17 contradições e o fim do capitalismo
14. Liberdade e dominação
Contradição 14
Liberdade e dominação
Paredes de pedra não fazem uma prisão,
Nem barras de ferro uma jaula;
Mentes quietas e tranquilas
Tomam-nas como eremitério;
Se tenho liberdade em meu amor
E em minha alma sou livre,
Só os anjos, que pairam lá no alto,
Desfrutam de tal liberdade.[a]
Esses são os versos de um poema muito citado de Richard Lovelace, escrito
na prisão para sua amada. Lovelace foi preso em 1642 por pedir que o
Parlamento revogasse uma lei que regulava o clero – foi preso por exercer
sua liberdade de apresentar uma petição. O momento é importante: foi
durante a primeira fase da Guerra Civil inglesa, que reprimiu o poder da
Igreja oficial e culminou na execução do rei Carlos I. Foi uma época em
que, como afirma o historiador Christopher Hill, o mundo estava “sendo
virado de ponta-cabeça” por movimentos políticos, religiosos e sociais que
procuravam uma maneira de relacionar ideias e ideologias fortes sobre
direitos e liberdades individuais à gestão de interesses coletivos e comuns
em benefício de um suposto bem comum (sobre o qual havia muita
discordância) [1]. Quaisquer que fossem as divergências, o direito divino dos
reis e da Igreja oficial (mas não dos dissidentes) estava sob ataque feroz. Mas que tipo de corpo político poderia e deveria substituí-los, e com quais
liberdades?
Os sentimentos expressos no poema de Lovelace continuam muito
vivos. A maioria de nós, socializados nos costumes do capital, acredita que
somos abençoados com a capacidade da liberdade de pensamento, sejam
quais forem os muros ou as barreiras que nos cerquem. Não é difícil
imaginar uma situação ou até um mundo diferente daqueles em que
vivemos. Podemos até imaginar as iniciativas eficazes para a reconstrução
do nosso mundo com uma aparência diferente. E, se somos livres para
imaginar alternativas, por que não podemos lutar livremente para
transformar em realidade aquilo que imaginamos, mesmo reconhecendo que
as circunstâncias históricas e geográficas podem não ser particularmente
propícias para propor e buscar alternativas? Não são só os simpatizantes da
romancista libertária de direita Ayn Rand que pensam dessa maneira.
Radicais de todos os tipos, entre eles Marx, defendiam de bom grado essa
ideia. Afinal, como diz Terry Eagleton em Marx estava certo, “o livre
florescimento dos indivíduos é o objetivo primeiro de sua política, desde
que nos recordemos de que esses indivíduos precisam descobrir alguma
forma de florescer em conjunto”[2]. O que distancia Rand de Marx é que
este último considerava que o verdadeiro florescimento da criatividade
individual (ideal que remonta à concepção da boa vida em Aristóteles) se
realiza melhor em colaboração e associação com os outros, num impulso
coletivo para extinguir as barreiras da escassez e da necessidade material,
para além das quais, dizia Marx, começava o verdadeiro campo da
liberdade individual.
Mas por trás disso esconde-se uma pergunta complexa: existe alguma
coisa no significado e na definição contemporâneos de liberdade que nos
impeça de adotar alternativas anticapitalistas? Será que eu, como Lovelace,
vou acabar na prisão por buscar livremente essas alternativas? Será que
trabalhamos, quase sem saber, com conceitos parciais, corrompidos e, por
fim, restritivos de liberdade e autonomia, que só fazem apoiar o status quo
e, em sentido mais profundo, representam a visão deformada do capital
sobre o que são os direitos humanos e a justiça social? Será que o motor
econômico do capital está tão fortemente ligado a certos conceitos fundamentais, embora parciais, de liberdade e autonomia a ponto de tolher
uma abordagem que não seja, na pior das hipóteses, empresarial e, na
melhor, humanista liberal da questão política crucial da liberdade versus
dominação?
Em quase todos os discursos de posse de presidentes do Estados Unidos
que já li, um tema recorrente é o do país como defensor da liberdade e da
autonomia, que não só fará qualquer sacrifício para conter as ameaças à
liberdade, como usará seu poder e sua influência para promover a difusão
da liberdade e da autonomia por todo o mundo. George W. Bush, que usava
repetidamente as palavras “liberdade” e “autonomia” em todos os seus
discursos, descreveu em termos comoventes essa tradição dos Estados
Unidos (enquanto o país marchava para uma guerra inventada contra o
Iraque):
O avanço da liberdade é o chamado da nossa época. É o chamado do nosso país. Dos
Catorze Pontos [Woodrow Wilson] às Quatro Liberdades [Theodore Roosevelt] e ao
Discurso de Westminster [Ronald Reagan], a América pôs nosso poder a serviço desse
princípio. Acreditamos que a liberdade é o desígnio da natureza. Acreditamos que a
liberdade é a direção da história. Acreditamos que a satisfação e a excelência humanas
vêm do exercício responsável da liberdade. E acreditamos que a liberdade – essa que
estimamos – não deve ser só nossa. Ela é um direito e uma capacidade de toda a
humanidade.
