Romance Real
Capítulo 2
Flagrando meu olhar, minha mãe virou para trás e então deu um sorrisinho para mim.
— Viu, só, Day? Você é filha do Super-Homem.
Eu dei uma risadinha.
— Pela cara dele, tá parecendo mais o Hulk.
Nós duas gargalhamos e, lá atrás, papai nos fuzilou com o olhar.
— Eu tô ouvindo, hein! Vocês fiquem espertas com o Hulk.
Quando a chave encontrou a fechadura do quarto do hotel, eu mal esperei minha mãe abrir a porta antes de escancará-la e entrar correndo.
— Uau, olha essa cama, mamãe!
Me joguei na cama e comecei a pular antes que meus pais tivessem tempo de me impedir. Quando voei até o teto, virando para a porta, em vez de repreensão, recebi o olhar carinhoso da minha mãe.
— E aí? É boa pra pular?
— Muito! — respondi, ofegante.
Meu pai apareceu na porta, largando todas as bolsas de uma vez.
— Cuidado com minha mala! — minha mãe reclamou.
— Vocês é que têm que tomar cuidado, o Hulk chegou!
Ele estendeu os braços, as mãos como se fossem garras, e grunhiu enquanto vinha correndo até nós, que fugimos aos berros pelo quarto.
Rindo como uma família feliz.
2
How many nights does it take to count the stars?
That’s the time it would take to fix my heart “Infinity”
Quando Roberto veio me chamar para jantar, não respondi. O
quarto não tinha chave, mas ele não se atreveu a abrir a porta.
Foi impossível não ouvir Lauren ameaçar, com sua voz aguda, vir ela mesma me chamar, mas, baixinho, meu pai disse algo que a impediu.
Não saí do quarto nem quando minha barriga roncou alto. Em algum lugar da bolsa eu ainda tinha um pacotinho de biscoitos oferecido pela companhia aérea e foi o que forrou meu estômago enquanto esperava a exaustão da viagem me derrubar.
Sentia o corpo implorando por um sono revitalizante, mas minha cabeça estava a mil. Fiquei encarando a tinta craquelada do teto até a casa ficar silenciosa. Achei que todos já estavam dormindo, mas, depois de um tempo, ouvi alguém descer as escadas e abrir a porta de casa. Fiquei curiosa, atenta aos barulhos, e aí mesmo que não consegui dormir. Passei um tempão stalkeando os meninos da One Direction, tentando descobrir se estavam por Londres, mas não achei nada. O perfil de todos andava muito parado, para minha infelicidade. Então botei vídeos antigos do grupo, de antes do hiato, e me distraí até ouvir a porta lá embaixo se abrir de novo, horas depois. Incapaz de conter o espírito fofoqueiro, abri uma frestinha da minha, o mais silenciosamente que consegui, a tempo de avistar Georgia subindo de fininho para seu quarto. Então a filha querida não era tão perfeitinha, né?
Depois de saciada a curiosidade, finalmente me entreguei ao sono.
Sonhei com risadas e famílias felizes e acordei assustada, com um nó na garganta. Demorei a perceber que fui despertada não pelo sonho, mas por lambidas geladas na mão, que eu deixara escapar para fora da cama. Um cachorrinho lindo de menos de meio metro de altura, com mechas ruivas mescladas no pelo branco, me encarava feliz enquanto empapava minha mão de baba.
Atrás dele, Lauren estava parada, de pijama, na porta do quarto, segurando a maçaneta e me chamando.
— Breakfast! — falou, quando me viu acordada.
Eu resmunguei, me virando para a parede e cobrindo o rosto com o edredom. Parecia que um trator tinha me atropelado, depois dado ré e passado por cima de novo. Quanto tempo será que eu tinha dormido? Não sentia que haviam se passado nem dez minutos.
— Não tô com fome.
— Greve de fome é terminantemente forbidden nesta casa. —
Lauren puxou meu edredom. — Get up — reforçou, quando eu a fulminei com o olhar.
