17 contradições e o fim do capitalismo
13. Reprodução social
Contradição 13
Reprodução social
Antigamente era possível dizer que o capital não se importava com as
necessidades do trabalhador, deixando à iniciativa e ao engenho dos
trabalhadores o encargo de se reproduzirem biológica, psicológica e
culturalmente com a ninharia de salário que recebiam do capital. A maioria
dos trabalhadores cedeu porque não tinha opção. Essa foi a situação que
Karl Marx encontrou, e foi provavelmente por isso que não abordou a
questão da reprodução social da força de trabalho em sua teoria sobre a
economia política do capital. Mas está claro que se os trabalhadores não se
reproduzem, ou morrem prematuramente por excesso de trabalho nas minas
e nas fábricas (ou cometem suicídio por estafa, como vem acontecendo nas
fábricas chinesas), e se o fácil acesso do capital ao trabalho excedente é
impedido de alguma forma, o capital não pode se reproduzir. Marx
reconheceu esse perigo quando viu nitidamente que era preciso impor
limites às jornadas exorbitantes de trabalho e ao ritmo criminoso de
exploração, e que a legislação do Estado era tão importante para proteger a
reprodução do capital quanto a vida dos trabalhadores. A contradição entre
as condições necessárias para garantir a reprodução social da força de
trabalho e as condições necessárias para reproduzir o capital sempre existiu,
ainda que de forma latente. Nos últimos dois séculos, porém, essa
contradição evoluiu, tornando-se muito mais complexa e proeminente, cheia de possibilidades perigosas, consequências e manifestações
geográficas de longo alcance, porém desiguais.
Essa contradição se destacou com o advento do sistema fabril e o
aumento da complexidade e sinuosidade dos sistemas de produção do
capital. Enquanto as habilidades artesanais tradicionais perdiam
importância, o capital se interessava cada vez mais por uma força de
trabalho modestamente educada, que fosse letrada, flexível, disciplinada e
suficientemente dedicada para cumprir a variedade de tarefas exigida na era
das máquinas. A inserção de cláusulas relativas à educação na Lei Fabril
Inglesa de 1864 foi um sinal desse interesse crescente do capital pelas
capacidades e potencialidades dos trabalhadores, e isso implicava
intervenções limitadas na vida privada dos trabalhadores. No capitalismo
como um todo, essa preocupação com a reprodução de uma mão de obra
dotada de qualidades adequadas coincidiu em muitos países do mundo com
um projeto político da burguesia reformista para criar uma classe
trabalhadora “respeitável”, que abdicaria dos motins e das revoluções e
sucumbiria às bajulações do capital. O crescimento da educação pública,
somado ao socialismo “gás e água” [a], politicamente presente em muitas
partes do mundo capitalista, certamente acalmou grande parte dos
trabalhadores regularmente empregados, permitindo a extensão da
representação política (o direito ao voto e, com ele, a influência sobre as
políticas públicas) até chegar ao sufrágio universal.
O interesse crescente pela educação da mão de obra e a mobilização de
recursos financeiros para realizar essa tarefa foi uma característica crucial
da história do capital. Mas essa história não foi desinteressada nem
transcorreu sem complicações derivadas da dinâmica da luta de classes
entre capital e trabalho. O que está em questão aqui, como se disse antes, é
o que o capital quer que os trabalhadores aprendam e o que os trabalhadores
querem e desejam saber. Na história da Inglaterra e da França, por exemplo,
o autodidata, o trabalhador que aprendia sozinho, era uma espinha
atravessada na garganta do capital, um sujeito dado a ideias socialistas
utópicas, muitas vezes divergentes sobre as alternativas ao modo de vida
que o capital oferecia, e preparado para tomar iniciativas políticas, e até
revolucionárias, para promover alternativas anticapitalistas. A proliferação de seitas e panfletos utópicos e libertários na França das décadas de 1830 e
1840 (ligados a nomes como Fourier, Saint-Simon, Proudhon, Cabet etc.)
foi acompanhada do outro lado do Canal da Mancha de uma literatura mais
sóbria, porém não menos persistente, sobre os direitos dos trabalhadores e a
necessidade de se construir solidariedades institucionais, como os
sindicatos, e formas de organização e agitação política (cartismo), alguns
com o apoio de pensadores utópicos e praticantes, como Robert Owen. Se
era essa a educação dos trabalhadores, então o capital não queria saber dela.
Mas, diante da busca persistente de autoeducação por ao menos um
segmento influente de trabalhadores, o capital teve de inventar alguma coisa
para pôr em seu lugar. Como diz o sr. Dombey em Dombey and Son, de
Charles Dickens, ele não fazia objeções à educação pública, desde que os
trabalhadores aprendessem qual era o lugar deles na sociedade. Marx,
embora criticasse boa parte da literatura socialista utópica, aprendeu
imensamente com ela e, da mesma maneira, tentou criar um campo de
conhecimento anticapitalista que servisse como uma fonte de ideias para a
agitação anticapitalista. Queira Deus que os trabalhadores nunca leiam
essas coisas.
