O Bosque de Faias

Amanda Bonatti · Capítulo 20 de 45

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O Bosque de Faias

Capítulo 20 — O confronto

— Desculpe-me meu irmão, por ter dito algo tão inoportuno. Eu não quero aborrecê-lo.

Eles pararam de conversar quando Johan e Patric adentraram na sala, acompanhados de Phillip, que se vestira com elegância para receber os convidados. Usava um Tailcoat vinho e calças brancas de linho, com fivelas e abotoados no abdômen, bem como alguns acessórios, como uma bengala belíssima e um elegante chapéu negro, alto e de abas retas. Alexandre surpreendeu-se ao vê-lo vestido de forma tão nobre para aquele jantar. Aquelas vestimentas o deixaram com um ar mais sóbrio e até mesmo mais velho — foi o que Alexandre conceituou. Johan e Patric também estavam bem-vestidos, mas não de uma forma tão ostentosa quando Phillip.

Caroline cumprimentou aos irmãos Motier com um aceno de cabeça e eles fizeram o mesmo. Eles se olharam por alguns instantes antes de Patric interromper o silêncio:

— Que venham os Hour! — Tentou quebrar o clima sisudo que ali se instaurara.

 

Capítulo 20 — O confronto

 

Todos ficaram em pé quando a família Hour foi anunciada na propriedade Motier. Caroline inquietava-se com a expectativa de finalmente ver Joana e as irmãs de perto. Já Alexandre, experimentava sensações incomuns a ele; estava trêmulo e seu coração disparado — ele só se sentia assim quando estava perto de Joana.

Finalmente Frederico Hour adentrou na sala, junto da esposa, acompanhados de dois criados de Phillip. Logo atrás deles, as quatro filhas surgiram. Amália, que sempre foi muito tímida, olhava para baixo, retraída. Rebecca sentiu o rosto queimar e o coração palpitar ao ver Patric, mal pôde esconder seu contentamento. Joana olhou firme para todos na sala, apenas baixando seus olhos com rapidez quando encontrou Alexandre. Vê-lo novamente fez seu coração ondular no peito. Por mais que procurasse esconder isso de todos, não conseguia vencer aquela batalha dentro de si. Já Sophie, olhava firmemente para ele, sentindo sua respiração perder o controle e todo o corpo tremer de tensão. Ela ainda se lembrava daquele que havia sido o seu primeiro beijo, e mesmo sabendo que todo aquele amor não era para ela, sentia-se plena ao relembrar das sensações que experimentou. Voltou a olhar Alexandre e quando finalmente seus olhos se encontraram sentiu com amargor o desdém e até mesmo a repulsão com que ele a encarou.

Os olhos de Johan passeavam entre Joana e Sophie, mas concentrou-se especialmente na mais nova. Ele a achou linda, o rosto angelical e os olhos espertos e curiosos. As irmãs Hour curvaram a cabeça aos anfitriões, e eles fizeram o mesmo, enquanto Phillip se dirigia a eles para dar-lhes as boas-vindas.

— Que bela propriedade — disse Anastasia, não deixando de reparar a elegância de Phillip. — Esta sala é tão bela quanto o salão do baile — disse ela, admirando os móveis e as tapeçarias. Ao fundo da sala uma lareira iluminava o ambiente e deixava o ar invernal um pouco mais quente.

— Estejam à vontade, por favor — disse Phillip. — Estou feliz por terem aceitado o meu convite.

— É um prazer — disse Frederico Hour a Phillip, observando que Alexandre estava próximo à lareira, ao lado de Patric. Sentiu uma grande raiva ao vê-lo.

— Senhor Hour — disse Phillip, vendo os olhos raivosos na direção de Alexandre —, espero que seja uma noite agradável, e que possamos nem que seja por uma noite, esquecer os mal-entendidos que antecederam a minha chegada — pediu.

— Certamente — Frederico concordou. Ele não queria fazer a desfeita de dar um escândalo na casa de Phillip e deixá-lo com uma péssima impressão da sua família.

— Joana — Rebecca chamou a irmã, afastando-se com ela para perto do pianoforte. — Como se sente? — cochichou.

— Por que quer saber a todo o momento como me sinto? — Joana repreendeu a irmã.

