17 contradições e o fim do capitalismo

David Harvey · Capítulo 27 de 48

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17 contradições e o fim do capitalismo

Capítulo 9

inexoravelmente pela ladeira do desemprego e da pauperização. Para evitar isso, o

poder aquisitivo das famílias teria de deixar de depender do volume de trabalho que a

economia consome. Ainda que dedique muito menos tempo ao trabalho, a população

teria de ganhar o suficiente para comprar um volume maior de bens produzidos: a

redução do tempo de trabalho não pode ocasionar uma redução do poder de compra. [9]

 

Os detalhes que Ford cita para apoiar sua afirmação geral são

impressionantes. Há evidências empíricas claras do crescimento

exponencial inexorável da capacidade e da velocidade dos computadores.

Grosso modo, esse crescimento dobrou a cada dois anos no decorrer das

últimas três décadas. O aumento dessa capacidade dos computadores não

depende da construção de uma tecnologia que tenha a habilidade de pensar

como nós. Ele surge do fato de que o computador é “inimaginavelmente

rápido” e torna-se cada vez mais rápido com o tempo. O ganho de

velocidade sempre foi, como vimos, um objetivo fundamental da inovação

tecnológica em relação ao capital, e o mundo da informática não é exceção.

Uma das consequências do crescimento exponencial da capacidade dos

computadores é que “categorias inteiras do emprego tradicional correm o

risco de ser expressivamente informatizadas num futuro próximo”. A ideia

de que a criação de empregos pelas novas tecnologias compensará essas

perdas é “pura fantasia”. Ademais, a ideia de que apenas os trabalhos

rotineiros mal remunerados serão eliminados, ao contrário dos trabalhos

qualificados, com alta remuneração (como radiologistas, médicos,

professores universitários, pilotos de avião etc.), é um equívoco. “No

futuro, a automação incidirá fortemente sobre os trabalhadores do

conhecimento, em particular os mais bem pagos”. Ford conclui: “Permitir

que esses empregos sejam eliminados aos milhões, sem nenhum plano

concreto para lidar com os problemas resultantes, é a fórmula perfeita para

o desastre” [10].

Mas de que tipo de desastre estamos falando? Do ponto de vista do

capital, segmentos cada vez maiores da população mundial serão

considerados redundantes e descartáveis como trabalhadores produtivos e

terão dificuldades para sobreviver, tanto material quanto psicologicamente.

Alienados de qualquer perspectiva de existência significativa no campo do

trabalho necessário, tal como é definido pelo capital, terão de procurar outros espaços para construir uma vida significativa. Por outro lado, a