Romance Real
Capítulo 33
Georgia ergueu as sobrancelhas. — Você já foi atrás dela por muito menos.
Bati o pé no chão, nervosa. Meu coração dizia que eu deveria ir, mas meu cérebro não estava muito convencido.
Lauren resolveu decidir por mim.
Levantou, com uma expressão tão determinada que parecia estar protagonizando um filme de luta.
— Vamos, meninas. Let’s go get Dayana’s girl!
33
If there’s something I’ve learnt from a million mistakes You’re the one that I want at the end of the day “End of the day”
Ajeitei o vestido xadrez amarelo da Primark enquanto o Ford Focus corria pela M25. Segurei a alça presa no teto do carro quando pegávamos a saída para a cidade, fazendo uma curva fechada.
Engoli em seco, em parte tensa com a direção de Roberto, em parte apavorada com o que estava prestes a fazer. Ainda não tinha muita certeza de que era a coisa certa, mas Georgia tinha razão. O “não” eu já tinha, agora ia correr atrás da humilhação.
Como se percebendo meu nervosismo, Georgia apertou minha mão no banco de trás e sorriu. Ela parecia bem, sem dores.
Eu tivera muito tempo no Brasil para refletir. À medida que toda a minha revolta com o mundo ia se dissipando, eu percebia cada vez mais quanto tinha sido burra em não ir atrás de Diana. Tinha ficado seis meses com um garoto que sentia vergonha de mim, correndo atrás dele enquanto era escondida dos amigos, me entregando mesmo quando nada nele me passava confiança.
E Diana…
Diana tinha me passado toda a confiança do mundo desde a primeira vez. De todos os segredos que ela guardava, eu nunca fora um deles.
Minha mãe dizia que precisamos dar valor àquilo que nos faz bem, porque, antes que a gente perceba, o tempo passa, pessoas vão embora, e tudo o que fica é o arrependimento. Eu tinha me arrependido muito de todas as coisas que deixara de fazer com minha mãe, da forma como a tratara, de não ter dito
“eu te amo” o suficiente. Eu não queria que Diana se tornasse mais um arrependimento.
Era por isso que eu estava naquele carro, indo atrás da garota de que eu gostava.
Eu me sentia como se estivesse vivendo meu próprio final de Um lugar chamado Notting Hill. Exceto que, quando assistia o filme, tudo parecia lindo e emocionante. Na vida real, eu só queria vomitar.
O carro fez uma curva, entrando numa via de mão dupla, e meu coração foi na boca quando o clássico ônibus vermelho de dois andares veio na nossa direção.
— Me lembrem por que a gente tá correndo? — meu pai perguntou, olhando pelo retrovisor.
Enquanto eu me trocava, Lauren tinha saído gritando por ele, mandando que se arrumasse para levar a gente ao palácio.
Nenhuma de nós havia explicado o que estava acontecendo, e eu não sabia muito bem qual seria a reação dele.
Respirei fundo.
— Estou indo me reconciliar com a garota que eu gosto —
confessei, a voz determinada, os dedos apertando o assento do banco traseiro com força.
— O quê? — meu pai gritou, olhando para trás.
O carro deu uma guinada para o lado, e os carros na outra pista buzinaram alto. Georgia, Lauren e eu gritamos.
— Olha pra frente, Roberto! — Lauren berrou, segurando o volante para se assegurar de que continuaríamos na pista certa.
— Mas… mas… — ele tentou dizer.
A esposa deu um beliscão no seu braço.
— “Mas” nada, só dirige.
Senti uma onda de gratidão por Lauren. Certamente não estava disposta a ter aquela conversa agora. Ou nunca, talvez.
— O horário de entrada da imprensa é às dez — Lauren falou, olhando o relógio antes de olhar para trás. — Não sei se vamos conseguir.
— Tudo bem, a gente dá um jeito — respondi, com mais coragem do que achava que tinha.
Quando o carro chegou à via lateral do palácio, Roberto encostou perto do meio-fio.
— Preciso procurar um lugar pra estacionar — avisou, e eu não precisei nem pensar duas vezes antes de saltar do carro.
Minhas pernas estavam até tremendo.
Georgia saltou pelo outro lado.
— Vai, sweetie! — Lauren disse, acenando com a mão pela janela do carona. — Good luck!
