Claridades do Sul

António Duarte Gomes Leal · Capítulo 70 de 138

Páginas do PDF

Claridades do Sul

*Carta ao Mar*

Ó ondas fugitivas!…

(Camões)

 

Deixa escrever-te, verde mar antigo,

Largo Oceano, velho deus limoso,

Coração sempre lyrico, choroso,

E terno visionario, meu amigo!

Das bandas do poente lamentoso

Quando o vermelho sol vae ter comtigo,

—Nada é mais grande, nobre e doloroso, Do que tu,—vasto e humido jazigo!

Nada é mais triste, tragico e profundo! Ninguem te vence ou te venceu no mundo!… Mas tambem, quem te poude consollar?!

Tu és Força, Arte, Amor, por excellencia!— E, comtudo, ouve-o aqui, em confidencia; —A Musica é mais triste inda que o Mar!