A Noiva do Deus do Mar
Capítulo 10
Estremeço diante de seu brilho. A escuridão que se segue é ofuscante, e o silêncio que se prolonga após o grito da ave, ensurdecedor.
Até que ouço.
Minha respiração. Pesada e áspera.
Até que vejo.
Entre minha mão e a de Shin há uma fita vermelha.
O Fio Vermelho do Destino.
Nossos olhos se encontram.
- Ah, não - digo.
Minha voz é tão clara quanto um sino.
10
S HIN E EU PERMANECEMOS IMÓVEIS ENCARANDO o Fio Vermelho do Destino suspenso entre nós. Ele é o primeiro a reagir -
ergue a espada e a mergulha para baixo, só que ela passa através da fita e se aloja nas tábuas do assoalho. Ele me olha, perturbado. Em seguida, é a minha vez de tentar. Pego meu punhal e o golpeio de baixo para cima. O Fio Vermelho do
Destino
permanece
intacto,
brilhando
quase
alegremente.
- Como isso é possível? - pergunta Shin, mais para si do que para mim.
Coloco-me de pé, desajeitada, e acabo pisando nas lascas de madeira da gaiola.
- Você disse que a pega era minha alma… Talvez ela tenha se misturado com a sua ao voltar para mim. - É a única explicação em que consigo pensar.
Ele balança a cabeça.
- Não pode ser.
Ofereço uma mão para que ele se levante.
Ele ergue uma sobrancelha em uma expressão cética.
- O que está fazendo?
- Quem sabe se nossas mãos se tocarem, o Fio Vermelho do Destino volte à sua forma original e desapareça, devolvendo nossas almas.
Ele franze o cenho.
- Isso parece… improvável.
Bato o pé no chão.
- Precisamos tentar tudo o que pudermos. Quando toquei o Deus do Mar, o fio desapareceu por um momento. A não ser que você esteja com medo.
Como eu pretendia, sua expressão muda, e abro um sorriso convencido. Mas enquanto ele estica o braço para pegar minha mão, de repente lembro de algo - será que vou ser arrastada por suas lembranças, como aconteceu com o Deus do Mar? Será que ele vai ser arrastado pelas minhas?
Um barquinho de papel rasgado em dois. Minha cunhada aos prantos. Minha avó gritando por mim enquanto eu corro e corro e corro…
Ele segura minha mão com firmeza. Sua pele está seca e quente.
Nada acontece. Agora vejo a estupidez do meu plano.
Fico vermelha e tento me desvencilhar dele, mas ele não me solta. Franzo o cenho.
- O que você está…
Ele me puxa para a frente, quase me derrubando no chão. Então se move rapidamente, passando por cima de mim para amparar minha cabeça com a outra mão. Por um momento, fico olhando para o teto, atordoada. Então ele entrelaça os dedos nos meus devagar, aumentando a pressão de sua palma contra a minha. O Fio Vermelho do Destino cintila como uma estrela ardente entre nós. Olho para cima e vejo a luz do fio e meu próprio rosto assustado refletidos em seus olhos escuros.
- Bem - diz ele de maneira arrastada e calculada -, sua alma voltou para você?
Apesar de saber que ele está me provocando, meu coração se agita dentro do peito. Ele solta minha mão no instante que Namgi irrompe pelo aposento, brandindo o punhal.
- Shin! - grita ele. - Ouvi uma barulheira… - Ele se interrompe, notando Shin e eu no chão. Ele baixa o punhal. -
Que inesperado.
Shin o ignora e se levanta. O Fio Vermelho do Destino se estica conforme ele se move pela sala e se agacha para revistar um dos ladrões caídos.
- O uniforme deles não tem insígnia.
- Quem ousaria atacar a Casa de Lótus? - pergunta Namgi energicamente. - É só me dizer e vou sair caçando um por um, vou arrancar seus membros, acabar com suas casas, seus filhos, suas cabras, se eles as tiverem…
Interrompo seu discurso:
- Onde você estava? Espero que não bebendo mais do que aguenta.
