Claridades do Sul

António Duarte Gomes Leal · Capítulo 54 de 138

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Claridades do Sul

Capítulo II

A espada da Theoria, o austero Pensamento, Não matou ainda em mim o antigo sentimento, Embriagam-me o Sol e os canticos do dia…

E obedecendo ainda a meus velhos amores, Procuro em toda a parte a musica das côres, —E nas tintas da flôr achei a Melodia!

 

II

J'ai vu les Espréces et les Formes,

j'ai vu l'Esprit des Choses.

(Balzac Seraphita)

 

Bem sei que a planta engana e a Natureza mente, E que a flexa do Sol nos pode assassinar, Que a Peste torna o azul sereno e resplendente, E que a pérola sae das infecções do Mar!

Tudo é Materia e Força e lei omnipotente! E em quanto o lyrio incensa e azula-se o luar, Impassivel talvez, em baixo, surdamente, A terra cria a flôr que me hade envenenar.

Bem sei! mas, na floresta immensa das Theorias, Eu amo divagar ouvindo as melodias

Que as plantas musicaes dão aos astros e aos Ceus.

Ah! eu vejo Jesus no coração das rosas!

Só eu, ouço as leaes flores melodiosas!

E o lyrio é para mim a hostia onde está Deus!