Embora a educação pública tenha se esforçado ao máximo para suprir a
demanda do capital por conformidade ideológica, combinada com a
produção de conhecimentos apropriados ao estado da divisão do trabalho,
ela não eliminou o conflito subjacente. E isso acontece em parte porque os
interesses do Estado também entram em cena para forjar um sentido de
identidade e solidariedade nacional entre as classes, sentido este que vai
contra a predileção do capital por uma forma de individualismo
cosmopolita sem raízes, que será imitada tanto pelo capitalista quanto pelo
trabalhador. Nenhuma dessas contradições do conteúdo da educação pública
pode ser resolvida com facilidade, mas isso não desmerece o fato de que o
investimento na educação e no treinamento é condição sine qua non para a
competitividade do capital. O investimento maciço na educação, por
exemplo, é um traço notável do desenvolvimento recente da China, como
foi o caso também em Singapura e outros países da Ásia Oriental. Isso se
deve ao fato de que a lucratividade do capital se encontra cada vez mais na
produtividade crescente de uma mão de obra cada vez mais qualificada.
Mas, como acontece com frequência na história do capital, a educação
em si se tornou um “grande negócio”. A invasão assombrosa da
privatização e o pagamento de taxas para uma educação que
tradicionalmente era pública e gratuita impuseram encargos financeiros à
população, fazendo com que aqueles que desejam estudar tenham de pagar
por esse aspecto fundamental da reprodução social. As consequências da
criação de uma força de trabalho educada e atolada em dívidas podem
demorar para se manifestar, mas, considerando-se os conflitos entre
estudantes e autoridades em Santiago, no Chile, que começaram em 2006 e
se estendem até hoje, em torno da dispendiosa privatização do ensino médio
e superior, é bem provável que essa também se torne uma fonte latente de
descontentamento sempre que for colocada em prática.
A criação de uma força de trabalho altamente produtiva levou ao que
chamamos de teoria do “capital humano”, uma das ideias econômicas
amplamente aceitas mais estranhas já concebidas. Suas origens remontam
aos escritos de Adam Smith. Segundo ele, a aquisição de talentos
produtivos por meio de:
formação, estudo ou aprendizagem, sempre custa uma despesa real, que constitui um
capital fixo e como que encarnado na sua pessoa. Assim como essas habilidades fazem
parte da fortuna da pessoa, da mesma forma fazem parte da sociedade à qual ela
pertence. A destreza de um trabalhador pode ser enquadrada na mesma categoria que
uma máquina ou instrumento de trabalho que facilita e abrevia o trabalho e que,
embora custe certa despesa, compensa essa despesa com lucro.[1]
A questão, evidentemente, é quem paga o custo de criação desses
talentos – os trabalhadores, o Estado, o capital ou instituições da sociedade
civil (como a Igreja) – e quem fica com o benefício (ou “lucro”, nas
palavras de Adam Smith)?
Indubitavelmente, uma mão de obra qualificada e altamente treinada
poderia esperar uma remuneração mais alta do que uma mão de obra
desqualificada, mas isso não significa aceitar a ideia de que salários altos
são uma forma de lucrar com o investimento dos trabalhadores em
educação e qualificação. O problema, como afirmou Marx em sua dura
crítica a Adam Smith, é que o trabalhador só pode realizar o valor dessas qualificações trabalhando para o capital sob condições de exploração, de
modo que, no fim, é o capital, e não o trabalhador, que colhe os benefícios
de uma maior produtividade no trabalho[2]. Recentemente, por exemplo, a
produtividade dos trabalhadores aumentou, mas a parcela da produção que
vai para o trabalhador diminuiu, ao invés de aumentar. De todo modo, se o
que o trabalhador possui em forma material fosse capital, como diz Marx,
ele teria todo o direito de se entregar ao ócio e viver da renda de seu capital,
sem precisar trabalhar (o capital como relação de propriedade sempre tem
essa opção ao seu alcance). Pelo que sei, o principal objetivo da retomada
da teoria do capital humano por Gary Becker, na década de 1960, por
exemplo, era enterrar o significado da relação de classe entre capital e
trabalho e fazer parecer que somos todos capitalistas que ganham taxas
diferentes de lucro a partir do nosso capital (humano ou outro) [3]. Se os
trabalhadores recebem um salário baixo, pode-se argumentar que isso é
reflexo do fato de não terem se esforçado para construir um capital
humano! Em suma, os trabalhadores são culpados por receber salários
baixos. Não nos surpreende, portanto, que por razões ideológicas, e não por
razões intelectuais sólidas, todas as grandes instituições do capital, das
organizações econômicas ao Banco Mundial e ao FMI, tenham abraçado de
corpo e alma essa ficção teórica. De modo semelhante, essas mesmas
instituições adotaram recentemente a assombrosa ficção de que o setor
informal da reprodução social, predominante em muitas cidades do mundo
em desenvolvimento, na verdade é uma massa em ebulição de
microempresas que só precisam de certa dose de microfinanciamento (a
taxas de juros usurárias que, no fim das contas, vão para o bolso das
principais instituições financeiras) para se tornar membros legítimos da
classe capitalista.
