Práticas de Microbiologia (2ª edição)
Capítulo 7 Antibiograma
SEÇÃO 1 | TEORIA
Introdução
Alexander Fleming teve o mérito de ter descoberto a penicilina. Em 1928, de maneira casual, ele observou que um fungo contaminante de ambientes se desenvolvia em uma placa de cultivo, deixada aberta por descuido, e que as colônias de estafilococos que cresciam ao redor desse fungo estavam sofrendo lise. Fleming corretamente deduziu que o fungo, posteriormente identificado como Penicillium notatum, produzia uma substância bacteriolítica que se difundia no meio de cultura e era capaz de matar os estafilococos. Esse antibiótico desconhecido de Fleming foi mais tarde chamado de penicilina, anunciando um dos maiores adventos da era moderna: os antibióticos.
Na verdade, o fenômeno de antibiose já havia sido observado e registrado em duas ocasiões, aproximadamente 40 anos antes do descobrimento de Fleming. Por volta de 1880, Lord Lister, buscando novos antissépticos, observou que o desenvolvimento bacteriano era inibido em alguns meios de cultura contaminados com fungos. Em 1889, Doehle publicou um trabalho junto com uma fotografia que mostrava a ação antibiótica de um organismo que denominou Micrococcus anthracotoxicus, por causa de sua ação lítica sobre colônias de Bacillus anthracis que se desenvolviam na mesma placa de cultivo misto.
Mais de uma década se passou antes que o descobrimento de Fleming tivesse alguma aplicação prática no tratamento de enfermidades infecciosas, embora a injeção de substâncias químicas antimicrobianas em seres humanos não fosse um conceito novo. Paul Ehrlich, ao longo de muitos anos de estudos sobre o efeito antibiótico dos corantes provenientes da anilina, descobriu em 1912 sua “bala mágica”, que denominou Salvarsan, a qual era capaz de afetar o microrganismo exclusivamente, sem alterar ou danificar o tecido do hospedeiro no qual se desenvolvia o processo infeccioso. Essa foi a primeira substância injetável efetiva in vivo contra o espiroqueta causador da sífilis.