A Torre Negra V: Lobos de Calla
Antes que leia este breve posfácio, peço-lhe…
POSFÁCIO DO AUTOR
Antes que leia este breve posfácio, peço-lhe que tome um momento (que lhe faça bem) para olhar mais uma vez a página da dedicatória no início da história. Eu espero.
Obrigado. Quero que saiba que Frank Muller leu vários dos meus livros em sua edição em áudio, a começar por Quatro Estações. Conheci-o na Recorded Books em Nova York nessa época, e gostamos imediatamente um do outro. É uma amizade que dura há mais tempo do que o de vida de alguns dos meus leitores. No decorrer de nossa parceria, Frank gravou os primeiros quatro romances de A Torre Negra, e eu os ouvi — todos os cerca de sessenta cassetes — enquanto me preparava para terminar a história do pistoleiro. O áudio é um veículo perfeito para uma preparação tão exaustiva, pois insiste em que absorvamos tudo; o olho apressado (ou de vez em quando a mente cansada) não pode saltar nem uma palavra. Era isso que eu queria, completa imersão no mundo de Roland, e foi isso que Frank me deu. Deu-me mais uma coisa também, uma coisa maravilhosa e inesperada. Uma sensação de novidade e frescor que eu perdera em algum lugar ao longo do caminho; uma sensação de Roland e dos amigos dele como pessoas reais, com suas próprias vidas interiores. Quando digo na dedicatória que Frank ouviu as vozes em minha cabeça, falo da verdade literal como a entendo. E, como uma versão mais benigna da Gruta da Porta, ele lhes devolveu plenamente a vida. Os livros restantes estão concluídos (este em redação final, os dois últimos em redação bruta), e em grande parte eu devo isso a Frank Muller e as suas inspiradas leituras.
Eu esperava ter Frank a bordo para fazer as leituras de áudio dos três livros finais de A Torre Negra (leituras integrais; não permito condensações de minha obra e não as aprovo, como regra geral), e ele ficou entusiasmado para fazê-las. Discutimos a possibilidade durante um jantar em Bangor em outubro de 2001, e no curso de nossa conversa ele descreveu as histórias da Torre como suas favoritas absolutas. Como lera mais de quinhentos romances para o mercado de áudio, fiquei extremamente lisonjeado.
Menos de um mês depois daquele jantar e daquela conversa otimista, voltada para o futuro, Frank sofreu um terrível acidente de motocicleta numa rodovia da Califórnia. Ocorreu apenas poucos dias após saber que ia ser pai pela segunda vez. Ele estava de capacete e isso na certa lhe salvou a vida — motociclistas, por favor tomem nota —, mas sofreu apesar disso ferimentos graves, vários deles neurológicos. No fim das contas, ele não vai gravar os romances finais de A Torre Negra. A obra final de Frank será quase com certeza sua criativa leitura de O Desfiladeiro do Medo, de Clive Barker, concluída em setembro de 2001, pouco antes do acidente.
Exceto por um milagre, a vida profissional de Frank Muller acabou. Seu trabalho de reabilitação, que é quase certamente para o resto da vida, apenas começou. Essas coisas custam dinheiro, e dinheiro não é uma coisa que, como regra geral, os artistas freelance tenham muito. Eu e alguns amigos formamos uma fundação para ajudar Frank — e, esperamos, outros artistas freelance de vários tipos que sofrem tragédias semelhantes. Toda a renda que recebo da versão em áudio de Lobos de Calla ira para a conta da fundação. Não será suficiente, mas o trabalho de criar a Fundação Wavedancer (Wavedancer era o nome do barco a vela de Frank), assim como o trabalho de reabilitação de Frank, só esta começando. Se você tiver alguns dólares sobrando e quiser ajudar a garantir o futuro da Fundação Wavedancer, não os mande para mim; mande-os para
The Wavedancer Foundation
c/o Mr. Arthur Greene
101 Park Avenue
New York, NY 10001
A mulher de Frank, Erika, agradece. Eu também.
E Frank o faria, se pudesse.
Bangor, Maine
15 de dezembro de 2002
Digitalização/Revisão: Sa yur i
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