Exatamente pelas mesmas razões, tenho profundas objeções à definição
de Bourdieu dos dotes pessoais (que inegavelmente são de grande
importância para a vida social) como uma forma de “capital cultural”[4].
Embora não haja nenhum problema em destacar o papel desses dotes para a
confirmação de status em nossa sociedade e sua contribuição na replicação
das distinções de classe no decorrer da reprodução social, tratá-los como
uma forma de capital no sentido em que usamos o termo aqui é confuso, talvez até perverso. Seria o mesmo que supor a existência de uma maneira
de acumular renda e riqueza monetária aprendendo a gostar de Scarlatti (no
caso de um francês) ou de Snoop Dogg (no caso de um estadunidense). Por
outro lado, a ideia de capital cultural se encaixa (mas não é isso que defende
Bourdieu) no desenvolvimento de marcas e na comercialização de bens e
lugares com o intuito de auferir rendas de monopólio (como no caso de
vinhos finos e destinos turísticos perfeitos). Mas estamos lidando aqui com
a construção de símbolos de distinção que, quando funcionam, podem ser
fonte de rendas permanentes de monopólio e ganho monetário. A
diferenciação de produtos para mostrar que a minha marca de creme dental
é única e especial é uma maneira de evitar o efeito nivelador da troca
mercantil. Quem inventa o mundo simbólico que está por trás da criação de
uma marca para bens e lugares – um trabalho manipulador que constitui o
cerne da publicidade contemporânea e da indústria do turismo – torna-se
fundamental na manipulação dos desejos humanos para ganhar dinheiro.
Obviamente, quem ganha dinheiro e paga pela criação de uma marca para
os seus produtos são os capitalistas. E, em certos casos, eles não hesitam em
atrelar signos de classe e, ainda mais enfaticamente, imagens sedutoras de
gênero às qualidades de seus produtos. O capital, sem dúvida alguma,
emprega tais signos de distinção em lançamentos e práticas de venda, mas
isso não significa que a distinção seja uma forma de capital, como propõe
Bourdieu, embora muitas vezes, quando única e original, a distinção
produza rendas de monopólio (como uma pintura de Picasso).
Nos últimos tempos, o capital e o Estado capitalista (sobretudo este
último) têm se interessado pelos aspectos da reprodução social que afetam
as qualidades competitivas da força de trabalho. Se um país deseja se tornar
mais rico transferindo a cadeia de valor agregado da produção para o campo
de pesquisa e desenvolvimento, acumulando desse modo uma riqueza que
foi obtida por meio do controle dos direitos de propriedade intelectual, ele
precisa ter a seu dispor uma força de trabalho bem instruída e
cientificamente qualificada, que seja treinada no próprio país (daí a imensa
importância das universidades que fazem pesquisa em países como os
Estados Unidos) ou importada do exterior. A formação desses trabalhadores
deve começar desde cedo, o que põe todo o sistema educacional no centro dos interesses do capital, embora, como sempre, o capital prefira não pagar
por ele, se puder. Em países como Singapura e China, o forte investimento
em educação, em todos os seus níveis, foi fundamental para o sucesso
econômico.
O contexto tecnológico sempre mutável, e em especial o progresso da
robotização e da inteligência artificial do qual já falamos, tem alterado de
forma radical o tipo de qualificação vantajoso para o trabalho, e o sistema
educacional muitas vezes demora a atender as novas demandas. Há mais de
vinte anos, por exemplo, Robert Reich assinalou o surgimento de uma
divisão entre serviços “simbólico-analíticos” (baseados em conhecimento),
produção rotineira e serviços “presenciais”. Os “analistas simbólicos” eram
engenheiros, juristas, pesquisadores, cientistas, professores, executivos,
jornalistas, consultores e outros “trabalhadores intelectuais” que, para
ganhar a vida, dedicavam-se sobretudo a coletar, processar, analisar e
manipular informações e símbolos. Os trabalhadores desse grupo, que,
segundo estimativas de Reich, constituía cerca de 20% da força de trabalho
nos Estados Unidos, tinham uma posição privilegiada, principalmente
porque podiam fazer negócios em qualquer lugar do mundo. No entanto,
precisavam ter uma excelente qualificação analítica e simbólica, e grande
parte dessa qualificação começa em casa, onde desde cedo as crianças
aprendem com seus brinquedos eletrônicos a usar e manipular dados e
informações adequados para uma economia emergente “baseada no
conhecimento” [5]. Esse grupo forma o núcleo de uma classe média alta
relativamente abastada, mas extremamente móvel, que tende cada vez mais
a se segregar (e isolar seus processos de reprodução social) em enclaves
privilegiados, longe do resto da sociedade. Comparativamente, os
trabalhadores da produção tradicional (por exemplo, produção de
automóveis e siderurgia) e aqueles de serviços ordinários têm pouco futuro,
em parte porque essas funções correm mais risco de desaparecer e em parte
porque até os empregos que permanecerão devem sofrer uma redução de
salários, com benefícios muito pequenos, simplesmente em razão do
excesso de mão de obra hoje disponível.