Em um discurso para parlamentares britânicos na Mansion House, em
Londres, ele situou as raízes de seu pensamento da seguinte maneira: “Às
vezes somos criticados por ter uma crença ingênua de que a liberdade pode
mudar o mundo: se acreditar nisso for um erro, é porque lemos muito John
Locke e Adam Smith”[3]. Embora seja impressionante imaginar que Bush
tenha de fato lido esses autores, o enraizamento de seus argumentos nas
ideias do início da economia política é, como veremos, de suma
importância.
Infelizmente, essa preocupação dos Estados Unidos em proteger a
liberdade e a autonomia tem sido sistematicamente usada para justificar a
dominação imperial e neocolonial de grande parte do mundo. Os Estados
Unidos não hesitaram e não hesitam em recorrer à coerção e à violência ao perseguir os valores absolutos da liberdade e da autonomia. Há uma longa
história de operações secretas organizadas pelos Estados Unidos para apoiar
golpes contra líderes eleitos democraticamente (Jacobo Arbenz na
Guatemala em 1954, Salvador Allende no Chile em 1973 e, mais
recentemente, a tentativa fracassada contra Hugo Chávez na Venezuela).
Nos próprios Estados Unidos, vivemos num mundo de vigilância extensiva
do governo sobre as comunicações privadas dos cidadãos, de quebra de
qualquer código criptografado pelas autoridades governamentais (para
acessar nossos registros bancários, médicos e de cartão de crédito), tudo em
nome de nos manter livres e seguros da ameaça do terror. A busca da
liberdade e da autonomia parece dar licença para uma série de práticas
repressoras. A população dos Estados Unidos está tão alheia ou tão
familiarizada com essa contradição que mal percebe que a retórica
inspiradora sobre a liberdade e a autonomia, que ela abraça com tanta
facilidade, é acompanhada com frequência de operações mesquinhas de
dominação, cujo intuito em geral é obter alguma vantagem mercenária, sem
falar dos abusos crônicos aos direitos humanos em Abu Ghraib, no Iraque,
em Guantánamo, em Cuba, ou em solo afegão. Até a Anistia Internacional
condenou os Estados Unidos pelas “atrozes violações dos direitos
humanos” em Guantánamo, uma crítica que o governo faz questão de
ignorar. Infelizmente, não há nada de novo em inversões desse tipo.
“Guerra é paz. Liberdade é escravidão. Ignorância é força”, escreveu
George Orwell em 1984, obviamente pensando na antiga União Soviética.
Diante disso, é tentador concluir que a retórica política da busca da
liberdade e da autonomia é um engodo, uma máscara para hipócritas como
Bush perseguirem mais objetivos mercenários de lucro, espoliação e
dominação. Mas isso negaria a força daquela outra história que, das revoltas
camponesas aos movimentos revolucionários (estadunidenses, franceses,
russos, chineses etc.) e à luta para abolir a escravidão e libertar populações
inteiras dos grilhões do domínio colonial, mudou radicalmente os contornos
do funcionamento da nossa sociedade mundial em nome da liberdade. Isso
aconteceu enquanto as forças sociais estendiam o campo da liberdade e da
autonomia com lutas contra o apartheid, em defesa dos direitos civis, dos
trabalhadores, das mulheres e de muitas minorias (LGBT, indígenas ou pessoas com deficiência). Todas essas lutas aconteceram à sua maneira na
história do capitalismo para transformar nosso mundo social. Quando
manifestantes protestavam contra um governo tirânico plantando árvores da
liberdade, esse gesto não era vazio. Hoje, quando o grito de “liberdade
agora” ecoa nas ruas, a ordem social dominante estremece e tem de fazer
concessões, embora o que oferece tenha pouco mais do que um valor
simbólico.
O desejo popular por liberdade e autonomia tem sido uma força
poderosa em toda a história do capital. Essa busca não vai morrer com
facilidade, não importa o quanto seja banalizada ou desprezada pela retórica
das classes dominantes e seus representantes políticos. Mas essa moeda tem
um lado escuro. Em certo ponto de sua trajetória (sobretudo quando chegam
perto de seus objetivos), todos esses movimentos progressistas têm de
escolher quem ou o que será dominado para garantir a liberdade e a
autonomia que procuram. Em situações revolucionárias, o boi de alguém
tem de ir para o sacrifício, resta saber o boi de quem e por quê. O pobre
Lovelace é preso e isso parece injusto. Na Revolução Francesa, o Terror
serviu para consolidar a “liberdade, igualdade e fraternidade”. As
esperanças e os sonhos de gerações de insurgentes comunistas naufragaram
nas rochas dessa contradição, enquanto a promessa de emancipação humana
se desfazia na poeira de um governo burocratizado e esclerosado, apoiado
num aparelho de repressão policial. De maneira semelhante, cidadãos das
sociedades pós-coloniais que acreditavam verdadeiramente que a luta pela
liberdade e pela libertação nacional levaria a um imenso avanço da
liberdade vivem hoje em estado de decepção, quando não de medo, pelo
futuro de suas próprias liberdades. A África do Sul, depois de anos de luta
feroz contra o apartheid, não está muito melhor no que se refere à
realização das liberdades básicas relativas à miséria e às necessidades. Em
algumas partes do mundo, como Singapura, as liberdades individuais são
estritamente limitadas, vendidas, por assim dizer, a troco de um rápido
incremento do bem-estar material.