Sentei na cama, emburrada, o que bastou para ela abrir um sorriso satisfeito e sair do quarto, me dando um tempo para acordar. Ruffles enfiou o focinho no meu edredom.
Esfreguei os olhos com a mão seca, piscando para tentar espantar o sono. O quarto começou a entrar em foco. Não era muito grande, mas também quase não havia decoração para preencher o ambiente. As paredes eram brancas, com um aspecto envelhecido. Do meu lado esquerdo, um guarda-roupa antigo de madeira era o único móvel do cômodo, além da cama de solteiro, encostada à parede da direita, e uma mesinha de cabeceira. Eu passara tanto tempo analisando os detalhes na noite anterior que o quarto já estava gravado na minha mente como se sempre tivesse sido meu.
Do edredom grosso com que eu me cobria emanava um cheiro forte de amaciante. Minhas roupas de cama do Brasil também cheiravam a amaciante, mas era diferente. Cheiro do amaciante que minha mãe escolhia. Cheiro de casa.
Eu ainda não tinha desfeito as malas — as duas seguiam abertas no chão, completamente reviradas depois que precisei caçar meu pijama em meio à arrumação cuidadosa que eu fizera para conseguir enfiar lá dentro tudo que tinha.
Olhei para o terrier.
— Você se importa se eu mandar sua dona ir cagar no mato, Ruffles?
Ele abanou o rabo para mim.
Eu só queria dormir em paz. Mas paz não era algo que eu teria naquela casa.
Com um suspiro que era ao mesmo tempo uma forma de extravasar minha frustração e de tentar reunir forças, levantei da cama e fui tomar o bendito café.
Lauren cantarolava na cozinha enquanto preparava panquecas. Era um cômodo comprido, com o lado esquerdo todo ocupado por bancada e armários. Na mesa perto da parede à direita, Georgia já estava sentada, parecendo um zumbi.
Pelo menos eu não era a única mal-humorada por ter sido acordada cedo demais.
Ou talvez sua expressão rabugenta fosse ressaca. Eu bem lembrava de como ela parecera descoordenada ao voltar de sua pequena incursão da madrugada.
Lavei as mãos para tirar a baba do Ruffles e me sentei ao lado da minha nova irmãzinha, sem dizer uma só palavra.
— Good morning, Dayana — Lauriane cumprimentou ao se virar com a frigideira, como se não tivesse sido ela mesma a me acordar.
— Bom dia — resmunguei, ao perceber que ela esperava uma resposta.
Meu Deus, que mulher insuportável.
— Tem café aqui — ela indicou um vidro de café solúvel na mesa — e água quente na kettle. — Seu dedo seguiu para a chaleira elétrica na pia. — E eu fiz panquecas.
Ela abriu um sorriso cheio de dentes enquanto despejava as panquecas num prato no meio da mesa.
E ficou me encarando.
— O… brigada? — arrisquei, encolhendo o ombro, e foi a coisa certa a dizer, porque ela se voltou para o fogão para uma nova leva de panquecas.
Georgia não agradeceu. Apenas pegou uma panqueca com a mão e começou a comer.
Minha irmã postiça era um ano mais nova que eu, mas eu ia cursar o segundo ano do ensino médio com ela. Como não tinha terminado os estudos no Brasil e as aulas na Inglaterra só começavam em setembro, a direção da escola achara melhor que eu recomeçasse o ano letivo. Eu já estaria atrasada o bastante com as diferenças de currículo entre os países. Pois é, muito empolgante... Eu mal podia esperar. Faria questão de escolher o máximo de disciplinas diferentes das de Georgia. A julgar por sua cara fechada, não acho que andaríamos de braços dados na escola.
Roberto apareceu quando eu já voltava com meu café para a mesa e desejou um bom-dia animado, dando um beijo no topo da cabeça de cada uma de nós, como se a briga da noite anterior não tivesse existido.
