Rápido e devagar: Duas formas de pensar

Daniel Kahneman · Capítulo 3 de 42

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Rápido e devagar: Duas formas de pensar

2 - Atenção e Esforço

para ser dito que “Sistema 1” e desse modo toma mais espaço em

sua memória de trabalho .

Isso faz diferença, porque qualquer coisa que ocupe sua memória de trabalho reduz sua capacidade de pensar. Você deve tratar o “Sistema 1” e o “Sistema 2” como apelidos, como Bob e Joe, identificando personagens que virá a conhecer ao longo deste livro. Os sistemas fictícios tornam mais fácil para mim pensar acerca de julgamento e escolha, e tornarão mais fácil para você compreender o que eu digo.

FALANDO DE SISTEMA 1 E SISTEMA 2

“Ele teve uma impressão, mas parte de suas impressões são ilusões.”

“Isso foi uma pura reação de Sistema 1. Ela reagiu à ameaça antes de reconhecê-la.”

“Esse é seu Sistema 1 falando. Reduza a velocidade e deixe seu Sistema 2 assumir o controle.”

6 Na tradução, o jogo de palavras se perde: “prestar atenção”, mas, literalmente, “pagar” atenção. (N. do T.)

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ATENÇÃO E ESFORÇO

Na improvável eventualidade de este livro ser transformado em filme, o Sistema 2 seria um personagem secundário que acredita ser o herói. O traço definidor do Sistema 2, nesta história, é que suas operações são trabalhosas, e uma de suas principais características é a preguiça, uma relutância em investir mais esforço do que o estritamente necessário. Como consequência, os pensamentos e ações que o Sistema 2 acredita ter escolhido são muitas vezes orientados pela figura no centro da história, o Sistema 1. Entretanto, há tarefas vitais que apenas o Sistema 2 pode realizar, pois elas exigem esforço e ações de autocontrole em que as intuições e impulsos do Sistema 1 são subjugados.

ESFORÇO MENTAL

Se você deseja experimentar seu Sistema 2 operando a plena carga, o seguinte exercício fará isso; ele deve conduzir você aos limites de suas capacidades cognitivas dentro de cinco segundos. Para começar, crie diversas sequências de quatro dígitos, todas diferentes, e escreva cada sequência numa ficha. Ponha uma ficha em branco no alto da pilha. A tarefa que você vai empreender chama-se Adicione-1. Funciona assim:

Comece batendo um ritmo uniforme (ou, melhor ainda, ajuste um metrônomo em 1 batida/seg). Remova a ficha em branco e leia os quatro dígitos em voz alta. Espere duas batidas, depois diga uma sequência em que cada um dos dígitos originais é aumentado em 1. Se os dígitos na ficha são 5294, a resposta correta é 6305. Manter o ritmo é importante.

Poucas pessoas são capazes de lidar com mais de quatro dígitos na tarefa do Adicione-1, mas se você quer um desafio mais difícil, tente um Adicione-3.

Se você gostaria de saber o que seu corpo está fazendo enquanto sua mente trabalha pesado, junte duas pilhas de livros numa mesa robusta, ponha uma câmera de vídeo em uma e apoie seu queixo na outra, deixe a câmera funcionando e olhe para a lente enquanto trabalha nos exercícios de Adicione-1 ou Adicione-3. Posteriormente, você vai descobrir nas alterações de tamanho de suas pupilas um registro fiel de como você deu duro na tarefa.

Tenho uma longa história pessoal com a tarefa de Adicione-1. No início de minha carreira, passei um ano na Universidade de Michigan, como visitante em um laboratório que estudava hipnose. Procurando um tema de pesquisa útil, encontrei um artigo na Scientific American em que o psicólogo Eckhard Hess descrevia a

pupila como uma janela2 para a alma. Eu o reli recentemente e voltei a achá-lo inspirador. Ele começa com Hess relatando que sua esposa notou como suas pupilas se dilatavam quando ele observava belas fotos da natureza, e termina apresentando duas fotos impressionantes de uma mesma linda mulher, que de algum modo parece muito mais atraente numa foto do que na outra. Há apenas uma diferença: as pupilas estão dilatadas na foto atraente e contraídas na outra. Hess também escreveu a respeito da

beladona, uma substância dilatadora da pupila que era usada como cosmético, e sobre compradores em um bazar que usam óculos escuros de modo a ocultar dos vendedores seu nível de interesse.