Eles arrancaram com o carro, e Georgia me puxou pela mão em direção a uma das entradas laterais. Me curvei, apoiando as mãos nos joelhos para recuperar o fôlego quando vi que os portões estavam fechados. Já eram dez e quinze.
O que eu ia fazer?
Dizer que o lugar estava lotado era eufemismo. Apesar de terem liberado a entrada da imprensa, ainda havia uma centena de repórteres, turistas e curiosos pela família real. Não que eu não estivesse ali para dar uma espiada também. Mas percebi que seria ainda mais difícil dar um jeito de entrar.
Eu poderia mandar uma mensagem para Diana, mas… Será que ela me responderia? Será que sequer veria?
Balancei a cabeça. Não, eu daria um jeito. Tinha que encontrá-la cara a cara. Só assim eu poderia saber o que ela pensava de verdade.
Passeamos de um lado para o outro, procurando uma brecha, mas nenhuma ideia me veio à mente.
— O que a gente faz agora? — Georgia perguntou, e eu a fuzilei com o olhar.
Não foi ela quem dissera para eu dar meus pulos?
Arregalei os olhos de repente.
É isso.
Comecei a correr seguindo a grade do palácio, espiando pela área externa de vez em quando, tentando avistá-la. Os passos de Georgia indicavam que ela vinha atrás. Diana não era lá muito fã do palácio, mas será que tentaria fugir de novo? Ela só tinha feito aquilo das outras vezes porque ficara apavorada com a perspectiva da realidade. Mas a realidade já tinha batido na porta
dela e se infiltrado em todas as áreas da sua vida. A realidade estava estampada em todos os jornais do país, do mundo, talvez.
Ela não tinha mais motivos para fugir.
Ainda assim, quando me aproximei do local onde havíamos nos conhecido, senti o estômago afundar. Não havia ninguém.
A movimentação naquele trecho era menor, mas ainda havia bastante gente, e repórteres estacionados perto de todas as entradas e saídas do palácio. É claro que Diana não sairia por ali.
Seria flagrada.
— Não sei mais o que fazer, não tenho nenhuma ideia — falei, recostando na grade, arrasada.
Georgia começou a andar de um lado para o outro, tentando pensar. Ao longe, vi Roberto e Lauren virando em uma esquina e indo até o sinal de trânsito para atravessar.
Talvez eu devesse apenas mandar uma mensagem.
Se ela não me responder, o que eu faço?
Estava listando todas as possibilidades em minha mente quando ouvi o barulho de passos sobre a grama atrás de mim.
Instintivamente, puxei Georgia e me escondi na parte murada, espiando por entre as grades.
Meu coração acelerou.
Eu soube que era ela antes mesmo de vê-la.
Quando o cabelo ruivo entrou no meu campo de visão, senti uma alegria descomunal. Diana se inclinou um pouco para o lado de fora, espiando a movimentação. Confirmando se não havia ninguém por perto. Não parecia estar tentando fugir, mas talvez aquele tivesse se tornado um refúgio onde podia respirar. Ela parecia perdida em meio a toda aquela atenção.
Se aquilo era óbvio, ou se era eu que a conhecia bem demais, eu não sabia.
Com um ímpeto de coragem, saí do meu esconderijo.
— Psst — chamei, baixinho, com medo de atrair a atenção dos repórteres ou da segurança.
Diana se virou.
Ela arregalou os olhos quando me viu e veio até a grade, segurando as barras de ferro.
Assim que me vi de frente para ela, esqueci tudo. A vergonha, o luto, a culpa que havia me atormentado, a raiva que eu sentira.
Esqueci tudo o que havia se passado, e só pensei em nós duas.
— Dayana? O que você está fazendo aqui? — perguntou, chocada. — Eu… eu achei que você tinha voltado pro Brasil.
— Eu fui pro Brasil. Mas voltei.
Ela baixou a cabeça.
— Desculpa não ter respondido a sua mensagem. Eu não queria atrapalhar mais a sua vida. Com tudo isso — ela fez um gesto amplo, indicando o palácio —, pensei que você ficaria melhor sem mim.
Diana estava tão triste que me surpreendi. Ela não tinha me respondido com medo de atrapalhar minha vida? E não porque estava com raiva de mim?
Me aproximei da grade, hesitante.