Temos aqui uma enorme contradição. Liberdade e dominação
caminham juntas. Não existe liberdade que não tenha de lidar com a arte
obscura da dominação. A dominação do próprio medo diante de circunstâncias opressivas, a dominação dos cínicos e dos céticos, sem falar
dos inimigos externos, pode ser necessária para abrir caminho para
liberdades maiores. Essa unidade entre liberdade e dominação é, como
sempre, uma unidade contraditória. Para promover uma causa justa, talvez
seja necessário empregar meios injustos.
Esses dois termos antagônicos, liberdade e dominação, situam-se nos
extremos de uma contradição que adota formas muito sutis, cheias de
nuances, para não dizer disfarces (a dominação pode se mascarar de
consentimento, ou se estabelecer por persuasão e manipulação ideológica).
Mas prefiro uma linguagem mais evidente e perturbadora, justamente
porque ignorar suas possíveis consequências causa a decepção de milhões
que lutam fielmente pela liberdade, muitas vezes à custa da própria vida,
apenas para encontrar seus descendentes nadando nas águas escuras de
outra forma de dominação. Qualquer luta por liberdade e autonomia deve
estar preparada para enfrentar desde o início quem se prepara para dominar.
Também deve reconhecer que o preço para manter as liberdades é a eterna
vigilância contra o retorno de formas antigas ou novas de dominação.
É nesse sentido que a referência a John Locke e Adam Smith é
relevante. Afinal, a economia política liberal clássica propôs não só um tipo
de modelo utópico para o capitalismo universalizado, mas também uma
certa visão da autonomia e da liberdade individual que em última instância
consolidou, como afirma o filósofo francês Michel Foucault, uma estrutura
autorreguladora de governo que impôs limites à arbitrariedade do poder
estatal, ao mesmo tempo que levou os indivíduos a regular sua própria
conduta, de acordo com as regras de uma sociedade de mercado[4]. A
dominação e a disciplina de si foram internalizadas no indivíduo. Isso quer
dizer que os conceitos dominantes de liberdade e autonomia estavam e
ainda estão profundamente entranhados nas relações e nos códigos sociais
característicos da troca mercantil baseada na propriedade privada e nos
direitos individuais. Estes, exclusivamente, definiram o campo da liberdade,
e qualquer coisa que os desafiasse tinha de ser abatida sem piedade. A
ordem social se constituiu pelo que Herbert Marcuse chamou de “tolerância
repressiva”: havia limites estritos além dos quais ninguém se aventurava,
não importa quão premente fosse a causa da liberdade e da autonomia, enquanto a retórica da tolerância era empregada para nos fazer tolerar o
intolerável [5].
A única surpresa nisso tudo é o fato de nos surpreendermos quando
percebemos e pensamos no assunto. Afinal de contas, não é óbvio que a
violência e a dominação do Estado têm necessariamente de estar por trás
das liberdades do mercado? Na teoria e nas práticas do Estado liberal,
surgidas a partir do século XVIII, a ideia norteadora era que o Estado
deveria limitar suas intervenções, praticar o laissez-faire com relação às
práticas individuais e, em particular, às práticas empresariais nos mercados,
não por benevolência paternalista, mas por interesse próprio na
maximização da acumulação de riqueza monetária e de poder em sua
jurisdição soberana. Que muitas vezes o Estado se excede em suas
atividades reguladoras e intervencionistas é uma reclamação comum entre
os cidadãos e, é claro, uma reclamação-padrão do capital. De tempos em
tempos, surgem movimentos políticos (como o Tea Party, nos Estados
Unidos) com a clara missão de pôr fim à intervenção estatal, seja esse
intervencionismo benéfico ou não. Os críticos libertários dizem que está na
hora de dar um basta ao Estado-babá e iniciar o verdadeiro reino da
autonomia e da liberdade individual.
Karl Polanyi entendeu muito bem essas relações, mas do outro lado do
argumento político. Escreveu hipoteticamente:
O fim da economia de mercado pode se tornar o início de uma era de liberdade sem
precedentes. A liberdade jurídica e real pode se tornar mais ampla e mais geral do que
em qualquer tempo; a regulação e o controle podem atingir a liberdade, mas para todos
e não apenas para alguns. Liberdade não como complemento do privilégio,
contaminada em sua fonte, mas como um direito consagrado, que se estende muito
além dos estreitos limites da esfera política e atinge a organização íntima da própria
sociedade. Assim, as antigas liberdades e direitos civis serão acrescentados ao fundo
da nova liberdade gerada pelo lazer e pela segurança que a sociedade oferece a todos.
Uma tal sociedade pode-se permitir ser ao mesmo tempo justa e livre.