— Alexandre não para de olhá-la. Veja, ele está ao lado de Patric, na lareira — Rebecca apontou com os olhos, mas Joana não os olhou. — Eu estou nervosa — disse a irmã mais nova, inquieta por estar na presença de Patric.

— Rebecca! Pare de olhar ou ele irá perceber.

— Devo fingir que sou alheia a ele? — inquiriu, claramente fazendo referência ao comportamento de Joana em relação a Alexandre.

— Deve! Procure não mostrar sua euforia ao menos até ter certeza do caráter dele — recomendou. — E agora mude de assunto, Amália está vindo até nós, e sabe que ela não esconde nada de Sophie — Joana alertou.

[...]

— Daria qualquer coisa para saber o que a senhorita Joana conversa com a irmã — disse Alexandre a Patric.

— Ela deve estar dizendo que o odeia e que sua presença é intragável — Patric o provocou em tom de brincadeira.

— Obrigado, amigo — Alexandre devolveu um olhar antipático.

— E o que acha das irmãs da senhorita Joana? — Patric perguntou.

— Não sei dizer. Nunca falei com as mais novas; e Sophie, já lhe disse, é dissimulada e insensível.

— E muito bela, não se esqueça de dizer...

— Bela? Eu a vejo e não vislumbro nada de belo. Apenas uma carcaça que abriga uma alma maldita e imperfeita — disse ressentido e Patric se surpreendeu com os adjetivos.

— Será que ela merece todo esse ódio, Alexandre?

— Não é ódio, mas foi por causa dela que hoje a senhorita Joana deve estar me odiando. Ela usava o broche que enviei para Joana, e no baile nada disse durante a valsa, ou até mesmo quando estava em meus braços. Enquanto eu me declarava, calou-se fingida, até que eu... — balançou a cabeça, aturdido.

— É, como pode uma moça tão bonita ser capaz de tão detestáveis atos. Já a irmã, a senhorita Rebecca, parece ser tão doce e agradável e é...

— Feia?

— Não digo que é feia. Essa palavra nem combina com uma moça tão gentil. Aliás, é uma jovem muito ponderada e parece ser uma grande amiga da irmã. A senhorita Rebecca disse-me que Joana não lhe é indiferente.

— Disse-lhe? — Alexandre acendeu o olhar e não pôde evitar de sorrir. — Ouvir isso atinge-me como um verdadeiro remédio. Foram essas as observações da senhorita Rebecca, ou as próprias palavras de Joana?

— Ao que me parece, a senhorita Joana esconde bem o que sente. Foram observações da irmã. Como lhe disse, é uma jovem admirável.

— Admirável... — Alexandre concordou, porém, seus pensamentos estavam bem distantes daquela conversa.

Preciso arrumar uma forma de falar com ela — Alexandre pensava.

[...]

— Qual delas é Joana? — Caroline se aproximou de Alexandre e perguntou. — Eu adivinharia, se todas elas não fossem tão parecidas.

— Não são tão parecidas — disse Patric que ainda estava ao lado do amigo.

— Conseguiria distingui-las de longe, ou de costas? — perguntou ela a Patric.

— Ah, sim, dessa forma são muito parecidas — concordou. — Joana é a moça ao lado do pianoforte, acompanhada das irmãs mais novas, Amália e Rebecca — informou Patric.

— Então aquela ao lado dos pais, conversando com Phillip e Johan, é Sophie?

— É Sophie, sim — Alexandre confirmou com desgosto.

Caroline passou lentamente por eles, a fim de ouvir o que diziam. Ouviu que falavam sobre a recepção do baile, e que Frederico Hour não media elogios a Phillip. Caroline continuou caminhando pela sala, olhando atentamente Anastasia e as filhas, principalmente Joana, e lembrou que já as tinha visto antes, na boutique, logo que chegara à propriedade Motier e tinha ido à vila com o irmão.

— Com licença — Caroline disse, aproximando-se de Joana —, como é bom ver outras moças por aqui — sorriu. — Eu sou Caroline Franz, convidada nessa casa, e irmã de Alexandre — falou olhando para Joana, que ficou incomodada quando Caroline citou o nome do irmão.

— É um prazer — Amália e Rebecca a cumprimentaram, enquanto Joana não expressou nenhuma palavra.

— Ouvi muito falar de você — disse Caroline à Joana. — Claro, somente coisas agradáveis.

