O Livro dos Baltimore

Joël Dicker · Capítulo 51 de 56

Páginas do PDF

O Livro dos Baltimore

Capítulo 48

 

Durante o verão de 2012, graças à magia do romance, eu os reencontrava como sete anos antes.

Certa noite, por volta das duas da manhã, sem conseguir pegar no sono, fui para a varanda. Por mais que fosse de madrugada, fazia um calor tropical e me senti melhor do lado de fora, embalado pelo canto dos grilos. Abri o caderno e escrevi o nome dela. Foi o suficiente para que surgisse à minha frente.

— Tia Anita — murmurei.

Ela sorriu para mim e passou carinhosamente a mão em meu rosto.

— Você continua bonito, Markie.

Eu me levantei e a abracei.

— Faz tanto tempo… — falei. — Você me faz uma falta terrível.

— Você também, meu anjo.

— Escrevi um livro sobre vocês. Um livro sobre os Baltimore.

— Eu sei, Markie. Vim dizer para você parar de se torturar com o passado. Primeiro o livro dos seus primos, agora o livro dos Baltimore. Está na hora de escrever o livro da sua vida. Você não é responsável por nada, não poderia ter feito nada. Quanto ao culpado, se existir um, do caos de nossas vidas, somos apenas nós, Marcus. Apenas nós. Cada um é responsável pela própria vida. Somos responsáveis pelo que nos tornamos. Marcus, meu sobrinho querido, nada disso, está ouvindo, nada disso é culpa sua. E nada é culpa de Alexandra. Você precisa deixar os fantasmas partirem.

Ela ficou de pé.

— Aonde vai? — perguntei.

— Não posso ficar.

— Por quê?

— Seu tio está me esperando.

— Como ele está?

Ela sorriu.

— Ótimo. Disse que sempre soube que você escreveria um livro sobre ele.

Ela sorriu novamente, acenou e desapareceu na escuridão.