O Bosque de Faias

Amanda Bonatti · Capítulo 33 de 45

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O Bosque de Faias

Capítulo 33 — Decepção

 

— Alexandre... — Phillip chamou-o assim que se encontraram logo cedo, no corredor, quando ambos saíam de seus aposentos. — Está certo sobre o que disse ontem? Vai mesmo jogar suas armas em definitivo? Não será mais um soldado?

Alexandre parou e virou-se para Phillip, hesitante. Não queria ter que falar com ele, e lamentou muitíssimo que aquele fosse o primeiro rosto que via naquela manhã. Ainda sentia grande indignação pela cena que havia presenciado na galeria. Ele pensou um breve momento antes de responder, estudando os olhos de Phillip com minúcia.

— Nasci em uma família com tradição militar por parte de pai — disse ele com fibra —, estudei em escola militar desde os onze anos de idade, participei de várias expedições junto da Cavalaria, e se há algo que aprendi em todos esses anos, é que um militar deve saber o ponto decisivo de se findar uma guerra, e também o ponto decisivo para não lutar mais em uma.

— E este é o seu ponto decisivo? — inquiriu Phillip, com os olhos intensos e postura erguida. — Eu pensei que poderia contar com a sua experiência para treinar outros homens, que estaria ao meu lado... Como esteve ao lado de meu tio.

— Eu estou ao lado das minhas convicções — Alexandre o interrompeu com a voz mais austera. — Mas desde que seu tio morreu tenho estado ao seu lado... como amigo — disse ele. — Mas sua postura política é muito diferente da minha....

— Você está do lado da revolução! Está do lado errado, do lado de pessoas fracas, que acham que vão conseguir reformar o país...

— Já discutimos isso muitas vezes, e não vamos fazê-lo novamente. Com licença — Alexandre fez menção de se retirar.

— Espere... — Phillip pôs-se à sua frente, impedindo que Alexandre fechasse a porta do aposento e que seguisse caminho pelo corredor. — Seu tom e seu olhar me dizem que está agitado. Não está em paz, Alexandre? — Phillip interrogou sem piscar os olhos.

— Paz? — Alexandre repetiu a palavra a fim de ganhar tempo para ter certeza se havia ironia nas palavras de Phillip. Considerou que sim, havia. Os olhos de Phillip eram frios e sua voz contida parecia querer, na verdade, afrontá-lo. — Não sei a que tipo de paz se refere, mas estou tranquilo com a minha decisão, e não faço isso para ofender as suas convicções, tampouco para mudá-las, mas para me manter fiel às minhas. Mas paz... nunca estamos plenos dela... Você mesmo não deve estar.

— Não estou? Estou certo de que estou — Phillip rebateu e lançou um olhar por sobre os ombros de Alexandre, espiando o aposento que ainda mantinha a porta aberta. Ao fundo, do lado da cama, viu a garrafa de vinho repousada no chão.

— Então não é quem pensei que fosse — disse Alexandre, tentando mais uma vez deixar Phillip para trás. Ao esquivar-se, Phillip bloqueou sua passagem novamente, desta vez com o braço suspenso na direção do corpo de Alexandre.

— Então está decepcionado comigo? Por quê? — inquiriu.

— Por que quer me fazer dizer algo que já sabe? Se sabe sobre sua conduta, por que quer que eu a reafirme, que diga se suas ações são ou não são condenáveis? — rebateu agitado. — Não existe em você um certo discernimento natural que o ajude a fazer um julgamento de si mesmo?

— Está agindo assim por ciúmes — Phillip balançou a cabeça em negação, recriminando-o. — Está deixando que todas as suas ações e palavras sejam controlados por esse sentimento. Por causa de uma mulher — Phillip disse em tom de indignação.

— Então estamos mesmo falando da senhorita Joana? Pensei que não fosse admitir. Tenho outras palavras que cabem melhor para expressar o que sinto, e a primeira delas você mesmo já mencionou: decepção.

