Práticas de Microbiologia (2ª edição)

Alane Beatriz Vermelho · Capítulo 20 de 56

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Práticas de Microbiologia (2ª edição)

Conceitos importantes

No campo industrial, vários métodos de controle microbiológico podem ser aplicados, e este controle faz parte das etapas que garantem a qualidade dos produtos, os quais podem ser alimentos, medicamentos, cosméticos, água entre outros.

Em laboratórios de pesquisa e também de análises clínicas, tais métodos estão presentes no preparo de meios de cultura e esterilização de vidraria, como pipetas, placas de Petri, ponteiras e vários outros materiais. Ademais, noções básicas de limpeza, desinfecção e assepsia são importantes no preparo dos alimentos.

Deste modo, vemos a importância da correta aplicação dos métodos químicos e físicos de controle dos microrganismos em várias áreas. A escolha dos métodos depende dos objetivos, do tipo de material e do nível de controle desejado.

Neste capítulo veremos vários métodos de esterilização e desinfecção, com ênfase na área das ciências da saúde.

 

Conceitos importantes

 

Artigos hospitalares

 

São instrumentos, objetos de naturezas diversas, utensílios, comadres, acessórios de equipamentos, louça, talheres etc. Podem ser:

 

■ Críticos: artigos destinados à penetração da pele, das mucosas e de

tecidos, ou que são introduzidos diretamente na corrente sanguínea.

Requerem esterilização

Semicríticos: não penetram os tecidos. São artigos destinados ao contato ■ com a pele não íntegra ou mucosas íntegras e requerem esterilização

média ou alto nível de esterilização

■ Não críticos: têm contato com a pele íntegra. Requerem apenas limpeza

ou desinfecção de baixo-médio nível.

 

Superfícies hospitalares

 

O termo “superfície” se refere a mobiliário, pisos, paredes, portas, tetos, janelas, equipamentos e demais instalações hospitalares ou estabelecimentos da área da saúde.

 

Limpeza

 

A limpeza é importante no controle do crescimento dos microrganismos. A simples remoção mecânica da sujeira ou sujidade retira os compostos que poderiam ser usados como nutrientes pelos microrganismos, por exemplo, matéria orgânica (sangue, vômito, soro, detritos alimentícios etc.). A limpeza também remove pó, terra, matéria inorgânica (sais), além, evidentemente, de também remover microrganismos. A limpeza de artigos e superfícies pode ser feita pela fricção mecânica com água, sabão, esponja, pano ou escova. Podem também ser usadas máquinas de limpeza com jatos de água quente ou detergente ou ainda máquinas de ultrassom com detergentes/desincrustantes associados ou não a produtos enzimáticos auxiliares de limpeza, como

peptidases e lipases (Figura 3.1). Após limpeza, deve-se realizar o enxágue com água potável e corrente. Os artigos podem ser secos com panos limpos, com secadora de ar quente, estufa ou ar comprimido medicinal. Dependendo do destino do artigo, ele será então guardado ou submetido a desinfecção ou esterilização.

Descontaminação

 

Limpeza realizada com agentes físicos ou químicos com objetivo de remover agentes contaminantes, por exemplo, fluidos e secreções corporais com agentes infecciosos. Pode ser feita também por fricção com esponja, pano ou escova embebidos em produtos químicos. A imersão completa do artigo em desinfetante, acompanhada ou não de fricção com esponja e escova, pode ser usada. Outra técnica emprega pressão de jatos de água com temperatura entre 60 e 90°C durante 15 minutos (máquinas lavadoras sanitizadoras e similares). Após a descontaminação, os artigos devem ser

secos, guardados ou processados por esterilização. A Figura 3.2 ilustra uma

máquina de limpeza termodesinfetadora, e a Figura 3.3, uma pistola ou mangueira de ar comprimido que auxilia a secagem do material.

 

Figura 3.1 Bacia ultrassônica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho. Com vibração ultrassônica e água a 40°C, ela auxilia a limpeza de material cirúrgico, bandejas, caixas, pinças, material de cirurgias ortopédica e neurológica e materiais canulados com lume.

 

Sanitização

Processo realizado com agentes químicos que leva à diminuição da vida microbiana, principalmente microrganismos prejudicais à saúde. Segundo a apostila Orientações para os consumidores de saneantes, todos os produtos usados na limpeza e conservação de ambientes (casas, indústrias, escritórios, lojas, hospitais) são considerados saneantes, e incluem detergentes líquidos, detergentes em pó e sabões em pó, ceras para pisos e assoalhos, água sanitária, inseticidas, repelentes de insetos, raticidas e desinfetantes. “Sanitização” também é um termo muitos usado para se referir à limpeza de utensílios alimentares e equipamentos de manipulação de alimentos até os níveis seguros de saúde pública.

 

Figura 3.2 Máquina termodesinfetadora de água quente (70°C) do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, usada para materiais de assistência, ventiladores, traqueias, bolsas ventilatórias, máscaras ventilatórias e respiratórias, ambus (reanimadores manuais), conexões, conjunto para macronebulização e outros materiais. Essa máquina utiliza preparações industriais de detergentes enzimáticos com várias enzimas com atividade de lipase e peptidase.

Figura 3.3 Pistola de ar comprimido do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho para auxiliar a secagem de material.

 

 

Desinfecção

 

É a eliminação parcial (ou redução) do número de microrganismos (principalmente patogênicos) presentes em um material inanimado. A desinfecção é feita por agentes químicos – os desinfetantes. Pode também, como na descontaminação, ser realizada por método físico com água em ebulição e máquina automática de água quente (60 a 90°C). Existem basicamente três tipos:

 

■ Desinfecção de baixo nível, em que os agentes químicos usados têm

ação contra a maioria das bactérias, alguns vírus e fungos, mas não

inativam microrganismos mais resistentes como as micobactérias e os

endósporos bacterianos

■ Desinfecção de nível intermediário, em que os agentes destroem a

maioria das bactérias incluindo as micobactérias, mas não os

endósporos