O tradicional interesse pela produtividade crescente do trabalho em
determinado segmento da força de trabalho não abrangia a princípio a vida afetiva e cultural dos trabalhadores. Certos aspectos da reprodução social,
como a criação de filhos ou o cuidado de idosos e doentes, continuaram a
ser, em muitos casos e lugares, um assunto do trabalhador individual e
permaneceram fora das considerações de mercado, assim como muitos dos
aspectos particulares da vida cultural. Mas com as complexidades
resultantes da urbanização e da industrialização capitalista, o Estado
capitalista se viu cada vez mais envolvido na regulação e provisão de saúde
pública, educação, controle social e até cultivo de certos hábitos mentais e
emocionais favoráveis à autodisciplina e à cidadania da população em geral.
Embora todo o campo da reprodução social seja, como diz Cindi Katz,
“o material carnudo, desordenado e indeterminado da vida cotidiana”, ele
também é “um conjunto de práticas estruturadas que se desdobram na
relação dialética com a produção, com a qual ele mantém uma mútua tensão
e constituição”. A unidade contraditória entre reprodução social e
reprodução do capital se cristaliza como uma contradição mutável de
singular interesse ao longo da história do capital. O que ela representa hoje
está a anos-luz do que representava em 1850. “A reprodução social”,
continua Katz, “engloba a reprodução diária e de longo prazo tanto dos
meios de produção quanto da força de trabalho para fazê-los funcionar. Em
seu nível mais básico, depende da reprodução biológica da força de
trabalho, tanto diariamente quanto de geração em geração”. Também
engloba a produção e a reprodução das habilidades manuais, mentais e
conceituais [6]. Tudo isso se alcança com o salário individual mais o salário
social fornecido pelas várias agências estatais (por exemplo, educação e
saúde pública) e instituições fundamentais da sociedade civil (por exemplo,
a Igreja e uma vasta gama de ONGs filantrópicas).
Do ponto de vista do trabalho, a reprodução social tem um significado
muito particular. Os trabalhadores recebem um salário em dinheiro e
escolhem como gastá-lo. No início, não interessava ao capital como e com
que era gasto esse dinheiro. Hoje, porém, isso é diferente, como veremos.
De quanto os trabalhadores precisam para sobreviver e se reproduzir
depende em parte de quanto os trabalhadores e suas famílias e comunidades
podem fazer por si mesmos. A reprodução social absorve uma imensa
quantidade de trabalho não remunerado, em grande parte realizado pelas mulheres, tanto no passado quanto hoje, como sempre apontaram
corretamente as feministas. Para o capital, a reprodução social é uma esfera
ampla e conveniente em que os custos reais são terceirizados para as
famílias e outras entidades comunais e incidem desproporcionalmente sobre
diferentes grupos da população. No caso da proletarização parcial, por
exemplo, como discutimos anteriormente, quase todos os custos da criação
dos filhos e do cuidado dos doentes e idosos ficam a cargo dos
trabalhadores domésticos das sociedades camponesas ou rurais. Sob as
condições da social-democracia, no entanto, os movimentos políticos
levaram o capital a incorporar alguns desses custos, seja de forma direta
(aposentadoria, seguros e assistência médica previstos no contrato salarial),
seja de forma indireta (tributação sobre o capital para dar suporte à provisão
estatal de serviços via Estado de bem-estar social).
Nos últimos tempos, parte do ethos e do programa político neoliberal
tem sido repassar o máximo possível dos custos da reprodução social para a
população em geral, com o intuito de aumentar a taxa de lucro do capital
reduzindo a carga tributária. O argumento é que o Estado de bem-estar
social se tornou oneroso demais, e que o alívio dos impostos para o capital
estimularia um crescimento econômico maior e mais forte, o que, quando os
benefícios se propagassem, melhoraria a vida de todos. Isso nunca
funcionou, é claro, porque os ricos se apoderam de quase todas as
economias e não repassam nenhum benefício (exceto na forma de
filantropias terapêuticas moralmente questionáveis).
As unidades familiares não são, contudo, entidades isoladas. Elas estão
incorporadas a uma matriz de interações e relações sociais. Suas tarefas
geralmente são compartilhadas: nos bairros de classe média dos Estados
Unidos, por exemplo, o uso compartilhado de automóveis, o cuidado dos
filhos, a organização de eventos coletivos como piqueniques no parque,
feiras e festas de rua fazem parte da vida cotidiana, e existe até um
eleitorado específico, o das soccer moms [b], que chamou a atenção dos
políticos. Existem muitos intercâmbios não monetários de ajuda mútua,
desde ajudar a consertar o carro do vizinho até pintar o pátio e ajudar a
manter espaços comuns de convivência. Com que frequência esses
intercâmbios acontecem e quais são seus mecanismos pode ser bastante variável, mas é inegável que, em muitas partes do mundo, as famílias se
unem numa série de práticas de apoio mútuo para criar um semblante de
vida em comum. Essas práticas são formalizadas pelo estabelecimento de
associações, assembleias étnicas, organizações religiosas etc., que dedicam
atenção considerável à definição e manutenção (às vezes repressiva) das
condições apropriadas da vida em comunidade para a reprodução social.