— Interessante. Já eu não tive o mesmo prazer. Ah, é claro, Phillip não tem uma irmã, como poderia ter mencionado — Joana não se conteve.

— Eu sei que se refere a meu irmão. Não quis ser rude com meu comentário. Apenas dizer que Alexandre a admira, e isso causou-me curiosidade em conhecê-la.

— Você disse... quem? Não conheço tal senhor. Com certeza não fomos apresentados — Joana falou com o olhar firme, mas, embora mantivesse uma postura rígida, por dentro estava desmoronando. Caroline respirou profundamente, acenou constrangida com a cabeça e afastou-se delas.

— Joana, precisava falar assim com ela? — disse Amália. — Ela não tem culpa...

— Culpa? Não, não tem, mas tenho certeza de que ela não é diferente do irmão — Joana falou. — Já a vimos antes. Lembra-se, Rebecca? A moça que encontramos na boutique, antes do baile?

— Oh, é mesmo! É ela. — Rebecca a reconheceu

[...]

Frederico Hour e a esposa ainda conversavam animadamente com Phillip. Sophie continuava ao lado do pai e da mãe, e dividia sua atenção entre os sorrisos que dava a Phillip e os olhares que lançava na direção de Alexandre, sem ninguém perceber. Johan também participava da conversa, falando sobre Paris e sobre as viagens que já tinha feito. Na verdade, seu maior interesse era ver de perto a bela filha do senhor Hour. Estava fascinado por Sophie.

[...]

— Patric, você precisa me ajudar. Escrevi uma carta para Joana, para o caso de não conseguir falar com ela nesta noite. Gostaria que entregasse à Rebecca e pedisse para ela entregar à irmã quando chegarem em casa.

— Está com a carta em mãos?

— Sim — Alexandre confirmou, passando o pedaço de papel discretamente para as mãos de Patric, que a colocou no bolso interno do casaco. — Eu vou subir para meu aposento. Não suporto vê-la tão de perto e a ignorar-me como se eu não estivesse nessa sala.

— O que mais ela poderia fazer? Fique conosco mais um pouco — Patric pediu.

— Eu vou tomar um ar fresco, reorganizar a cabeça — disse Alexandre, voltando seus olhos mais uma vez para sua amada. Desta vez o encontro de olhares foi inevitável. Joana o olhava distraída, claramente absorta em seus pensamentos enquanto a irmã falava algo. Ela ficou presa nos olhos de Alexandre e demorou alguns segundos para conseguir desviar-se deles, não sem antes ler seus lábios, que disseram claramente, sem emitir som algum, que a amava.

Eu a amo, Joana — gesticulou com os lábios antes de sair sala, sendo acompanhado discretamente por muitos olhares.

Patric atravessou a sala e caminhou até Joana, Amália e Rebecca, aproveitando a oportunidade de que o senhor Hour e Madame Anastasia estavam entretidos demais para perceberem sua aproximação das filhas.

— Com licença, senhoritas — disse de modo cortês. — Eu as estava olhando aqui, próximas do pianoforte, e pensei: será que as senhoritas apreciam tocar?

— Rebecca toca muito bem — Joana antecipou-se em elogiar a irmã, que ficou com o rosto enrubescido.

— Imagina, que gentil minha irmã, mas tenho praticado tão pouco, que acho que perdi o jeito — disse desconcertada.

— Tenho certeza de que sua irmã não quis apenas enaltecer suas qualidades. Deve tocar muito bem. Quem sabe não nos faz esse agrado? — Patric disse, estudando uma forma de entregar-lhe o bilhete sem que as outras irmãs vissem.

— Oh... eu... Sim, é claro — Rebecca concordou. Patric curvou-se diante dela e a conduziu para sentar-se na banqueta, abrindo a tampa do pianoforte e lhe indicando a partitura no atril, onde discretamente colocou a carta, dobrada em mais de duas partes, fazendo com que se tornasse um pequeno pedaço de papel, onde bem no centro Rebecca pôde ver um selo de cera de cor vinho.

Nervosa, ela não conseguiu ler a inicial no brasão do selo, apenas o recolheu rapidamente e escondeu no volume do vestido, entre os joelhos. Seu coração palpitava ligeiro.

Será que sou correspondida? Será uma carta para mim? — pensava.

