Romance Real
Entrevista com a autora
Por último, mas não menos importante, a todos os meus leitores — vocês me tiram o sono com os incansáveis pedidos de spin-off do Leo e com as mensagens diárias de “quando sai o livro novo, Clara?”, mas eu amo vocês mesmo assim! Obrigada demais por acreditarem em mim, por me acompanharem, divulgarem minhas histórias e ansiarem por mais. Eu cheguei
mais longe do que jamais imaginei que um dia fosse chegar, e é tudo graças a vocês!
Assim como a Day, eu sou a garota mais sortuda do mundo.
Com orgulho,
Clara
Entrevista com a autora
1. Ao longo do livro, vemos um pouco da obsessão com a família real britânica, e esse é um assunto popular mesmo no Brasil, em um contexto tão diferente. Na sua opinião, de onde vem essa febre e o que isso tem a dizer sobre nós?
Acho que a Disney consagrou essa nossa obsessão por histórias de príncipes e princesas, não é? A gente cresce vendo e ouvindo sobre contos de fadas, sobre os tempos de reinado (ainda que de uma forma totalmente glamorizada), e acho que por isso é tão fascinante ver uma família real de verdade em pleno século XXI. Pode ser algo ilusório e até teatral, mas é uma forma de encontrar certa magia na vida real.
2. DiDay nos apresentam a lugares icônicos de Londres, como Notting Hill e o palácio de Buckingham. Quais são suas recomendações de filmes, séries ou livros para os leitores que quiserem continuar o passeio pela cidade?
Um lugar chamado Notting Hill, óbvio, não pode faltar. Tudo que uma garota quer e O diário de Bridget Jones também são clássicos da minha adolescência. O livro Londres é nossa! , da Sarra Manning, te leva a um tour pela cidade. E tem os clássicos, pra quem quer conhecer a Londres do passado: Grandes esperanças, do Dickens, Razão e sensibilidade, da Jane Austen, as histórias de Sherlock Holmes. Obviamente não posso deixar de citar a série The Crown, para aqueles que querem conhecer mais da família real atual.
3. Na ficção, temos espaço para imaginar, por exemplo, um governo que promova uma revisão da política de diversidade racial, étnica e de orientação sexual da Casa Real Britânica.
Como foi brincar com o real e o imaginado enquanto escrevia?
A primeira versão de Romance real foi escrita com a verdadeira família real. Era legal brincar com as possibilidades, mas um pouco limitante. Quando decidi criar uma realeza britânica fictícia, percebi que estava livre para sonhar — e não é esse todo o propósito de escrever ficção? Por mais mágico que seja existir uma família real hoje em dia, a impressão que dá é que foi algo que parou no tempo. E poder trazer esses debates tão importantes pra um contexto conservador como a nobreza britânica nos ajuda a refletir o quanto ainda precisamos mudar nos nossos governos e na nossa sociedade — não só no contexto da monarquia.
4. E, para você, qual é a importância de usar essas infinitas possibilidades da literatura para criar um ambiente mais acolhedor para todos os leitores, especialmente os LGBTQIAP+?
Eu sempre gostei de trazer debates necessários, mas sem perder a aura de esperança que só um livro de ficção pode trazer. Romance real fala de muitas temáticas sérias, como abandono parental, luto, gordofobia, saída do armário — então escrever sobre uma família real mais moderna, que discute essas pautas relevantes, que tem um príncipe abertamente gay, foi uma forma gostosa de contrapor toda a seriedade em volta da história da Day.
5. Inevitável conversar sobre esse livro sem falar de One Direction! As epígrafes de cada capítulo já formam uma playlist perfeita. Qual é o seu integrante favorito? Acha que existe chance de um comeback na vida real?
Por favor! Precisamos falar de One Direction, haha. Assim como a Day, o Harry e o Louis são meus favoritos, mas eu amo o Niall, o Zayn e o Liam de paixão. Ultimamente os álbuns do Niall andam no meu repeat, inclusive. Sobre o comeback, eu confesso que não tenho muitas esperanças. Os meninos estão bem demais na carreira solo e eles com certeza passaram por muitas
questões difíceis na época da banda. Mas uma garota pode sonhar com tempos melhores, não é mesmo?
6. Do luto pela morte da mãe à relação repleta de mágoa com o pai, sem contar a sensação de abandono pelos avós e a desconfiança com a madrasta, Dayana está em um lugar de muita solidão e sofrimento. Que mensagem você gostaria de deixar para leitores que estejam passando por relações turbulentas com a família e se identifiquem com esses sentimentos?
Primeiro de tudo: procurem terapia! Eu sei que às vezes parece que nada vai se resolver, mas como alguém que demorou tanto para procurar ajuda eu posso atestar: falar sobre o que nos aflige (e, talvez, se necessário, estar medicado) tira um peso do nosso peito que muitas vezes nem sabemos que carregamos. E
o diálogo, não só com um profissional, é fundamental — muitas vezes criamos sentimentos e situações mirabolantes em nossa cabeça, como a Day fez, e conversar sobre isso pode ajudar a desatar esses nós. Por último, mas não menos importante, se apoiem em seus amigos. Desabafem. Permitam que as pessoas ouçam você, confortem você. Tantas vezes eu me afastei, não querendo incomodar ninguém com as minhas dores. Mas se perguntem se vocês se incomodam quando seus amigos pedem sua ajuda, e prometo que isso vai ajudar a colocar tudo sob uma nova perspectiva.
7. No livro, você trata de questões delicadas, entre elas a gordofobia e doenças crônicas, como a fibromialgia. Quais são as suas preocupações ao escrever sobre esses temas?
A maior preocupação, é claro, é sempre escrever com responsabilidade. Não acho que possamos fechar os olhos para essas realidades, e é importante que a gente fale e debata esses assuntos, para que cada vez mais pessoas saibam, entendam, aprendam. Mas é sempre difícil falar sobre vivências que não são suas. Confiei na leitura beta de amigas gordas para escrever sobre a Day (e no conhecimento e bom senso de todos os profissionais que trabalharam no livro) e na pesquisa intensa
sobre a fibromialgia, além de ter consultado minha própria psicóloga e outras terapeutas que conheço para confirmar algumas informações.
8. Dayana e a sua mãe eram obcecadas pela Inglaterra e sonhavam em conhecer o país juntas. Você também tem algum sonho que compartilha com a sua mãe?
O nosso é conhecer a Itália! Quem sabe um dia não vem aí?
9. Que outros livros com famílias reais — fictícias ou não
— você recomenda para quem terminou Romance real
também obcecado pela realeza?
Vermelho, branco e sangue azul, de Casey McQuiston, não pode faltar, é claro. Também amo Sua alteza real, de Rachel Hawkins, O diário da princesa, de Meg Cabot, o clássico dos clássicos. Tem também Teoricamente princesa, de Alyssa Cole.
Para quem gosta de ficções históricas, a Philippa Gregory tem livros e mais livros sobre a realeza britânica da era Tudor, escritas sob o ponto de vista das mulheres da época.