17 contradições e o fim do capitalismo
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"Quando o mundo estiver
unido na busca do
conhecimento, e não mais
lutando por dinheiro e poder,
então nossa sociedade
poderá enfim evoluir a um
novo nível."
Sobre 17 contradições e o fim do capitalismo
Pedro Paulo Zahluth Bastos
Para David Harvey, este livro coroa o “Projeto Marx”, que orienta sua
obra há vinte anos, repensando Karl Marx em época de mutação e crise do
capitalismo. Harvey começa pelo método: aborda a diferença entre a
contradição nas lógicas formal (dualista e estática) e dialética (relacional e
dinâmica) e explica seu foco nas contradições do capital, e não do
capitalismo. Longe de afi rmar que contradições políticas, religiosas,
étnicas e sexuais são redutíveis ao econômico, demonstra que as
contradições do capital devem ser explicadas porque são universais e
perpassam as demais. Cabe entender as contradições fundamentais do
capital porque ele cria abstrações reais: busca reduzir a diversidade da
natureza e do humano a meros momentos de sua reprodução, a ponto de
ameaçar a vida no globo.
Embora a análise principie dos mecanismos econômicos fetichizados
pelos quais a relação social do capital destrói e refaz a natureza, controla,
explora, aliena e descarta o trabalho, expande-se e contrai-se em crises, nela
não há espaço para reducionismo. A exposição ganha complexidade à
medida que parte para as contradições mutáveis, abrindo as contradições do
capital para a interação com as do capitalismo e avaliando suas formas no
tempo e no espaço. Como geógrafo, dá justo destaque ao desenvolvimento
desigual das regiões. E aborda, ainda, como o Estado legitima e apoia a
acumulação por espoliação: a transformação de direitos coletivos à terra e a
outros valores de uso (moradia, saúde, educação etc.) em propriedade
privada, de acesso desigual e regulado pelo capital em mercados que,
muitas vezes, foram criados mediante violência, corrupção ou legalização
do que já foi ilegal. Sua forma atual é o neoliberalismo, que justifica
“tecnicamente” a privatização e a austeridade.
As contradições perigosas tratam da ameaça de extinção que a
mercantilização generalizada e o crescimento exponencial colocam para a
natureza e para a experiência humana não alienada. Por isso, a luta social
não pode se limitar ao mundo do trabalho, devendo se estender a cada
esfera do mundo vivido que o capital busca colonizar. O livro termina com um manifesto humanista revolucionário, aberto a que movimentos
antissistêmicos localizados se unam, sem perder autonomia, para superar as
contradições do capital. Dos livros de Harvey, é talvez o mais totalizante e,
como ele gosta de dizer, o mais perigoso.
Sobre 17 contradições e o fim do capitalismo
Leonardo Sakamoto
A inovação é vista como subproduto do capitalismo quando, na
verdade, é o resultado do intelecto humano e da vida em sociedade.
Mantida em cativeiro pelo capital, concentra riqueza e gera desigualdade.
Para David Harvey, o motor desse processo está falhando e temos a
oportunidade de repensá-lo. Neste livro, analisa as crises do capitalismo e
como podemos, enfim, superá-lo. E propõe ideias para a prática política,
subordinando a economia à dignidade humana e não ao lucro e garantindo
que, sob novos parâmetros, a busca perpétua pela novidade continue.
Sobre o autor
David Harvey, geógrafo britânico, é professor emérito de antropologia
na pós-graduação da Universidade da Cidade de Nova York (The City
University of New York – Cuny) e ex-professor de geografi a nas
universidades Johns Hopkins e Oxford. Seu curso sobre O capital de Marx
já teve quase 1 milhão de acessos desde que foi disponibilizado no site da
Cuny, em 2008. Autor de diversos livros, lançou pela Boitempo O enigma
do capital (2011), Para entender O Capital: Livro I e Os limites do capital
(ambos em 2013), Para entender O Capital: Livros II e III (2014) e Paris,
capital da modernidade (2015).
A John Davey,
em reconhecimento aos seus sábios conselhos
e ao seu apoio a quase tudo que já publiquei
Sumário
Prólogo – A crise atual do capitalismo
Introdução – Sobre a contradição
Parte I – As contradições fundamentais
1. Valor de uso e valor de troca
2. O valor social do trabalho e sua representação pelo dinheiro
3. Propriedade privada e Estado capitalista
4. Apropriação privada e riqueza comum
5. Capital e trabalho
6. Capital como processo ou como coisa?
7. A unidade contraditória entre produção e realização
Parte II – As contradições mutáveis
8. Tecnologia, trabalho e descartabilidade humana
9. Divisões do trabalho
10. Monopólio e competição: centralização e descentralização
11. Desenvolvimentos geográficos desiguais e produção de espaço
12. Disparidades de renda e riqueza
13. Reprodução social
14. Liberdade e dominação
Parte III – As contradições perigosas
15. Crescimento exponencial infinito
16. A relação do capital com a natureza
17. A revolta da natureza humana: alienação universal
Conclusão – Perspectivas de um futuro feliz, mas controverso: a promessa do
humanismo revolucionário
Epílogo – Ideias para a prática política
Apêndice – O livro mais perigoso que já escrevi
Bibliografia e leitura complementar