- Ah. - Namgi aponta para mim. - Você recuperou sua voz.
De repente, Shin, ainda agachado, ergue o olhar.
- Namgi, você não está vendo?
Ele inclina a cabeça para o lado.
- Vendo o quê?
A fita está flutuando no ar, inconfundivelmente vermelha e cintilante.
Viro-me para Shin.
- O que significa isso?
Shin faz uma carranca.
- Nada bom.
Atrás de nós, ouvimos um estalido. Os corpos dos ladrões começam a desaparecer, emanando fumaça. Após alguns minutos, tudo o que resta é uma pilha de roupas e armas descartadas. Até o sangue no biombo sumiu.
- Para onde eles foram? - pergunto.
- Voltaram para o Rio das Almas - diz Shin. - A segunda vida deles terminou.
- A última vida deles - acrescenta Namgi. - Não vão mais voltar.
Estremeço. A esta altura, já estou familiarizada com a morte, mas vê-la diante de mim não é fácil.
Shin pega sua espada do chão e a coloca de volta na bainha.
- É melhor nos apressarmos para o pavilhão principal. É
quase meia-noite.
Ele olha para a janela quebrada, onde a noite parece pulsar. Sinto um novo aroma no ar, semelhante a enxofre.
- E ela? - pergunta Namgi, olhando para mim.- Ela vem com a gente.
Namgi levanta uma sobrancelha em resposta, mas não questiona Shin.
Saímos do pavilhão. Lá fora, a agradável noite de verão agora está quente e seca.
Namgi vai atrás de Shin, arregaçando as mangas e revelando braços esguios tatuados com inscrições intrincadas.
- O que você vai fazer em relação à alma? - pergunta ele a Shin, me encarando. - Todo mundo vai querer alguma prova de que você a tem.
- Vou pensar em algo - diz Shin, apertando o passo.
Em vez de seguirmos pela floresta, pegamos a trilha através dos campos verdes que Kirin percorreu antes. Olho para cima, esperando ver estrelas, mas o céu está coberto de nuvens escuras e ameaçadoras. Deve haver alguma fogueira queimando em algum lugar, porque sinto o cheiro da fumaça.
Namgi diminui o passo e caminha ao meu lado. Sua mão está no cabo da espada, e seus olhos, no céu. Ele tem uma expressão sombria e preocupada.
- O que você quis dizer antes, quando falou que vão querer uma prova de que vocês têm minha alma?
- Ah, é parte do nosso ritual anual. É por isso que todos esses espíritos oportunistas vêm à nossa casa, para beber todo o nosso licor. E para comprovar que o Fio Vermelho do Destino foi cortado, garantindo um pouco de paz no reino, pelo menos até o próximo ano. A prova é a alma da noiva. A sua alma, no caso. E agora que ela se foi, não sei o que vamos fazer. - Namgi coça o queixo com a ponta do punhal, desconcertado.
- Há quanto tempo vocês fazem esse ritual?
- Ninguém sabe ao certo. Mas você deve ser a centésima noiva. As coisas estão ficando um pouco confusas no reino do Deus do Mar, onde os espíritos e deuses podem viver
para sempre. Um dia é muito parecido com o seguinte.
Aliás, um século também. Shin sempre protegeu o Deus do Mar. Ele é o líder da Casa de Lótus, e seu dever é servi-lo.
Nada motiva Shin mais que seu senso de dever.
Se ele protege o Deus do Mar, por que não ajuda as noivas a quebrarem a maldição? No entanto, não digo nada, apenas engulo minha pergunta.
Shin nos conduz através da escuridão pela ponte leste, que vi mais cedo com Nari, até o pavilhão do lago. Seu interior está todo iluminado e repleto de pessoas reclinadas em almofadas de seda, se servindo de mesas dispostas com frutas e bolos de arroz coloridos. Vejo aqueles que devem ser os líderes da Casa do Tigre e da Casa do Grou, a julgar pelas pequenas cortes que eles reuniram de cada lado do pavilhão.
A música para assim que entramos. Kirin se aproxima, pousando os olhos brilhantes e enigmáticos em mim antes de se fixarem em Shin.