Quando tocou as primeiras notas, todos pararam para ouvi-la. Frederico Hour admirou-se por ver a filha mais nova sentada ao pianoforte e Madame Anastasia sentiu vontade de repreendê-la, por estar chamando toda a atenção para si, quando deveria deixar que a irmãs mais velhas se destacassem. Sophie sentiu uma ponta de inveja, ao ver como a irmã estava sendo elogiada por Phillip, que disse à Anastasia que o pianoforte era uma das artes mais belas que uma moça prendada deveria conhecer.

— Confio que toca tão bem quanto a sua irmã — Johan disse discretamente ao lado de Sophie, enquanto a suave música preenchia o ambiente.

— Oh, eu aprecio muito tocar — Sophie respondeu, surpreendida por ele iniciar uma conversa com ela.

— Quem sabe não nos dá a honra de ouvi-la, após sua irmã terminar.

— Seria um prazer, mas acredito que o farei em outro momento. Minha irmã deve ficar na memória desta noite como a única estrela a se destacar — disse ela.

— Pois para mim, há somente uma estrela nesta sala — Johan afirmou com o olhar fixo nos lábios de Sophie. — E sei que ela não brilha somente à noite. Durante o dia, a estrela deve virar flor, e enfeitar as campinas do prado.

— É um poeta, senhor Johan? — perguntou olhando-o.

— Só quando encontro inspiração... — revelou. — Gosta do prado, senhorita?

— Eu... sim, é um lugar muito bonito.

— Aceitaria minha companhia para uma caminhada, ao entardecer, amanhã? — Ele perguntou. A música que Rebecca tocava ao pianoforte terminou e todos aplaudiram. Sophie aproveitou para sair de perto de Johan, deixando-o sem resposta.

***

Rebecca agradeceu os aplausos e, antes de se levantar, de forma discreta colocou o bilhete dentro do busto do vestido.

— Você foi maravilhosa! — Joana elogiou.

— Obrigada, mas fiquei tão nervosa que acho que me atrapalhei em algumas notas.

— Foi esplêndida, senhorita. Que melodia suave — Patric elogiou. Joana aproveitou que o rapaz se aproximou da irmã e voltou sua atenção para Amália, puxando um assunto qualquer para deixá-los mais à vontade.

[...]

— Gostariam de conhecer a galeria de arte? — Phillip perguntou ao senhor Hour e Madame Anastasia, quando os dois disseram que eram grandes admiradores da pintura renascentista.

— Oh, mas é claro — Anastasia concordou entusiasmada. Não sem antes olhar novamente todos os cantos da sala e se certificar de que Alexandre não estava mais lá. Deixou as filhas na sala na companhia de Johan e Patric.

[...]

— Você deveria tentar disfarçar um pouco melhor — Patric murmurou para Johan. — Sophie não é tão angelical quanto o seu belo rosto aparenta.

— Deixemos os disfarces para Alexandre, ele é que é formidável nessa arte — disse com ironia.

— Alexandre é bem menos culpado do que pensa — Patric o defendeu.

— Com duas moças tão belas quanto as senhoritas Sophie e Joana... Não é difícil imaginar como ele ganhou o título de conquistador e mentiroso.

— Comete dois graves erros, meu irmão; o primeiro de acusar Alexandre, e o segundo, de justificar que a beleza de uma jovem seja desculpa para um homem se tornar um sedutor sem escrúpulos.

— É por pensar assim que jamais tocou em uma mulher — Johan provocou. — Castidade e pureza são qualidades mais apreciáveis em uma dama, irmão.

— E o caráter é apreciável a qualquer um. Com licença — disse antes de se afastar de Johan.

[...]

— Aonde foram papai e mamãe? — Sophie perguntou à Amália.

— Saíram acompanhados do senhor Phillip — disse ela.

— Senhor Patric, sabe onde estão meus pais? — indagou vendo que Patric se aproximava delas

— Quem sabe na galeria de arte, ou na biblioteca — palpitou.

Quando Sophie viu que Johan ainda a olhava e que fazia menção de vir até ela, procurou sair da sala e ir em busca dos pais. Passou por uma grande sala, que era a entrada principal da mansão, e entrou em um corredor à direita. Caminhou por ele até sentir o aroma do jantar que estava sendo preparado na cozinha. Deu a volta e retornou pelo mesmo corredor e, ao chegar novamente à grande sala, encontrou Alexandre subindo os degraus da escadaria, vindo do jardim. Ela girou o corpo e apressou o passo para voltar à sala da lareira, onde os demais estavam. Queria fugir dele.