Essas associações podem constituir a base para movimentos sociais
maiores, e é delas que vem boa parte da inspiração de que outra vida é
possível, além daquela oferecida pelo puro mercado e pelas transações
monetárias. Embora pareça que o ataque neoliberal à provisão dos serviços
sociais pelo Estado possa ser neutralizado por um aumento de práticas de
ajuda mútua, na maioria dos casos as evidências apontam para o contrário: a
ética egoísta e individualista de maximização dos lucros com que trabalha o
neoliberalismo (junto de outras características, como uma maior mobilidade
geográfica) diminuiu, no mínimo, a ajuda mútua como característica da
vida social comum, exceto nas comunidades que definem seus laços em
termos religiosos ou étnicos. Também não ajuda em nada a crescente
predileção dos consumidores em tratar a casa onde moram como um
investimento especulativo de curto prazo, em vez de um lugar para
estabelecer uma vida sólida. Também é verdade que os modos de vida
urbana tipicamente produzidos pelo capital (sobretudo no que se refere à
dependência dos carros) não são muito propícios para a criação de redes de
apoio mútuo que possam estimular formas mais adequadas e
compensadoras de reprodução social.
Por trás disso tudo se esconde uma contradição incipiente e
potencialmente destrutiva, que já encontramos sob formas diferentes.
Trabalhadores e famílias são uma fonte significativa de demanda efetiva e
desempenham um papel importante na realização de valores no mercado. Se
produzem muito para si mesmos fora do mercado, não compram no
mercado e acrescentam muito pouco à demanda efetiva. Esse é o problema
da proletarização parcial e explica por que, em determinado momento, ela
dá lugar (em geral sob a pressão do capital) à proletarização plena. Se o
Estado de bem-estar social é desmantelado, boa parte da demanda efetiva
também acaba, e o campo para a realização dos valores diminui. Esse é o problema da política de austeridade. A contradição entre a crescente
lucratividade potencial do capital na produção e a decrescente lucratividade
potencial devido à demanda efetiva insuficiente aumenta quando as
tentativas para resolver a contradição entre reprodução social e produção
oscilam de um extremo ao outro.
Como resposta parcial a esse dilema, há na história do capital uma
longeva tendência de substituição do trabalho domiciliar pelas transações de
mercado (desde cortes de cabelo e refeições prontas ou congeladas até
lavagem a seco, atividades de entretenimento e cuidado de crianças e
idosos). A privatização dos serviços pessoais domésticos na esfera do
mercado, somada ao aumento da intensidade do capital em tecnologias
domésticas (desde máquinas de lavar roupa e aspiradores de pó até fornos
de micro-ondas e, é claro, casas e carros) que precisam ser compradas a
preços consideráveis (em geral a crédito), não só mudou radicalmente a
natureza das economias domésticas, como também revolucionou os
processos de realização dos valores do capital no mercado. A
mercantilização dos bens imóveis em todo o mundo abriu um campo vasto
de acumulação de capital mediante o consumo de espaço para a reprodução
social. Como vimos, há muito tempo o capital se preocupa em promover o
“consumo racional”, entendido como aquela forma de consumo familiar
que alimenta a acumulação de capital, independentemente de satisfazer ou
não as necessidades e carências humanas reais (quaisquer que sejam). A
reprodução social é cada vez mais infectada e, em alguns casos, totalmente
transformada por essas considerações.
Esse fato elementar tem suscitado muita reflexão sobre o papel
crescente do capital no domínio do que Jürgen Habermas (seguindo o
filósofo alemão Edmund Husserl) chama de “mundo vivido”, ou o que
Henri Lefebvre analisa como “vida cotidiana” [7]. É claro que a penetração
sistêmica do capital e seus produtos, sob uma forma ou outra, em quase
todos os aspectos de nosso mundo vivido provoca resistência, mas para a
maior parte da população mundial essa é uma batalha perdida, mesmo que
não tenha sido bem recebida. A esquerda progressista (em particular as
feministas socialistas) argumenta que o trabalho doméstico deveria ser
remunerado. Como grande parte desse trabalho é desproporcionalmente realizado pelas mulheres, o raciocínio político é claro, mas
desafortunadamente só consegue promover a monetização total de tudo, o
que, em última instância, favorece o capital. Afora a dificuldade de
monetizar as tarefas domésticas, é improvável que tal medida beneficie as
pessoas, muito menos as mulheres, que provavelmente continuarão a ser
exploradas, mesmo se forem pagas pelo trabalho doméstico.
