Práticas de Microbiologia (2ª edição)
Isolamento de microrganismos em cultura pura
Figura 5.2 Meio de ágar-sangue, com colônias de Streptococcus do grupo G apresentando halo de hemólise ao seu redor. (Foto: Ivi Cristina M. de Oliveira.)
Na área de microbiologia do solo também é comum o uso dos meios de enriquecimento. Um exemplo fácil de ser entendido é quando se pretende isolar do solo microrganismos capazes de degradar a celulose. Neste caso pode ser utilizado um meio de cultura contendo uma solução de sais minerais e uma tira de papel de filtro de celulose como única fonte de carbono. Os tubos que contêm o meio são inoculados com grumos de solo e são incubados a uma temperatura adequada. Após certo período de tempo, é possível observar a colonização do papel de filtro com microrganismos celulolíticos. O método é fundamentado no princípio de que apenas os microrganismos celulolíticos serão capazes de crescer no meio que contém a tira de papel de filtro como única fonte de carbono e energia.
Isolamento de microrganismos em cultura pura
Dentre as técnicas conhecidas para o isolamento de microrganismos em cultura pura, as mais comumente utilizadas são a técnica do esgotamento e a técnica das diluições em placas. Ambas se baseiam no princípio de que uma célula microbiana isolada, ou um único esporo, quando depositados em meio de cultura sólido adequado, darão origem a um agrupamento macroscopicamente visível chamado de colônia. Assim sendo, a colônia é um conjunto de células idênticas que tem como origem uma única célula ou esporo. No caso particular de bactérias que formam agrupamentos, como os estafilococos e os estreptococos, a colônia pode ser proveniente de um desses agrupamentos de células semelhantes, ao passo que no caso específico de microrganismos filamentosos, como algumas bactérias ou fungos, a colônia também poderá ser proveniente de um fragmento de hifa.
A técnica das diluições em placa tem uma dupla aplicação, podendo ser utilizada tanto para o isolamento como para a contagem de microrganismos (ver adiante tópico “Método das diluições em placas”). Já a técnica do esgotamento consiste em semear, com o auxílio de uma alça de inoculação, uma porção da suspensão de microrganismos, fazendo na superfície do meio uma sequência de estrias não sobrepostas, que vão das bordas para o centro da placa, em três setores distintos, conforme esquematizado na
Figura 5.3A, de modo que a quantidade de material contida na alça seja progressivamente menor. Desta maneira, ao final do procedimento, as células microbianas contidas na alça vão se depositar na superfície do meio separadamente umas das outras. Após incubação por tempo e temperatura adequados, cada célula isolada dará origem a uma colônia isolada. Na
Figura 5.3B observa-se o aspecto da placa estriada após incubação.
O sucesso do procedimento será garantido levando-se em conta as seguintes observações:
■ Realizar o maior número de estrias possível
■ Não perfurar ou rasgar o meio de ágar ■ Não voltar com a alça sobre as estrias, sobrepondo-as
■ Iniciar a semeadura com uma pequena quantidade de material na alça de
inoculação.