Uma das descobertas de Hess chamou particularmente minha atenção. Ele havia notado que as pupilas são indicadores sensíveis de esforço mental — elas dilatam substancialmente quando as pessoas multiplicam números de dois dígitos, e dilatam em maior grau com os problemas difíceis e em menor grau com os fáceis. Suas observações indicaram que a reação ao esforço mental é distinta da excitação emocional. O trabalho de Hess não tinha muito a ver com hipnose, mas concluí que a ideia de uma indicação visível de esforço mental era promissora como tema de pesquisa. Um aluno de graduação no laboratório, Jackson Beatty, partilhou de meu entusiasmo e pusemos mãos à obra.

Beatty e eu desenvolvemos um equipamento semelhante ao consultório de um oculista, em que o participante do experimento ajustava a cabeça num apoio de queixo-e-testa e olhava para uma câmera ao mesmo tempo em que escutava informação previamente gravada e respondia a perguntas sob a gravação das batidas de um metrônomo. As batidas disparavam um flash de luz infravermelha a cada segundo, batendo uma foto. No fim de cada sessão experimental, corríamos para revelar o filme, projetar as imagens da pupila numa tela e trabalhar com uma régua. O método foi perfeito para dois pesquisadores jovens e impacientes: ficávamos sabendo de nossos resultados quase imediatamente, e eles sempre contavam uma história clara.

Beatty e eu nos concentramos em tarefas com um ritmo, como a Adicione-1, em que

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sabíamos precisamente o que se passava na mente do objeto de estudo a um dado momento.

Gravávamos sequências de dígitos nas batidas do metrônomo e instruíamos a pessoa a repetir ou transformar os dígitos um por um, mantendo o mesmo ritmo. Logo descobrimos que o tamanho da pupila variava segundo a segundo, refletindo as alterações de exigências da tarefa.

O formato da reação era um V invertido. Conforme sua experiência ao tentar a tarefa de Adicione-1 ou Adicione-3, o esforço aumenta a cada dígito adicionado que você escuta; atinge um pico quase intolerável conforme se apressa a fornecer uma sequência transformada durante e imediatamente após a pausa; e relaxa gradualmente à medida que você “descarrega” sua memória de curto prazo. Os dados de pupila correspondiam precisamente à experiência subjetiva: sequências mais longas invariavelmente causavam dilatações maiores, a tarefa de transformação aumentava o esforço e o pico de tamanho da pupila coincidia com o máximo esforço. A Adicione-1 com quatro dígitos levava a uma dilatação maior do que a tarefa de guardar sete dígitos para recordação imediata. A Adicione-3, que é muito mais difícil, é a mais exigente que já observei. Nos primeiros cinco segundos, a pupila dilata a cerca de 50%

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de sua área original e a pulsação cardíaca aumenta em cerca de

sete batimentos por minuto .

Isso é o mais duro que alguém pode dar — as pessoas desistem se maior esforço do que isso lhes for exigido. Quando expusemos nossos sujeitos pesquisados a mais dígitos do que eram capazes de lembrar, suas pupilas paravam de dilatar ou efetivamente encolhiam.

Trabalhamos alguns meses num espaçoso apartamento de porão onde havíamos montado um sistema de circuito fechado que projetava uma imagem da pupila da pessoa numa tela no corredor; também podíamos ouvir o que estava acontecendo no laboratório. O diâmetro da pupila projetada era de cerca de 30 centímetros; observá-la se dilatar e se contrair quando o participante estava executando algo era uma visão fascinante, uma atração e tanto para quem visitava o laboratório. Nós nos divertíamos e impressionávamos nossos amigos com nossa capacidade de adivinhar quando o participante desistia de uma tarefa. Durante uma multiplicação feita de cabeça, a pupila normalmente dilatava a um tamanho grande em alguns segundos e continuava grande enquanto o indivíduo continuasse a trabalhar no problema; ela contraía imediatamente quando a pessoa encontrava uma solução ou desistia. Observando do corredor, às vezes surpreendíamos tanto o dono da pupila quanto nossos convidados perguntando, “Por que parou de executar a tarefa neste exato momento?” A resposta vinda de dentro do laboratório geralmente era, “Como você sabia?”, ao que respondíamos, “Temos uma janela para sua alma”.