— Eu é que tenho que pedir desculpas. Estourei naquele dia porque estava chateada por você não ter confiado em mim, mas principalmente porque estava chateada comigo mesma. Eu realmente não deveria ter contado seu segredo, por mais que eu confiasse na pessoa. — Olhei para o tênis branco em meus pés.
— E, no fim das contas, você estava certa. A Georgia contou mesmo.
Fuzilei Georgia pelo canto do olho, e ela se encolheu.
— Desculpa — falou, baixinho, recuando alguns passos.
Diana balançou a cabeça.
— Nada disso importa. Eu não deveria ter descontado em você. Essa bomba ia estourar uma hora ou outra. Eu só tava apavorada, com medo, com raiva dessa história toda. Tudo junto.
— Eu também. Eu tava com raiva do mundo, do meu pai, da morte da minha mãe. E também acabei descontando em você.
Ela deu uma risadinha, e me aproximei mais um pouco.
Segurei as barras de ferro logo abaixo das mãos dela. Uma comichão se espalhou pelo meu peito, só por estar tão perto.
— A gente foi boba, né? — Diana disse, um dedo se soltando da grade e acariciando minha mão. O toque provocou uma onda de arrepios pelo meu corpo inteiro. Sem conseguir me conter, segurei suas mãos. — Senti tanta saudade sua nessas últimas
semanas. Tudo tem sido tão frenético e intenso. No fim do dia, quando eu deitava, só queria poder te mandar uma mensagem ou ouvir sua voz.
Meu coração deu uma cambalhota ao ouvir aquilo.
— Tem sido assim tão horrível? — perguntei, preocupada.
Ela balançou a cabeça com um sorriso.
— Até que não. É bom. Ter meu pai. Sem ficar me escondendo. Essa coisa de realeza é que ainda não me desceu.
— Diana fez uma careta. — E ficar longe de você.
Apertei suas mãos, e ela ergueu o rosto, suspirando.
Foi naquele exato momento em que vi o primeiro flash. Um repórter nos avistou ali na grade e gritou: — A princesa está aqui!
Uma manada de outros repórteres veio correndo na nossa direção.
Eu fiquei desesperada.
— Tá cheio de repórter aqui, Di! — Olhei para trás, frenética, vendo-os se aproximarem cada vez mais. Roberto e Lauren tinham atravessado a rua e nos observavam a alguns metros de distância. Georgia havia se juntado aos dois, e estendia o celular, gravando tudo. Soltei as mãos de Diana e dei um passo para trás. Não queria expô-la ainda mais. — Melhor você entrar, depois a gente conversa. Senão você vai se encrencar.
Mas Diana continuou parada no mesmo lugar. Os repórteres nos alcançaram, flashes e perguntas gritadas em inglês invadiram meus ouvidos.
— Existem coisas pelas quais vale a pena se encrencar. Você é uma delas.
Eu sorri, sentindo que o mundo inteiro poderia explodir. Eu não ia nem sentir. Só havia nós duas ali, como William Thacker e Anna Scott no final de Um lugar chamado Notting Hill, cercados pelos repórteres, mas nunca desviando os olhos um do outro.
Me empertiguei, sabendo que aquele era o meu momento.
Como Georgia havia dito, uma briga como a nossa exigia grandes gestos de reconciliação.
Impulsivamente, loucamente, apaixonadamente, eu me ajoelhei.
Diana arregalou os olhos pelo outro lado da grade, e mais flashes começaram a disparar. Me senti exposta. Mas, por ela, valia a pena.
— Eu só queria dizer… — declarei, olhando para Diana e apenas para Diana — … que sou apenas uma garota, parada na frente de outra garota, pedindo a ela que a ame.
Diana paralisou, chocada e emocionada. Levou as mãos ao rosto, escondendo a vermelhidão em suas bochechas e o sorriso que brilhava em sua boca.
Me levantei, limpando os joelhos de um jeito nada glamoroso
— me ajoelhar tinha sido uma péssima ideia —, e me inclinei na direção dela.
— O que você me diz?
Meu coração batia tanto que achei que até os repórteres seriam capazes de capturar o som. Mordi o lábio, contendo o sorriso bobo que ameaçava me entregar, e ergui as sobrancelhas, cheia de expectativa.
