Práticas de Microbiologia (2ª edição)
Capítulo 4 Microscopia de Microrganismos
SEÇÃO 1 | TEORIA
Introdução
Microrganismos constituem um grupo de seres vivos de dimensões reduzidas e bastante variáveis de acordo com o grupo a que pertencem. Os procariotos (bactérias e arqueas) variam entre 300 nm e 1 μm. Os eucariotos (fungos, algas e protozoários) constituem o grupo mais heterogêneo, variando de 10 μm a 100 μm (célula vegetal). Os vírus, cuja organização estrutural não corresponde a uma célula, variam de 27 nm (bacteriófago φX 174) até 300 nm (poxvírus) de diâmetro. Em 2003, vírus gigantes (da família Mimiviridae, com aproximadamente 500 nm de diâmetro) foram descobertos em amebas. Como era possível observá-los por microscopia óptica utilizando técnicas de coloração de rotina, inicialmente se acreditou tratar-se de bactérias, porém atualmente outras famílias de vírus gigantes já foram descritas, com tamanho variável entre 200 e 1.500 nm.
Levando-se em consideração que um ser humano que enxergue muito bem seja capaz de perceber, a olho nu, estruturas com diâmetro de 0,2 mm, conclui-se que, para a observação dos microrganismos e seus detalhes, são necessários microscópios. Dependendo do tipo de análise, bactérias, protozoários e algas podem ser observados ao microscópio óptico ou de luz. Já para as partículas virais (com exceção dos vírus gigantes), o microscópio
eletrônico é o único equipamento capaz de desvendar sua estrutura (Figura
4.1).
Figura 4.1 Poder de resolução. A escala indica diferentes objetos que podem ser resolvidos (distinguidos) a olho nu e por diferentes tipos de microscópios.