As observações casuais que fazíamos do corredor às vezes eram tão informativas quanto os experimentos formais. Fiz uma descoberta significativa quando observava sem maior interesse a pupila de uma mulher durante um intervalo entre duas tarefas. Ela permanecia em sua posição no apoio do queixo, de modo que eu podia ver a imagem de seu olho enquanto ela empreendia uma conversa rotineira com o pesquisador. Fiquei surpreso em notar que a pupila permanecia pequena e não dilatava visivelmente conforme ela conversava e escutava. Ao contrário das tarefas que estávamos estudando, a conversação mundana aparentemente exigia pouco ou nenhum esforço — tanto quanto conservar na memória dois ou três dígitos. Foi um momento de heureca: percebi que as tarefas que havíamos escolhido para o estudo eram excepcionalmente trabalhosas. Uma imagem me veio à cabeça: a vida mental — hoje em dia eu diria a vida do Sistema 2 — é normalmente conduzida ao ritmo de uma caminhada confortável, às vezes interrompida por episódios de corrida leve e em raras ocasiões um tiro frenético. Os exercícios de Adicione-1 e Adicione-3 são tiros, e a conversa casual é uma caminhada.

Descobrimos que as pessoas, quando ocupadas num tiro mental, podem ficar efetivamente cegas. Os autores de O gorila invisível tornaram o gorila “invisível” mantendo os observadores intensamente ocupados na contagem de passes. Registramos um exemplo de cegueira um tanto menos dramático durante o Adicione-1. Nossos participantes eram expostos

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a uma série de letras piscando rapidamente enquanto executavam seu trabalho. Haviam recebido instrução de dar total prioridade à tarefa, mas também precisavam informar, ao final da tarefa com os dígitos, se a letra K aparecera em algum momento durante o experimento. A principal descoberta foi que a capacidade de detectar e informar a letra-alvo foi alterada no decorrer dos dez segundos iniciais do exercício. Os observadores quase nunca perdiam um K

que fosse mostrado no início ou perto do fim da tarefa do Adicione-1, mas perdiam o alvo quase na metade das ocasiões em que o esforço mental se encontrava em seu pico, embora

tivéssemos imagens do olho muito aberto dos voluntários fitando-o diretamente. Falhas de detecção seguiam o mesmo padrão em V invertido da pupila dilatada. A similaridade era tranquilizadora: a pupila era uma boa medida da excitação física que acompanha o esforço mental, e podíamos seguir em frente e usá-la para compreender como a mente funciona.

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De modo bem similar ao medidor de eletricidade fora de sua casa ou apartamento, as pupilas fornecem um indicador do ritmo atual em que sua energia mental é utilizada. A analogia vai fundo. Seu uso da eletricidade depende do que você decidiu fazer, seja acender a luz de um quarto, seja tostar uma fatia de pão. Quando você aciona um interruptor ou uma torradeira, isso puxa a energia necessária, mas não mais que isso. De modo semelhante, decidimos o que fazer, mas temos controle limitado sobre o esforço de fazê-lo. Suponha que lhe sejam mostrados quatro dígitos, digamos, 9462, e que lhe digam que sua vida depende de que os retenha na memória por dez segundos. Por mais que queira viver, você não consegue exercer tanto esforço nessa tarefa quanto seria forçado a investir para completar uma transformação de Adicione-3 dos mesmos dígitos.

O Sistema 2 e os circuitos elétricos em sua casa têm ambos capacidade limitada, mas reagem de forma diferente à ameaça de sobrecarga. Um disjuntor desmonta quando a demanda por corrente é excessiva, levando todos os dispositivos nesse circuito a perder a energia de uma vez só. Por outro lado, a reação à sobrecarga mental é seletiva e precisa: o Sistema 2

protege a atividade mais importante, de modo que ela recebe a atenção de que precisa; a

“capacidade reserva” é alocada segundo a segundo para outras tarefas. Em nossa versão do experimento do gorila, instruímos os participantes a dar prioridade à tarefa com dígitos.

Sabemos que eles seguiram essa instrução, pois o timing do alvo visual não teve nenhum efeito na tarefa principal. Se a letra crítica era apresentada em um momento de alta demanda, o participante simplesmente não a via. Quando a tarefa de transformação era menos exigente, o desempenho na detecção era melhor.