A dificuldade para realizar essa extensão do campo da liberdade reside
nos interesses de classe e nos privilégios entrincheirados, ligados às grandes
concentrações de riqueza. As classes abastadas, seguras de suas liberdades, resistem a qualquer restrição de suas ações, afirmam que estão sendo
reduzidas à condição de escravos do totalitarismo socialista e fazem
campanha constante pela extensão de suas próprias liberdades particulares
em detrimento da liberdade dos outros.
A empresa livre e a propriedade privada são consideradas elementos essenciais à
liberdade. Não é digna de ser chamada livre qualquer sociedade construída sobre
outros fundamentos. A liberdade que a regulação cria é denunciada como não
liberdade; a justiça, a liberdade e o bem-estar que ela oferece são descritos como
camuflagem da escravidão. [...] Isto significa uma liberdade total para aqueles cuja
renda, lazer e segurança não precisam ser enfatizados, e um mínimo de liberdade para
o povo, que pode tentar em vão valer-se dos seus direitos democráticos para se
proteger do poder dos donos da propriedade. [6]
Desse modo, Polanyi constrói uma refutação convincente às teses
centrais de O caminho da servidão, de Friedrich Hayek, escrito em 1942-
1943, mas considerado até hoje a bíblia do direito libertário e um texto
extremamente influente, que já vendeu mais de 2 milhões de cópias.
É claro que na raiz do dilema está o significado da própria liberdade. A
utopia da economia política liberal “encaminhou os nossos ideais numa
falsa direção”, diz Polanyi. Ela não reconheceu que “não existe uma
sociedade sem o poder e a compulsão, nem um mundo em que a força não
tenha qualquer função”. Ao se prender a uma visão de livre mercado da
sociedade, ela “ igualava a economia a relações contratuais, e as relações
contratuais com a liberdade” [7]. Esse é o mundo que os republicanos
libertários pretendem construir. É também a visão de autonomia e liberdade
individual adotada por grande parte da esquerda anarquista e autonomista,
ainda que condenem peremptoriamente a versão capitalista de livre
mercado. É impossível escapar da unidade contraditória entre liberdade e
dominação, seja o que for que defendam os políticos.
A consequência política disso, argumenta Polanyi, foi que “nem os
eleitores, nem os proprietários, nem os produtores, nem os consumidores
podiam ser responsabilizados por essas brutais restrições à liberdade que
resultaram na ocorrência do desemprego e da destituição”. Tais condições
foram resultado de causas naturais, que estavam além do controle de qualquer um e pelas quais ninguém era responsável. A obrigação de
enfrentar essas condições podia ser “negada em nome da liberdade” [8]. A
Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, em sua maioria
republicana, pode votar feliz a favor do corte do auxílio-alimentação a uma
população cada vez mais pobre (ao mesmo tempo que reforça os subsídios
ao agronegócio), em nome do apoio à causa e do aumento do campo da
liberdade. Não podemos tratar a questão da liberdade, conclui Polanyi, sem
antes rejeitar a visão utópica da economia política clássica e grande parte da
política libertária ligada a ela. Só assim estaremos “face a face com a
realidade da sociedade” e suas contradições. Do contrário, como acontece
hoje escancaradamente, nossas liberdades estarão condicionadas à negação
da realidade social. Essa negação da realidade é o que faz de maneira tão
precisa a maioria dos discursos de direita, como o do presidente Bush.
A conexão íntima entre as concepções de autonomia e liberdade e o
capital, mediada pelos escritos utópicos dos economistas políticos, não
deveria nos surpreender. Afinal, a extração de excedentes produzidos pelo
trabalho pressupõe a dominação e a relativa falta de liberdade dos
trabalhadores sob o domínio do capital. Como Marx disse ironicamente, os
trabalhadores são livres em duplo sentido: eles são livres para vender sua
força de trabalho para quem quiserem e, ao mesmo tempo, são liberados do
controle dos meios de produção (a terra, por exemplo) que lhes
possibilitariam um meio de sobrevivência diferente daquele definido pelo
trabalho assalariado. O divórcio histórico dos trabalhadores do acesso aos
meios de produção implicou uma longa e contínua história de violência e
coerção em nome da liberdade de acesso do capital ao trabalho assalariado.
O capital também exigia liberdade para perambular pelo mundo em busca
de possibilidades lucrativas, e, como vimos antes, isso exigiu a eliminação
ou redução das barreiras físicas, sociais e políticas. “Laissez-faire” e
“laissez-passer” tornaram-se os lemas da ordem capitalista. Isso se aplica
não só à mobilidade, mas também à liberdade da interferência reguladora,
exceto naquelas circunstâncias em que os danos externos a outros
capitalistas, ou à economia como um todo, tornam-se tão inaceitáveis ou tão
perigosos que exigem intervenção do Estado. A liberdade de pilhar os
recursos naturais das populações indígenas e locais, deslocar e espoliar paisagens onde necessário, extrapolar o uso dos ecossistemas, em alguns
casos muito além de sua capacidade de reprodução, tudo isso se tornou
parte fundamental das liberdades necessárias do capital. O capital exige que
o Estado proteja a propriedade privada e imponha contratos e direitos de
propriedade intelectual contra a ameaça de espoliação, exceto nos casos em
que o exige o interesse público (em geral um pretexto para o próprio
capital).
