17 contradições e o fim do capitalismo

David Harvey · Capítulo 30 de 48

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17 contradições e o fim do capitalismo

aplicada a outro[1].

progressivamente a dependência da circulação de formas fictícias de capital

e construções fetichistas de valor centradas na forma-dinheiro e no sistema

de crédito. Como é de se esperar, alguns segmentos da população são

considerados mais descartáveis do que outros, assim mulheres e negros

arcam com a maior parte do fardo e provavelmente arcarão ainda mais num

futuro próximo[13].

Martin Ford coloca corretamente a questão: como a população

redundante e descartável viverá (e proporcionará um mercado) nessas

condições? Os movimentos anticapitalistas têm de elaborar uma resposta

construtiva e viável a longo prazo. É preciso pensar e pôr gradualmente em

prática um planejamento e uma ação organizada para enfrentar as novas

eventualidades e garantir uma provisão suficiente de valores de uso. Ao

mesmo tempo, a esquerda tem de organizar ações defensivas contra as

tecnologias empregadas nas práticas cada vez mais predatórias de

acumulação por espoliação, as ondas de desqualificação, o desemprego

permanente, a crescente desigualdade social e a degradação acelerada do

meio ambiente. A contradição que enfrenta o capital se metamorfoseia

numa contradição que necessariamente se interioriza na política

anticapitalista.

 

[1] W. Brian Arthur, The Nature of Technology, cit., p. 22 e segs.

[2] Jane Jacobs, The Economy of Cities (Nova York, Vintage, 1969).

[3] W. Brian Arthur, The Nature of Technology, cit., p. 211.

[4] Alfred North Whitehead, Process and Reality (Nova York, Free Press, 1969), p. 33.

[5] W. Brian Arthur, The Nature of Technology, cit., p. 213; Karl Marx, Grundrisse, cit.

[6] W. Brian Arthur, The Nature of Technology, cit., p. 91.

[7] Joseph Schumpeter, Capitalism, Socialism and Democracy (Londres, Routledge, 1942), p. 82-3 [ed. bras.: Capitalismo, socialismo e democracia, trad. Sérgio Góes de Paula, Rio de Janeiro, Zahar, 1984].

[8] W. Brian Arthur, The Nature of Technology, cit., p. 186.

[9] André Gorz, Critique of Economic Reason (Londres, Verso, 1989), p. 200.