Pedra Bonita

José Lins do Rego · Capítulo 26 de 33

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Pedra Bonita

Capítulo 10

 

UM dia se deu o grande milagre. A vida do Açu ressuscitou. O cadáver começou a estremecer, a virar os olhos, a demonstrar que vivia. Chegara lá uma comissão de engenheiros, estudando a estrada de ferro de penetração. A notícia se espalhou. Afinal de contas o Açu seria uma grande cidade. Contava-se a história de Campina Grande, que era pior do que o Açu e que da noite para o dia virou o que era. Falava-se em Limoeiro Grande, um arraial de três casas que se desenvolvera como por encanto. Uma imensa esperança penetrara na vila. Era a conversa de todo o mundo. O pobre Padre Amâncio se entusiasmou com a idéia. D. Eufrásia, que estava na terra, não acreditou. Para ela ali podia passar até navio, que não dava jeito, que não consertava o povo. Mas era a única descrente do milagre. Na feira os matutos comentavam, se contaminavam das esperanças. E não era para menos. Viria uma estrada de ferro para o Açu. Os engenheiros se demoravam na terra, andavam pelos arredores nos estudos. O Coronel Clarimundo hospedava os homens. Eles eram os grandes instrumentos da futura prosperidade do Açu. A comissão se compunha de dois engenheiros e quatro auxiliares. Estes se davam a todas as importâncias. Um deles falava como se fosse o chefe da expedição. Já estivera na construção da Madeira— Mamoré, no Amazonas, e sabia histórias de todos os tamanhos. Ali na expedição não faziam nada sem que ele fosse consultado. Os próprios engenheiros pediam auxílio. Ele conhecia do riscado como ninguém.

Aos sábados, quando voltava do campo, Gustavo passeava pelo Açu a sua importância. Antônio Bento se chegara ao auxiliar de engenheiro, como Gustavo se classificava. E as histórias dele começaram a agir no rapaz. A vida do Pará era que era a vida. Na Madeira— Mamoré ele tirava de ordenado cinco contos de réis. E isto porque não fazia negócios como os outros. Se não fossem as febres, teria voltado ricaço. Em Belém tivera uma francesa que fora sua amante. Nunca vira criatura mais bela. Dera-lhe um anel no valor de três contos. E gastou todo o dinheiro de suas economias com o luxo da mulher. Era o que a infeliz queria.

— Depois me deu com os pés. Mas não ficou nisso, não. Peguei a safada, dei-lhe uma surra, que ficou roxa da cabeça aos pés.

Gustavo conhecia tudo que era mulher. Ali no Açu não havia uma que prestasse. Para ele as raparigas,da Rua da Palha estavam caindo de podres.

— Agora eu te conto uma que me aconteceu. Eu até devia ficar quieto e não dizer nada. Mas eu conto. Isso não faz muito tempo. Nós estávamos fazendo uma locação aqui perto. A comissão dormia na casa dum fazendeiro. O homem era uma flor de delicadeza. Que homem bom. Pois não é que a filha dele se engraçou de mim! No começo eu dei pela coisa, mas botei para namoro de moça de mato. E a coisa foi crescendo, foi crescendo, que quando eu dei por mim, só havia um jeito: era pedir a filha do fazendeiro em casamento. Falei com ela, e a moça sorriu. Ela já era casada. Casada? perguntei. E ela me contou: o marido andava lá no Piauí com negócio de gado, e ela viera ficar na casa do pai. Você nem queira saber. Foi um passar bem sem conta. Manjei a mulher do homem como quem come biscoito. Um engenheiro desconfiou de mim, e veio falar comigo, dizendo para acabar com aquilo. O doutor me meteu medo. Ali no sertão, me disse ele , para se matar um freguês não se custava. Felizmente para mim a comissão tinha que mudar de rumo. Mas a moça, quando soube, deu para chorar e falou em sair de casa comigo. Falei a ela do marido, do pai, do escândalo, e ela com a cabeça dura. Na caatinga e na serra, fazendo o serviço, era no que eu pensava. Cheguei até a me arrepender do sucedido. Mas mulher é o diabo vivo. Uma noite a gente voltou da trabalho e encontramos um homem novo na fazenda. Sabe você quem era? Não era nada mais nem nada menos que o genro do fazendeiro. Ia haver uma desgraça. Mas qual. A moça nem parecia que tinha me conhecido. Ficou de galinhagem com o marido. No outro dia de manhã, nem me apareceu, como fazia todos os dias para me ver sair para o campo. Aqui neste sertão foi a única mulher que me deu gosto.

