Claridades do Sul
*Carta ao Mar*
Ó ondas fugitivas!…
(Camões)
Deixa escrever-te, verde mar antigo,
Largo Oceano, velho deus limoso,
Coração sempre lyrico, choroso,
E terno visionario, meu amigo!
Das bandas do poente lamentoso
Quando o vermelho sol vae ter comtigo,
—Nada é mais grande, nobre e doloroso, Do que tu,—vasto e humido jazigo!
Nada é mais triste, tragico e profundo! Ninguem te vence ou te venceu no mundo!… Mas tambem, quem te poude consollar?!
Tu és Força, Arte, Amor, por excellencia!— E, comtudo, ouve-o aqui, em confidencia; —A Musica é mais triste inda que o Mar!