A sofisticada alocação de atenção tem sido aperfeiçoada por uma longa história evolucionária. Orientação e reação rápidas ante as ameaças mais sérias ou as oportunidades mais promissoras melhoravam a chance de sobrevivência, e essa capacidade certamente não se restringe a humanos. Mesmo nos humanos modernos, o Sistema 1 assume o controle nas emergências e designa prioridade total a ações de autoproteção. Imagine-se ao volante de um carro que inesperadamente derrapa numa enorme mancha de óleo. Você vai ver que reagiu à ameaça antes de ficar inteiramente consciente dela.

Beatty e eu trabalhamos juntos durante apenas um ano, mas nossa colaboração teve grande efeito em nossas carreiras subsequentes. Acabamos nos tornando as principais autoridades em

“pupilometria cognitiva” e eu escrevi um livro intitulado Attention and Effort (Atenção e esforço), que era baseado em grande parte no que aprendemos juntos e na pesquisa subsequente que empreendi em Harvard no ano seguinte. Aprendemos muito sobre a mente em funcionamento — na qual agora penso como Sistema 2 — com a medição de pupilas numa ampla variedade de tarefas.

À medida que você se especializa numa tarefa, a demanda de energia diminui. Estudos do

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cérebro revelaram que o padrão de atividade associado com uma ação muda à medida que a habilidade aumenta, com menos regiões do cérebro envolvidas. O talento tem efeitos semelhantes. Indivíduos muito inteligentes necessitam menos esforço para resolver os mesmos

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problemas , como indicado tanto pelo tamanho da pupila como pela atividade cerebral. Uma

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“lei do menor esforço” geral se aplica tanto ao esforço cognitivo quanto físico. Essa lei determina que se há vários modos de atingir um mesmo objetivo, as pessoas acabarão por tender ao curso de ação menos exigente. Na economia da ação, esforço é um custo, e a

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aquisição de habilidade é impulsionada pelo equilíbrio de benefícios e custos . A preguiça é algo profundamente arraigado em nossa natureza.

As tarefas que estudamos variaram consideravelmente em seus

efeitos sobre a pupila. Na linha de base, 7 nossos indivíduos estavam acordados, conscientes e prontos para iniciar a tarefa — provavelmente em um nível maior de alerta e prontidão cognitiva do que o normal.

Guardar um ou dois dígitos na memória ou aprender a associar uma palavra com um dígito (3

= porta) gerava efeitos confiáveis no alerta momentâneo acima dessa linha-base, mas os efeitos eram minúsculos, apenas 5% do aumento no diâmetro da pupila associado com o Adicione-3. Uma tarefa que exigia discriminar a intensidade de dois sons provocava dilatações significativamente mais amplas. Pesquisa recente revelou

que inibir a inclinação de se ler palavras distrativas11 (como na figura 2 do capítulo anterior) também induz a um esforço moderado. Testes de memória de curto prazo para seis ou sete dígitos foram mais trabalhosos.

Como você mesmo pode experimentar, o pedido para lembrar e dizer em voz alta seu número de telefone ou a data de aniversário de seu cônjuge exige também um esforço breve mas significativo, pois a sequência toda deve ser retida na memória enquanto uma resposta é organizada. A multiplicação de cabeça com números de dois dígitos e a tarefa do Adicione-3

estão perto do limite do que a maioria das pessoas consegue fazer.

O que torna algumas operações cognitivas mais exigentes e trabalhosas que outras? Que resultados devemos adquirir na moeda da atenção? O que o Sistema 2 faz que o Sistema 1 não consegue? Hoje podemos arriscar algumas respostas para essas perguntas.

O esforço é exigido para manter simultaneamente na memória diversas ideias que exigem ações separadas, ou que precisam ser combinadas de acordo com uma regra — repassar mentalmente sua lista de compras quando você entra no supermercado, escolher entre peixe e vitela no restaurante, combinar um resultado surpreendente obtido após um estudo com a informação de que a amostra era pequena, por exemplo. O Sistema 2 é o único que pode seguir regras, comparar objetos com base em diversos atributos e fazer escolhas deliberadas a partir de opções. O automático Sistema 1 não dispõe dessas capacidades. O Sistema 1 detecta relações simples (“eles são todos parecidos”, “o filho é bem mais alto que o pai”) e se sobressai em integrar informação sobre uma coisa, mas ele não lida com tópicos distintos e múltiplos de uma vez, tampouco é proficiente ao usar informação puramente estatística. O

Sistema 1 vai detectar que uma pessoa descrita como “dócil e organizada, com necessidade de ordem e estrutura, e uma paixão pelo detalhe” se assemelha a uma caricatura de bibliotecário, mas combinar essa intuição com conhecimento sobre o pequeno número de bibliotecários é tarefa que apenas o Sistema 2 consegue realizar — se o Sistema 2 souber como fazer tal coisa, o que é verdadeiro para poucas pessoas.

