Claridades do Sul
Capítulo II
A espada da Theoria, o austero Pensamento, Não matou ainda em mim o antigo sentimento, Embriagam-me o Sol e os canticos do dia…
E obedecendo ainda a meus velhos amores, Procuro em toda a parte a musica das côres, —E nas tintas da flôr achei a Melodia!
II
J'ai vu les Espréces et les Formes,
j'ai vu l'Esprit des Choses.
(Balzac Seraphita)
Bem sei que a planta engana e a Natureza mente, E que a flexa do Sol nos pode assassinar, Que a Peste torna o azul sereno e resplendente, E que a pérola sae das infecções do Mar!
Tudo é Materia e Força e lei omnipotente! E em quanto o lyrio incensa e azula-se o luar, Impassivel talvez, em baixo, surdamente, A terra cria a flôr que me hade envenenar.
Bem sei! mas, na floresta immensa das Theorias, Eu amo divagar ouvindo as melodias
Que as plantas musicaes dão aos astros e aos Ceus.
Ah! eu vejo Jesus no coração das rosas!
Só eu, ouço as leaes flores melodiosas!
E o lyrio é para mim a hostia onde está Deus!