- Eles estão aqui - diz.
Em um primeiro momento, penso que ele está se referindo aos lordes da Casa do Tigre e da Casa do Grou, mas então percebo que todos no pavilhão têm o olhar voltado para o céu acima do lago.
Uma tempestade parece estar se formando, trazendo consigo aquele cheiro de enxofre que senti antes, só que agora mais forte. Dentro do pavilhão, os convidados levam lenços de seda ao rosto. O calor fica insuportável, seco e pesado. Um vento escaldante varre o chão, e o Fio Vermelho do Destino chicoteia para o lado. Acima, o céu começa a se
agitar, se dilatando e pulsando como se houvesse um coração gigante na escuridão.
No início, não consigo discernir o que estou vendo, mas então começo a reconhecer formas em meio ao tumulto.
São criaturas parecidas com cobras, tão grandes quanto dragões, mas sem chifres nem membros. Elas se misturam com o céu em tons de vinho, índigo e preto.
- Os Imugis - diz Kirin.
As histórias da minha avó nunca mencionaram criaturas assim, do tamanho de um rio, e tão numerosas que parecem engolir a noite.
Sinto uma pressão no ombro.
- Fique aqui - pede Shin, me empurrando de leve para Kirin. -Namgi, venha comigo. - Enquanto Shin se vira, Kirin franze o cenho, mas seus olhos nunca encontram a fita vermelha. Assim como Namgi, ele não consegue enxergá-la.
Juntos, Shin e Namgi seguem para a abertura do pavilhão, que dá na bem iluminada ponte oeste. A multidão abre caminho para eles.
Uma por uma, as criaturas no céu vão descendo para o lago. Ao mergulhar, elas provocam rajadas de vento, que apagam os lampiões da ponte. Só o pavilhão está iluminado agora. Então ouvimos uma explosão retumbante, e a água do lago espirra pelo piso de madeira. Vários convidados gritam e são empurrados por outros. No silêncio que se segue, todos os olhos se voltam para o local onde a ponte se encontra com o pavilhão. Na minha imaginação, evoco a horrível face de um dragão com forma de cobra esticando o pescoço pela abertura, os olhos ardentes feito fogo.
A escuridão parece ondular. Os que estão mais próximos tremem de medo. Eu prendo a respiração.
Um homem sai da ponte, seguido de outros dois. Eles são altos e magros, têm cabelos e olhos escuros, e há algo em sua aparência que me é familiar. Eles entram no pavilhão e se movem rápida e silenciosamente pela multidão. Atrás deles, o lago está vazio. Não há sinal das criaturas. Mesmo assim, enquanto os observo se aproximando, tenho a clara impressão de que as grandes bestas não desapareceram - elas estão caminhando entre nós.
O primeiro homem vai até Shin e faz uma reverência breve e sucinta.
- Lorde Shin.
- Ryugi.
- Viemos em nome da Deusa da Lua e da Memória. Onde está a alma da noiva do Deus do Mar?
Shin hesita por um momento, então finalmente fala. Sua voz ressoa pelo pavilhão:
- Não está comigo.
A multidão começa a murmurar. Com o canto do olho, vejo o lorde alto da Casa do Grou se inclinando para sussurrar algo no ouvido do corpulento lorde da Casa do Tigre.
Ryugi franze o cenho.
- Não acredito em você. Você nunca apareceu aqui sem a alma da noiva. - Seus olhos semicerrados percorrem a multidão. - Ela deve estar com você. Onde ela está?
Shin olha rapidamente para o Fio Vermelho do Destino.
Mas agora está claro que ele é invisível para todos, exceto para nós.
- Não lhe devo explicações.
Ryugi dá um passo à frente e rosna:
- O que é isso? Está desafiando a deusa?
Tento me lembrar se sei algo a respeito da Deusa da Lua e da Memória, mas, apesar de estar familiarizada com a maioria dos deuses e deusas do reino, não faço ideia de quem ela seja.
Ela deve ser poderosa, para comandar tais criaturas.