Será que aquela família tinha nascido com o cérebro na bunda? Só isso explicava o fato de agirem como uma grande família feliz, livre de problemas, apesar de termos gritado uns com os outros havia poucas horas.
Minha teoria foi reforçada conforme Lauren e Roberto conversavam, relaxados, sobre o churrasco que pretendiam fazer no almoço, para comemorar a minha chegada.
Quando terminamos o café da manhã, Roberto saiu para comprar carne e Georgia resmungou que ia voltar para a cama porque “não estava se sentindo bem” — minha teoria da ressaca estava certa.
Pensei que era minha deixa para voltar a me refugiar, mas é claro que acabei interceptada pela insuportável da Lauriane.
— Não acredito que caí no conto do vigário e vim pra Londres pra ser explorada — murmurei, quando me aproximei o suficiente da cozinha, onde Lauren começava a preparar o almoço.
Ao lado dela, Ruffles ansiava por uma distração.
Eu passava aspirador pela sala cheia de pelo de cachorro, com uma fúria que mal cabia em mim.
— Não tem nenhuma exploração, sweetie, here cada um faz sua parte. — A voz de Lauren sobressaiu ao barulho do aspirador.
De onde estava, eu a via pelo portal que ficava entre os cômodos. Ela estava de moletom e com os cabelos escorridos de um vermelho-escuro presos. Fisicamente falando, Lauren era um resultado curioso da união de um inglês com uma brasileira: tinha cabelos cacheados e castanhos, que alisava e tingia, mas a pele era bem branca e os olhos, azuis. A ponta do nariz era mais comprida, e os lábios finos estavam franzidos no momento, deixando-a com uma expressão severa. Não era exatamente bonita, mas também não era feia. Algumas coisas só pareciam meio desproporcionais em seu rosto.
Desliguei o aspirador e me apoiei nele enquanto encarava Lauren.
— A sua filha deve ser uma imprestável mesmo, se a maior ajuda que ela pode dar é dormir.
Lauren ignorou minha alfinetada e continuou o discurso: — E, enquanto você morar aqui, vai ter que se acostumar a ser responsável e respeitar os mais velhos.
Arqueei as sobrancelhas.
— Não sei quanto tempo faz que você esteve no Brasil, mas lá eles também ensinam que o respeito deve ser mútuo. Aqui na Europa é diferente?
Abri um sorrisinho cínico e fui retribuída com um olhar irritado de Lauren. Os olhos azuis chegavam a ser assustadores quando ela me encarava daquela forma, mas, talvez por causa de tudo o que estava acontecendo, eu não conseguia me deixar intimidar pela minha madrasta. Devia ter perdido o senso de perigo.
— Não vamos mais tolerar escândalos como o de ontem, ok?
— ela alertou, sendo direta pela primeira vez. — Sabemos que você está num momento difícil, mas seu pai e eu te recebemos de braços abertos, apesar da sua atitude rebel without a cause.
Você vai ter que aprender a se adaptar, quer queira, quer não.
Sem saber o que responder, liguei o aspirador novamente para evitar o som da sua voz. Dei as costas a ela e segui em direção à entrada.
É claro que eu sabia que não podia voltar. Eu também não era mais bem-vinda no Brasil.
Engolindo o nó que tinha se formado em minha garganta pela segunda vez no dia, subi e comecei a aspirar o corredor do segundo andar com raiva. O espaço era pequeno e havia três portas fechadas. Me aproximei delas, uma por uma, fazendo questão de bater o aspirador com força, várias vezes. Quando cheguei à terceira, a porta que ficava de frente para a escada foi aberta de supetão.
Georgia me encarou com a cara amassada e o cabelo crespo despenteado.
— Que merda você tá fazendo?! — ela berrou em inglês, com a voz rouca de sono.
Dei de ombros, com a maior cara lavada.
— Sorry, I don’t speak estupidês — respondi, com um sotaque ridículo, que me deixou irritada.
