O Livro dos Baltimore
Epílogo
Quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Dia de Ação de Graças
É assim que termina este livro, no Dia de Ação de Graças de 2012, em Montclair, em frente à casa dos meus pais. Estacionei o carro na rua. Alexandra e eu descemos e andamos até a casa. Era a primeira vez que eu comemorava essa data desde a morte dos meus primos.
Fiquei um tempo parado diante da porta. Antes de bater, peguei no bolso a foto de Hillel, Woody, Alexandra e eu em Oak Park, em 1995, e a observei.
Alexandra tocou a campainha. Minha mãe abriu. Ao me ver, seu rosto se iluminou.
— Ah, Markie! Não acreditei quando você disse que vinha!
Tapou a boca com as mãos como se ainda não acreditasse.
— Bom dia, Sra. Goldman. Feliz Dia de Ação de Graças! — disse Alexandra.
— Feliz Dia de Ação de Graças, crianças! É tão bom estarmos juntos.
Minha mãe nos abraçou com força. Suas lágrimas me molharam.
Entramos em casa.
Patrick Neville já chegara. Cumprimentei-o calorosamente e deixei na mesa da sala o maço de folhas espiraladas que trouxera comigo.
— O que é isso? — perguntou minha mãe.
— O livro dos Baltimore.
Um ano após a morte do meu tio, eu cumprira a promessa feita a ele. Foi contando a história dos Baltimore que os reuni.
Eu colocara o ponto final no meu romance na noite anterior.
* * *
Por que escrevi? Porque os livros são mais fortes que a vida. São sua mais bela revanche. São as testemunhas da inviolável muralha do nosso espírito, da inexpugnável fortaleza da nossa memória. E, uma vez por ano, quando não estou escrevendo, pego novamente a estrada até Baltimore, paro no bairro de Oak Park e sigo até o cemitério de Forrest Lane para reencontrá-los. Jogo algumas pedrinhas em seus túmulos, para continuar construindo sua memória, e reflito. Lembro quem sou, para onde vou e de onde venho. Eu me agacho perto deles, coloco a mão sobre seus nomes gravados na lápide e é como se os beijasse. Depois fecho os olhos e os sinto viver em mim.
Meu tio Saul, abençoada seja sua memória. Tudo está apagado.
Minha tia Anita, abençoada seja sua memória. Tudo está esquecido.
Meu primo Hillel, abençoada seja sua memória. Tudo está perdoado.
Meu primo Woody, abençoada seja sua memória. Tudo está redimido.
Eles se foram, mas sei que estão aqui. Sei que residem para sempre nesse lugar chamado Baltimore, o Paraíso dos Justos, ou talvez simplesmente em minha memória. Pouco importa. Sei que me esperam em algum lugar.
* * *
Pronto, tio Saul, meu tio querido. O livro que eu prometera, coloco-o à sua frente.
Tudo foi redimido.
Em memória dos Goldman-de-Baltimore
SAUL GOLDMAN
(1950-2011)
ANITA HENDRICKS-GOLDMAN
(1952-2002)
HILLEL GOLDMAN
(1980-2004)
WOODROW GOLDMAN
(1980-2004)
Você terminou O Livro dos Baltimore
Joël Dicker
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