Shin não responde de imediato, e Ryugi resmunga, visivelmente frustrado, as narinas dilatadas. Seus olhos parecem emanar uma névoa vermelha.
- A deusa terá uma resposta, lorde Shin.
- Ela não é minha deusa - diz Shin com frieza.
No mesmo instante, os dois homens atrás de Ryugi mostram os dentes e levam a mão à espada. Namgi os imita, sacando uma adaga do cinto com uma expressão feroz e animada no rosto.
A meu lado, Kirin intervém com uma voz calma:
- Não precisamos derramar sangue. A noiva do Deus do Mar está aqui. - Ele me empurra, e cambaleio para a frente.
Um breve silêncio se segue enquanto todos me encaram.
Então Ryugi rosna para Kirin:
- Como se atreve a zombar de nós, Prateado? Se ela é uma noiva, então preciso de novos olhos.
Seu comentário arranca risadas nervosas da multidão.- Se duvida das minhas palavras - diz Kirin -, leve-a à sua deusa. Ela vai ver que a garota é humana e tem alma.
Uma voz baixa de barítono interrompe:
- E o que impediria a deusa de matar a garota e tomar o poder para si? - questiona lorde Tigre.
- Se ela é a noiva, então onde está o Fio Vermelho do Destino? -pergunta lorde Grou, me encarando com olhos desconfiados e perspicazes.
- Por uma série de estranhas ocorrências, a ligação da noiva com o Deus do Mar foi cortada e sua alma voltou para ela - explica Namgi.- A mais estranha dessas ocorrências foi um roubo frustrado nesta mesma casa, há menos de meia hora. O responsável por enviar os ladrões ainda não foi identificado, mas se tiverem palpites de quem pode ter nos traído, meus senhores, sou todo ouvidos.
Sua ameaça tem o efeito esperado, e ambos os senhores dão um passo atrás, parecendo não querer alimentar a discussão.
- Lorde Shin é um servo leal - continua Kirin, como se não tivesse sido interrompido. - Ele não deixaria que ela fosse levada se estivesse mesmo ligada ao Deus do Mar.
Ryugi grunhe.
- Vamos levar a garota, mas, se descobrirmos que você mentiu, a ira da deusa cairá sobre todos vocês. - Ele acena para mim, e um de seus capangas se aproxima.
Procuro o punhal da minha tataravó. De alguma forma sei que ir com eles seria pior do que ter minha alma roubada. Ela é uma deusa poderosa, mas nunca ouvi falar dela. Minha avó sempre diz que os deuses mais perigosos são os que foram esquecidos.
Shin se coloca na frente do capanga antes que ele avance sobre mim.
- Kirin, apesar de suas boas intenções, não fala por mim -
diz.
Kirin abaixa a cabeça e recua, respeitoso, mas noto sua mandíbula tensionada.
Ryugi fica claramente impaciente com toda essa cerimônia e estreita os olhos.
- Se a noiva do Deus do Mar de fato recuperou a alma, então você não vai se opor se a levarmos.
- Ela não é a noiva do Deus do Mar - diz Shin.
Ryugi resmunga.
- Está brincando conosco, lorde Shin? Estou perdendo a paciência. Se não me der a noiva, eu vou…
- Ela é a minha noiva.
Um silêncio de surpresa se segue. Kirin levanta a cabeça, perplexo. Atrás de Shin, Namgi está sorrindo de orelha a orelha.
Ryugi pisca.
- Lorde Shin, não estou entendendo.
- Diga à sua deusa que eu tenho uma noiva. Se ela quiser conhecer lady Mina, ela pode fazer uma visita ou esperar até o casamento. Minha noiva vai ficar comigo, como deve ser e como é mais seguro. Afinal de contas, ela é humana.
- Casamento? - sussurro.
O olhar cauteloso de Shin encontra o meu.
- No final do mês - diz ele, tentando comunicar algo com os olhos. Primeiro, não entendo. Depois, me lembro das palavras que lhe disse antes, antes que os ladrões aparecessem para roubar a minha alma. Me deixe te ajudar.