— Não se rebaixe, Alexandre, mantenha a sua dignidade, a que lhe restou, para enxergar que a senhorita Joana não é para você.

— Não é para mim? Mas é para você? — Os olhos de Alexandre agitaram-se.

— Eu não falei isso. Qual o motivo do seu receio em relação a mim? Você a perdeu sozinho. A culpa de não a merecer é unicamente sua, Alexandre — disse em tom contido, embora seus lábios já adquirissem um discreto tremor.

— Então eu não a mereço? — arregalou os olhos enfurecido. — Eu não a mereço porque sou um mentiroso que se passou por você para conquistar o amor de Joana e o respeito de sua família, usando do seu prestígio e riqueza? É isso que pensa? Acha que premeditei tudo isso e sou um miserável sem escrúpulos?

— Mentindo ou omitindo, não importa... — Phillip tentou dizer, mas foi interrompido.

— Como não importa? Eu amo a senhorita Joana!

— Isso não é amor, é egoísmo. Encare as consequências de ter ficado calado, Alexandre.

— E quais são as consequências? Ouça, Joana ama a mim! — Alexandre gritou indo para muito próximo do rosto de Phillip e o encarando com fúria. — Isso também não importa?

— Então, quem sabe isso seja tudo o que importa? Por que ficar tão torturado? — falou num tom tão calmo que fez Alexandre arder em raiva.

— Diga-me você, Phillip, por que estou torturado? — gritou. — Diga você qual a punição que mereço? Diga-me, por que não consegue se defender? Diga-me, por que eu não deveria me sentir assim ao ver que um amigo de minha confiança está atraído pela mulher que eu amo?! — Sua voz reverberou pelos corredores e chegou nos ouvidos de Patric, que estava em seu aposento com a porta fechada.

— Bobagem! Está mesmo consumido pelo ciúme... Eu sei que Frederico Hour me entregaria Joana em casamento, se assim eu desejasse, mas não fiz nenhuma menção a isso... É essa possibilidade que o incomoda? Sabe, certa vez Madame Anastasia disse-me que eu deveria continuar o noivado com Joana, já que você o iniciou em meu nome... Mas eu não fiz isso, fiz? — contrapôs com um nervosismo crescente. O corpo inteiro ardendo.

— Não ousaria ir tão longe... — Alexandre disse em tom de ameaça, fechou os olhos e procurou controlar a respiração para se acalmar. Só de ouvir Phillip referir-se à Joana somente pelo nome, com certa intimidade, já sentia todo seu peito queimar. — Lembra-se do que me disse certa vez? “Se os sentimentos de uma moça não estão vivos desde o início, não surgirão depois”. Ela não o amaria jamais! Um casamento por obrigação não lhe daria o coração de Joana.

— Alexandre... Olhe para mim... quando que eu fui um homem romântico? — perguntou com ironia, impedindo que sua ira fosse maior do que a de Alexandre. Sempre fora um homem contido em suas emoções.

— O que está havendo? Estão gritando — Patric interrompeu-os, movendo seus passos rapidamente na direção dois. Phillip e Alexandre contiveram-se, mas embora não dissessem mais nada um ao outro, os seus olhos ainda estavam em brasas. Alexandre virou as costas para ambos e desceu as escadas rapidamente. Phillip fechou-se no seu aposento depois de fazer sinal para que Patric não o seguisse nem perguntasse nada.

Alexandre atravessou toda a extensão do jardim e saiu a pé da propriedade Motier.

— Alexandre! — Patric gritou às suas costas. — Espere! — Alexandre parou e virou-se para ele. O que Patric viu foi um rosto transtornado.

— Eu estou com tanta raiva de Phillip que se eu o ver novamente não sei o que sou capaz de fazer — Alexandre disse ainda raivoso.

— Não diga isso, você não vai fazer nada. O que houve entre vocês?

