Claridades do Sul

António Duarte Gomes Leal · Capítulo 125 de 138

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Claridades do Sul

A Alma

Talvez! Talvez! Mas fez, na Sociedade,

Guardar a Lei… firmou a Propriedade,

O juro e as inscripções!

 

A ALMA

É elle o protector dos seus direitos! —Ó nobres corações, sem fel nos peitos,

Simples castos e bons!

Deixae-vos fuzillar por essas ruas…

Que vos afoguem as creanças nuas,

Sem sangue e sem coupons!

Deixae que o senhor goze—Ó Natureza! Curvae-vos, passa agora Sua Altesa

Que o mundo assim dispôz!

Callae-vos rouxinoes melodiosos!…

 

A CARNE

Não sei por que!—São muito saborosos

Cosidos com arroz!

 

A ALMA

Velho bezerro d'ouro sobe ao throno!

—Ó alma escura, ó terra, ó abandono!…

A vil devassidão…

Roe-vos mais que o bolor, mundo em farrapos!…