Claridades do Sul
A Alma
Talvez! Talvez! Mas fez, na Sociedade,
Guardar a Lei… firmou a Propriedade,
O juro e as inscripções!
A ALMA
É elle o protector dos seus direitos! —Ó nobres corações, sem fel nos peitos,
Simples castos e bons!
Deixae-vos fuzillar por essas ruas…
Que vos afoguem as creanças nuas,
Sem sangue e sem coupons!
Deixae que o senhor goze—Ó Natureza! Curvae-vos, passa agora Sua Altesa
Que o mundo assim dispôz!
Callae-vos rouxinoes melodiosos!…
A CARNE
Não sei por que!—São muito saborosos
Cosidos com arroz!
A ALMA
Velho bezerro d'ouro sobe ao throno!
—Ó alma escura, ó terra, ó abandono!…
A vil devassidão…
Roe-vos mais que o bolor, mundo em farrapos!…