Os companheiros de Gustavo se divertiam pela Rua da Palha. Ele, não. Não podia compreender o gosto que tinha um homem de deitar-se com uma mulher daquela marca.

— Prefiro ficar no seco, mas não faço dessas coisas.

Bento ficava com ele na conversa até tarde. Aquele homem, como Dioclécio, conhecia uns pedaços da vida. Gustavo fora grande no Pará. Dera anel de três contos a uma mulher. Não era brincadeira, o preço de uma propriedade ali no sertão.

Gustavo descobrira a admiração do rapaz e caprichava cada vez mais nas histórias. Às vezes os companheiros mangavam:

— Deixa de garganta, homem. Quem vê Gustavo falar, pensa que ele é o chefe do distrito.

Aí o homem entrava:

— Pois fiquem vocês sabendo que fiz trabalho de engenheiro na Mamoré. Ganhava como engenheiro e não era favor que me faziam. Conheço do riscado. Sou velho nisso. Vocês todos são pegados a dente de cachorro, como recruta. Eu estou na inspetoria há mais de dez anos.

E a admiração de Bento ia crescendo. Um dia o amigo lhe falou em arranjar para ele um lugar na comissão:

— Você começa como cargueiro, depois vai subindo. Esta vida aqui não dá pra nada. Eu peço ao Dr. Luís e ele bota você com a gente.

Bento ficou sensível à promessa. Afinal de contas, Gustavo tinha razão. O mais a que podia chegar no Açu era ao que chegara o velho Laurindo. Isto mesmo se o Padre Amâncio continuasse a viver. Com a morte do padrinho, o padre novo traria uma cria para a igreja. O convite de Gustavo era bom, tentava-o. Pensou porém no Araticum. A terra e o povo que ficavam por lá abandonados. Abandonar a mãe acabada, o pai, Domício. Lembrou-se deles como se já tivesse cometido uma ingratidão muito grande e dormiu mal, pensando em todos. De madrugada, de cima da torre, tocava a chamada, resolvido a ficar ali mesmo. Dioclécio lhe falara do mundo. E Gustavo estava chamando-o para este mundo. Mas não tinha força. Cadê força para deixar o padrinho, a vida do Açu, o Araticum distante sofrendo? Viu na porta do Coronel Clarimundo os cavalos prontos para a saída dos engenheiros. Gustavo com os instrumentos amarrados na carga do seu cavalo. Todos prontos para o trabalho da semana. Muito melhor do que viver como ele vivia, tocando sino, ajudando missa. A madrugada espichava-se pela rua grande, ganhava os altos. Para longe, Bento mandava o toque de seu sino. Viu os homens se sumindo no fim da rua, por onde se sumiam os enterros. Lá ia Gustavo. Até sábado ficaria sem a sua conversa, só, com as falas de Maximina, com as poucas coisas que lhe dizia o padrinho. Ele só falava com ele sobre coisas de seu serviço. Como fazia falta a Bento uma troca de palavras com um amigo! O Açu inteiro era para ele uma só coisa. E D. Eufrásia cada vez mais cheia de ordens, de luxo. Às vezes só tinha vontade de abrir com a velha. Eram demais as impertinências, os gritos. Padre Amâncio ria-se com a irmã. E Maximina dera para falar, para reclamar. Nos dias de bebida rompia em desaforos, ficava de olhos vermelhos e de língua solta. D. Eufrásia se encolhia nessas ocasiões, e a negra tirava para falar alto, cantar, insultar todo o mundo. A vila conhecia o peso de Maximina. Ninguém avançava uma pilhéria, porque a resposta vinha na certa, agressiva.