— Seu irmão é um cretino! Um cretino que eu tinha como um amigo muito estimado, mas que agora mesmo acaba de insinuar que Joana... — respirou profundo. — Meu Deus, não posso nem dizer isso em voz alta, as palavras não querem sair...

— Primeiro se acalme e depois me conte o que aconteceu.

Alexandre contou a conversa que tivera com Phillip, dando ênfase aos seus olhares frios, a sua ironia e as palavras que dissera. Patric ouviu com atenção, mas não com tanta surpresa como seria esperado. Mesmo antes de Alexandre, já havia percebido que Phillip estava encantado demais por Joana. Contou também sobre Joana, revelando que estiveram juntos na noite anterior e que ela o havia feito o homem mais feliz do mundo, declarando que o amava.

— Phillip disse: “Frederico Hour me entregaria Joana em casamento, se assim eu desejasse”, e isso me pareceu mais um prenúncio, quase uma ameaça! Eu sei que ele a deseja! — Alexandre agitava-se a cada palavra dita.

— Acalme-se, não irá pensar nem fazer nada agitado assim. Eu não acredito que Phillip faça isso, e não acho que ele esteja pretendendo tornar essas ameaças realidade — suspirou e desejou que estivesse certo. — Vamos voltar... Venha, vamos beber algo — convidou puxando Alexandre para dentro dos portões da mansão.

Os dois atravessaram o jardim e subiram juntos a escadaria, depois foram para a sala da lareira. Caroline os viu entrar e estranhou a expressão de ambos. A sala da lareira tinha uma grande e pesada porta, que ao entrar Patric deixou encostada. Caroline passou lentamente em frente à sala e apurou os ouvidos, mas tudo o que conseguiu ouvir foram sons incompreensíveis. Contrariada pensou em ir até o jardim, mas desistiu ao sentir o toque gelado da neve fina em seu rosto. Mudando de ideia, foi para a biblioteca.

— Eu não acredito que Phillip tenha dito aquilo no calor do momento, só para me ofender. Eu sinto as suas intenções. A forma como ele olhava para Joana, como se aproximou ao tocá-la, isso foi real, não uma ilusão. E ele tem razão em dizer que os pais de Joana aprovariam... — retraiu-se e não conseguiu terminar a fala.

— Mas Joana não aprovaria, concentre-se nisso! — Patric tentou lhe impor um pouco de calma.

— Você não conhece Frederico Hour, ele a obrigaria se achasse que isso fosse rentável para ele. Eu sei o que aquele homem enxerga em Phillip Motier. Acredite, eu já estive nesse papel e sei do desespero dele em casar Joana com Phillip. Ele só ainda não o fez por falta de oportunidade ou por achar que Phillip não a tomaria em casamento. Ele já estava a obrigando a isso, quando pensava que eu fosse Phillip. Lembro-me com clareza como se o visse agora em minha frente, em seu tom imperativo ele apenas disse-me que, se eu a quisesse, Joana seria minha.

— Mas, meu amigo, era você, e não Phillip! — Patric o lembrou.

— Mas o senhor Hour não sabia disso!

— Mas Joana sabia por quem estava apaixonada. Ela o aceitou, e não foi por obrigação. Há quanto tempo acha que Joana já o ama? Desde a semana passada? Alexandre, comece a pensar direito pois não farei isso por você! — disse Patric já sem paciência. Nesse momento Alexandre encheu-se de esperança.

— Tem razão — falou passando as mãos pelo rosto e soltando um longo suspiro. — Joana é forte o suficiente para lutar por suas escolhas. Quando me aceitou, pensando que eu fosse Phillip, era porque já tinha sentimentos por mim, mas não queria aceitar e confessar isso. Como posso não ter considerado isso? Ela jamais aceitaria que o pai lhe obrigasse. Preciso me concentrar nisso ou vou enlouquecer.

— Ah, já era tempo de recobrar os sentidos! — disse Patric ao dar tapas nas costas do amigo.