Nenhuma das liberdades que o capital necessita e exige passou sem
contestação. Na verdade, às vezes a contestação é feroz. As liberdades do
capital residem claramente, como reconheceram muitas pessoas, na falta de
liberdade dos outros. Os dois lados, segundo Marx, tinham seus direitos: o
capital tentava extrair o máximo de tempo de trabalho dos trabalhadores,
enquanto os trabalhadores tentavam proteger sua liberdade para viver sem
ter de trabalhar até morrer. Entre esses dois direitos, afirmou Marx de
maneira célebre, quem decide é a força. Mas era esse mundo explorador
que os economistas políticos justificavam em nome de um programa
utópico de progresso universal que supostamente beneficiaria a todos. Mas
se, como disse Marx, o verdadeiro campo da liberdade começa quando e
onde a necessidade fica para trás, então possivelmente um sistema político-
econômico baseado no cultivo ativo da escassez, do empobrecimento, do
excedente de trabalho e das necessidades não satisfeitas não nos permitiria
entrar no verdadeiro campo da liberdade, onde o desenvolvimento humano
individual de todos é uma possibilidade real. O paradoxo é que hoje a
automação e a inteligência artificial nos dão meios abundantes de atingir o
sonho marxiano da liberdade para além do campo da necessidade, mas ao
mesmo tempo as leis da economia política do capital afastam essa liberdade
para cada vez mais longe do nosso alcance.
Infelizmente, o poder corrosivo do raciocínio econômico do capital abre
caminho até o coração dos esforços humanistas mais profundos para
estender o campo da liberdade para além dos condomínios fechados onde se
enclausuram cada vez mais os ricos e a riqueza deste mundo.
Consideremos, a título de ilustração, a obra exemplar de Amartya Sen, que
em Desenvolvimento como liberdade se esforça para levar a razão
econômica ao seu limite humanitário “em nome da liberdade”. Sen entende a liberdade tanto como um processo quanto como o que chama de
“oportunidades substantivas”. A distinção é importante porque encerra uma
crítica a um estatismo de bem-estar social tradicional que tratava os
trabalhadores e o povo em geral como meros objetos da política, e não
como sujeitos da história. Para Sen, é tão importante mobilizar o povo e
desenvolver suas capacidades de agentes ativos no desenvolvimento
econômico como conduzir as pessoas a um Estado em que tenham as
oportunidades substantivas necessárias (acesso a bens materiais e serviços)
para ter uma vida digna. Ele descreve corretamente, a meu ver, as muitas
instâncias em que os sujeitos venderiam de bom grado suas liberdades
substantivas para participar livremente da busca ativa e inalienada de seu
próprio destino. Escravos e servos podiam ser mais bem tratados do que os
trabalhadores assalariados, mas provavelmente nem por isso estes últimos
venderiam sua liberdade relativa como trabalhadores assalariados. A
liberdade de participar e desenvolver suas próprias capacidades é crucial
para alcançar o desenvolvimento. Isso é preferível às mudanças
substantivas, por mais impressionantes que sejam, já que são impostas e
orquestradas por poderes estatais alheios e muitas vezes paternalistas. Sen
usa essa perspectiva da liberdade “tanto na análise avaliatória para aquilatar
a mudança como na análise descritiva e preditiva, que considera a liberdade
um fator causalmente eficaz na geração de uma mudança rápida”. Esses
processos de desenvolvimento funcionam por meio de “uma variedade de
instituições sociais – ligadas à operação de mercados, a administrações,
legislaturas, partidos políticos, instituições não governamentais, poder
judiciário, mídia e comunidade em geral”. Tudo isso, argumenta Sen,
“contribui para o processo de desenvolvimento precisamente por meio de
seus efeitos sobre o aumento e a sustentação das liberdades individuais”.
Sen busca uma “compreensão integrada dos papéis perspectivos dessas
diferentes instituições e suas interações”, bem como uma apreciação da
“formação de valores, da emergência e da evolução da ética social”. O
resultado é um campo de liberdades ligadas a uma variedade de instituições
e atividades que não pode ser reduzido a uma simples fórmula de
“acumulação de capital, abertura de mercados, planejamento econômico
eficiente”. O fator unificador aqui é “o processo do aumento das liberdades individuais e o comprometimento social de ajudar para que isso se
concretize. [...] o desenvolvimento é realmente um compromisso muito
sério com as possibilidades de liberdade”[9].
Evidentemente, o problema é que a visão de Sen, por mais atraente que
seja, no fim é outra versão da utopia da economia política liberal. A
liberdade se torna não um fim, mas um meio daquilo que Foucault chamou
de “governamentalidade”. É pela liberdade que a autodisciplina de
populações inteiras é gerida pelo poder estatal, e é essa autodisciplina que
garante conformidade e concordância com as instituições e os modos de
vida burgueses, inclusive, é claro, com a dominação capitalista de classes
nos termos de sua riqueza e de seu poder cumulativos. Em outras palavras,
o fim não está em questão e não tem de ser desafiado em nome da
liberdade, porque a liberdade está entranhada no processo. É isso que
significa “desenvolvimento como liberdade”.