Maximina também acreditava na estrada de ferro. E quando estava a sós com Bento, contava histórias de sua vida. Viajara em carro de primeira classe. Fora a Garanhuns com uma família que ia com um doente tomar ares. Sentara-se em banco de palhinha. Na primeira classe. Garanhuns perto do Açu era uma cidade importante. Antes daquilo só havia lá um arruado. Lucrara daquele jeito por causa da estrada.

O Açu mudava de cara. Em vez daquela feição macilenta de doente sem cura, criava côr, resplandecia de saúde. Havia esperança no meio do povo. Marcava-se o lugar da estação. Uns achavam que o trem devia parar atrás do Coronel Clarimundo. Outros eram de opinião que a estação devia ficar um pouco longe da vila para obrigá-la a crescer, a espichar-se até o trem. Fora assim em Pesqueira. O escrivão Paiva atribuía ao Coronel Clarimundo querer vender terras ao governo por preços exorbitantes para o lugar da estação. O Coronel mandou espalhar que cedia tudo de graça. Do que ninguém duvidava era da realidade, o trem apitaria no Açu. D. Fausta se fora para Dores a chamado do sargento. A casa do Major estava de portas fechadas. Se o Major estivesse vivo, estaria dando opinião, marcando o lugar apropriado para a parada do trem. Ficaria na certa contra a idéia do Coronel Clarimundo. O prefeito queria era aproveitar-se das benfeitorias do governo. Havia quem sonhasse com a inauguração da estrada. Os trilhos rompendo a caatinga. Subindo a serra, furando lajedo. Chegando no Açu de noite, apitando, enchendo o silêncio da terra com o seu rumor, o chiado de suas máquinas. Viria um sujeito botar um hotel no Açu. Viriam caixeiros-viajantes, viriam novos estabelecimentos, novos descaroçadores de algodão. Sacas de lã ficariam expostas ao sol, do lado de fora da estação, porque no armazéns não cabiam mais. De todos os lados chegava gente pare tomar o trem no Açu. A vila cresceria, o governo teria que elevá-la a comarca. Viria um promotor, um juiz de direito. Teriam que organizar uma banda de música, porque era uma vergonha que em Dores houvesse uma, enquanto no Açu nunca se pudera organizar uma, por menor que fosse. O trem traria tudo. A vida ali se multiplicaria. Até que enfim a caveira de burro se desenterraria. Levara cem anos o Açu para se ver livre da desgraça da Pedra Bonita, cem anos caindo aos pedaços, sem dar um passo para a frente. Tudo tinha seu dia. Na porta do Major Cleto reuniam-se para falar da estrada de ferro. A política perdera a importância para o grande melhoramento. Discutiam sobre o fornecimento de dormentes. Havia as matas do Capitão Honório da Cutia que tinha madeira para botar trilho até o fim do sertão. Joca Barbeiro achava que não precisava ir tão longe. Havia ali por perto aroeira que dava para tudo. O Coronel Gervásio do Ôlho-d'Água era homem para dar de graça ao governo. O Major Cleto achava que não. O governo devia gastar. Era uma benfeitoria para todos e ninguém tinha o direito de exigir do Coronel Gervásio madeira de graça. Joca Barbeiro achava que sim. Era para o benefício de todos. O Coronel Gervásio daria a madeira.

— Joca, você é um homem impossível, dizia o Major Cleto. Você pode estar aí mandando na vontade dos outros?

— Ah! Nesse negócio não sou eu, é o povo, respondia o outro. É uma precisão pública. O Coronel tem que dar a madeira.

