritório de Phillip.

***

Alexandre estava sem sono. Teria sorte se conseguisse dormir naquela noite, ou até mesmo nas noites seguintes. Foi até o coreto que ficava na ala norte do jardim e pôs-se a olhar o movimento ao longe. Viu que o terreno da propriedade aos poucos ficava cada vez mais vazio. A maioria dos convidados estava indo embora.

As pessoas saíam dali felizes, mas ele não tinha motivos para se alegrar. Seu coração queimava por imaginar o que seria feito da pouca estima que Joana lhe tinha. Onde estivera durante o baile, que ele não a viu? O que Sophie e os pais de Joana falariam para ela sobre o que houve? Por que Sophie estava usando a flor que ele enviara à Joana?

Atormentado rumou para o seu aposento, andando desnorteado pelo jardim e depois pelos enormes corredores da mansão Motier. Ao passar pelo aposento de Caroline ouviu vozes, então parou e apurou os ouvidos, para ter certeza. Uma pequena centelha de luz passava por debaixo da porta. Ele ouvia a voz da irmã. Parecia que falava com alguém.

— Caroline? — chamou sussurrando, dando leves batidas na porta do aposento. — Está acordada?

Quase um minuto inteiro de silêncio marcou presença antes de finalmente ela responder:

— Alexandre? O que foi? — perguntou abrindo poucos centímetros da porta, somente o suficiente para espiar o irmão.

— Você está com alguém aí? — perguntou tentando ver por detrás da irmã.

— Está louco? Estou me preparando para dormir. Já estou em trajes indecentes meu irmão, senão abriria a porta para falarmos melhor.

— Eu escutei você falar, Caroline — repetiu desconfiado.

— Estou cantarolando, irmão. Acabo de vir de um baile. A música ainda está em mim. Estou apenas feliz — disse e o recriminou com os olhos.

— Está certo — convenceu-se. — Boa noite.

— Boa noite, Alexandre. — A porta se fechou e ela respirou fundo.

[...]

— Ele já foi? — disse alguém no interior do aposento, sorrindo com o canto dos lábios.

— Shhh! — Caroline pediu que ele falasse mais baixo. — O que eu diria para meu irmão se ele o visse aqui? — falou com firmeza, porém quase sibilando.

— Seu irmão tem os ouvidos muito atentos. — Ele falou, caminhando para perto dela e olhando-a com intensidade.

— O senhor foi muito atrevido em vir até aqui. — Ela fez menção de desviar-se dele, mas não obteve êxito. Seu corpo era grande o suficiente para quase pressioná-la contra a parede.

— Pensei que quisesse que eu viesse — respondeu alisando sua face.

— Eu disse isso? — Ela estremeceu com o toque.

— Seus olhos me disseram. O seu corpo me disse..., desde que cheguei aqui nesta propriedade — envolveu-a com seus braços.

Caroline relutou em aceitar o toque apenas por poucos segundos, tomada pela surpresa, mas logo estava completamente desejosa de se manter ali. Ele beijou-lhe o queixo, o pescoço, os ombros e todo o caminho da curva do seu decote. Ela arquejou de prazer com o toque aveludado daqueles lábios e das suas mãos experientes que passeavam por seus ombros, despindo-a com agilidade da primeira camada do vestido que usava. Enquanto a acariciava ele entrelaçou os dedos pelas fitas do espartilho de Caroline, afrouxando o tecido e deixando os seios dela quase à mostra.

Ela repousou as mãos nos ombros largos dele e sentiu a firmeza e força com que ele a segurava. As mãos dele avançavam sobre seu corpo, apertando sua cintura ao mesmo tempo que se livrava do casaco e do colete que usava. Caroline deu alguns passos para trás, tentando resistir ao calor e ao desejo que lhe consumia. Recostou-se na parede e encarou aqueles olhos azuis e ardentes, inflamados pela excitação. Ela segurava entre as mãos o espartilho, aberto às costas, para que não caísse por completo e revelasse a nudez de seus seios. Vestia-se, além do espartilho, apenas com uma volumosa anágua Petticoat. Ele continuou onde estava, com a respiração ofegante. O subir e descer de seu peito era visível.

— Precisa ir embora... — Ela pediu.

— Suas palavras não me convencem, senhorita, mas eu vou — falou recolhendo o casaco que estava no chão e o vestindo. — Eu vou, porque quando estiver nos meus braços novamente, irá implorar para que eu não pare.