Embora seja perfeitamente razoável, portanto, que o célebre historiador
francês Fernand Braudel encare a esfera da vida material e da reprodução
material das pessoas comuns na Baixa Idade Média como tendo pouco ou
nada a ver com o capital, ou mesmo com o mercado, esse argumento não
tem nenhuma importância para a nossa época, exceto naquelas partes cada
vez mais isoladas do mundo (por exemplo, sociedades indígenas ou
populações camponesas remotas) onde o capital ainda não exerceu uma
influência dominante[8]. A mercantilização da vida cotidiana e da
reprodução social se deu em ritmo acelerado e criou um espaço complexo
para a luta anticapitalista.
A esfera da reprodução social se tornou, em quase todos os lugares, o
campo das atividades capitalistas altamente intrusivas. Os tentáculos do
poder e da influência do Estado e do capital proliferam de mil maneiras nas
esferas da reprodução social em muitas partes do mundo. Nem todas essas
intervenções são perniciosas, é claro. A reprodução social é o lugar onde
crescem a opressão e a violência contra as mulheres, onde lhes são negadas
as oportunidades de educação, onde ocorrem com frequência violência e
abuso de crianças, onde a intolerância gera desprezo pelos outros, onde
muitas vezes os trabalhadores transferem para a família suas experiências
amargas de violência e opressão nos processos de trabalho, onde álcool e
drogas fazem estragos. Por isso é tão necessário um mínimo de regulação
social e talvez até de intervencionismo do Estado na esfera da reprodução
social, embora constitua um enquadramento burocrático da vida cotidiana e
da reprodução social que deixe muito pouco espaço para o desenvolvimento
autônomo. Além do mais, a profunda integração material de todos os
processos de produção, troca, distribuição e consumo na rede da vida social
e biológica tem produzido um mundo em que a contradição entre um
consumismo familiar do excesso potencialmente alienador e o consumo necessário à adequada reprodução social é tão evidente quanto a
contradição entre a reprodução social da força de trabalho e a reprodução
do capital. Que proporção da reprodução social contemporânea nos Estados
Unidos, por exemplo, dedica-se a treinar o máximo possível de pessoas na
arte insana do consumo desenfreado e das finanças especulativas, em vez de
formá-las para serem trabalhadoras boas e instruídas?
O que Randy Martin chama de “financeirização da vida cotidiana” se
tornou na última geração uma intromissão descarada na reprodução
social [9]. Se fizermos duas perguntas básicas: que proporção da reprodução
social é financiada pela dívida e quais são as implicações disso?, as
respostas serão assombrosas. Em muitas partes do mundo, o agiota sempre
foi uma figura importante, e continua sendo até hoje. Em boa parte da Índia,
a reprodução social ocorre sob a sombra ameaçadora do agiota. A situação
não melhorou com a chegada das instituições de microcrédito e
microfinanças (que, em alguns casos, levou as pessoas – em particular as
mulheres – ao suicídio como única saída para a dívida coletiva). Mas a
dívida pessoal, associada à reprodução social, tornou-se uma calamidade,
sob uma forma ou outra, em quase todo o mundo. O enorme endividamento
dos estudantes nos Estados Unidos está se repetindo na Grã-Bretanha, no
Chile e na China, e os empréstimos para financiar as despesas da vida
cotidiana se acumulam a níveis impressionantes. Em poucos anos, o
endividamento pessoal na China cresceu muito acima da renda, partindo
quase de zero, digamos, em 1980.
Essa generalização é atravessada, no entanto, pelo desenvolvimento
geográfico desigual dessas contradições. Alguns países (como os Estados
Unidos, onde o consumo representa mais de 70% do PIB) parecem mais
interessados em promover a demanda efetiva por meio de um consumismo
alienado, que corrompe as formas razoáveis de reprodução social, enquanto
outros se concentram na reprodução social de uma força de trabalho que
possa produzir valor incessantemente (a China, por exemplo, onde o
consumo representa cerca de 35% do PIB). Em cidades divididas, como
Lagos, São Paulo e até mesmo Nova York, uma parte da população dedica-
se ao consumo desenfreado e a outra à reprodução de uma mão de obra que
pode ser facilmente explorada, mas é amplamente redundante por ser excedente. O estudo da reprodução social nesses diferentes ambientes
revela uma enorme lacuna tanto nas qualidades como no significado das
atividades domésticas, com poucas semelhanças entre eles. Essas divisões
produzem manifestações curiosas no âmbito da moral burguesa. Os mesmos
moralistas que condenam o fato de que, no Paquistão e na Índia, crianças
trabalhem a troco de centavos durante dez ou doze horas por dia para
produzir bolas de futebol que depois serão chutadas por jogadores que
ganham milhões não enxergam que seus próprios filhos são explorados pelo
capital como consumidores no mercado, quando esses mesmos filhos são
iniciados na arte obscura do comércio e das manipulações da bolsa
(dinheiro por nada) pressionando o teclado de seus dispositivos. É só
procurar no Google o caso de Jonathan Lebed para entender o que estou
dizendo. Aos quinze anos, ele ganhou milhões de dólares comprando ações
de pequenas empresas públicas e criando salas de bate-papo na internet para
promover as ações que tinha acabado de comprar e vendê-las pelo preço
elevado que suas avaliações favoráveis tinham criado. Processado pela
Securities and Exchange Commission, ele simplesmente argumentou que
fez o que Wall Street sempre fez. A SEC estipulou uma pequena multa e
abandonou o processo como se fosse uma batata quente, porque Lebed
estava certo.