Sen retrata um mundo livre de contradições. Não reconhece a força
opressora dos antagonismos de classe (do tipo visto com clareza por
Polanyi), a tensa relação dialética entre liberdade e dominação, o poder de
pessoas privadas de se apropriarem da riqueza social, as contradições entre
valor de uso e valor de troca, entre propriedade privada e Estado. Para
sermos exatos, Sen menciona essas oposições, mas em seu universo todas
são manejáveis. O fato de que algumas possam se tornar contradições
absolutas e foco de uma crise é descartado por suposições ou simplesmente
atribuído a má gestão. A tentativa louvável e profundamente atraente de
Sen de fundamentar uma abordagem inalienada da liberdade no processo
pressupõe uma versão não contraditória do universo do capital. Esse é o
universo utópico que, segundo Polanyi, temos de abandonar, se quisermos
conduzir a sociedade a um mundo em que se possam alcançar liberdades
substantivas reais, em vez de uma ideia de liberdade que nega a realidade
social.
Não escolhi Sen por razões arbitrárias. Entre todos os economistas,
acredito, ele é o que tem se dedicado mais a explorar as possibilidades da
extensão da liberdade por meio de uma forma regulada e socialmente
responsável de desenvolvimento capitalista do mercado, avaliado à luz de
ideais humanistas nobres, em oposição a medidas grosseiras de desenvolvimento. Mas sua crença nuclear, para a qual ele não oferece
provas definitivas, reside na ideia de que o sistema de mercado,
propriamente regulado e gerido, é uma forma justa e eficaz de satisfazer as
carências e necessidades humanas, e pode conduzir livremente à libertação
dessas carências. As contradições inerentes à forma-dinheiro não são
visíveis, apesar de os agiotas destruírem diariamente os meios de
subsistência das populações pobres em sua amada Índia. Esse é o tipo de
humanismo liberal que predomina no mundo das ONGs e organizações
filantrópicas comprometidas de corpo e alma com a erradicação da pobreza
e das doenças, mas sem nenhuma ideia concreta de como fazê-lo.
Em um surpreendente e revelador mea-culpa publicado no New York
Times, Peter Buffett, compositor e filho do bilionário Warren Buffett, um
lendário investidor, narra seu encontro com o mundo da filantropia
capitalista depois de receber uma doação de seu pai para criar uma
fundação de caridade alguns anos antes.
Logo de cara [...] eu me dei conta do que comecei a chamar de colonialismo
filantrópico [...]. Pessoas (inclusive eu) que tinham pouco conhecimento sobre um
lugar achavam que podiam resolver um problema local [...] sem levar em consideração
a cultura, a geografia ou as regras societais.
Gerentes de investimento, presidentes de empresas e chefes de Estado
“procuravam respostas com a mão direita para os problemas que as outras
pessoas presentes na sala tinham criado com a mão esquerda”. Ainda que a
filantropia tenha se tornado um negócio gigantesco (com 9,4 milhões de
pessoas empregadas e gastos de US$ 316 bilhões só nos Estados Unidos),
as desigualdades globais crescem descontroladamente, “enquanto mais
vidas e mais comunidades são destruídas pelo sistema, que cria muita
riqueza para poucos”. A filantropia é uma “lavagem de consciência”:
permite que os ricos durmam melhor à noite, enquanto outros ganham apenas o
suficiente para sobreviver. Toda vez que alguém se sente melhor porque fez uma coisa
boa, do outro lado do mundo (ou da rua) alguém se vê preso num sistema que não
permitirá o verdadeiro florescimento de sua natureza ou não lhe dará a oportunidade
de viver uma vida feliz e realizada.[10]
É impressionante a concordância dos propósitos de Buffett com os de
Sen e Marx, assim como a triste história de um reformismo burguês que não
resolve os problemas sociais, apenas os desloca.
O trabalho desse poderoso “complexo beneficente-industrial” em pleno
crescimento foi corrompido pela aplicação de princípios cada vez mais
estritos de racionalidade econômica capitalista. O valor da filantropia é
julgado, observa Buffett, “como se o retorno sobre o investimento fosse a
medida do sucesso”. A aplicação de princípios de microfinanças a um setor
informal reconceituado como uma microempresa com direitos de
propriedade privada pode soar economicamente racional. Mas, pergunta
Buffett, “do que se trata realmente? As pessoas vão aprender com certeza a
se integrar ao nosso sistema de dívida e pagamento com juros. As pessoas
vão sair dos dois dólares por dia para entrar no mundo de bens e serviços e
poder comprar mais. Mas isso não é só alimentar a besta?”. Na verdade,
sim. E isso acontece no momento oportuno, em que a realização do capital é
ameaçada pela queda da demanda efetiva em todo o mundo e as práticas de
acumulação por espoliação, mediante o ônus da dívida e a servidão por
dívida (e práticas predatórias menos legais) oferecem um suplemento
lucrativo para alavancar a taxa geral de retorno do capital. Infelizmente,
nesse ponto Buffett dá de cara com o muro de sua própria condição de
tolerância repressora. “Não estou pedindo o fim do capitalismo”, conclui
sem nenhuma força, “estou pedindo humanismo”. Mas as práticas que ele
critica são exatamente as práticas do humanismo capitalista. A única
resposta, que está muito além dos limites da versão contemporânea da
tolerância repressiva, é um humanismo revolucionário que enfrente a besta
(capitalista) que se alimenta muito bem graças à liberdade de que desfruta
para dominar os outros com a mão esquerda enquanto os socorre com a
direita.