Havia também uma coisa que preocupava o Açu. A estrada teria que passar na Pedra Bonita. Os engenheiros falaram que possivelmente fariam uma estação lá. O Açu se irritou com essa possibilidade. Não podia ser. Aquela gente não merecia isto, um povo de doidos. Mas havia as vertentes da Serra do Araticum, elemento indispensável para a estrada, água para as máquinas. Bento ficou radiante quando soube dessa notícia. Os engenheiros haviam reconhecido que o Araticum existia, tinha a sua utilidade. As águas nasciam nas terras dos seus, dos antigos Vieiras. No Açu discutia-se, abria-se polêmica sobre os benefícios da estrada.

E a notícia chegou também ao Araticum. Domício tinha voltado para junto dos velhos, depois de três meses de ausência. E não dissera a ninguém por onde estivera. Escondia de todos. Encontrou ele o gado magro, o roçado no mato, tudo se acabando. Teve que chamar um vaqueiro para ajudá-lo. Era um cabra ali de perto mesmo. E em Dores o cabra soubera das notícias da estrada de ferro. Ouvira ele na venda de Nicodemos um sujeito falando da coisa. A estrada atravessaria a Serra do Araticum. Domício recebeu a notícia e nada disse em casa. O que adiantava dizer em casa? A mãe era aquela tristeza, aquela secura de morte. O pai, o silêncio, a indiferença para tudo que não fosse o seu animal. Calou-se, e ele mesmo procurou se esquecer. Só se lembrava de Bento. Esse fora a grande coisa da vida de Domício. Fugira dos seus, andara de fazenda em fazenda, de feira em feira, descera até à mata, estivera à beira do mar. Mas não se esquecera do irmão. Do único ser no mundo que ele sabia com um coração, com uma vida que se pareciam com os dele. Só voltara por causa de Bento. Enjeitara mulheres. Bem via os olhos que elas faziam quando ele cantava, quando a sua viola era a mesma coisa que ele , tudo a mesma coisa, canto e tocada. Vira o povo nas feiras chorando com a história da Pedra que ele inventara, com a história da prisão da mãe, com a surra que levara na cadeia de Dores. Criara fama, criara nome. Apareceu um sujeito querendo que ele cantasse para tomar nota, escrever as coisas e fazer folhetos. Não queria nada. Diziam que ele era doido. Nunca tinham visto um cantador que não gostasse de ser gabado. Fugia de lugar a lugar. Uma coisa infeliz andava por dentro dele. Era o sangue, o destino de errante, de Judas, do qual Zé Pedro falara. Andou muito. Soube de coisas de Aparício. Ouviu os matutos falando de coisas de Aparício. O irmão virara o maior cangaceiro. Não dizia a ninguém que era irmão dele. Não acreditariam. Não seria possível que Aparício fosse o homem de que falavam. Conhecera-o. Tinham vivido juntos e não era possível que Aparício fosse aquilo, aquele terror, aquela fera, aquele monstro. Viu numa feira um folheto com o retrato do irmão, que nada se parecia. Só podia ser outro com o nome de Aparício. E assim chegou no Araticum com vontade de não se fazer mais na viola. Viera somente para enterrar os velhos. Depois que os bichos tomassem conta da terra, que o mato crescesse, que tudo se acabasse no Araticum. Aparício no cangaço, ele pelo mundo e Bentinho criado fora dali, longe da desgraça que pesava sobre todos. Agora viera aquela notícia. O Araticum daria água ao trem da estrada de ferro. Viriam máquinas beber água no Araticum. Seria que o trem tivesse força de tirar a desgraça da terra? Seria que a Pedra se acabasse, que Deus se esquecesse dos castigos, das vinganças? Domício nada quis dizer a sua mãe das notícias que o vaqueiro lhe dera. Pobre dela que era aquela sombra perdida por ali. Levara cipó-de-boi nas costas magras, estivera nas grades. O filho era o maior cangaceiro do sertão. O outro, que ela amara, não fora nada, não chegara até onde ela desejava que ele fosse. Não sabia como ela ainda podia com a mão de pilão, com a boca do fogo. Pobre mãe consumida em vão. Aquela notícia de que a estrada de ferro viria atravessar o Araticum trouxe a Domício um alento. Só mesmo uma força daquelas poderia com a Pedra Bonita. Ele sabia que a Pedra pesava sobre todos. Disto ninguém o separava, desta certeza infeliz. Andara por longe, vira outra gente, outras terras. Mas nas horas de estar sozinho a idéia lhe vinha como um peso nas costas. Zé Pedro afirmara que eles eram responsáveis por muita coisa de ruim. O vaqueiro ouvira em Dores a história do trem que viria para a Pedra. Só mesmo à força de máquina se livrariam do pavor, de uma dívida que era maior que tudo. O trem correria pelas terras do velho Bentão. Ali pela porta de casa ficariam olhando a passagem dos bichos. Teriam que parar no Araticum para beber água. O governo agora não seria somente a volante matando, metendo o cipó-de-boi. Era também o trem arrastando carros, levando cargas, levando gente. Tudo se modificaria por aquelas bandas. Aparício teria que procurar terras desertas, caatingas distantes, por onde não se ouvisse apito de trem. As terras do Araticum subiriam de preço. Viria gente de fora plantar no Araticum, gente que não tivesse medo da Pedra, medo dos Vieiras. A água do Araticum daria força às máquinas para subirem a serra, entrar pelos cortes, varar o sertão. O povo tinha medo das vertentes do Araticum. Veriam então que tudo o que se espalhava não tinha razão. Deus não podia ficar contra eles, que nada tinham feito de mal. Aparício se fizera de cangaceiro, mas quantos ali no sertão não se faziam, de quantas famílias iguais à dele não saíam cangaceiros, criminosos? Mas a linha de ferro viria para acabar com tudo. Os aguardenteiros chegaram com as mesmas notícias. Era no que se falava lá embaixo: no Açu. O sertão ficaria de repente num céu aberto. Os engenheiros já estavam estudando os planos. Eles tinham encontrado os homens com os instrumentos fazendo medição na caatinga. O negócio era seguro mesmo. Dúvida não haveria mais. A estrada ia ficar no Açu. O povo da vila já estava ficando besta com a coisa.