Diana deixou escapar uma risadinha, e então, para a minha surpresa, começou a escalar a grade do palácio. Fiquei olhando para ela, embasbacada com sua ousadia e destreza enquanto se impulsionava até o topo. Lá de cima, ela olhou para mim e ergueu as sobrancelhas.
Dei uma risada e ergui os braços.
Diana pulou.
Obviamente não consegui agarrá-la como gostaria, e acabamos rolando pelo chão, no maior mico de todos os tempos flagrado por repórteres.
Mas nada daquilo importava.
Quando Diana apoiou as mãos no chão, sem levantar, e me encarou, eu me perdi em seus olhos verdes tão intensos, tão felizes.
— Eu nem sei por que você está pedindo isso — falou, olhando em meus olhos. — Não é óbvio que eu já te amo?
Em seguida, sua mão veio parar na minha bochecha, segurando meu rosto com tanta firmeza que eu pensei que ela nunca mais me deixaria ir embora.
Ainda bem.
Porque eu não queria mesmo ir.
Ela começou a se aproximar, mas, quando nossas bocas estavam quase se tocando, eu falei: — Preciso te dizer uma coisa.
Diana se afastou ligeiramente, com uma expressão curiosa e um pouco temerosa. Eu quase ri.
— Você viu que a One Direction voltou? — Ela demorou um segundo para assimilar que eu tinha interrompido nosso beijo para falar daquilo. — Quem é a iludida agora? — provoquei, sentindo uma alegria que mal cabia em mim. Não por estar certa, ou pela volta do meu grupo favorito. Mas porque não havia nada melhor no mundo do que poder provocar Diana de novo, rir com ela, tocar nela.
Diana suspirou, revirando os olhos.
— Oh, shut up — ela disse, e me beijou.
Eu suspirei, me sentindo em paz, o mundo ao redor silenciou, e tudo que existia era Diana, Diana, Diana. A boca quente. O
gosto de espumante sem álcool. Os cabelos ruivos entre meus dedos. A cintura sob minha mão. As estrelas cadentes no rosto, atendendo ao meu desejo mais profundo.
Amar e ser amada.
William Thacker tinha dito que as chances eram sempre mínimas, não?
Mas ali estava eu, de frente para aquela garota marcada por constelações, com um sorriso apaixonado e o olhar de quem estava disposta a tudo para me fazer feliz.
E eu soube.
Eu tive certeza.
Eu era a garota mais sortuda do mundo.
ÍCONE LGBTQIAP+ NA REALEZA
Em evento real, nossa nova Lady Di é vista aos beijos com namorada Stars On-line No último sábado, o palácio de Buckingham recebeu Diana Rose Lima, filha do príncipe Arthur, em seu primeiro evento real. E a princesinha deu o que falar! Na frente de todos os repórteres, Diana recebeu uma declaração de amor cheia de referências ao clássico Um lugar chamado Notting Hill e foi flagrada pulando as grades do palácio para dar um beijo apaixonado em sua namorada.
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Mas a atitude impulsiva de Diana não parece ter agradado a todo mundo. Segundo fontes, as alas mais conservadoras do palácio, que já estavam em polvorosa com o recente decreto da rainha Diana de revisão das políticas de diversidade, podem estar tentando barrar a carta-patente da regente, que concederia o título real de princesa à filha de Arthur.
Rainha Diana dribla as críticas e concede o título real de princesa à sua homônima
The Daily News
No último dia 24, a rainha Diana I emitiu uma carta-patente garantindo o direito a todos os filhos do príncipe Arthur de serem príncipes ou princesas e de receber o título de sua alteza real. Isso permite que a nova queridinha da Inglaterra seja oficialmente chamada de princesa, além de seus meios-irmãos, Noah e Sebastian, filhos da duquesa Tanya Parekh.
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Princesa Diana e namorada são flagradas em show de reencontro da One Direction
Royal Gossip
A filha do duque de York foi vista com a namorada curtindo o show da boyband One Direction, em sua primeira apresentação na turnê de retorno, no estádio de Wembley. O casal foi flagrado em meio ao público de mãos dadas, com amigas.
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Chloe Ward
Quando todos achavam que a queridinha da Inglaterra não poderia mais surpreender, a Casa Real anuncia que, por decisão pessoal, Diana Rose Lima não se tornará princesa da Inglaterra.
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