— Tem razão... E Phillip não seria mesmo capaz... Mas tive que relembrá-lo de suas próprias palavras... Ao chegar nessa propriedade ele falou da noiva escocesa e do porquê não aceitou casar-se com ela, disse que a moça amava outro... Sabendo que Joana me ama, ele não seria capaz...

— Alexandre... — Patric considerou se devia mesmo dizer aquilo ao amigo. — Phillip não se casou com Grizelda, mas foram por outros motivos.

— Que outros motivos? Ele disse-me que a moça amava outro, e que foi por ver seu sofrimento que recusou continuar o noivado.

Neste momento Patric pronunciou alguns sons incompreensíveis, entre suspiros e sem saber como falaria aquilo para Alexandre, e mais, o que aquela informação faria com os pensamentos já perturbados de seu amigo.

— Na verdade — começou ele —, Grizelda sofreu muito. Chegaram muitas cartas dela para Phillip depois que ele veio para esta propriedade. Todas as semanas chegavam novas cartas... Logo que encontrei Phillip, quando eu e Johan o buscamos no navio em sua volta para a França, ele já nos relatou o quanto estava decepcionado por ter encontrado um Lorde falido. Phillip tinha uma aliança com o Lorde escocês desde que era muito novo, você sabe, aliança essa formada por nosso tio. O noivado seria concretizado na ida de Phillip para finalmente conhecer Grizelda. Eles já trocavam cartas há algum tempo, desde que a moça completara quinze anos, e ela já julgava que estavam noivos. Phillip tinha inclusive um retrato dela. Admirado por sua beleza, e pela aliança poderosa que formaria com o Lord, sua decepção foi enorme ao constatar que eles já estavam falidos há alguns anos, mas esconderam dele este fato. Grizelda desesperou-se ao ser recusada por Phillip. E foi isso que ele nos narrou quando retornou da Escócia.

Alexandre permaneceu alguns minutos estupefato. Com o rosto ainda contraído ele rememorava a conversa que tivera com Phillip. Ele sabia da aliança formada há muitos anos por Louis Motier — tio de Phillip —, e já tinha inclusive visto o tal retrato da moça, que viera em uma das cartas que ela enviara a Phillip. Lembrou-se da última vez que estivera com Phillip, em Paris, antes dele ir para a Escócia conhecer Grizelda. Phillip estava satisfeito por estar indo conhecer a futura noiva, e tinha planos inclusive de já se casar com ela na Escócia e trazê-la para Paris junto com ele... De todos os motivos que poderia ter culminado o fim daquela aliança, Alexandre jamais conceberia a ideia de que fosse por causa daquele que Patric acabara de lhe contar. E por que ele não falara a verdade, afinal?

— Isso é... — Alexandre procurou por palavras que pudessem expressar o que sentia, mas não as encontrou. Naquele ponto a conversa foi interrompida por um criado, que trazia uma bandeja, e dentro dela algumas cartas.

— Senhor Alexandre... — O criado aproximou-se. — Chegaram ontem para o senhor — entregou-lhe as quatro cartas.

— Quatro cartas? Todas para mim? — perguntou confuso.

— Sim, senhor — respondeu o criado, depois pediu licença e se retirou.

Alexandre caminhou com as cartas na mão e parou de frente para a janela. Imediatamente pensou em Joana, as cartas poderiam ser dela. Sentiu-se feliz por um breve momento, até olhar o nome do remetente e a felicidade dar lugar à preocupação. Abriu uma das cartas e, após ver a data, abriu as outras três a fim de lê-las na ordem em que foram enviadas. Franziu o cenho e, depois de organizá-las por data, começou a ler para si mesmo a primeira delas.

— Do que se trata? — Patric perguntou depois de um tempo, ao ver o olhar preocupado de Alexandre.

— Cartas de minha tia.

— Más notícias?

