Romance Real
Capítulo 15
Era mais forte do que eu. Eu sentia que aquela garota era meu bote salva-vidas em meio à tempestade dentro de mim. E eu me agarraria a ela como se minha vida dependesse disso.
15
We built it up so high and now I’m falling It’s a long way down
“Long way down”
O problema de confiar em alguém para ser seu bote salva-vidas é que pessoas são inconstantes. Num minuto elas estão te levando à sorveteria com um milk-shake em homenagem ao seu grupo favorito, e no outro estão te dando um bolo.
Eu me recostei na cama, observando minha troca de mensagens com Diana, alguns dias depois do encontro em Princess Park.
acabei de sair do trabalho tudo bem por aí?
Eu tinha enviado a mensagem assim que saíra da mercearia, mas ela só foi responder muitas horas depois, quando eu já tinha terminado de jantar.
Exausta e doida por uma folga Ela devia estar trabalhando, claro. Diana tinha me dito que a semana seria pesada. Era por isso que andava me respondendo cada vez menos e dando respostas cada vez mais curtas, certo?
falando em folga, amanhã você tem uma, né? vai fazer alguma coisa?
tava querendo te recompensar pelo tanto de passeio incrível que você me levou pra fazer Diana voltou a ficar on-line, mas demorou a começar a digitar. Uma imagem dela encarando o celular, tentando encontrar uma desculpa, me veio à mente.
Por fim, ela enviou: Bummer Não vai dar Tenho um compromisso amanhã ah, não precisa ser amanhã pode ser no fim de semana, se for mais tranquilo pra você Na verdade, eu estou meio enrolada esses dias A gente vai se falando, tá?
Encarei a mensagem, magoada, e desliguei o celular sem responder. Eu estava levando um fora? Era isso mesmo? Depois de tantos dates incríveis? Depois daquele sábado maravilhoso?
Será que ela tinha conhecido outra pessoa? Será que tinha perdido o interesse?
Arrasada, desabei na cama. Pensei em colocar minha playlist favorita, mas percebi, para o meu horror, que eu não queria nem ouvir One Direction, porque ia me lembrar de Diana.
Quando cheguei à mercearia na tarde seguinte, eu estava ainda mais desnorteada. Diana não mandara mais nenhuma mensagem, e eu mal tinha pregado o olho, me perguntando o que poderia ter dado errado. Um pensamento horrível tinha me ocorrido em determinado momento da noite — Será que ela está com vergonha de mim? —, e aí que não consegui dormir mesmo.
Eu não queria acreditar que Diana seria aquele tipo de pessoa, mas não seria a primeira vez que eu julgava mal o caráter de alguém.
Tentei me recompor ao entrar na mercearia e cumprimentei meus colegas de trabalho a caminho da sala de Rose. Enquanto estivesse em período de aprendizado, toda quarta-feira eu deveria fazer um breve relatório para ela.
Quando cheguei à porta, no entanto, eu a ouvi conversando com alguém. Parei com a mão na maçaneta. Não querendo interromper, dei dois passos para trás e me sentei no banco de frente para a sala. Balancei as pernas, esperando.
A princípio, não dava para ouvir muito do que Rose dizia e achei que estivesse ao telefone. Então sua voz começou a ficar mais alta. Ela exclamou alguma coisa, frustrada, e reconheci o nome de Diana. Então ouvi a voz de Diana em alto e bom som, e percebi que Rose não estava ao telefone, mas discutindo ao vivo e em cores
com a filha, na sala à minha frente.
As palavras vinham entrecortadas, e eu não conseguia entender frases completas.
Não que estivesse tentando ouvir a conversa.
Nem um pouco.
As vozes foram ficando cada vez mais exaltadas, e fui me encolhendo no banco, com medo de parecer que estava espiando quando elas saíssem do escritório. Ainda mais depois da noite anterior. Eu nem queria ver Diana, mas também não consegui levantar.
De repente, com a voz subitamente mais calma, porém ainda alta e imponente, Rose disse algo que colocou um ponto-final na conversa. Era aquele tom de mãe, que faz você perceber que não há mais espaço para argumentação.
— Esteja no palácio amanhã, às sete. Estou falando sério, Diana.
Palácio?!
Meu coração acelerou quando ouvi os passos se aproximando e, no desespero, saí correndo para a entrada da mercearia. No entanto, assim que dobrei o corredor, parei. Então respirei fundo, dei meia-volta e segui novamente para a sala de Rose, fingindo que tinha acabado de chegar.
Quando virei à direita, dei de cara com Diana. Ela estava com a cara fechada. Mas hesitou à minha frente, e seu rosto pareceu relaxar.
— Hey — disse, feliz em me ver.
Fiquei confusa com a reação. No dia anterior mesmo ela não estava me dando bolo? E de repente sorria para mim daquele jeito? Eu não sabia o que pensar… Será que o problema não tinha a ver comigo, afinal? Será que tinha a ver com sua mãe, a fuga do palácio e todas aquelas incógnitas?
Eu só sabia que, depois da discussão que acabara de ouvir, havia um grande ponto de interrogação sobre sua cabeça.
E brilhava como um letreiro em neon.
Que segredo é esse que Diana está escondendo?
— Tia, você sabia que a Dayana está apaixonada?
Doidinha de…
Agarrei Emi por trás, tapando sua boca com a mão. Ela gargalhou, pegando a almofada caída no chão enquanto tentava recuperar o fôlego.
Estávamos na minha casa, e eu tinha acabado de ameaçar contar à mãe de Emilly que minha amiga pegara escondido o conjunto de joias de diamantes verdadeiros dela para ir num encontro com uma garota da escola mais rica da cidade. Emi devolveu a ameaça, dizendo que contaria à minha mãe que eu estava apaixonada por Heitor.
O que era mentira. Eu só tinha uma quedinha por ele. Bem pequena. Tipo um abismo.
Quando falei “você não seria nem louca”, ela saiu correndo para a sala.
— É mentira, mãe — retruquei, rindo, e puxando Emilly de volta para o quarto. — Ela tá me sacaneando. Sua louca! —
sussurrei em seu ouvido, quando viramos no corredor.