Mesmo com o inglês avançado, tendo feito teste de proficiência e tudo para entrar na escola, minhas habilidades orais eram ridículas. Se as escolas britânicas fossem como nos filmes, com certeza eu sofreria bullying pela minha incapacidade de pronunciar os fonemas corretamente. Seria a grande piada brasileira da escola.
Georgia respirou fundo.
— Eu estava descansando — disse com um português perfeito, e eu quis morrer.
Eu tinha falado poucas vezes com Georgia ao telefone, apenas quando era ela quem atendia minhas ligações — o que sempre fazia em inglês. Ao ouvir meu português, ela já saía gritando
“daaaad” bem alto, sem nem me responder. Como eu sabia que Georgia tinha crescido na Inglaterra, supus que ela não tivesse aprendido o idioma.
Mas, considerando que a mãe e o padrasto eram brasileiros, e que Roberto, mesmo vivendo em Londres havia dez anos, não
tinha dominado muito bem a língua, fazia sentido que ela soubesse.
Ela só não queria falar comigo.
— Eu tô limpando a casa. — Dei de ombros. Perceber isso naquele estado de irritação que eu estava fez meu peito quase queimar de fúria. — Sua mãe que mandou.
— E pra limpar precisa quebrar as portas?
— Desculpe atrapalhar seu descanso, vossa majestade, vou tentar ser uma criada exemplar de agora em diante.
Ela me encarou com um misto de pena e raiva. Então abriu a porta completamente e estendeu a mão para dentro do cômodo.
— Pode limpar aqui dentro então, já levantei mesmo.
Fui pisando duro até seu quarto. Quem ela pensava que era para me dar ordens? Será que era por isso que me aceitaram?
Precisavam de uma empregada? Era assim que minha vida seria dali em diante?
Enquanto eu bufava, Georgia voltou para a cama. Pelo canto do olho, acompanhei seus movimentos. No dia anterior, eu estava tão irritada com a mudança que nem tivera tempo de prestar atenção nela. Eu tinha visto fotos no Facebook de Roberto, é claro, mas aquela era a primeira vez que parava para analisar minha nova irmãzinha. Georgia não havia puxado quase nada da mãe: tinha a pele negra muito escura, lábios grossos e ligeiramente mais claros, olhos pretos e cabelo crespo, com cachos bem apertados. Embora eu não fizesse ideia de como era seu pai — sabia apenas que ele também era brasileiro e que Georgia nem tinha começado a andar quando ele foi embora, alguns meses antes de a mãe dela se mudar para Londres —, a garota só podia ser cópia fiel dele. As únicas coisas que parecia ter herdado da mãe eram as maçãs do rosto altas e a sobrancelha meio falhada.
Ela estava abatida, e cogitei que talvez estivesse falando a verdade sobre não se sentir bem. Mas logo descartei a ideia. Ela tinha saído ontem escondida e acordou no dia seguinte passando mal? Ah, ela estava achando que eu nasci ontem?
Georgia se encostou na parede, dobrou as pernas em cima da cama, apoiou a cabeça nos joelhos e ficou me observando
aspirar o quarto. Fiz questão de deixar a cara bem emburrada.
Doente ou não, não era justo eu limpar, enquanto ela só olhava.
Depois de alguns segundos de silêncio, ela suspirou.
— Sei que você odeia o nosso pai — começou, de repente, quando me virei em sua direção —, mas ele é uma boa pessoa.
Fingi que não ouvi.
Continuei passando o aspirador perto dela, debaixo da escrivaninha e perto da porta.
— Ele não parou de falar de você desde que soube que viria.
Pelo canto do olho, percebi que ela continuava me observando, esperando uma resposta, mas era fácil para ela defendê-lo. Para Georgia, ele era um pai exemplar. Para Georgia, ele dera tudo.
— Também fui abandonada pelo meu pai biológico, sabe? E o Roberto não pensou duas vezes antes de me assumir, mas…
não era a obrigação dele.