As contradições da reprodução social não podem ser entendidas fora
dessas circunstâncias geograficamente diferenciadas, mesmo que seu
caráter geral tenha mudado radicalmente com o passar do tempo. As
contingências da atividade material, das formas culturais e dos modos de
vida locais são muito importantes em diversas partes do mundo. Como
afirma Katz, a reprodução social “necessariamente permanece ligada ao
lugar”, num contexto em que o capital é altamente móvel. O resultado é que
“todos os tipos de dissociação ocorrem no espaço, nas fronteiras e na
escala, com a mesma probabilidade de recorrer às desigualdades
sedimentadas nas relações sociais e de provocar novas”. Trabalhadores
agrícolas são reproduzidos no México, mas acabam trabalhando nos
campos da Califórnia; mulheres que cresceram nas Filipinas desempenham
um papel importante no trabalho doméstico em Nova York; engenheiros formados sob o comunismo da ex-União Soviética acabam em Cabo
Canaveral; engenheiros de software formados na Índia vão para Seattle.
A reprodução social não diz respeito apenas às habilidades de trabalho e
à organização dos hábitos de consumo. “A reprodução da força de trabalho
traz à tona uma variedade de formas e práticas culturais que também são
geográfica e historicamente específicas”, diz Katz, e isso inclui todas
aquelas associadas ao conhecimento e ao aprendizado, às concepções
mentais do mundo, aos juízos éticos e estéticos, às relações com a natureza,
aos valores e costumes morais, bem como ao senso de pertencimento que
consolidam a lealdade a um lugar, uma região, um país. A reprodução social
também inculca “práticas que mantêm e reforçam classes e outras
categorias de diferença” e “um conjunto de formas e práticas culturais cuja
função é reforçar e naturalizar as relações sociais dominantes de produção e
reprodução”. Por meio dessas práticas sociais, “os atores sociais tornam-se
membros de uma cultura que ao mesmo tempo ajudam a criar e na qual e
contra a qual constroem sua identidade”.
“As questões da reprodução social”, conclui Katz, “são controversas e
escorregadias, mas a arena da reprodução social é onde se pode testemunhar
grande parte dos danos da produção capitalista global” [10]. É nesse campo
que a destruição criativa do capital manifesta seu aspecto mais traiçoeiro,
promovendo um consumismo alienado e formas individualistas de vida que
conduzem a nada menos do que uma cobiça egoísta, grosseira e
competitiva, ao mesmo tempo que atribui a suas vítimas a responsabilidade
pela situação difícil em que se encontram quando não conseguem (como é
inevitável) construir seu capital pretensamente humano. É nessa esfera que
a reprodução da desigualdade começa e, na falta de uma força contrária
poderosa, acaba. Nos Estados Unidos, por exemplo, a mobilidade social
está quase estagnada, de modo que tudo repousa sobre um processo de
reprodução social altamente desigual e canalizado, e até discriminatório. Se
em outra época a população em geral se virava para se reproduzir sem
assistência do capital ou do Estado, agora ela tem de se reproduzir num
ambiente de corrupções e intervenções maciças do Estado e do capital na
construção de uma vida cotidiana orientada não só para ocupar postos
altamente diferenciados (inclusive o de vagabundo) em um tipo particular de mão de obra, mas também para ser o escoadouro de uma variedade
enorme de produtos desnecessários e indesejados que o capital produz e
comercializa com tanto talento.
Também existem aqueles, é claro, que veem a contradição e buscam
formas de contorná-la. Alguns anseiam por um retorno aos modos indígenas
de pensar e viver, ou ao menos veem alguma esperança em desafiar as
formas grosseiras de reprodução social contemporânea sob o capitalismo
consumista organizado, construindo comunidades alternativas baseadas em
redes de famílias e associações de trabalhadores. Mas a estratégia do capital
para infectar a reprodução social com o consumismo é antiga e persistente,
além de generosamente financiada por uma indústria de propaganda e
promoção que não mede esforços para vender seus produtos. “Conquiste as
mulheres” era o lema dos proprietários das novas lojas de departamento de
Paris na época do Segundo Império, quando tentavam obter mais poder de
mercado. Mais recentemente, o slogan “Conquiste as crianças, quanto mais
cedo melhor” dominou grande parte da publicidade de consumo. Se nossos
filhos são criados na frente da televisão, jogando no computador ou
brincando com iPads, isso tem consequências de longo alcance para as suas
atitudes psicológicas e culturais, concepções de mundo e futuras
subjetividades políticas. A reprodução é um problema controverso, diz
Katz, em parte porque se concentra demais na reprodução “das próprias
relações sociais e de formas materiais que são problemáticas”. Por isso, é
improvável que a reprodução social seja uma fonte de sentimentos
revolucionários. No entanto, muita coisa depende dela, inclusive a política
de oposição.