Marx não criticou apenas o modo partidário pelo qual as concepções
burguesas de autonomia e liberdade foram empregadas contra os interesses
do povo comum; ele investigou profundamente o que a verdadeira riqueza
poderia significar numa sociedade genuinamente livre. Como escreveu nos
Grundrisse:
De fato, porém, se despojada da estreita forma burguesa, o que é a riqueza senão a
universalidade das necessidades, capacidades, fruições, forças produtivas etc. dos
indivíduos, gerada pela troca universal? [O que é senão o] pleno desenvolvimento do
domínio humano sobre as forças naturais, sobre as forças da assim chamada natureza,
bem como sobre as forças de sua própria natureza? [O que é senão a] elaboração
absoluta de seus talentos criativos, sem qualquer outro pressuposto além do
desenvolvimento histórico precedente, que faz dessa totalidade do desenvolvimento
um fim em si mesmo, i.e., do desenvolvimento de todas as forças humanas enquanto
tais, sem que sejam medidas por um padrão predeterminado? [O que é senão um
desenvolvimento] em que o ser humano não se reproduz em uma determinabilidade,
mas produz sua totalidade? Em que não procura permanecer como alguma coisa que
deveio, mas é no movimento absoluto do devir? Na economia burguesa – e na época
de produção que lhe corresponde –, essa exteriorização total do conteúdo humano
aparece como completo esvaziamento.[11]
Nessa formulação, Marx não evita a questão da dominação (“domínio”).
Ele reconheceu a força da contradição entre liberdade e dominação nas
situações revolucionárias. Em Sobre a questão judaica, ele se pergunta por
que
o direito humano à liberdade deixa de ser um direito assim que entra em conflito com
a vida política, ao passo que pela teoria a vida política é tão somente a garantia dos
direitos humanos, dos direitos do homem individual e, portanto, deve ser abandonada
assim que começa a entrar em contradição com os seus fins, com esses direitos
humanos.[12]
O exemplo que Marx tinha em mente era a restrição à liberdade de
imprensa durante a Revolução Francesa, um “enigma” que “ainda restaria
resolver [...]: por que na consciência dos emancipadores políticos a relação
está posta de cabeça para baixo, de modo que o fim aparece como meio e o
meio como fim?” [13]. Marx chegou ao cerne do enigma da transformação da
liberdade em escravidão bem antes de George Orwell.
Marx acreditava que tinha encontrado a resposta nos escritos de
Rousseau:
Quem ousa empreender a instituição de um povo deve sentir-se capaz de mudar, por
assim dizer, a natureza humana; de transformar cada indivíduo que, por si mesmo, é
um todo perfeito e solidário em parte de um todo maior, do qual esse indivíduo recebe,
de certa forma, sua vida e seu ser; de alterar a constituição do homem para fortalecê-
la; de substituir por uma existência parcial e moral a existência física e independente
que todos recebemos da natureza. Deve, numa palavra, arrebatar ao homem suas
próprias forças para lhe dar outras que lhe sejam estranhas e das quais não possa fazer
uso sem o auxílio de outrem.[14]
Em outras palavras, um indivíduo totalmente socializado adquire uma
subjetividade política diferente, uma concepção do que significa liberdade
diferente daquela do indivíduo isolado.
Embora essa resposta seja superficial demais para carregar o peso
histórico que teria de carregar, ela dá um direcionamento fértil à
investigação. Defende-se melhor a liberdade humana para todos mediante
um regime de direitos exclusivos de propriedade privada individual ou
mediante direitos comuns geridos coletivamente por indivíduos associados?
No final das contas, não estamos aqui diante da difícil escolha entre as
liberdades individuais mobilizadas pela causa da dominação de classe
capitalista e a luta dos espoliados por mais liberdades sociais e coletivas?
Note-se também um ponto importante na formulação de Rousseau que
cumpre duas funções no pensamento de Marx. Transformações
revolucionárias envolvem destruição criativa. Algo se perde, mas algo se
ganha. Para Rousseau, o que se perdeu foi o individualismo isolado (que
derivava de um estado de natureza na teoria rousseauniana, mas que pra
Marx era um produto político da revolução burguesa). O individualismo
isolado teve de recuar diante de recursos novos, porém “alheios”. A
burguesia teve de se alienar de seu passado individualizado para que os
espoliados ganhassem liberdades futuras desalienadas. Isso vira do avesso a
teoria da alienação proposta por Marx: o momento da alienação tem
potencial tanto positivo quanto negativo em momentos importantes da
transição revolucionária. Não existe contradição que não gere respostas
potencialmente contraditórias.
