Claridades do Sul

António Duarte Gomes Leal · Capítulo 101 de 138

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Claridades do Sul

*Despedida ao Sol*

 

Adeus, adeus, ó Sol! grão moribundo

Tão amado dos mysticos amantes!

Vae dourando inda os ninhos e os mirantes E os sinceiraes, o Mar, o velho mundo!

Vae! vae! ó astro lyrico! no fundo

Das aguas apagar-te!… Os teus instantes São curtos, coração largo e profundo!

Mas da minha amargura semelhantes!

E, no entanto, astro de fogo, astro tyrano! Se a tua chaga é funda, no Oceano

Todo o teu sangue ali podes lavar!…

Mas eu recalco, ó Sol! meu mal no seío… Peja-me o pranto e a magoa!… e até receio Que os ais da minha dôr vibrem no ar!