A onipresença da reprodução social faz dela um ponto central, a partir
do qual se constrói uma crítica do capital em uma de suas formas mais
insidiosas. Esse era exatamente o projeto de Henri Lefebvre quando
escreveu os vários volumes de Critique of Everyday Life [11]. Ele pretendia
oferecer uma crítica da individualidade (a consciência “privada” e o
individualismo), uma crítica do dinheiro (compreendido em termos de
fetichismo e alienação econômica), uma crítica das necessidades (alienação
psicológica e moral do consumismo, embora não, obviamente, do
consumismo necessário), uma crítica do trabalho (alienação do trabalhador) e, por fim, mas não menos importante, uma crítica do conceito e da
ideologia da liberdade (o poder sobre a natureza e sobre a natureza
humana).
Isso nos leva a uma forma política de respostas anticapitalistas ao que
aconteceu com a vida cotidiana sob o capitalismo e ao que tanto
transformou a reprodução social. A negação das múltiplas alienações pode
ser a vanguarda de qualquer resposta política coletiva às degradações da
vida cotidiana e à perda de autonomia na reprodução social dominada pelo
capital e pelo Estado capitalista. Isso não implica que a única resposta para
essa situação seja a unidade familiar isolada, que faz o que quer. A
alternativa é a incorporação das unidades familiares a uma rede social cujo
propósito seja a gestão e o desenvolvimento de uma vida comum baseada
em valores “civilizados”. Falaremos dessa alternativa na conclusão.
Enquanto isso, o último ponto de Lefebvre – a crítica da liberdade –
também merece atenção, pois está no centro de outra contradição
importante do capital, como veremos no próximo capítulo.
Uma coisa é certa, no entanto. Qualquer estratégia dita “radical”, que
tente empoderar os desempoderados no campo da reprodução social,
abrindo-o para a monetização e para as forças do mercado, está indo na
direção errada. Oferecer educação financeira para a população em geral
significará simplesmente expô-la às práticas predatórias, enquanto tenta
administrar seus investimentos como peixinhos num mar de tubarões.
Oferecer serviços de microcrédito e microfinanças encoraja as pessoas a
participar da economia de mercado, mas de tal modo que teriam de
maximizar a energia que têm para gastar enquanto minimizam seus ganhos.
Conceder títulos de propriedade de terra e imóveis com a esperança de que
isso gere estabilidade social e econômica para a vida das pessoas
marginalizadas não evitará que a longo prazo elas sejam espoliadas e
expulsas daquele espaço que já ocupam por direito consuetudinário.
[a] Termo originalmente criado para se referir ao socialismo fabiano, movimento reformista que teve lugar na Grã-Bretanha no fim do século XIX, conduzido pela Sociedade Fabiana, que acreditava que a mudança do capitalismo para o socialismo se daria de forma gradual, e não revolucionária. Composta em sua maioria por intelectuais burgueses, formulou um programa municipal de acesso a serviços básicos ao menor custo possível. (N. E.)
[1] Adam Smith, A riqueza das nações (trad. Luiz João Baraúna, São Paulo, Nova Cultura, 1996), v. 1, p. 290.
[2] Karl Marx, O capital, Livro III, cit.
[3] Gary Becker, Human Capital: A Theoretical and Empirical Analysis, with Special Reference to Education (Chicago, University of Chicago Press, 1994).
[4] Pierre Bourdieu, “The Forms of Capital”, em John Richardson (org.), Handbook of Theory and Research for the Sociology of Education (Nova York, Greenwood, 1986).
[5] Robert B. Reich, O trabalho das nações, cit.
[6] Cindi Katz, “Vagabond Capitalism and the Necessity of Social Reproduction”, Antipode, v. 33, n. 4, 2001, p. 709-28.
[b] “Mães motoristas”, expressão usada para se referir às donas de casa estadunidenses que não trabalham e se dedicam a cuidar das atividades extracurriculares dos filhos, como levá-los ao futebol e outras atividades esportivas. (N. T.)
[7] Jürgen Habermas, Teoria do agir comunicativo: sobre a crítica da razão funcionalista (trad. Paulo Astor Soethe, São Paulo, WMF Martins Fontes, 2012), v. 2; Henri Lefebvre, Critique of Everyday Life (Londres, Verso, 1991).
[8] Fernand Braudel, Civilização material, economia e capitalismo (trad. Telma Costa, São Paulo, WMF Martins Fontes, 1995), 3 v.
[9] Randy Martin, Financialization of Daily Life (Filadélfia, Temple University Press, 2002).
[10] Cindi Katz, “Vagabond Capitalism and the Necessity of Social Reproduction”, cit.
[11] Henri Lefebvre, Critique of Everyday Life, cit.