Uma capacidade crucial do Sistema 2 é a adoção de “ajustes de tarefa” (“task sets”): ele pode programar a memória para obedecer a uma instrução que passa por cima de reações habituais. Considere o seguinte: conte todas as ocorrências da letra f nesta página. Essa não é uma tarefa que você já tenha realizado antes e não é algo que fará naturalmente, mas seu Sistema 2 pode se encarregar dela. Será trabalhoso para você se ajustar a fazer esse exercício, e trabalhoso levá-lo a termo, embora você certamente melhorará com a prática. Os psicólogos falam de “controle executivo” para descrever a adoção e o término dos ajustes de tarefa, e os cientistas identificaram as principais regiões do cérebro que agem na função executiva. Uma dessas regiões está envolvida sempre que um conflito precisa ser resolvido. Outra é a área pré-frontal do cérebro, uma região que é substancialmente mais desenvolvida em humanos do

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que em outros primatas, e está envolvida em operações que

associamos com a inteligência .

Agora suponhamos que no fim da página você receba outra instrução: conte todas as vírgulas da página seguinte. Isso vai ser mais difícil, pois você terá de superar a tendência recém-adquirida de concentrar sua atenção na letra f. Uma das descobertas significativas dos psicólogos cognitivos em décadas recentes é que

passar de uma tarefa a outra8 é trabalhoso,

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sobretudo sob a pressão do tempo . A necessidade de comutar rápido é um dos motivos para o Adicione-3 e a multiplicação mental serem tão difíceis. Para realizar a tarefa de Adicione-3,

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você deve reter diversos dígitos em sua memória de trabalho simultaneamente, associando cada um com uma operação particular: alguns dígitos estão na fila para serem transformados, um está em processo de transformação e outros, já transformados, estão sendo retidos para serem reportados. Testes modernos de memória de trabalho exigem que o indivíduo comute repetidamente entre duas tarefas exigentes, guardando os resultados de uma operação enquanto realiza a outra. As pessoas que se saem bem nesse tipo de teste tendem a se sair bem em testes

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de inteligência geral . Entretanto, a capacidade de controlar a atenção não é simplesmente uma questão de inteligência; medidas de eficácia no controle da atenção predizem o

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desempenho de controladores de tráfego aéreo e de pilotos da

Força Aérea Israelense além dos efeitos da inteligência.

A pressão do tempo é outra motriz do esforço. Quando você executava o exercício de Adicione-3, a pressa foi imposta em parte pelo metrônomo e em parte pela carga na memória.

Como um malabarista com várias bolas no ar, você não pode se dar ao luxo de diminuir a velocidade; o ritmo pelo qual os materiais se desintegram na memória dita a velocidade, levando-o a redefinir e repassar a informação antes que ela se perca. Qualquer tarefa exigindo que você mantenha em mente diversas ideias ao mesmo tempo apresenta esse mesmo caráter

urgente. A menos que você tenha a boa sorte de possuir uma memória de trabalho de grande capacidade, talvez você seja forçado a dar duro desconfortavelmente. As formas mais laboriosas de pensamento lento são as que exigem que você pense rápido.

Você com certeza observou quando realizava o Adicione-3 como é incomum que sua mente trabalhe tão pesado. Mesmo que você ganhe a vida pensando, poucas tarefas mentais em que você se envolve ao longo de um dia de trabalho são tão exigentes quanto o Adicione-3, ou mesmo tão exigentes quanto armazenar seis dígitos para recordação imediata. Normalmente evitamos a sobrecarga mental dividindo nossas tarefas em múltiplos passos fáceis, relegando os resultados intermediários à memória de longo prazo ou ao papel, em vez de relegá-los à memória de trabalho, que fica facilmente sobrecarregada. Cobrimos longas distâncias dando tempo ao tempo e conduzindo nossas vidas mentais pela lei do menor esforço.