Talvez este seja seu jeito de me comunicar que aceita minha ajuda.
Ryugi faz uma carranca.
- Você perdeu a cabeça.
- Acho que ele perdeu foi o coração - diz Namgi.
Se Namgi queria distrair Ryugi, conseguiu. Ryugi se vira para ele quase com uma malícia alegre.
- Ah, irmãozinho. Você sacou sua espada cedo demais.
Estava ansioso pra tirar sangue de seu sangue.
Irmão? Olho de Namgi para Ryugi e seus homens.
Quando eles entraram no pavilhão, algo na aparência deles me pareceu familiar. Agora que Ryugi está cara a cara com Namgi, a semelhança fica evidente: ambos têm cabelos negros como carvão e olhos brilhantes e ameaçadores.
Se bem que Namgi nem tanto. Seus olhos brilham travessos.
- Ah - suspira ele. - Eu não estava com saudade.
- Nossa mãe está perguntando de você. Você devia visitá-la e prestar suas homenagens.
- Ela arrancaria minha cabeça fora se me visse.
Ryugi desvia o olhar para Kirin enquanto fala para Namgi:- Vejo que ainda luta ao lado do Prateado. Diga-me, ele chora dormindo, sabendo que todas as pessoas da sua espécie foram assassinadas pelos nossos?
Essa pergunta é recebida com um silêncio pesado e calculado. Dou uma olhada em Kirin, mas seu rosto está inexpressivo, não revelando nada de seus pensamentos.
Namgi encolhe os ombros.
- Não tenho como saber. Não durmo com ele.
Ryugi rosna antes de se virar para Shin e falar com a voz cheia de desprezo:
- Vamos informar a deusa.
Ele faz um sinal para os companheiros, que o seguem para fora do pavilhão em direção à ponte. Eles logo desaparecem na escuridão. Ouve-se o som poderoso do vento rugindo contra o solo, e o céu se enche com o trovão pesado de grandes feras. Os murmúrios da multidão só recomeçam quando os sons se dissipam ao longe.
Viro-me para Shin.
- Um mês, você disse.
A relevância do tempo não me passa despercebida. Se o que ele disse no salão do Deus do Mar é verdade, então depois de trinta dias no Reino dos Espíritos, eu vou me tornar um espírito também.
- Você tem um mês para descobrir como salvar o Deus do Mar -responde ele -, e eu tenho um mês para descobrir como me livrar de você.
- Lorde Shin. - Kirin se aproxima por trás. - Quero parabenizá-lo, mas devo admitir que estou surpreso.
- Diplomático como sempre - diz Namgi. - Só peça para que ele se explique.
Kirin parece mais ofendido agora do que quando Ryugi disse que os Imugis tinham matado todas as pessoas de sua espécie.
- Eu nunca ousaria pedir uma explicação.
- As sacerdotisas da Casa da Raposa ainda estão presentes? -pergunta Shin, ou não ouvindo ou optando por ignorar as provocações de seus companheiros.
- Estão - diz Kirin. - Se bem que, agora que elas testemunharam os eventos desta noite, tenho certeza de que não ficarão muito tempo.
- Diga a elas que vamos nos juntar ao seu comboio -
ordena Shin. - Quero me consultar com sua mestra.
Kirin parece querer questionar, mas se contém, fazendo uma reverência e saindo para cumprir suas ordens.
Namgi, que estava observando Kirin com uma expressão confusa no rosto, olha ao redor antes de falar em voz baixa:
- Será que é adequado todos nós viajarmos até a Casa da Raposa?
- A Casa da Raposa é a mais antiga das casas, e a mestra de lá é a mais sábia - responde Shin. - Ela vai ter a resposta que procuro.
- Sim, mas é seguro levar Mina? - especifica Namgi.
A pergunta de Namgi finalmente o atinge, porque Shin olha para mim com uma expressão inescrutável.
- Por que não seria? - pergunto, desconfiada. Shin pode até ter concordado em me ajudar, mas ainda não confio nele. - O que há de errado com a Casa da Raposa?