— Não — concordei, enfim respondendo, sem me virar para ela. — A obrigação do Roberto era criar a filha dele. Acho que podemos concordar que ele não deve gostar muito de fazer suas obrigações.
— Você tá sendo meio injusta. Eu sei que ele errou, mas pelo menos tá tentando se redimir. Pelo menos você ainda tem a chance de ter um pai.
Desliguei o aspirador, mas não me virei.
Injusta. Aquela era a palavra que eu mais tinha ouvido nos últimos meses.
— É, talvez — retruquei, a voz baixa. — Talvez eu esteja sendo injusta por não perdoar o homem que eu tinha como meu herói, que era meu melhor amigo, que me disse que vinha pra Inglaterra pra nos dar uma vida melhor e acabou nunca mais voltando. Posso até estar sendo injusta, mas, considerando os últimos anos, acho que tenho esse direito.
Sem olhar para trás, larguei o aspirador onde estava, desci correndo em direção ao meu quarto, peguei a bolsa e saí daquela casa sufocante.
— Mas que ideia doida é essa, Beto? — A risada nervosa da minha mãe invadiu o quarto, mesmo de porta fechada.
Parei de pintar o peixinho do livro de colorir para prestar atenção. — Quando você mencionou ir pra Inglaterra achei que estivesse sugerindo tirar umas férias, não morar lá!
Inglaterra? Isso não era, tipo, muito longe? Como eu ia estudar na minha escola e ver meus amigos se estivéssemos longe?
— Ô amor — meu pai entoou, daquele jeito brincalhão e charmoso que sempre persuadia minha mãe —, mas não era você quem sonhava em viver na terra da rainha?
Ah, a terra da rainha! Era lá onde moravam a Lady Di e os príncipes Arthur e Andrew! Devia ser legal…
— Ai, Beto, mas era só um sonho distante. Talvez, se a gente não tivesse a Day… — Epa! Ela queria ir para a terra da rainha sem mim? Que injusto! Quase levantei para abrir a porta e reclamar, mas, antes que eu pudesse me decidir, minha mãe continuou: — Mas como eu vou me virar lá fora sozinha? Meus pais me dão o maior apoio aqui pra eu poder trabalhar; levam para a escola, depois vão buscar e ainda ficam com ela durante o dia. Se a gente for pra Inglaterra não vai ter ninguém pra ajudar.
— Eu sei, mas as coisas estão difíceis demais por aqui, amor. Tá difícil de me recolocar no mercado. — Ele baixou o tom de voz, e tive que me esgueirar até a porta e abrir uma frestinha para continuar ouvindo. — A Mara comentou de um amigo que foi pra lá e tá se dando bem. Parece que o salário mínimo é quase seis libras por hora, e trabalhando pelo menos quarenta horas semanais dá pra ganhar quase mil libras por mês! É ganho suficiente pra me virar lá e ir mandando um dinheirinho pra vocês. A libra tá quase três reais! Vamos juntar grana rapidinho.
— Peraí, você tá pensando em ir sozinho ? — Mamãe ficou brava. E eu também. Não queria que o papai deixasse a gente.
— Só até eu conseguir me estabelecer. Eu vou na frente, pra procurar trabalho, um lugar pra gente morar, e vou mandando dinheiro pra vocês. Quando estiver tudo certo, você e a Day vão me encontrar lá.
Minha mãe ficou em silêncio por um longo tempo. Então suspirou.
— Sei não, Beto. Preciso pensar. Me dá um tempo? Você já fez sua pesquisa, agora eu preciso fazer a minha.
— Pensei que você soubesse tudo sobre a Inglaterra —
ele brincou, tentando amenizar o clima. — O país dos seus queridinhos do Muse. Daquele filme mela-cueca que você ama. Da sua musa Diana!
Minha mãe riu, amolecida.
— É, talvez não seja uma ideia tão ruim… Vou pensar, tá?
Ela saiu andando, e fechei a porta o mais rápido que pude.
Voltei correndo para minha mesa e fiquei olhando o desenho inacabado, o coração agitado.