— Espere! — Alexandre a chamou. — A senhorita precisa dar-me algumas explicações — disse ele.

— Engana-se, senhor. Nada tenho a lhe dizer. — Ela corou e continuou a andar.

— Espere! — Ele segurou em seu braço. — Por que a senhorita usava o broche de flor no baile? Como ele chegou em suas mãos?

— Não entendo por que quer saber daquele broche. Joana me deu — mentiu. Alexandre sentiu uma fisgada no peito. — O que ele tem de especial?

— Eu dei aquele broche para Joana. Mandei entregar nas mãos dela. Era uma forma de reconhecê-la entre as outras moças do baile. Diga-me, como ele chegou em suas mãos? — perguntou mais uma vez.

— Já lhe disse — soltou-se das mãos dele com um gesto brusco —, foi Joana quem me deu o broche, e pediu que eu o usasse no baile. Oh, agora entendo. Joana fez isso para que o senhor não a reconhecesse. Ela jamais o quis, senhor...

— É mentirosa! A senhorita mente! Vejo agora claramente como é dissimulada.

— Por que me acusa? Foi o senhor quem mentiu — retrucou. — E mesmo assim, eu lhe dei meu coração! Eu o amei desde o primeiro momento em que o vi e, juro, mesmo agora, sabendo que não é herdeiro desta propriedade, mesmo sem saber como vive ou quem realmente é, eu ficaria ao seu lado. Lutaria contra meu pai e até fugiria, se me quisesse — derrubou uma lágrima.

— Suas lágrimas são injustificáveis. Jamais lhe dei qualquer esperança e só a beijei no baile porque pensei que fosse a senhorita Joana. Eu amo a sua irmã e jamais a magoaria. Eu não quero o seu amor, tampouco a sua presença ao meu lado. Mesmo que Joana não me quisesse, mesmo que me rejeitasse para sempre, eu jamais a escolheria! Agora confesse que mentiu para Joana e por isso ela me odeia e me ignora. Confesse! — Ele gritou.

— Joana... sempre... o desprezou. — Ela gaguejou.

— Engana-se. Joana me ama, assim como eu a amo! — Ele tornou a gritar. Ao olharem para o lado, depararam-se com Amália.

— Eu... vim procurá-la, Sophie — Amália estava chocada. Alexandre deu-lhes as costas e subiu para seu aposento sem jantar. Sophie e Amália voltaram para a sala da lareira.

— Precisa me prometer que não vai contar a ninguém sobre o que ouviu — Sophie encarou a irmã, ainda no corredor.

— Sophie, por que deixou todos pensarem que o senhor Alexandre a seduziu e mentiu sobre seus sentimentos por Joana? — Amália perguntou incrédula com o que acabara de ouvir.

— Você não sabe nada. Não ouviu nada! — Sophie agitou-se. — Prometa que não falará com ninguém! — repetia enquanto Amália olhava-a consternada.

***

— Que belíssimas obras de arte o senhor tem aqui! — Frederico elogiava os quadros na galeria particular de Phillip.

— Muitas obras foram herdadas por meu tio. São muito valiosas. Outras foram adquiridas em leilões — dizia Phillip.

— É tudo fascinante! — Madame Anastasia exclamou, admirando os grandes vasos, alguns que pareciam ser guarnecidos com ouro. Havia ali alguns bustos de mármore e esculturas de pequeno e médio porte.

— Encantador! Eu gostaria que Joana tivesse nos acompanhado, ela aprecia arte — disse o senhor Hour.

— É mesmo? Pois poderá vir sempre que quiser — Phillip sorriu.

— Quantas vezes imaginei que Joana se casaria com o senhor — Anastasia disse sem medir as palavras e o marido a olhou com severidade. — Oh, perdão. Refiro-me à quando pensávamos que... O senhor sabe, Joana ia noivar com...

— Eu sei. Não precisam ficar constrangidos — Phillip a tranquilizou.

— Eu não sei o que eu faria se o noivado tivesse acontecido — Frederico Hour balançou a cabeça com censura.