Marx não mede palavras ao falar da necessidade de derrubar (ou
“dominar”) as concepções burguesas individualistas de riqueza e valor para
liberar o potencial de florescimento humano criativo, porém coletivo, que
nos rodeia de forma latente em todas as ocasiões. Curiosamente, até Margaret Thatcher acreditava que existia uma diferença, o que prova que
até mesmo uma filha de quitandeiro ferozmente conservadora, e vagamente
interessada em química, é capaz de pensamentos transcendentais. “Não é a
criação de riquezas que está errada”, disse ela (embora eu duvide que ela
tivesse em mente o conceito marxiano de riqueza como plena realização de
todas as capacidades e potencialidades humanas individuais), “mas o amor
ao dinheiro pelo dinheiro”.
O mundo da verdadeira liberdade é totalmente imprevisível. Como
observa Eagleton:
Uma vez removidos esses entraves ao florescimento humano, porém, é bem mais
difícil dizer o que há de acontecer, porque homens e mulheres serão, então, muito mais
livres para se comportar como lhes convier, dentro dos limites da sua responsabilidade
uns com os outros. Se forem capazes de gastar mais do próprio tempo naquilo que hoje
chamamos de atividades de lazer do que dando duro no trabalho, esse comportamento
se tornará ainda mais difícil de prever. Digo “o que hoje chamamos de atividades de
lazer” porque se de fato tivermos utilizado os recursos acumulados pelo capitalismo
para liberar do trabalho um grande número de indivíduos, deixaremos de chamar de
“lazer” o que eles farão com seu tempo.
Assim, poderíamos tirar enorme vantagem da automação e da
inteligência artificial para libertar as pessoas, ao invés de aprisioná-las em
trabalhos sem sentido. Diz Eagleton:
Para Marx, o socialismo é o ponto no qual começamos coletivamente a determinar
nosso destino. Ele é a democracia assumida com plena seriedade em vez de uma
democracia como (na maioria das vezes) uma farsa política. E o fato de que os
indivíduos estejam mais livres significa que será mais difícil dizer o que eles estarão
fazendo às cinco da tarde de uma quarta-feira.[15]
Mas isso não quer dizer que não haverá necessidade de autodisciplina,
comprometimento e dedicação para aquelas tarefas complexas que
livremente escolhemos realizar para nossa própria satisfação, bem como
para o bem-estar dos outros. A liberdade está ligada, como já entendia
Aristóteles, à vida boa, e a vida boa é uma vida ativa dedicada, como toda a
natureza, à eterna busca da novidade. Uma versão inalienada da dialética entre liberdade e dominação é possível na jornada dos indivíduos, sempre
em associação com os outros, para alcançar o ápice de suas potencialidades
e de seus poderes. Mas essa busca de relações inalienadas não pode
acontecer sem a experiência prévia da alienação e de suas possibilidades
contraditórias.
[a] “Stone walls do not a prison make, / Nor iron bars a cage; / Minds innocent and quiet take / That for an hermitage; / If I have freedom in my love / And in my soul am free, / Angels alone, that soar above, / Enjoy such liberty”. (N. E.)
[1]Christopher Hill, O mundo de ponta-cabeça: ideias radicais durante a Revolução Inglesa de 1640 (trad. Renato Janine Ribeiro, São Paulo, Companhia das Letras, 1987).
[2] Terry Eagleton, Marx estava certo (trad. Regina Lyra, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 2012), p. 74.
[3] Dou uma visão geral dos discursos de George W. Bush em Cosmopolitanism and the Geographies of Freedom (Nova York, Columbia University Press, 2009), p. 1-14.
[4] Michel Foucault, Nascimento da biopolítica: curso dado no Collège de France (1978-1979) (trad. Eduardo Brandão, São Paulo, Martins Fontes, 2008).
[5] Robert Paul Wolff, Barrington Moore Jr. e Herbert Marcuse, Crítica da tolerância pura (trad. Ruy Jungmann, Rio de Janeiro, Zahar, 1970).
[6] Karl Polanyi, A grande transformação, cit., p. 297-8.
[7] Ibidem, p. 298.
[8] Ibidem, p. 299.
[9] Amartya Sen, Desenvolvimento como liberdade (trad. Laura Teixeira Motta, São Paulo, Companhia das Letras, 2010), p. 377-8.
[10] Peter Buffett, “The Charitable-Industrial Complex”, New York Times, 26 jul. 2013.
[11] Karl Marx, Grundrisse, cit., p. 399-400.
[12] Idem, Sobre a questão judaica (trad. Nélio Schneider e Wanda Caldeira Brant, São Paulo, Boitempo, 2010), p. 51.
[13] Idem.
[14] Jean-Jacques Rousseau, O contrato social (trad. Antonio de Pádua Danesi, 3. ed., São Paulo, Martins Fontes, 1996), p. 50.
[15] Terry Eagleton, Marx estava certo, p. 65-6.