— Bem... Não sei o que pensar... Se importa se eu me retirar? — A decepção o acertara profundamente.

— Não, tudo bem, vá descansar. Se precisar de algo me chame.

Alexandre subiu até o seu aposento e, sentado em sua cama, releu o conteúdo daquelas cartas. A primeira delas era de algumas semanas antes de ele ter saído de Paris a caminho da propriedade Motier:

 

Caro Alexandre

Gostaria de estar escrevendo, como de costume, para lhe contar as novidades e pedir notícias suas. Porém, em desagrado escrevo esta carta para lhe dizer que Caroline não está mais sob meus cuidados e proteção. Ela partiu sem ao menos avisar-me e imagino que tenha ido para sua casa em Paris. Espero que quando estiver em sua companhia, ela possa lhe contar os motivos que a fizeram tomar tal atitude.

Zelei por sua irmã como se fosse uma filha, desde o falecimento dos seus pais até o dia em que ela me envergonhou de tal maneira que me sinto constrangida em contar-lhe através desta carta.

Apesar de tudo, espero que já tenham se encontrado e que ela esteja bem, e ao seu lado.

Sua tia, Delphine L.

 

— Não compreendo. Caroline disse-me que viera para ficarmos mais próximos — Alexandre falou para si mesmo em voz alta. Além desse motivo, havia Phillip, e Alexandre sabia que ele também era uma das razões de Caroline retornar à França... — Então, quais os outros motivos para sua vinda?

Abriu a segunda carta, que era datada de exatos um mês após a redação da primeira carta:

Caro Alexandre

Espero que esteja bem. Escrevi há um mês atrás, porém, sem respostas suas, deduzi que a carta não havia chegado às suas mãos. Imaginei que pudesse estar viajando. Escrevo novamente, na esperança de que esta o encontre. Preciso que me envie notícias... E que Caroline tenha sido sincera com você ao narrar os acontecimentos que a fizeram partir da Inglaterra.

Sua tia, Delphine L.

 

A terceira carta foi a que deixou Alexandre mais preocupado. Tinha a data recente, de apenas duas semanas atrás, e seu conteúdo revelava que Delphine estava impaciente pelas respostas e pretendia viajar para encontrá-lo.

 

Caro Alexandre

Estou angustiada sem respostas suas. Por que não me escreve? Remeti mais de uma carta para a sua propriedade em Paris e esperei pacientemente seu retorno nos meses seguintes. Lembrei-me, então, que Caroline havia me dito que seu amigo Phillip Motier herdara uma propriedade e que ficou em sua responsabilidade cuidar de tudo até que ele e os irmãos pudessem se mudar. Penso que esse deve ser o motivo para seu silêncio, talvez ainda não tenha recebido as cartas, por isso escrevi uma carta para Lady Guisela, sua criada e governanta, e pedi que encaminhasse as cartas anteriores para onde quer que você esteja. Não sei por que ela mesma não fez isso antes...

Estou escrevendo também para comunicar que estou indo para Paris com Louise, a fim de hospedarmo-nos em sua casa, onde pretendemos passar algumas semanas, e assim conversarmos pessoalmente. Espero contar com a sua acolhida.

Sua tia, Delphine L.

 

A última carta era de Lady Guisela. Explicando que estava enviando as cartas a pedido de Delphine, e que já faria isso de qualquer forma, devido ao número de cartas que chegaram remetidas pela tia de Alexandre nos últimos meses.

Alexandre largou as cartas sobre a cama e deitou-se ao lado delas. Soltando um pesado suspiro ele pôs-se a imaginar o que tinha acontecido com Caroline na Inglaterra. Um suspiro ainda mais pesado veio quando a realidade recaiu sobre ele; teria que ir para Paris, mesmo que isso fosse a última coisa que quisesse fazer naquele momento. Sua estadia na propriedade Motier chegaria ao fim.

No entanto, antes, precisava falar com Joana, e era somente nisso que seus pensamentos se concentravam.