Domício foi dormir naquela noite com a notícia boa. Há quanto tempo que só lhe chegavam maus sucessos. Aparício reduzindo a sua gente a escrava das volantes. Ele e Bentinho dormindo no mato, a mãe e o pai apanhando de soldados. Chegara enfim alguma coisa que não era só para fazer eles do Araticum sofrerem. A água das nascentes da serra serviria para mover os trens. E o sono não chegava em Domício naquela noite. Uma coisa esquisita ele começou a ouvir. Um aboio distante. Sabia o que era. Enterrou a cabeça na rede para não ouvir. E ouvia sempre. Abriu a janela para olhar o tempo. Uma lua alvíssima branquejava céu e terra. Era o canto que vinha atrás dele, perseguindo-o', enchendo-lhe a cabeça. Tinha força para resistir. Ele tinha os velhos ainda para tomar conta. Pensou em Bentinho. Se o irmão estivesse ali, o ajudaria. Era só bater nos punhos da rede dele, e tudo se acabaria. Aquele canto se sumiria. O aboio chamava-o. Aquilo não existia. Estava certo que não existia. Não estava ouvindo coisa nenhuma. Mas o canto continuava doce, como um embalo de mãe. Domício fechou a janela, com medo. Deitou-se na rede, segurou-se como se um pé-de-vento ameaçasse carregar com ele . E entre o sono e o medo, ouviu como se fosse de verdade o apito de um trem igual àquele que ouvira em Limoeiro. Tudo ele ouvia naquela noite em que cantava a cabocla da Furna. Ele ficava uma criança, com o juízo de um menino de peito.